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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Quadradinhos que acolhem

Ler estas palavras - quadradinhos que acolhem - foi música, poesia. E eu tratei logo de descobrir do que se tratava.


Um projeto encantador que encontrei na minha cidade: em tricô ou crochê, quadrados são doados para depois serem unidos e transformados em cobertas para moradores de rua.

Há muito tempo atrás, eu participei de um trabalho voluntário que foi enriquecedor, não apenas pelo que nós fazíamos ( contar histórias para crianças hospitalizadas ) mas também pelo suporte que tínhamos com palestras e eventos.
E foi lá que ouvi pela primeira o conceito de  "terceiro setor".
Governos não dão conta de suprir tudo, principalmente num país de dimensões continentais. Há de se cobrar a parte que lhes cabe. Podemos também fazer parte disso.

Vieram os filhos, o voluntariado deixou de ser exercido, mas a semente ficou. 
Na verdade, essa semente vem desde sempre, desde quando nossos avós falam que temos que ser bons, nossa diz para não jogar papel na rua.

Então quando me deparei com os quadradinhos que acolhem, senti aquela vontade que transborda de poder participar. Não sou tricoteira de mão cheia. Sei fazer o básico, o mínimo, o quadrado!


O pessoal que recebe os quadradinhos, fica num parque.
Domingo fomos até lá levar os nossos.




Agulhas e novelos também bem-vindos!


Numa conversa agradável, ficamos sabendo que a turma dos quadradinhos sai junto com o pessoal que distribui sopão e entregam as cobertas.
Também fomos convidadas para participar da junção dos quadrados - garantiram que é algo incrível e eu não duvido!


Na verdade, eu gostaria que nem precisasse existir esse projeto.  Que não houvessem pessoas morando nas ruas.
Empregos, um olhar cuidadoso para a saúde mental, políticas públicas para o álcool e drogas, são coisas que cabem aos governantes.

Mas... para não entristecer e acreditar que as coisas um dia irão melhorar, a gente tricota que faz bem!
E mesmo que o prefeito da nossa cidade mandasse uma máquina fazer muitos cobertores, não seria a mesma coisa.

Vou finalizar com um trecho do livro Lívio Lavanda ( outro dia falo dele! )

"Lívio Lavanda está tricotando um cachecol de frases de amor para Anelise.
 - Ele esquenta por dentro - explica para uma amiga ao telefone".

Possam os quadradinhos de qualquer cor, por várias mãos executados, aquecer também por dentro.