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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

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Ninho encontrado na rua

À Manoel de Barros

Não posso falar nada sobre Manoel de Barros sem primeiramente agradecer aos blogueiros. Foi através dos blogs que eu conheci Manoel e sua poesia.
Fosse numa postagem, num verso inserido no texto ou deixado nos comentários.
Aquelas palavras fizeram ninho em mim. Fui em busca de saber. A cada dia encontro mais um pouco, um pedacinho a mais. Obrigado a vocês blogueiros que me alçaram nesse mundo poético.

"Morre aos 97 anos um dos mais importantes poetas brasileiros".

Com essa frase, os principais meios de comunicação deram destaque à partida de Manoel.
E eu continuo intrigada e entristecida.
Estudei no melhor colégio de freiras daquela região. Em doze anos, nunca um dos maiores poetas estivera presente.
Faz tanto tempo, que talvez seja esse o motivo dos versos de Manoel nunca terem aparecido na minha vida escolar.
Então, os meus filhos são "atuais", ainda frequentam a escola.
E em todo esse tempo que eles frequentam a escola, esses tempos modernos e atuais que chegaram a noticiar a possibilidade de Manoel de Barros ser indicado ao Nobel de Literatura, mesmo assim, os versos daquele que compreende o idioma inconversável das pedras também nunca apareceram, fosse num texto de livro, exposição, tarefa de casa.
Nas livrarias, montanhas de livros em tons cinzentos, mas só sob encomenda um livro daquele que escreveu "Quem ornamenta/ o azul das manhãs/ são os sabiás.

Certa vez, uma mãe me disse que as férias escolares se traduziam em uma palavra - inferno. 
Era um inferno ter filhos em férias. Todos os dias shopping, cinema, hambúrgueres, parque de diversões do shopping, sorvete na praça de alimentação, boliche, patinação.

Se essa mãe tivesse se deparado com a poesia daquele que, viveu num lugar tão ermo, que precisou fazer das palavras seu brinquedo, ela entenderia que é maravilhoso ter esse tempo distante da escola, para descobrir coisinhas sem importância dentro e fora de casa. Que passear é um prazer e não uma obrigação com hora marcada.

Voassem feito passarinhos os versos de Manoel nas escolas, talvez muitos jovens não precisassem sentar-se no final da tarde aqui na praça em frente de casa, para consumir drogas, porque eles saberiam contemplar "Melhor para entardecer é encostar em árvores".

É sempre assim: agora que um dos maiores se foi, ele se torna conhecido.
Não importa. Para Manoel, nunca importou as grandezas. Ele tinha mesmo canduras pelas pequenezas, inútil, sujo, feio.
Para nós, novas oportunidades de vermos o menino-poeta-passarinho adentrando as histórias que os pais contam com as crianças já de pijamas, as escolas, as praças.
Prateleiras cheias, divulgação, um título inédito aqui, um relançamento acolá. Seus versos a nos encantar!

Por que eu peguei um ninho caído na rua?
Acho que alguma inutilidade se aninhou em mim.
Obrigada aos que me apresentaram à um dos maiores poetas, obrigada Manoel de Barros!

domingo, 22 de setembro de 2013

Domingo pode?

Domingo pode passarinho cantar?

No início desta semana já era possível perceber a aproximação da primavera.
O sol já faz contornos diferentes ao re

dor da casa e o escuro que havia na janela do quarto de dormir, deu licença para um clarão que adentra as frestas e anuncia o amanhecer de tempos mais quentes.
Anúncio este feito em cores e também melodias de passarinhos.
A passarinhada está assanhada. As pessoas estão irritadas.

No mesmo início da semana, foi publicado uma matéria no jornal falando do sabiá-laranjeira, o cantador oficial da nova estação, e foi surpreendente o que aconteceu depois: redes sociais, programas de tv, telejornais mostraram o ódio dos paulistanos ( generalizo, mas claro há exceções e muitas ) para com os passarinhos.
Fico feliz de viver numa época em que cidadãos urbanos não têm destreza nenhuma no manuseio de budoques, ou como eu conhecia na infância, estilingues.

Não se trata de querer que todos os paulistanos amem os passarinhos, mas foi uma reação, na minha opinião tão desmedida que talvez mostre o quanto nos distanciamos da natureza externa e interna em nós.
Até as conversas de elevador, mudaram do se chove ou que calor, para o ataque aos pássaros.
E me pergunto se essas pessoas falam porque a maioria está falando, se pensam no que pronunciam ou escrevem, por exemplo: "Impossível, insuportável dormir em Higienópolis".
Higienópolis é um bairro nobre. Essa pessoa então aceitaria ir dormir em Ferraz de Vasconcelos, periferia onde há funk pancadão e tiros?

Outra atitude que é de difícil compreensão, estamos em campanha para uma cidade mais verde, porque como disse uma amiga turista pernambucana, até as árvores tem um verde cinzento em São Paulo.
Ela está certa. Tudo aqui é cinza, temo que haja concreto até nos corações...
Então vem um feriado e as estradas se entopem porque precisamos relaxar, ir para o verde, ouvir passarinhos, ter contato com a natureza.

No mesmo jornal, só que no final da semana, publicou-se locais no litoral onde é possível ver e apreciar passarinhos. Valores para todos os bolsos.
Por que na cidade irrita e ficar parado quatro ou mais horas para descer a serra e pagar para ouvir passarinhos não irrita?

Marido acha que a qualidade do sono das pessoas está péssima, o que se reflete em irritação.

Traga a nova estação aconchego nas palavras e no coração, aproximação com a natureza da qual nunca deveríamos ter nos afastado.
Hoje também é o Dia Mundial Sem Carro. Reflexões sobre mobilidade urbana são urgentes.

Trago uma curiosidade, uma pergunta e poesia.

Uma espécie de pássaro que constrói moradia para mais de 100 indivíduos.
Os ninhos são tão complexos que podem ser mais resistentes que uma árvore.
Foto de Dillon Marsh


Gostaria de saber como é aí na sua cidade a relação ser humano/ passarinho.
Da Chica já sei que são os passarinhos que pedem para ela não acordá-los!

E, seja sincero, você se incomoda com a passarada?

Poesia pra combinar com as árvores, com a primavera com a pesquisa da Universidade de Liverpool que constatou que poesia faz bem para o cérebro.


Gorjeios

Gorjeio é mais bonito do que canto porque nele se
inclui a sedução.
É quando a pássara está enamorada que ela gorjeia.
Ela se enfeita e bota novos meneios na voz.
Seria como perfumar-se a moça para ver o namorado.
É por isso que as árvores ficam loucas se estão gorjeadas.
É por isso que as árvores deliram.
Sob o efeito da sedução da pássara as árvores deliram.
E se orgulham de terem sido escolhidas para o concerto.
As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.

Manoel de Barros

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Blogagem coletiva - palavras


A blogagem coletiva proposta pela Etienne esta semana é a seguinte: Três palavras ( ou mais ) que você mais gosta de ouvir ou de usar.

Fronha - Enfronhado - Passarinho - Despassarado

Há algum tempo eu fiz uma brincadeira aqui no blog quando escrevi sobre o livro A grande fábrica de palavras e tínhamos que comprar ou não, palavras.
Uma amiga citou o seu desgosto pela palavra fronha e nos divertimos muito a partir disso! Toda vez que fronha aparece em palavra ou no varal eu lembro dela. Fronha virou sinônimo de amizade. E logo depois veio a Chica com o seu enfronhado. Também ficou marcado!
Passarinho porque temos muitos blogueiros passarinhos seja porque acordam cedinho para postar, seja porque têm um quê de poesia assim "A lua faz silêncio para os pássaros ou "A voz de um passarinho me recita" ou também porque eu acho que visitar cada blog é como voar de árvore em árvore, de ninho em ninho.
Por falar em ninho... ali dentro fizeram um!








Não tinha nenhum banquinho para eu subir e depois esqueci!









Despassarado: eu sou bastante rigorosa com algumas expressões, com algumas palavras. Palavras têm força. Não gosto, por exemplo, de dizer estou morrendo de sono ou de fome. Estou com muito... e portanto não gosto quando dizem por qualquer coisa "estou ficando louca, estou maluca"e então certa vez recebi um comentário vindo lá de Portugal de uma amiga que se dizia despassarada.
Fui consultar o meu amigo português Priberam ( um dicionário! ) e aprendi:
despassarado - adjetivo; diz se de pessoa aérea, distraída, desastrada. Adorei e adotei!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Feliz Aniversário Tina!

"Achava que os passarinhos
são pessoas mais importantes
do que aviões.
Porque os passarinhos
vêm dos inícios do mundo.
E os aviões são acessórios."

Manoel de Barros



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

As cercas

Tenho acordado cedo. Muito cedo.
A verdade é que tenho madrugado depois do Estatuto dos Passarinhos.
E não, não é para retratá-los com a minha ruim máquina e minha péssima técnica.
Tenho acordado cedo para que eles, os passarinhos, não morram.
E por favor não me chamem de pretensiosa antes de terminarem a leitura.
Ah! Como gostaria de poder salvar todos os pássaros das turbinas dos aviões e principalmente das cercas elétricas...
Ao menos da minha cerca elétrica.

Eu não resido em nenhuma paisagem bucólica, campestre; eu não resido em nenhuma cidade arborizada e por isto, ter um passarinho na varanda, ainda que seja do tipo mais comum, é motivo de exaltação.
Mas também de preocupação. Preocupação em desligar a cerca elétrica bem cedinho, no momento em que o anoitecer se vira, se espreguiça e segue para o outro lado do mundo, para que eles não morram.
Há algum tempo, ouvi uma notícia que falava do aumento do número de passarinhos mortos, ou seja, da diminuição das cantorias matinais, por causa da sensacional tecnologia, que aos olhinhos dos passarinhos são pautas musicais, onde podem de assentar e iniciar o concerto. É a pausa da morte.
Aqui não tinha essa enganação para as avezinhas, mas "eles"entraram aqui dentro, ignorando que aqui era palco da passarinhada popular, tão urbana.
Foi preciso o artefato para que gente sem pena não pulasse mais aqui para dentro.
Como eu explico isso para aqueles passinhos saltitantes?
Acordo cedo, muito cedo e desligo a cerca, que poderia ser como aquelas que eu desenhava quando era criança: de madeira, bem baixinha, rodeando a casinha no meio do terreiro, com um portãozinho que range ao abrir.
Um dia ainda teremos uma cidade para homens e pássaros.