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quarta-feira, 30 de março de 2016

20 gramas

Você tem?
Já teve?
Conhece?
Nunca ouviu falar?
Achava que não existia mais?
Pois ainda existe sim!
Eu tenho e uso. Olha só:


Arrisquei a pergunta num balcão de papelaria para uma jovem funcionária. Pensei inclusive que a moça nem soubesse do que se tratava.
E qual não foi a minha surpresa! Ela sabia e virou-se certeira para a prateleira que acomodava os "blocos de carta".
São diferentes dos papéis de carta decorados que muitas de nós colecionamos no passado, ou talvez algum garoto tenha recebido um lindo poema num papel decorado!
O papel que vem neste bloco é bastante fino e delicado. Eu gosto de achá-lo parecido com a delicadeza da seda!
É preciso cuidado ao manuseá-lo, rasga fácil, amassa.
Toda essa leveza é para que não ultrapasse 20 gramas a sua carta.
Esse é o peso limite estipulado pelos correios para uma carta simples.
Com a leveza desse papel, é possível escrever várias páginas!
Antigamente, até o envelope contribuía para a leveza das cartas. Ele também era de um papel mais fino, já vinha com cola, é só dar uma lambida! Quem, quem já lambeu envelopes?!
E foi com leveza que eu deslizei pelas pautas azuis do meu bloco e fui hoje aos correios levar cartinhas.
Curiosa que estava, pedi ao moço que me atendia para que pesasse cada uma das cartas!
A maioria pesava 4 gramas. Uma, na qual eu incluí uma fotografia e a carta manuscrita no finíssimo papel, pesou 10 gramas.


Agora eu gostaria de saber quanto pesa cartas que você envia? Em qual papel você as escreve?
Conta tudinho aí nos comentários!
Beijo!


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Blogagem Coletiva


Nesta blogagem coletiva, organizada pelo Christian do blog Escritos Lisérgicos, é que seja escrita uma carta para Julieta.
Minha participação:



São Paulo, 12 de junho de 2013.

Prezada Julieta

Hoje comemoramos o “Dia dos Namorados” aqui no Brasil e sim eu estou feliz porque tenho um namorado!
Mas eu sei que o namoro não vai durar muito. Como os anteriores.
Tem sido assim Julieta, a cada ano estou com um namorado diferente. Dou sorte de nunca passar o dia dos namorados sozinha, mas depois, só algum tempo depois, tudo acaba.
Será que você pode me ajudar?
É assim: sempre compro presente no dia dos namorados.
Como eu escolho o presente?
Pela promoção vigente. A cada seiscentos reais em compras concorra a um carro zero km;
a cada quatrocentos reais você concorre a uma viagem de cruzeiro com acompanhante.
Então eu vejo qual é a melhor promoção e lá vou eu gastar a quantia estipulada para ganhar os cupons.
Daí que eu dou o presente, não ganho promoção nenhuma, chega a fatura do cartão, não tenho dinheiro para pagar, começam a telefonar para a minha mãe, que me enche o saco, eu tenho que trabalhar até mais tarde para ganhar dinheiro e saldar a dívida e aí quando chega a hora de namorar, estou de mal humor, cansada e frustrada porque nada de cruzeiro ao lado de quem se ama. Só algumas semanas e eu estou sozinha e com as parcelas do presente ainda para pagar.
Esse ano eu escolhi dar para ele um kit de presente que você concorre a uma viagem assim:
ele coloca uma venda em teus olhos, te conduz até um avião e quando ele tira a venda vocês estão em Veneza e aí o beijo é mágico!
Julieta, você já imaginou o teu amor colocando uma venda em teus olhos e te levando em segredo para a cidade mais romântica do mundo?
Custou bem caro o kit, é verdade. Mas, vale a pena, hã?!
Só de imaginar um beijo com uma gôndola passando ao fundo ( é lá mesmo que tem gôndolas? ).
Mas esse ano, já estou desanimada antes mesmo de entregar o presente. Gastei tanto dinheiro sonhando com esta viagem e eu vou estar com ele naquele carro apertado, porque nem grana para namorar em outro lugar a gente tem.
Você tem alguma dica de como eu posso concorrer nestas promoções e ganhar? Porque aí Julieta, eu tenho certeza que meu namoro vai decolar!
Obrigada querida, fico aguardando a tua resposta.
Um beijo

Endy Vidada.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Carta ao Pipoqueiro

"Toquinho de gente"- era essa a expressão que eles, os adultos, usavam para me descreverem aos três anos de idade.
E foi com esta altura de toquinho de gente que eu cheguei pela primeira vez ao seu carrinho.
Meus olhos alcançaram o vidro que separava duas montanhas de "coisinhas engraçadas brancas e avermelhadas. Aprendi que eram pipocas e eu podia escolher entre o sabor doce e o seu oposto.
Daquele dia em diante os nossos encontros passaram a ser constantes. Sempre aos finais de semana.
Cresci, mas continuei com o olhar para baixo, para o vidro quando estava diante do seu carrinho.
Sabe que durante muitos anos na minha vida não senti tanto a tua falta?
Viajei o mundo, passei a apreciar os doces finos, tive filhos e de repente você, com seu carrinho que me fascinou na minha infância, tornou-se um inimigo a ser combatido.
Lembro-me de quando passei em frente a uma escola e te vi entregando teus pacotinhos para aquelas mãozinhas que se erguiam com a ajuda das pontas dos pés. E eu repudiei aquela cena.
Como permitem que estrague o jantar dessas crianças? Um abaixo assinado dos pais certamente o tiraria dali.
Segui esquivando meus filhos da tua presença em portas de colégio, na saída do zoológico, na frente do parque.
Preciso do teu perdão.

Aquelas crianças, hoje jovens, chegaram em casa trazendo um balde. Disseram que no cinema é ali que colocam a pipoca.
 - O pipoqueiro faz isso? - indaguei.
Riram-se de mim.
 - Vó, é uma máquina que faz a pipoca!

Eu levei uma vida para compreender que os teus saquinhos de pipoca eram a extensão da alegria do parque, do zoo, do teatrinho. Você, pipoqueiro, completava a alegria de um final de semana, de um passeio e eu nunca havia me dado conta que você deixava teus filhos para alegrar os meus.
Foi preciso que eu erguesse meus olhos até os teus para ouvir, em meio ao milho estourando na tua velha panela, que você criou, estudou teus quatro meninos com a tua profissão de pipoqueiro. Foi preciso que junto com o saquinho de pipoca você me entregasse um papelzinho com o desejo de um bom ano e uma oração.
Meu neto ainda tem o sorriso mais lindo do mundo todo banguela! Quando eu puder chamá-lo de toquinho de gente, quero mostrar-lhe o teu carrinho; quero que experimente um pouquinho da salgada e da doce e escolha, ou fique sempre em dúvida, para cada vez saborear um pacotinho.
Mas quero erguê-lo à altura dos teus olhos Sr. Pipoqueiro, para que ele conheça a pessoa que todos os finais de semana deixa de se divertir, que deixa a família em casa para alegrar a vida de desconhecidos, acrescentando sal, canela, uma fitinha de coco na pura e simplesmente pipoca.
Perdoe-me Sr. Pipoqueiro e obrigada por existir.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Carta ao Seu Zé da Geladeira.

Oi Seu Zé da Geladeira!
Talvez o senhor nem se lembre de mim.
Acho que nos conhecemos logo após aquela Frigidaire azul que minha mãe odiava e eu nunca soube o porquê.


E então chegou lá em casa uma geladeira vermelha, de segunda mão, mas para minha mãe era melhor do que aquela maçaneta. Parece que consigo até ouvir o barulho dela aqui nos recônditos da memória.

Até que um dia a cozinha amanheceu cheia de água e a porta da geladeira vermelha não fechava de tanto gelo que havia se formado no congelador. Parecia até que ia explodir em gelo.
A sorte é que era sexta-feira, dia de feira. Corremos até lá e fomos direto na barraquinha do Seu Zé do Fogão, aquele que sempre vendia uma espécie de injeção com agulha bem comprida caso o fogão adoecesse, e pedimos a ele que avisasse para o senhor ir lá em casa: era caso de vida ou gelo.
Ah! Eu me lembro direitinho quando o senhor chegou vestindo um macacão cinza chumbo e o senhor também tinha um cheiro estranho. Um cheiro cinza. Seus braços também eram cinza.
O senhor trazia uma maleta com as ferramentas que me lembrava a mala do gato félix! É que naquela época eu assistia ao desenho do gato félix, sabe.


Após rápido exame, o senhor já foi dizendo que o problema era uma desregulagem no gás. E tratou de me mandar ir para longe e deu-lhe gás na geladeira.

Não durava muito o seu concerto não, seu Zé da Geladeira e mamãe ficava muito brava porque virava e mexia lá estava aquele iceberg que não deixava a porta fechar e lá íamos nós atrás do senhor na feira.
Nestes dias mamãe ficava tão nervosa que nem pastel ela lembrava de comprar. Uma pena.
Até que um dia, o Seu Zé do Fogão falou que o senhor tinha morrido.
Nós ficamos tristes. Mesmo que mamãe sempre reclamasse que o senhor cobrava muito caro, nós já havíamos nos acostumado com a sua maleta, o seu cheiro cinza.
E eu não sei dizer se foi porque o senhor morreu ou a situação melhorou que nós compramos uma geladeira novinha, da cor bege. Era a última moda em termos de geladeira.
Sabe, Seu Zé da Geladeira, tanta coisa mudou desde que o senhor se foi.
Aquelas geladeiras azuis que mamãe não gostava de jeito nenhum, viraram obra de arte.


Precisa ver que belezura! Que será que foi feito com todas aquelas geladeiras que o senhor tinha na sua garagem que nem dava quase para entrar lá. Foi o Seu Zé do Fogão que contou.

O senhor precisava estar vivo pra poder acreditar no que está acontecendo com as geladeiras neste mundão de meu Deus.
Aonde o senhor estiver, senta. Senta que é pra cair de tanta modernidade.
A moda agora é uma geladeira que fala, ou melhor, escreve.
Num tá acreditando em mim né Seu Zé da Geladeira? Pois é verdade sim: lá na porta dela tem um computador pequeno, tudo que tem lá dentro, a geladeira sabe e quando acaba, ela manda uma mensagem pro seu celular que é pra você já ir logo comprando. Num disse que a geladeira escreve?


Espia só: é nesta tela aí que a geladeira sabe de tudo.


Eu não vou querer uma desses não Seu Zé da Geladeira. Sabe por que?
Porque num pode grudar bichinho nela, adesivo da pizzaria. Você tem que colocar o telefone da pizzaria nesta tal de tela da geladeira.
E eu gosto mesmo é de uma geladeira assim, cheia de coisinhas.


Agora eu vou contar mesmo a verdade porque eu quero uma geladeira daquelas que fala, escreve.
Eu tenho medo Seu Zé.
O mundo pro lado de cá tá tão esquisito que eu tenho medo de ficar sentada olhando pra tela do meu celular esperando que alguém me chame, que alguém se lembre de mim e pode ser que a única criatura a me mandar um recado, uma palavra seja a geladeira.
Quero isso não.

Flores e um abraço da menina da geladeira vermelha ( cheia de gelo)