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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A favor do aumento

Sou a favor do aumento de R$0,20 na tarifa do ônibus.
Isso mesmo. Quero o aumento.

Utilizei o transporte público durante muitos anos para trabalhar. Hoje, utilizo com menos frequencia, uma vez que não trabalho fora.
Para quem não mora em São Paulo, talvez fique um pouco difícil de compreender a lógica e a logística do que vou dizer; para quem mora, é realidade.
Utilizamos uma média de duas horas e meia para irmos e outras duas horas e meia para voltarmos do trabalho. Parece estranho, não? Cinco horas diárias usadas em locomoção para distâncias curtas se comparadas que com estas cinco horas daria para chegar ao Rio de Janeiro, por exemplo. São dados de pesquisas. 

Eu acordava às quatro da manhã, sem direito a dar aquela esticadinha de alguns minutinhos a mais. Entrava no chuveiro rapidamente para acordar realmente.
As quatro e meia tinha que estar no ponto de ônibus. Não tomava café da manhã. Seria melhor dizer café da madrugada. Não se sente muito apetite a essa hora.
A primeira vez que eu saí na rua para o meu primeiro dia de trabalho imaginei que só teria eu no ônibus, o metrô estaria vazio. Foi uma surpresa. Lotado.
Precisava passar o cartão às sete horas. E mesmo saindo as quatro e pouco da madrugada, muitas vezes passei o cartão atrasada.
As panes eram constantes, as paradas, a lentidão, a operação tartaruga...
Então eu imagino que com os R$0,20 de aumento, haverá rapidez, fluidez nos transportes.

Outro fato que notava, é que nas saídas das estações, sempre havia alguém com um carrinho de feira cheio de garrafas térmicas vendendo num copo plástico, café com leite e um pedaço de bolo simples, por R$2,00. A maioria fazia uma pausa ali. Era o café da manhã que de madrugada não desce, ou para manter o silêncio e o sono dos outros habitantes do lar, a gente sai sem tomar.
Então eu acredito que com o aumento dos vinte centavos, a rapidez dos coletivos, será possível que se gaste em média apenas uma hora para chegar ao seu destino, sendo possível dormir um pouco mais e ter tempo para um café. Estaríamos economizando, pelo menos R$1,80 sem precisar comer logo pela manhã na rua.

Um outro problema que eu enfrentava e hoje outros tantos milhões enfrentam aqui em São Paulo é o xixi.
Falando de metrô, trens, não há banheiros disponíveis. Você tem que sair da estação, muitas vezes pagar R$0,50 para esvaziar sua bexiga. Ou você acha que é só pedir para o funcionário que supervisiona as catracas - "moço só vou ali fazer xixi e já volto, posso passar por baixo, ou o senhor libera para mim?".
Não. Ou você paga uma nova passagem, ou você segura o seu xixi.
E torce para que você não tenha nenhuma infecção urinária porque vai gastar com remédios, sem contar que se precisar utilizar o serviço público de saúde, aí já é um outro assunto.

Já foi assunto de tese a falta de banheiros no trajeto do trabalhador que utiliza transporte público e suas implicações na saúde. Não é invenção minha.
Então eu acredito que com os tais vinte centavos, haverá dignidade para quem utiliza os coletivos.

Livros. São outro aspecto que valeriam o aumento dos vinte centavos.
Milhões de pessoas que ficam duas horas ou mais dentro de um ônibus ou mesmo nos trens e metrô, fazem da leitura seu lazer, sua companhia para passar o tempo e de quebra se instrui, aprende, desenvolve vocabulário, pensa, raciocina...
E havia nas estações de trem e metrô, bibliotecas. Fácil acesso. Perfeito para pegar, devolver sem ter que sair do seu trajeto.
Havia.
Por falta de patrocínio, foram fechadas.


Ficou apenas uma na estação Paraíso.

O preço médio de um livro está em R$35,00. Um ou dois livros que se pegasse nessas bibliotecas, valeriam os seus vinte centavos.

Quero acreditar que com o aumento de vinte centavos, os espaços de leitura reabram.

Houve um tempo, em que era possível ler jornal dentro do metrô. Eu era uma das pessoas que "filava"o jornal alheio. Era divertido.


Agora, veja como é nas plataformas e use sua imagine como é dentro de um vagão.



Não é nada divertido. Mas eu acredito que com os vinte centavos, o sistema será ampliado a ponto de se conseguir segurar um jornal durante seu itinerário.

Algumas pessoa me disseram para nem perder tempo escrevendo isso porque os vinte centavos vão custear obras superfaturadas, vão comprar milhares de GPS que não servirão para melhorar a qualidade do transporte e vão enriquecer ainda mais uma minoria.

Eu insisto em acreditar que tudo vai melhorar.

As ruas não me deixam mentir. De muitas maneiras, estamos gritando por mudanças.



sábado, 4 de maio de 2013

Correio elegante


Moço loiro de dreads compridos e óculos aviador indo hoje (03/05 às 11h +-) com uma supermochila pro Artur Alvim no 273R?
Minha alegria foi subir a escada rolante do metrô e ver que vc tava lá do lado, mas logo acabou assim que eu passei pela catraca. Não pode ter desaparecido assim, cadê vc?

To procurando um carinha que entrou comigo no trem da linha esmeralda sentido Grajaú em Pinheiros e desceu no Grajaú comigo também. ele tem barba, cabelinho grandinho e cacheado. tava estudando algo relacionado com o corpo humano. ele olhou pra mim e deu um sorriso. por favor, se manifeste. sou a menina de tiara e dreads

Rapaz magro (não magrelo, só magro), cabelo e barba negros *-*
Usava uma camisa polo azul escuro e carregava uma mochila nas costas. Estava saindo da estação Ana Rosa às 18h35min, eu estava entrando. Ele nem me viu, mas com certeza um dos homens mais lindos que já vi na vida

Durante minha rotina desgastante, achei a japa da minha vida.
Tudo aconteceu quando eu estava atrasado pros meus afazeres, nessa primeira sexta-feira de maio, ela entrou comigo as 15 pras 7 da manhã na estação Brigadeiro (no vagão mais perto daquela maquininha de livros), e eu tive que descer no Paraíso (poxa, o paraíso de verdade já tava na minha frente, né)
Cabelos negros (é japa, né), deve ter minha altura (1,70), bem magrinha e de uma beleza nipo-brasileira acima da média. Tava usando um all-star e acho que um casaco azul mais claro ou cinza (não tenho certeza ~~~sou daltônico haha).
Gata, não sei se você é Issei, Nissei, Sansei, Yonsei, Rokussei; mas por uns momentos eu te amei. Bjs vemk!

Barbudo que me ajudou com uma mala na saída da estação Ana Rosa, em vez da minha mala, me pega no colo e me carrega.

Leu? E então, o que achou?
Sabe o que é isto? Chama-se Spotted Metrô SP.
Funciona assim: por dia mais de 3,5 milhões de pessoas passam por dia pelo metrô. Trocas de olhares e piscadelas fazem parte da rotina nas plataformas. Para ajudar a paquera surgiu esta página no facebook para tentar encontrar a paixão-relâmpago da viagem subterrânea!

Acho que é uma espécie de correio elegante virtual! Eu adorei a ideia por dois motivos: talvez estimule maior uso do transporte coletivo ( se bem que não há espaço nem para pulgas ) e certamente vai despertar muito poeta, muita gente escrevendo bonito para fisgar o coração encontrado e desencontrado no metrô.
Ah! Se eu usasse metrô ainda iria participar dessa.
Calma, calma aí. Nada de paquera não! Entusiasmo, bom dia, gentilezas, oferecer uma poesia para alguém cabisbaixo...
E você o que escreveria?


terça-feira, 30 de abril de 2013

Filtro de barro, caneco de loiça

Ao primeiro minuto do horário comercial, toca o telefone.
 - Alô. É da casa do doutor Donisete?
 - Sim.
 - Ele está?
 - Não. Está trabalhando.
 - Oi. Bom dia. eu sou Cicrana e trabalho com filtros de água e nós estaremos fazendo ( a praga dos gerúndios ) uma demonstração do nosso produto, um filtro de última geração. Tecnologia 4G dos filtros: antibactéria, antialcalinizante, ionizante, anti influências alienígenas, enfim o que há mais moderno e tecnológico está no nosso produto. Por favor, qual é a marca do filtro do doutor Donisete?
 - Nenhuma.
 - Como assim?
 - O filtro dele é de barro.
 - O que? Filtro de barro? O doutor Donisete bebe água de um filtro de barro?
 - Sim.
 - Não, não pode ser. Você tem certeza?
 - Absoluta.
 - Mas é que eu conheço o doutor, já me consultei com ele. É difícil acreditar que ele realmente tenha um filtro de barro...
 - Isso porque a senhora não viu o caneco onde ele bebe a água. Tenha um bom dia. Passar bem.


sábado, 27 de abril de 2013

Favor não mexer

"Favor não mexer". 
Estava escrito na plaquinha colocada sobre o piano de cauda preto.
E o mesmo conceito parecia valer para o senhor que chegou, tirou a placa, levantou a cauda do piano e sentou-se ajustando a banqueta.
Na sala somente eu, que por alguns instantes, pensei que estaria dentro de um recital.
O senhor abriu a maleta preta que trazia e ao invés de partituras, tirou de lá martelos, chaves e pôs-se a tocar a mesma nota repetidamente enquanto mexia em seus martelinhos.
Não foi um recital, mas estava interessante aquela sessão de afinação.
Que vontade senti de puxar uma conversa, porém o "favor não mexer" parecia estar mesmo no homem. Eu não consegui me aproximar.
Assim que minha filha terminou sua aula de violão, fomos embora deixando para trás o afinador de pianos.
Não tendo um piano em casa com cauda ou sem cauda, e não pertencendo à classe dos músicos,  a chance de se deparar com um afinador de pianos deve ser 01/por vida.
Pois eu encontrei com ele pela segunda vez! E dessa vez ele não estava com a plaquinha "favor não mexer".
Puxei prosa e afinamos numa boa conversa. Ele até me deixou mexer no diapasão e eu pude aguçar meu ouvido tentando perceber a vibração da nota. Pude também mexer em seus martelinhos, girei a tal chave e me encantei foi com os caminhos musicais do Sr Nunes.

Adicionar legenda




Começou trabalhando na fábrica de brinquedos Estrela e lá, aos dezesseis anos, um acidente o fez perder um dos dedos da mão direita.
Superada a tristeza, a dor, descobriu ter um ouvido privilegiado. Aprendeu o ofício de afinador de piano.
Não sabe tocar absolutamente nada no objeto do seu sustento.
Toca violão em rodas de choro.
Seu Nunes me disse que o grande problema dos músicos de hoje é a pressa.
A pressa impede que os instrumentos sejam afinados adequadamente.
Uma lição de tranquilidade esse Seu Nunes!
Afinou, fechou a cauda do piano, colocou a plaquinha "favor não mexer" , despediu-se de mim e se foi.

sábado, 6 de abril de 2013

Não julgar

Já dizia um amigo meu: "Não chegamos nem na hora do almoço sem fazer um julgamento."
Eu não chego nem no meio da manhã. Bem que me esforço.
Começo na noite anterior me propondo a ficar distante de julgamentos, mas é só começar o dia e eu ir ao supermercado que... na volta me deparo com tanto lixo no canto da praça que já começo a julgar.
Ah! Se eu pegasse o sujeito ou sujeita que faz toda essa sujeira. Eu ia falar, ia dar uma aula de ecologia, meio ambiente, cidadania.
Ah! Se eu pego.

E não é que peguei o tal sujeito?
Olha só ele levando o lixo pra emporcalhar a praça.
Fotografei tudinho.
Cada passo.






É o cachorro Vitória! ( é que nos acostumamos a nos referir a "ele"como o cachorro preto e depois ouvimos alguém gritar Vitória e "ele" levantar as orelhas e sair em disparada, então ficou cachorro Vitória! ).
Vitória carrega os sacos de lixo que encontra e leva para a praça onde rasga todos.
Então toda essa sujeira aí foi feita por este cachorro.
E agora?
Vou ter que seguí-lo para descobrir onde mora e levar ao seu dono o endereço do blog.
Coragem de falar, tenho não!
Conhece aquele ditado: cão que ladra não morde?!


sexta-feira, 1 de março de 2013

Três momentos

Júlia resolvendo uma situação embaraçosa na escola:
"Mãe, eu falei pra minhas amigas, agora chega disto. Todos nós temos nossas qualidades e desqualidades".
( Adoro até as desqualidades da minha filha! Desqualidade sempre dá para melhorar! )

Bernardo:
"Mãe a diretora disse para mim que comprou todo equipamento e já está montado o estúdio de rádio do colégio e ela quer que eu faça parte".
"Que coisa boa"- eu respondo.
"Sabe mãe eu na verdade não queria"
"Por que?"
"É que minha voz não é tão engrossada igual a dos meninos maiores da minha sala".
( E precisa ter voz engrossada para falar no rádio? )

Mãe em momento de oração:
"São Longuinho, não, não, por favor não saia correndo para se esconder de mim. Não vou te pedir para ajudar a achar nada hoje.
Sei que está cansado, exausto por nossa causa e eu te compreendo. Compreenda também as crianças só mais um pouquinho; elas logo crescem. Amém.




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Música na noite

Ontem ( segunda-feira à noite ) eu acompanhei  a minha filha Júlia a um evento musical.
A sala dela do quarto ano foi convida pelos músicos do grupo Música em Família para se apresentarem junto com eles num teatro aqui de São Paulo. Infelizmente só pode ir uma sala de aula, mas eles brincaram e dançaram muito!
Há um tempo, eu publiquei aqui no blog, uma música deste grupo, que foi uma das que mais eu gostei, com letra e vídeo.
Depois desta noite, passei a gostar ainda da música por saber como ela surgiu.
A cantora, Paula Santisteban, assistiu ao documentário "Criança a alma do negócio" e disse ter se impressionado com a resposta de 9 criança numa roda de 10 para a seguinte pergunta - o que você gosta mais de brincar ou comprar?
Comprar foi a resposta das 9 crianças.
Surgiu assim a música Não Custa Nada.
Ficou mais especial!

Durante a apresentação do projeto, também foi falado de um outro projeto que viaja pelo nosso Brasil retratando as brincadeiras das crianças.
Tem um vídeo aqui.  Além de relembrarmos momentos gostosos que vivemos, faz também refletir sobre a situação das nossas crianças das grandes cidades.

Alguns momentos das crianças:











Júlia pede para avisar que nesta última foto ela não ficou fazendo pose não. Foi a Paula que a abraçou de uma maneira "estranha"!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O feijão e o mendigo

Depois de deitar o feijão em folhas de louro, pedi ao Bernardo que se arrumasse para a escola.
O menino banhou-se, perfumou-se, vestiu-se e apresentou-se para a inspeção:


Não consegui liberá-lo de imediato. Meus olhos pararam demoradamente sobre ele que me dizia:
"Mãe, eu lavei as orelhas, esfreguei o pescoço."
Estava bonitinho o meu filhinho, um pouco cheirosinho, mas...
Tinha algo estranho nele.
Entre o cheiro do louro se desprendendo do chiado da panela de pressão, o cheiro do banho, havia algo a mais.
Hesitei, hesitei, tentei ordenar os pensamentos como quem cata feijão e fiz a pergunta:
"Onde você pegou esta blusa do uniforme?"
"Tava dobradinha em cima do sofá."
Bastou.
Bastou para que explodisse em mim uma gargalhada daquelas que levou a sentar no chão!

No último dia de aula do Bernardo no ano passado, a camiseta dele estava tão encardida, que eu nem coloquei para lavar. Peguei uma tesourinha escolar e com sacrifício cortei as mangas. "Assim não dá mais para usar"- pensei. Virou pano de limpeza.

Eu estava limpando vidros com ela quando tocou a campanhia e eu deixei o "paninho"dobradinho sobre o sofá e fui atender.
E o guri me aparece assim:



"Mãe, quase que eu fui para a escola assim, feito mendigo!"
Depois de sentar e rolar no chão de tanto rir, pedi para ele esperar um pouquinho e fotografei.

Levo o Bernardo para a escola e busco a Júlia.
Já em casa, eu contei para ela ( quase não conseguia falar de tanto que ainda ria ) o acontecido.
"Você acha isso divertido? Quase o coitadinho vai para a escola feito mendigo.
Ah, já sei. Você nem liga. Você adora conversar com mendigos"

( descrição fidedigna da cena ocorrida; não exagerei em nada! ).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pedra

No meio do caminho
tinha uma pedra
No meio do meu feijão
uma pedreira inteira!


Bom dia!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Hoje tem bolinho!

Quem está servido?
Hoje vai ter bolinho de milho feito pela ala masculina da família.
Milho colhido lá na roça das Gerais!





segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O bloco dos cheiros

Estou começando a ler um livro juvenil, e logo nas primeiras páginas, a descrição de duas amigas levou-me longe pelos caminhos da memória.
"... Sua casa ( que era o sonho de Julieta ) tinha um cheiro de lustra-móveis, de cera, de desinfetante, e tudo parecia impecável como uma propaganda de televisão."
Faz tempo que minha casa não tem essa reunião de cheiros.
Explico.
Quando termino de usar o desinfetante está na hora de levar alguma das crianças para a natação.
Depois é hora de preparar o jantar. No dia seguinte, cera no chão, mas não sobra tempo para o lustra móveis nas portas porque é hora de buscar as crianças na escola.
E assim se segue sem que um cheiro encontre o outro.
Como é carnaval e as crianças nem em casa estão, resolvi colocar meu bloco para requebrar. O bloco dos cheiros.
Chamei desinfetante, sabão em pó, sabão líquido e em pedra, cera, água sanitária, limpa-vidros com proteção anti-chuva, lustra-móveis, óleo de peroba, limpa alumínio. Teve até um que veio fantasiado de pato. Que criativo!
Só não chamei creolina, não por preconceito, é que não tinha mesmo.
E assim minha casa ficou como a que a menina do livro admirava.
Ah! Teve também álcool perfumado de eucalipto, que eu admirava quando criança na casa da minha amiga e minha sempre dizia que aquilo custava muito caro.
A casa recendia. Até o silêncio era perfumado.
Parei para admirar e permitir que meu nariz sentisse cada um dos cheiros ali reunidos, quando de repente, um estrondo:


Olha lá o safado da caçamba gigante de novo.
Corri, peguei a máquina, subi ligeiro as escadas e olha lá:





Foi embora sem nem dizer quantos minutos iria demorar.
Mas o pior ainda estava por vir...
Desci as escadas e quando entrei na minha casa, todos aqueles cheiros maravilhosos tenham sido substituídos por uma fedentina só, vinda da caçamba gigante.
Então imaginem uma fedentina gigante.
O meu bloco dos cheiros sucumbiu ali debaixo do meu nariz.

Meu filho chegou da casa do primo, teve um espasmo de ânsia, pegou pijama e escova de dentes e disse que só voltará na quarta-feira de cinzas porque é insuportável o cheiro da casa.

Desiludida, telefonei para marido que me mandou sabe pra onde?
Pra folia.
E eu fui!



A verdade é que fui comprar pão e na volta encontrei este baile no meio do caminho.
Segurei firme o pão e pulei só uma música.
Porque estava tão fatigada que não aguentei mais do que isso.

A próxima vez que esse safado da caçamba parar aqui na minha porta... eu nem sei. Tenho que pensar ainda.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O rádio

Este não é um post. É um comentário que eu não pude fazer lá no blog da Tina porque nos comentários não dá para colocar foto.
O post dela é este: "Eu ouço rádio, e vc?"
Meu comentário:
Basicamente estou deprimida depois de ler todos os comentários  e concluir, que até o momento que eu tinha lido, só uma pessoa não era de rádio.
Todos ouvem, todos conseguem ouvir rádio.
Eu não.
Amo rádio. Os locutores, as propagandas, ser surpreendida por uma música.
Em novembro passado comprei um. Não queria nada de ipod, iradio, queria rádio mesmo de girar o botão e procurar a sintonia.
Olha que bonito o meu rádio:



Novo, novinho.
Mas eu não consigo de jeito nenhum.
Quando consigo uma sintonia e começo a me embalar pela música, repentinamente a rádio que eu estava ouvindo é invadida pelo Pai José que trabalha com 16 orixás e traz o amor de volta em poucos dias.
Eu acho que 16 é muita gente, ou muito espírito para caber num número só da sintonia, por isso é que de repente eles pulam lá pra cima da música que eu estou ouvindo.
Com delicadeza nos dedos vou movimentando o botão bem devagar para ver se consigo fazer o Pai José ficar lá no canto dele, mas aí...
Aparece um pastor, depois vem o padre e vira um rádio ecumênico e música que eu queria, nada.
Recorri a um recurso que eu não sei a ciência, mas dizem por aí, ou foi o Pai José que disse, nem me lembro, que é esse:


Nem assim tem dado jeito. Já comprei de várias qualidades, das mil e uma utilidades a outros modelos e é sempre a mesma coisa. Uma invasão de privacidade que chego a pensar que este rádio está mancomunado com o facebook.
Hoje pela manhã, até que consegui sintonizar a rádio USP ( a tradição da MPB aqui na rádio USP ), mas foi só eu começar a cantar "eu queria passear de Zepelin"... pronto chegou uma mulher vendendo uma garrafada afrodisíaca, deixa pra lá.
Que eu arranquei a lá de aço da antena e fui arear panela.
É ou não é para ficar deprimida? 
Mas, o Tina, ninguém aí sofre interferências?

( Ivani, você leu o que a Chica escreveu? "Me enfronho de notícias?"O que será que isto significa, será que algo de fronha? )

E assim sigo, agora mais triste ainda porque sinto que eu sou a única des-sintonizada, a única sem uma estação para chamar de minha.
Será que alguém tá interessado em comprar meu rádio? De brinde vai a palha de aço presa na antena. Vai que você prefira lavar louça no silêncio.



sábado, 2 de fevereiro de 2013

Caçamba!


Logo cedo, enquanto desperta o coador de pano para passar o café, marido me faz uma pergunta difícil:
  • Você sabe aonde está um papelzinho com o número de telefone da caçamba?
  • Provavelmente dentro de outra caçamba sendo transportado para a reciclagem...
  • Tudo bem – ele diz – depois entra na internet e pega uns dois ou três números pra gente pesquisar. Vamos precisar de uma caçamba para o fim da semana.
Marido sai, eu boto um avental por cima da camisola e inicio a labuta doméstica.
Cerca de meia hora depois, ouço um estrondo daqueles que dispara o coração e por cima do muro vejo uma espécie de guindaste e entre o susto e a preocupação com o barulho, saio em disparada para ver o que está acontecendo.
Quase caio de costas quando vejo isto:



Como pode? Marido acabou de sair daqui e já pediu uma caçamba?
Mas desse tamanho? Cabe a casa inteira aí.
Entre me recuperar do susto e conseguir raciocinar, comecei a gritar para o motorista do caminhão que já estava saindo.
Por sorte na barra do avental eu tinha alguns pregadores de roupa.

Obrigada Tina
 E fui logo correndo e atirando pregador no caminhão, até que o motorista me viu e disse:
  • É só por dez minutos senhora. Já volto pra tirar isto daí.
Os vizinhos também saíram e se solidarizaram comigo. “Que absurdo uma coisa dessas”. “E pra quem que se reclama?” dizia outro indignado e no meio da vizinhança já mais calma é que eu me percebi de camisola, avental e pregadores. Um vizinho gentilmente recolheu alguns que eu havia jogado no caminhão e estavam espalhados pela rua.
Entrei o mais rápido que pude e tomei um café morno e amargo para me recompor.
Já vestida e sem pregadores pregados em mim, fui passear com o cachorro. Mas nem conseguia andar. As pessoas me abordavam querendo saber porque nós havíamos contratado caçamba tão enorme quanto um transatlântico.
E eu explicava, explicava, porém depois de uma dúzia de satisfações eu já estava é aborrecida.
Os dez minutos do motorista?
Tive certeza que Einstein para falar de relatividade do tempo teve um problema com caçamba como o meu.
Foram 10 horas. Isso é que é relativismo...
O fato é que já era de noite, eu estava novamente de camisola, agora sem pregadores e uma mulher toca a minha campainha pra perguntar o que era aquilo na minha casa.
Ouviu uma resposta...
“ Sabe o que é? É que eu faço carros alegóricos para escola de samba. Vamos colocar uma parte de um aí dentro pra levar pro sambódromo. Sabe como é, não queremos que ninguém fique vendo pra não estragar a surpresa.”
E não é que a mulher ficou me olhando com cara de surpresa?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Memórias

Eu e Júlia almoçando:
 - Pronto mãe, fiz como recomenda o mestre ninja.
 - Mestre ninja? Que mestre ninja é esse?
 - Mãe, você sempre fala do mestre ninja na hora do almoço.
Eu preocupada, insisto:
 - Júlia, eu não conheço nenhum mestre ninja.
 - Mãe, então você mentiu pra gente.
Já menti sim ( e não disse isso para ela ).
 - Filha, eu não me lembro nunca de ter falado sobre mestre ninja.
 - Mãe, você já falou várias vezes.
 Eu já desesperada. Isso pode ser gravíssimo, falar de alguém que você nem conhece...
 - Mãe, você fala que o mestre ninja recomenda que não é para deixar um grão de comida no prato em respeito às pessoas que passam fome no mundo.
 - Ah...
 - Dalai Lama, filha.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Poema e lembrança


Diário do amanhecer

Não me deixou dormir
aqueles minutinhos
acrescentados às pálpebras
sombreadas de férias

Escandalosamente forçou a porta
para adentrar
o aroma do café do vizinho
cedinho cedinho

Rodeou a varanda
e seduziu a janela
que assanhada
abriu-lhe as frestas
e ele me acordou
neste dia de inverno
no solstício de verão

Trouxe consigo
o barulhinho da água borbulhante
e o mexe e remexe da colherinha
dançando com o açúcar

Como resistir ser assim despertada?
Despertei e fui brincar de cotidiano

Ana Paula


Lembranças


- Pega aquela faca grande ali na gaveta.
Com muita habilidade minha mãe cascava o lápis de cor, depois pegava a caneta bic e escrevia na madeira o meu nome.
- Tem que abreviar, não cabe. Fica assim: A.Paula.
Com sua letra de forma arredondada, ia colocando meu nome um a um em cada lápis.
Época que não havia etiquetas pequenas.
- Pega a vassoura pra mãe varrer e vai arrumar os lápis no estojo.
Estojo retangular de madeira. Na primeira semana de aula, ao deslizar a tampa avermelhada desprendia-se um cheiro de início, de novo.
O chão da nossa casa era vermelho como a tampa do estojo.
Era um luxo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cenas do cotidiano



- Júlia, você tem que me ajudar. Meu pé tá num preto tão sujo, tão sujo que se a mamãe ver, vai me dar uma bronca daquelas.
- Bernardo o que eu posso fazer?
- Não sei, mas eu não posso entrar em casa assim.
- Já sei!

Ah! Mas eu ouvi! E registrei este momento!
Se o pé ficou limpo?
Por alguns segundos... 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Acabou

Foram 10 anos de uma convivência intensa, mas acabou.
No começo, tínhamos muito fôlego juntos. Quantos momentos agradáveis deslizando naquele carpete. Emoção que quero guardar comigo.
Vieram os anos, as mudanças e fomos nos distanciando. Percebi que não precisava tanto assim dele, embora a cada encontro voltávamos a respirar o mesmo ar de tão próximos.
Mas, foi no mês passado, dezembro, que eu percebi que algo não ia bem. As vezes que eu o procurei, que precisei dele, ficou em silêncio.
Respeitei.
Depois pareceu voltar ao normal, mas uma mulher percebe qualquer mínima alteração. Eu percebi e nada falei. Tinha esperanças ainda.
Passado o ano novo, foi definitivo. Não há mais volta. Acabou.
Claro que chorei, afinal a gente se apega, sente afeto.
Chamei o marido para vermos o que fazer, toda a parte prática mesmo.
Sugeri este modelo:

Afinal o antigo aspirador era bem antigo, pesado, desajeitado. 
Marido disse não achar muito bom para a utilidade que eu preciso - limpar gavetas.
"Cada vez que você abrir uma gaveta e encontrar um papel e uma caneta, você vai é se recostar neste aspirador e...


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