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domingo, 20 de novembro de 2016

Para uma joaninha

Essa postagem é muito especial!
É a de número 1000 e é com esta postagem que quero convidá-los a celebrar o aniversário ( que é no final do mês ) da mais querida joaninha aqui dos blogs - Chica!
Como vi hoje que ela está saindo de férias dos blogs, resolvi antecipar a homenagem.
Chica, meu, nosso amor a você que faz parte das nossas vidas de maneira tão carinhosa, presente, afetuosa.
Você é um exemplo na blogosfera. Um exemplo de interação, inspiração, amizades, persistência.
Muitas vezes desanimo, mas logo penso em você que mesmo em momentos difíceis não deixa a peteca cair!
Feliz aniversário! Desejamos saúde e paz em primeiro lugar.
Inspirações, artes, clics...
Família, abraços, peraltices...
Nosso abraço virtual aqui com o calor de um abraço real!

Um jardim de joaninhas para você!














domingo, 3 de abril de 2016

Presente e sensibilidade

Hoje, dia 03 de abril é aniversário de minha filha Júlia!
Onze anos. Um pouco de criança começando a se misturar com a adolescência.
Minha menina-moça.
Neste envelope o presente que ela nos pediu.


Nenhum cheque ou qualquer quantia em dinheiro; nenhuma viagem, passagem, passaporte.
Uma carta.
Foi isso que ela nos pediu: uma carta de presente, apenas.

( a fotografia a seguir foi tirada após eu pedir permissão a ela, porque eu queria registrar aquele momento, e ela me concedeu sua permissão )



Chorou intenso ao ler carta. Emoção e sensibilidade. Não era tristeza.
Tanto se fala em simplicidade, em buscar a simplicidade...
O aniversário é dela. O presente somos nós que ganhamos.
É especial estar ao lado de alguém que valoriza uma carta como presente de aniversário.
Parabéns filha pela sua beleza do lado de fora e também de dentro do coração!


Feliz aniversário, Júlia!


domingo, 10 de maio de 2015

O Patinho Feio


Demorei-me diante do pato.
Eu, tão urbana, num logradouro que traz em sua descrição a palavra "centro", fiquei surpresa com o encontro.
Algo a mais, além da surpresa, havia.
Eu apenas não sabia.

Mantive uma distância respeitável. Ele, receptivo, permitiu-me pequenos passos em sua direção.
Tristeza foi o que enxerguei. Ou talvez fosse saudade, nostalgia, recordação ou algum outro sentimento em tom de aquarela.

Levei a mão ao bolso da calça e peguei o celular que naquele momento era apenas uma máquina fotográfica.
Quatro meses se passaram desde a imagem capturada.

No dia das mães eu soube que o sinônimo para todas aquelas palavras que definiram o pato - saudade, recordação, nostalgia - estavam incorretas. A palavra certa era simplesmente calor.

A história O Patinho Feio era lida por minha mãe com uma tonalidade suave de voz e gestos de igual leveza ao virar uma página depois outra até o fim da história.
Naquela versão, o feio pato, ao avistar dentro do lago uma linda mamãe pata, lançava-se num mergulho repentino e então acontecia o pior: era de madeira a enorme pata; era enorme a dor que ele sentira ao bater a cabeça.

Aquela dor me invadia, aliás me invadiu por incontáveis leituras.
Mas por muitas tardes e noites, o final da história era feliz.
Eu me aninhava no colo dela, ou se fosse noite, ela se deitava comigo até eu adormece e era o calor de seu corpo que diluía aquela tristeza em mim e antes mesmo que eu adormecesse, já tinha em mim uma sonolenta alegria quentinha!

O dia em que encontrei o patinho, achei por um instante que ele representasse a saudade, a recordação do patinho feio na leitura de minha mãe.

O pato era calor. O calor da sua voz, corpo, olhos, que levava embora a tristeza, a angústia.
O pato era a recordação do calor que ficou e fixou em mim.
O pato é o aprendizado de que a dor de bater a cabeça passa, cura, sana.

A dor da ausência do calor de uma voz, de uma pele, faz-me sentir ainda mais ternura por um patinho feio.
A dor da ausência já foi um tom forte de alguma cor, um lápis pressionado com toda força que chega a marcar a folha seguinte.
Hoje não há dor, há calor.
Um calor agradável, gostoso, feito um tom suave de aquarela passada com movimento delicado do pincel, bem diluída e bela de ver e sentir.

Dias das mães de calor ausente, que a dor da partida possa ser trocada pelo calor das boas recordações.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Os que nos acrescentam

Ontem à noite assistia a um noticiário quando fui surpreendida por uma morte que aconteceu no mês passado.
A notícia era sobre um vigia que morreu na frente a um hospital por falta de atendimento e foi quando falaram que o mesmo tinha acontecido no Rio de Janeiro, em junho, com o fotógrafo Luiz Claudio Marigo.
Lembrei-me de imediato dele, mesmo sem tê-lo conhecido.

Meus filhos eram bem pequenos quando nos deparamos com livros e revistas com fotografias de onças e a curiosidade deles em saber como se fotografa uma onça.
Foi numa revista que li uma bonita reportagem, ricamente ilustrada do fotógrafo Marigo justamente sobre onças. Escrevi-lhe pedindo autorização para citá-lo no meu blog. Veio a resposta:


Recebi até as imagens. O blog estava bem no início, eu não sabia nem colocar cedilha na onça e também não consegui colocar as imagens!
Não vou editar aquela postagem.
Trago o link para cá; fica como uma boa lembrança dessas pessoas que talvez a gente nunca troque um aperto de mão, mas que nos acrescentam, nos constroem.

Há pouco, Ariano Suassuna nos deixa sua obra para nos acrescentar e vou compartilhar a homenagem que a Tina lhe fez ainda em vida.

domingo, 11 de maio de 2014

Olhar devagar

"... Olham querendo decorar suas feições. Olham querendo descobrir o que deles e dos seus está impresso na nova criatura. Alguns pais e mães não desaprendem de olhar com calma os filhos, mas há outros que perdem logo o costume."
 Pe. Fábio de Melo

Era sábado. Despertei antes das seis; bem poderia dormir mais um pouco, mas acho que é, como dizem, a força do hábito.
Abri janelas que não incomodariam quem ainda estivesse a dormir e tentei manter o maior silêncio possível.
O barulho, no entanto, veio da rua. Vozes exaltadas sugerindo discórdia, nosso cachorro atiçado saiu em disparada ao portão. Fui buscá-lo e então presenciei a cena.

Três jovens. O rosto ainda mantendo aquela feição pueril. Boas vestes de marca ou grife cara, talvez alguma marca ligada ao surf, à tribo dos skatistas, funk, não sei.
Havia discórdia na fala deles com um dos três tentando fazer as vezes da concórdia. Havia abraço e pedido para ficar "frio".
Um deles segurava uma garrafa de vodca e os outros dois seguravam duas latinhas, que foram deixadas no meu portão e ao recolhê-las soube ser energético.
Estavam embriagados, a coordenação trôpega.

Pensei em suas mães. Já se deram conta, tão cedo e os filhos não estão em casa? Certamente não dormiram em casa. Autorizados?

Saí para um compromisso com minha filha: um café comunitário em homenagem às mães.
Simplicidade e carinho deram forma à tudo o que aquelas pessoas prepararam. Inclusive as palavras.
Em algum momento, um voz agradável nos conduzia a uma reflexão e nos pedia em seguida a olhar para os nossos filhos como olhávamos quando eram recém-nascidos.

Percebi gestos tentando conter alguma lágrima fruto da emoção, narizes avermelhados e úmidos - idem o motivo.
Inevitável também foi não pensar nos três jovens, em suas mães.

Muitos poderiam argumentar se a juventude não foi feita justamente para essas pequenas transgressões.
Deixo a ingenuidade de lado e enxergo a possibilidade de um porre, noitadas, que podem fazer parte das descobertas de um jovem.
Mas e a destrutividade a que estão se impondo? Deixou a muito de ser uma descoberta.

O título desta postagem e a primeira frase são do padre Fábio de Melo, num belo texto onde ele fala sobre a nossa deficiência de olhar devagar, demoradamente como fazem ou faziam os pais com seus bebês.

Hoje é um domingo, dia das mães e meu desejo que o nosso olhar de mãe não desista. Porque não é fácil, especialmente depois que deixam de ser bebês e se tornam os adolescentes questionadores, desafiadores. Que nosso olhar não enfraqueça. Ao contrário, que olhar demoradamente fique forte, ou como dizem, é a força do hábito.

sábado, 19 de abril de 2014

Menina-passarinha

Há pessoas que precisam se esforçar para encontrar a alegria.
Já outras, nascem com o dom da alegria.
Por onde passam, por onde escrevem, deixam uma leveza misturada com riso.
Assim é Tina, nossa amiga passarinha, índia, baiana, menina, moleca, mulher.
Compartilhar palavras, pedacinhos do seu sentir é uma grande alegria!
Feliz Aniversário!


sábado, 2 de novembro de 2013

Brisas


Duas meninas. Crianças meninas.
A de cabelo feito rio em placidez, sem qualquer sopro para agitar-lhe as águas, de beleza mansa, era também rica.
A beleza da outra não era feito rio alargado que se mostrava resplandecente no dourado do amanhecer ou no pratear azulado da cheia lua. Seus cabelos carregavam ninhos de passarinhos, enrodilhados, desgrenhados, o vento fazia gosto em lhe soprar até folhas. Olhando apurado, tinha beleza. Feito sol e lua, uma rica outra pobre nos antagonismos da Terra.
Sobre o chão que todos pisam, encontraram-se e brotou amizade.
Menina-cabelos-macios sempre estava a brincar na casa-casebre da amiga.
Difícil entender isso. Não havia nada ali a oferecer-lhe. Não havia o tapete, o televisor em cores, a cozinha com armários até o teto e a longa escadaria que conduzia ao andar de cima com macias camas e travesseiros.
Gostava de ali ficar, ouvir a chuva batendo forte nas telhas de zinco.
Também gostava da comida da dona da casa. Era comida esticada, como dona Jandira dizia.
Numa manhã agitada, quando Jandira fritava suas coxinhas para esticar o dinheiro do mês, menina-cabelos-macios pediu-lhe para ficar para o almoço.
Na correria atrapalhou-se Jandira na ordem do preparo e já tinha botado a fritar as coxinhas da freguesa que logo chegaria.
Não podendo jogar fora o óleo em uso, tirou as coxinhas e botou as batatinhas.
Saíram todas pintadinhas.
Menina-cabelos-macios nunca havia se alimentado de tão deliciosa batatinha. Sua mãe nunca sabia como pintar batatinhas. Jandira guardara segredo.


A brisa que hoje se enroscou no cabelo da menina-ninho soprou-lhe o recordar de sua Jandira que a morte deitou sob a terra.
O sopro trouxe também, no grande leito acastanhado de um plácido rio, os contornos da amiga de cabelos de seda, que a morte também a levou. Passeiam sobre a terra porque há muitos jeitos de morrer.