Quando minha filha tinha 1 ano e 4 meses de vida, sua primeira professora me chamou para uma conversa.
"Ana, a Júlia chorou durante a leitura do livro que você nos enviou. Pode ser que tenha acontecido alguma coisa enquanto eu lia, mas a impressão que tive é que ela se emocionou. Talvez sejam as cores do livro. Me mande o livro no próximo mês, por favor."
Mês seguinte, ela chorou novamente. Um choro silencioso, como disse a professora. Ela parece entrar na história e de repente as lágrimas escorrem - assim me relatou e acrescentou: estranho porque os outros não reagem assim, deve ser o livro.
O livro em questão era Para onde vai a quinta-feira?
Lindo, poético em tanto melancólico. Quando li em casa, ela também chorou.
Há pouco tempo, comecei a perceber que os livrinhos infantis eram lidos muito rapidamente e ela começou a trazer livros da biblioteca bem "maiores", encontrados nas prateleiras dedicadas aos juvenis.
Foi então que eu decidi ler um livro para adolescentes, queria saber como era esta literatura e comprei um livro da autora Paula Pimenta - Minha vida fora de série.
Antes mesmo que eu terminasse a leitura, vi a Júlia com o livro em mãos e os olhos cheios d'água!
"Desculpa mãe, eu comecei a ler sem te pedir, mas é tão bom, tão emocionante. Eles vão ficar juntos?"
O livro tem 405 páginas e ela o leu em quatro dias e queria muito a continuação.
Vimos que seria lançado o segundo volume e eu resolvi levar a Júlia na tarde de autógrafos.
Eu nem fazia ideia do que nos esperava...
Chegando à livraria, quase não conseguimos entrar, tanta gente que tinha, ou melhor tantas adolescentes.
Compramos o livro e fomos para a fila de autógrafos.
400 pessoas na nossa frente. Isso era duas horas da tarde e o autógrafo só começaria às quatro.
Júlia queria desistir. "Mãe, todo mundo tá me olhando, eles devem achar que eu sou uma criancinha. Ninguém acredita que eu leio os livros.
Não se importe com os outros, foi o que respondi.
De repente, uma pessoa parou ao meu lado e perguntou se estávamos só eu e ela.
Confirmei e a pessoa disse que tinha um lugar lá na frente para ela e foi nos puxando em meio àquela multidão. Colocaram uma pulseira no braço da Júlia, disseram que eu não poderia entrar e que ela entraria para uma conversa "vip"com a escritora, apenas para umas trinta meninas.
Depois da conversa, começariam os autógrafos e alguém da produção, achou a Júlia muito pequenininha e me deixou entrar!
Adorei, é claro! Pude fotografar tudinho!
Júlia continuava preocupada: mãe, essas adolescentes ficam me olhando; ninguém acredita que eu leio.
Chegou a vez da Júlia. Fiquei pertinho clicando e ouvindo a conversa das duas.
Não acredito que você leu o meu livro, a escritora perguntou! E quantos anos você tem?
Oito.
E então engataram numa conversa e a Júlia surpreendeu: sabia cada detalhe, sabia o poema de amor de cor, falava com a emoção de quem esteve dentro da história!
Júlia ainda não leu seu livro autografado. Quer pegá-lo com a agenda tranquila, porque quando ela começa não quer parar. Está deixando para as férias.
Ela adorou a experiência!
Ainda livros:
Essa semana a experiência não foi tão boa para ela...
Montaram uma livraria na escola dela.
Ela me pediu dinheiro para comprar um livro e quando voltou da escola, voltou brava porque não a tinham deixado comprar.
Eu quis saber se ela tinha escolhido um livro muito caro e o dinheiro não foi suficiente.
"Não mãe, o moço falou que o livro não era para minha idade e ainda me levou para a estante dos pequenos".
Bem, ele fez a sua função de orientar por idade, ademais, ele não te conhece...
Voltou com o pai e apesar de advertida mais uma vez sobre sua escolha, trouxe o livro para casa.
"Nunca mais compro na livraria da escola, ninguém respeita nossos gostos. Eu li a sinopse, eu realmente me interesso."
Trouxe para casa José de Alencar - Senhora.
E está pelos cantos suspirando com Aurélia.
E entre uma leitura e outra, ela coloca seus bichinhos para dormir!