Há uma história, a qual eu gosto muito, que se propõem a responder essa indagação: a oração funciona?
Quero partilhar com vocês. Está no livro "A energia da oração"
Era uma vez um garoto de seis anos de idade que tinha como animal de estimação um ratinho branco. O ratinho não era bem um animal de estimação, era o melhor amigo do garoto. Um dia, o garoto e o ratinho foram brincar no jardim. O ratinho entrou num buraco do chão e não voltou mais. O garoto ficou muito triste. Achou por um instante que não valia mais a pena viver sem o ratinho. Ajoelhou-se, juntou as mãos e orou fervorosamente para que o ratinho voltasse. Rezou de todo o seu coração. Rezou da maneira como via sua mãe fazê-lo, e murmurou para Deus a seguinte oração: "Eu creio em vós, ó Deus. Sei que, se quiserdes, podereis trazer de volta o ratinho".
A criança ficou de joelhos e orou com toda sinceridade por mais de duas horas. Mas o ratinho não voltou. Finalmente muito triste, entrou em casa sem o ratinho.
Durante sua infância, rezava sempre que alguma coisa ruim acontecia. E o que pedia nunca se realizava. Nos anos da escola secundária, não acreditou mais na oração.
O garoto, agora um adolescente, matriculou-se nas aulas de música no colégio católico que frequentava. Um senhor idoso, de voz trêmula e bastante doente, dava as aulas. A primeira coisa que o professor fazia de manhã, antes de começar a aula, era uma oração. Rezava durante uns quinze minutos, o que não agradava muito a nenhum dos alunos. Sua maneira de rezar não era muito interessante nem cativante. Antes de começar, sempre perguntava: "Alguém de vocês tem alguma coisa que quer que eu peça?"Tomava nota daquilo que porventura alguém dissesse e então começava a orar na intenção de cada um.
Muitas vezes pedia coisas muito simples como: "Amanhã vamos a um piquenique, portanto dê-nos bom tempo e não chuva". Para o nosso rapaz, esses quinze minutos de oração antes da aula eram puro aborrecimento. Ele não acreditava em nada. Apesar disso, o professor continuava rezando sinceramente todo dia.
Certa vez, entrou na sala uma garota chorando inconsolavelmente. Disse que fora informada por seus pais que sua mãe estava com um tumor no cérebro. Tinha muito medo de que sua mãe morresse. O professor escutou-a com atenção, levantou-se, olhou pela classe toda e disse:
"Se houver alguém na sala que não queira rezar conosco, pode sair e ficar no corredor. Os demais, vamos rezar pela mãe desta moça. Depois de terminada a nossa oração, pedirei a alguém que vá até o corredor e avise a quem saiu para que volte".
O rapaz pensou em sair da sala, porque não acreditava na oração. Mas alguma coisa o fez ficar em sua carteira e ver o que ia acontecer. O professor pediu que todos inclinassem a cabeça, e começou a orar. Sua oração foi muito curta, mas sua voz era forte. Com a cabeça inclinada, de mãos postas e olhos fechados, disse: "Muito obrigado, Senhor, por curares a mãe desta moça". Foi só o que disse.
Duas semanas depois, a garota contou à turma que sua mãe estava recuperada. Uma tomografia do cérebro revelara que não havia mais vestígio do tumor.
Este milagre restaurou a confiança do rapaz na capacidade de cura da oração, confiança esta que havia abandonado há bastante tempo. Começou, então, a rezar por seu professor de música, que estava outra vez muito mal. Rezou com sinceridade. Rezou de todo o coração pela saúde do professor de música, mas um ano depois, o professor morreu.
Há muitas reflexões que essa historinha pode nos trazer...
A oração é uma ponte!
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segunda-feira, 5 de junho de 2017
quinta-feira, 2 de junho de 2016
A poda da árvore
" [...] eu ia te ensinar a podar os ramos mais altos das árvores, porque se é preciso aprender a plantá-las é igualmente vital que se saiba apará-las, "
João Anzanello Carrascoza
Esse trecho foi extraído do belíssimo livro Caderno de um ausente.
Um pai tem nos braços a filha recém-nascida e o sentimento de que ele não viverá para ensinar-lhe tudo o que poderia. Assim começa essa bela obra.
Podar árvores...
A necessidade de plantá-las é veemente. Projetos, distribuição de mudas, incentivos.
E o cuidar?
Não é só podar árvores.
Queremos um animalzinho de estimação, mas depois reclamamos dos cuidados que exigem.
Queremos filhos e eles são um "projeto" a longo prazo. Exigem e por mais modernistas que sejam as teorias, temos sim que abrir mão de muitas coisas.
Queremos um amor, mas será que sabemos cultivá-lo, ou deixamos nosso egoísmo ir corroendo aos poucos?
Há tanto o que se aprender... inclusive podar árvores.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
A velocidade da vida
Já tem um tempo que, conversando com uma amiga, decidimos em comum acordo parar com "ah, estou sem tempo, ah não tenho tempo para nada". Reclamar da falta de tempo virou uma mania, um vício que não vai modificar o andar dos ponteiros ou qualquer medidor de tempo digital.
É dentro de nós que precisamos apaziguar o fluir do tempo.
Fato que nos dias atuais o aumento das tarefas, trânsito, tudo isso demanda sim tempo e ele pode ficar apertado para determinadas coisas. Mas há que se respirar profundamente para cessar essa correria toda!
Nessa semana que passou, chegou-me em momentos diferentes, três "coisas" que falavam do mesmo assunto: a vida apressada.
Um artigo, um programa de tv e depois uma mensagem extraída do facebook que me foi envidada por e-mail.
Compartilho então duas dessas mídias.
O programa de tv tem trinta minutos.
E o texto, não é meu. A fonte é o facebook/Ensinamentos do Pai.
A VIDA FAST
Atualmente tudo virou fast, queremos cada vez mais velocidade em tudo, não temos tempo para mais nada, e quanto mais veloz, melhor. Não importa a idade, desde criança pequena, com seus joguinhos, à pessoas de idade. Tudo parece que se globalizou com o FAST.
Essa correria e rapidez da vida moderna está fazendo nos afastar do vivenciar, do aprender esperar e do comportamento.
As coisas lentas têm seus ensinamentos, seus aprendizados. Vivemos em um dia todas as sensações: amamos, odiamos, confiamos, traímos, e todo resto. Tudo isso acontecendo numa velocidade alucinante. Estamos precisando aprender algumas coisas que fazem a vida valer a pena de ser vivida. Não temos mais conversas, músicas, precisamos baixar com rapidez, frases curtas, caretas para expressar o que desejamos ou sentimos.
As pessoas estão esquecendo que a rapidez de tudo está matando dentro de nós valores essenciais para nossa praticidade de vida, do comer ao se relacionar, tudo ganhou uma velocidade enorme. Se nosso pedido demora um pouco, perdemos nossa paciência e nosso apetite. Se o que compramos demora para chegar, perdemos nosso interesse. Se nossas mensagens demoram a ser visualizadas ou respondidas, pronto, já estamos uma revolução e soltando o verbo. Onde fica a calma, a paciência, o respeito, a privacidade, o tempo para conversar e principalmente o tempo para refletir?
A velocidade da vida moderna não está ensinando a pessoa a usufruir do tempo, pois quando o temos não sabemos o que fazer com ele.
Reavalie sua maneira de viver, verifique se essa velocidade em tudo está sendo saudável. Se antes de darmos o 1˚beijo, não seria melhor termos uma boa conversa; se antes da 1ª transa, termos um pouco de tempo para sentirmos com quem estamos deitando, e antes de sairmos esbravejando com pessoas lentas, se não seria melhor aprendermos com elas a ter paciência, a esperar a conversar.
As pessoas modernas continuam velhas no seu interior, a velocidade só vai ser benéfica se soubermos conservar nossos valores de afeto para com os outros, porque enquanto buscamos velocidade em tudo, estamos a passo de tartaruga em construir relações e a passos de formiga em cultivar o afeto e o carinho.
A qualidade de vida está em termos afeto e carinho em tudo o que fazemos. E isso leva tempo para se fazer.
Ctba, 26/01/2016
Fonte: Facebook / Ensinamentos do Pai
Programa JC Debate
É dentro de nós que precisamos apaziguar o fluir do tempo.
Fato que nos dias atuais o aumento das tarefas, trânsito, tudo isso demanda sim tempo e ele pode ficar apertado para determinadas coisas. Mas há que se respirar profundamente para cessar essa correria toda!
Nessa semana que passou, chegou-me em momentos diferentes, três "coisas" que falavam do mesmo assunto: a vida apressada.
Um artigo, um programa de tv e depois uma mensagem extraída do facebook que me foi envidada por e-mail.
Compartilho então duas dessas mídias.
O programa de tv tem trinta minutos.
E o texto, não é meu. A fonte é o facebook/Ensinamentos do Pai.
A VIDA FAST
Atualmente tudo virou fast, queremos cada vez mais velocidade em tudo, não temos tempo para mais nada, e quanto mais veloz, melhor. Não importa a idade, desde criança pequena, com seus joguinhos, à pessoas de idade. Tudo parece que se globalizou com o FAST.
Essa correria e rapidez da vida moderna está fazendo nos afastar do vivenciar, do aprender esperar e do comportamento.
As coisas lentas têm seus ensinamentos, seus aprendizados. Vivemos em um dia todas as sensações: amamos, odiamos, confiamos, traímos, e todo resto. Tudo isso acontecendo numa velocidade alucinante. Estamos precisando aprender algumas coisas que fazem a vida valer a pena de ser vivida. Não temos mais conversas, músicas, precisamos baixar com rapidez, frases curtas, caretas para expressar o que desejamos ou sentimos.
As pessoas estão esquecendo que a rapidez de tudo está matando dentro de nós valores essenciais para nossa praticidade de vida, do comer ao se relacionar, tudo ganhou uma velocidade enorme. Se nosso pedido demora um pouco, perdemos nossa paciência e nosso apetite. Se o que compramos demora para chegar, perdemos nosso interesse. Se nossas mensagens demoram a ser visualizadas ou respondidas, pronto, já estamos uma revolução e soltando o verbo. Onde fica a calma, a paciência, o respeito, a privacidade, o tempo para conversar e principalmente o tempo para refletir?
A velocidade da vida moderna não está ensinando a pessoa a usufruir do tempo, pois quando o temos não sabemos o que fazer com ele.
Reavalie sua maneira de viver, verifique se essa velocidade em tudo está sendo saudável. Se antes de darmos o 1˚beijo, não seria melhor termos uma boa conversa; se antes da 1ª transa, termos um pouco de tempo para sentirmos com quem estamos deitando, e antes de sairmos esbravejando com pessoas lentas, se não seria melhor aprendermos com elas a ter paciência, a esperar a conversar.
As pessoas modernas continuam velhas no seu interior, a velocidade só vai ser benéfica se soubermos conservar nossos valores de afeto para com os outros, porque enquanto buscamos velocidade em tudo, estamos a passo de tartaruga em construir relações e a passos de formiga em cultivar o afeto e o carinho.
A qualidade de vida está em termos afeto e carinho em tudo o que fazemos. E isso leva tempo para se fazer.
Ctba, 26/01/2016
Fonte: Facebook / Ensinamentos do Pai
Programa JC Debate
E você, está em harmonia com o tempo?! Conta aí!
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Balançar
Uma blogueira fez uma postagem tão apaixonante sobre um escritor ( além de tantos outros atributos ) que eu pedi-lhe ali no retângulo dos comentários que me indicasse alguns títulos desse autor.
Dois me foram sugeridos, sendo que um deles imediatamente me embalou, acho que pela poesia já contida no próprio título: O velho que acordou menino.
Coloquei na minha lista de possíveis leituras.
Há títulos lá na minha lista que estão há anos; outros se tornam objeto palpável rapidamente.
A vontade de ler nem sempre encontra sintonia com nossas economias, com nosso tempo.
Estava lá - o velho que acordou menino. Nem precisava olhar para a lista, eu já tinha decorado, já estava no coração.
Foi numa entrada descompromissada em uma livraria que me deparei com uma luz belíssima vinda da capa de um livro. O primeiro de uma pequena pilha.
Era o livro sugerido!
Dois me foram sugeridos, sendo que um deles imediatamente me embalou, acho que pela poesia já contida no próprio título: O velho que acordou menino.
Coloquei na minha lista de possíveis leituras.
Há títulos lá na minha lista que estão há anos; outros se tornam objeto palpável rapidamente.
A vontade de ler nem sempre encontra sintonia com nossas economias, com nosso tempo.
Estava lá - o velho que acordou menino. Nem precisava olhar para a lista, eu já tinha decorado, já estava no coração.
Foi numa entrada descompromissada em uma livraria que me deparei com uma luz belíssima vinda da capa de um livro. O primeiro de uma pequena pilha.
Era o livro sugerido!
A sintonia não poderia ter sido melhor entre a beleza da capa e a possibilidade financeira de trazê-lo para casa.
A cada texto lido, assim que fechava o livro, apreciava novamente a capa.
Entre leituras demoradas e outras mais rápidas, cheguei ao final, mas antes, já quase no fim, um texto que é a tradução da capa do livro.
"O meu balanço estava amarrado num galho de uma ameixeira. Quando não se sabe ainda, é preciso a colaboração de um amigo que nos empurre. Depois a gente aprende o segredo. Com sucessivos deslocamentos do centro da gravidade do corpo, o balanço voa. Ah! A alegria de tocar com a ponta do pé uma folha num galho alto! Eu fazia um monte de folhas secas à frente do balanço. A aventura que exigia coragem era pular do balanço quando ele estivesse no alto para cair no monte de folhas secas.
Depois de velho, psicanalista, dei-me conta de que um balanço é um excelente remédio para depressão. Por experiência própria. Bastava que eu balançasse para que a tristeza sumisse. Balanço e tristeza são incompatíveis. No balanço não há passado, não há futuro. É só o presente.
[...] Um adulto que se assenta num balanço é porque perdeu a vergonha. E perder a vergonha é o início da felicidade."
Agradeço à Ana que me indicou o livro. Agradeço à uma amiga que me presenteou com a visão de vê-la balançando no parque ao lado de minha filha.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Infância no olhar
Se você tiver 10 min disponíveis, continue lendo.
Se não tiver, vá fazer suas outras visitas e volte depois trazendo consigo esses 10 min!
Julho chega. A gente se espanta: metade do ano! Metade o quê? Já é mês 07 e os panetones já devem estar empacotados.
Não entre nessa sintonia. Julho bem começou e está inteirinho aí.
Ainda há muita poesia para fazer e ler e enxergar!
José Eduardo Agualusa, escritor angolano escreveu: "Infelizmente, o que a generalidade dos sistemas de ensino faz é tirar a poesia de dentro das crianças. Crescer é assim, perder a poesia. Talvez por isso temos a tendência a adoecer à medida que nos afastamos da infância - e da poesia".
Um vídeo inspirador: a infância não está lá, somente nos sete anos. Ele pode estar no teu olhar aos trinta, aos setenta.
Clique aqui para assistir Lila.
Se não tiver, vá fazer suas outras visitas e volte depois trazendo consigo esses 10 min!
Julho chega. A gente se espanta: metade do ano! Metade o quê? Já é mês 07 e os panetones já devem estar empacotados.
Não entre nessa sintonia. Julho bem começou e está inteirinho aí.
Ainda há muita poesia para fazer e ler e enxergar!
José Eduardo Agualusa, escritor angolano escreveu: "Infelizmente, o que a generalidade dos sistemas de ensino faz é tirar a poesia de dentro das crianças. Crescer é assim, perder a poesia. Talvez por isso temos a tendência a adoecer à medida que nos afastamos da infância - e da poesia".
Um vídeo inspirador: a infância não está lá, somente nos sete anos. Ele pode estar no teu olhar aos trinta, aos setenta.
Clique aqui para assistir Lila.
domingo, 28 de junho de 2015
Sobre relacionamentos
Recebi por e-mail esse texto, já faz tempo e procurei a autoria, mas não encontrei; encontrei-o em outro blog e só agora me inspirou a escrever algo relacionado a ele.
Tenho tido boas e espontâneas conversas com meu filho adolescente. Às vezes sou surpreendida com sua maturidade para os poucos 12 anos e, outras vezes, sinto que a falta de vivência, de experiência dele não o fará entender por mais que eu argumente.
Estávamos dia desses, diante do amor romântico que ele vê se manifestando na vida dos primos mais velhos, no colégio, onde se começam alguns namoricos e compara tudo isso com o que ele tem de mais próximo, ou seja, os pais, a família com os tios mais velhos.
E junto a tudo isso tem as idealizações e sonhos dele: "eu farei assim; nunca farei como vocês, etc"
Os primos estão iniciando, descobrindo e o lado social que se mostra é intenso e lindo. Baladas, festas, amigos, restaurantes. Todo um lado que pode fazer parte.
Mas há o outro lado.
O lado morno, ou como eu prefiro chamar, sereno. Onde já fez tudo isso e agora as coisas são diferentes, principalmente a depender do estilo de vida de cada um.
Não que um jeito seja certo ou errado. Mas acaba até existindo um padrão.
É comum no início de relacionamentos uma vida mais agitada e com o passar dos anos o agito se acalma, ou toma outros caminhos.
Brinco com ele e digo que dificilmente casais há um bom tempo juntos queiram ficar em filas de quarenta, cinquenta minutos na porta de um restaurante ou pizzaria. A gente compra e leva pra casa e fica tudo bem!
São coisas que precisam de tempo e a maturidade que ele que ainda não viveu e por isso não tem.
O bonito texto traz essa reflexão.
Tenho tido boas e espontâneas conversas com meu filho adolescente. Às vezes sou surpreendida com sua maturidade para os poucos 12 anos e, outras vezes, sinto que a falta de vivência, de experiência dele não o fará entender por mais que eu argumente.
Estávamos dia desses, diante do amor romântico que ele vê se manifestando na vida dos primos mais velhos, no colégio, onde se começam alguns namoricos e compara tudo isso com o que ele tem de mais próximo, ou seja, os pais, a família com os tios mais velhos.
E junto a tudo isso tem as idealizações e sonhos dele: "eu farei assim; nunca farei como vocês, etc"
Os primos estão iniciando, descobrindo e o lado social que se mostra é intenso e lindo. Baladas, festas, amigos, restaurantes. Todo um lado que pode fazer parte.
Mas há o outro lado.
O lado morno, ou como eu prefiro chamar, sereno. Onde já fez tudo isso e agora as coisas são diferentes, principalmente a depender do estilo de vida de cada um.
Não que um jeito seja certo ou errado. Mas acaba até existindo um padrão.
É comum no início de relacionamentos uma vida mais agitada e com o passar dos anos o agito se acalma, ou toma outros caminhos.
Brinco com ele e digo que dificilmente casais há um bom tempo juntos queiram ficar em filas de quarenta, cinquenta minutos na porta de um restaurante ou pizzaria. A gente compra e leva pra casa e fica tudo bem!
São coisas que precisam de tempo e a maturidade que ele que ainda não viveu e por isso não tem.
O bonito texto traz essa reflexão.
Um
famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava
contra o casamento. Argumentavam que o que mantém um casal é o
romantismo e que é preferível acabar com a relação quando este se
apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio.
O
mestre disse que respeitava sua opinião, mas lhes contou a seguinte
história:
“Meus
pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia as
escadas para preparar o café e sofreu um enfarto. Meu pai correu até
ela, levantou-a como pôde e quase se arrastando a levou até à
caminhonete.
Dirigiu
a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente
ela já estava morta. Durante o velório, meu pai não falou. Ficava
o tempo todo olhando para o nada. Quase não chorou. Eu e Seus irmãos
tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos
engraçados.
Na
hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o
caixão e falou com sentida emoção: “- Meus filhos, foram 55 bons
anos… Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem ideia do
que é compartilhar a vida com alguém por tanto tempo.” Fez uma
pausa, enxugou as lágrimas e continuou:
“-
Ela e eu estivemos juntos em muitas crises. Mudei de emprego,
renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade.
Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a
faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos
partiam. Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos
apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal, e perdoamos
nossos erros…
Filhos,
agora ela se foi e estou contente. E vocês sabem por que? Porque ela
se foi antes de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me
enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar
por essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que
não gostaria que sofresse assim… ”
Quando
meu pai terminou de falar, meus irmãos e eu estávamos com os rostos
cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolava,
dizendo: “Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa.” E,
por fim, o professor concluiu: Naquele dia entendi o que é o
verdadeiro amor. Está muito além do romantismo,e não tem muito a
ver com o erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se
professam duas pessoas realmente comprometidas.
Quando
o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam
argumentar. Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam. O
verdadeiro amor se revela nos pequenos gestos, no dia-a-dia e por
todos os dias. O verdadeiro amor não é egoísta, não é
presunçoso, nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.
“Quem
caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai
acompanhado com certeza chegará mais longe…”
terça-feira, 9 de junho de 2015
Aula de saber ouvir
Minha filha chegou da escola hoje com certa euforia.
Tudo por conta de uma aula "suuuuper legal" que ela teve e pôs-se a me contar.
"Mãe, a Pro Dri deu uma aula sobre aprender a ouvir e ..."
Contou-me detalhes da aula, das atividades divertidas que fizeram e enquanto ela falava eu me lembrava de Rubem Alves e sua escutatória.
Só no finalzinho do dia é que consegui sentar-me à frente do computador e pesquisar.
"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular" - Rubem Alves ( texto na íntegra aqui ).
Uma alegria me invadiu. Gritei dentro de mim, mirando pro céu, gritei pro Rubem - olha, você achou que ninguém fosse se matricular no curso de escutatória, mas se matricularam sim!
Acredito que tenha muita gente, muito anônimo por aí que tão bem sabe exercitar a escuta. Não é fácil.
Na escola de minha filha, na aula de Educação para Cidania, escutar consta da matéria. Não significa que já aprenderam. Aliás, acho que é um aprendizado constante e que sempre pode ser aprimorado.
Rubem Alves plantou uma semente talvez sem muito acreditar. Está brotando, verdejando, não foi em vão o sonho do curso de escutatória!
Tudo por conta de uma aula "suuuuper legal" que ela teve e pôs-se a me contar.
"Mãe, a Pro Dri deu uma aula sobre aprender a ouvir e ..."
Contou-me detalhes da aula, das atividades divertidas que fizeram e enquanto ela falava eu me lembrava de Rubem Alves e sua escutatória.
Só no finalzinho do dia é que consegui sentar-me à frente do computador e pesquisar.
"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular" - Rubem Alves ( texto na íntegra aqui ).
Uma alegria me invadiu. Gritei dentro de mim, mirando pro céu, gritei pro Rubem - olha, você achou que ninguém fosse se matricular no curso de escutatória, mas se matricularam sim!
Acredito que tenha muita gente, muito anônimo por aí que tão bem sabe exercitar a escuta. Não é fácil.
Na escola de minha filha, na aula de Educação para Cidania, escutar consta da matéria. Não significa que já aprenderam. Aliás, acho que é um aprendizado constante e que sempre pode ser aprimorado.
Rubem Alves plantou uma semente talvez sem muito acreditar. Está brotando, verdejando, não foi em vão o sonho do curso de escutatória!
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Dom de Ensinar
Esse texto não é meu.
Dom de Ensinar
Dom de Ensinar
Quando
se visualiza o poder massacrando aqueles que ensinam, as cenas são
chocantes, não só pelas cenas de violência física que se
apresenta, mas pela história que se repete da mesma maneira e com
intensidade.
O
dom de ensinar, dom difícil e peculiar, sempre foi tratado com
desinteresse pela sociedade, nunca teve o valor que precisava e
precisa, tamanha sua importância dentro da sociedade.
Está
no dom daqueles que ensinam toda a transformação de uma dimensão,
é graças a eles que a vida foi transformando-se, mesmo com todas as
dificuldades que sempre tiveram os "ensinadores" da
dimensão.
O
poder sempre vai coibir os ensinamentos, porque eles libertam as
pessoas, mostram novos caminhos, as deficiências das pessoas e do
sistema. Cada um de nós temos nossa importância na manutenção
desse dom na dimensão.
As
pessoas com o dom de ensinar não serão pessoas de grandes passos,
não serão pessoas que terão uma vida tão próspera, mas serão
pessoas que por onde passam, ensinam o caminho da transformação.
Por
isso, nos dias atuais quando ainda assistimos nos meios de
comunicação o poder massacrando os "ensinadores", nos faz
refletir que mesmo esses com o poder, passaram um dia nos bancos
desses hoje massacrados, e infelizmente não conseguiram absorver o
que lhes foi ensinado.
Essas
pessoas usaram todo o ensinamento recebido e acabaram se
transformando de maneira destrutiva levando por onde passaram, sempre
o desequilíbrio e a desordem, que é isso que o poder provoca, a
diferença.
O
dom de ensinar é o mais antigo do planeta, e é nele que reside todo
o futuro da dimensão e a preservação dela, porque se caso não
aprendermos que viver é um ato de amar, ser fervorosos e justos, não
há dimensão ou civilização que resista a ganância e as fantasias
do poder,
O
que nos liberta do poder é a sabedoria, o que nos liberta do
sofrimento é a igualdade, o que nos liberta da limitação é o
aprendizado.
Só
conseguiremos aprender graças a entrega que todas as pessoas com
esse dom de ensinar faz todos os dias na sua vida. Entrega essa, que
ninguém que tenha o poder, consegue ou conseguirá fazer.
De
que lado estaremos da história, do poder ou do ensinar?
Estaremos
do lado das pessoas com dom de ensinar quando colocarmos em prática
o que nos é repassado. Estaremos do lado do poder, quando procuramos
condicionar os ensinamentos, as regras e leis, tirando ou
dificultando a liberdade daqueles que ensinam.
Uma
dimensão se transforma não pelos números de pessoas no poder, mas
uma dimensão se transforma pelo número de pessoas livres que podem
caminhar pelas ruas levando ensinamento a todos aqueles que precisam.
As
pessoas com poder deveriam voltar aos bancos da aprendizagem e dar
oportunidade aos "ensinadores" a direcionar, pois a vida
não é direcionada por aqueles que mandam, mas sim por aqueles que
ensinam.
Ensinamentos do Pai/Facebook
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Eu, você, bilingue
"... O assunto parecia sério, exigia cautela pelo modo de me abraçar. Disse-me que, embora fosse inteligente e perceptiva, tinha a linguagem precária e pobre, que deixava a desejar."
A frase acima foi dita por uma mãe. Uma mãe afetuosa e atenta. Abraçou a filha, foi delicada, mas não deixou de chamar-lhe atenção a este fato. O vocabulário pobre.
Nélida Piñon, escritora brasileira relata esse fato em seu livro de memórias Coração andarilho. Era uma criança quando foi advertida pela mãe e acatou aquelas palavras e enriqueceu seu vocabulário. Tornou-se grande escritora.
Lia dicionários. Preocupava-se com suas palavras proferidas. Ouvia atenta novas palavras.
Foi a partir de uma reunião escolar agora no início do ano letivo que me pus a repensar mais o assunto.
O coordenador foi duro em suas palavras: "nossos adolescentes estão usando vocabulário cadeeiro; sim, o mesmo vocabulário usado nas cadeias 'mano, véio...' E não se pode atribuir à classe econômica menos favorecida, estamos dentro de uma instituição particular.
E alguém levantou a questão da leitura e disse que os jovens estão lendo muito.
O coordenador confirmou, porém destacou "lêem sim, mas são leituras fáceis, não acrescentam em termos de vocabulário, eles já se habituaram ao mesmo estilo de livros e aí o papel da escola com os clássicos, com outros estilos literários que não os de massa".
É fato: só prestar um pouco de atenção à palavra falada no geral e notamos sua decadência.
Sei que um idioma é vivo e passa por transformações. A palavra blog no passado, não faria sentido, assim como face, insta, twitter.
Mas quando escuto o é nóis, é de doer.
E percebo que essas expressões ganham uma força tremenda e "nascem" como novas palavras.
Estamos empobrecendo nossa língua.
Poderíamos sim escolher vez em quando, uma nova palavra e sair por aí com ela!
Em pouco tempo seríamos bilingues em nosso próprio idioma!
No Meu blog e eu há um trecho maravilhoso de Graciliano Ramos sobre lavar e quarar nossas palavras. Confere lá!
A frase acima foi dita por uma mãe. Uma mãe afetuosa e atenta. Abraçou a filha, foi delicada, mas não deixou de chamar-lhe atenção a este fato. O vocabulário pobre.
Nélida Piñon, escritora brasileira relata esse fato em seu livro de memórias Coração andarilho. Era uma criança quando foi advertida pela mãe e acatou aquelas palavras e enriqueceu seu vocabulário. Tornou-se grande escritora.
Lia dicionários. Preocupava-se com suas palavras proferidas. Ouvia atenta novas palavras.
Foi a partir de uma reunião escolar agora no início do ano letivo que me pus a repensar mais o assunto.
O coordenador foi duro em suas palavras: "nossos adolescentes estão usando vocabulário cadeeiro; sim, o mesmo vocabulário usado nas cadeias 'mano, véio...' E não se pode atribuir à classe econômica menos favorecida, estamos dentro de uma instituição particular.
E alguém levantou a questão da leitura e disse que os jovens estão lendo muito.
O coordenador confirmou, porém destacou "lêem sim, mas são leituras fáceis, não acrescentam em termos de vocabulário, eles já se habituaram ao mesmo estilo de livros e aí o papel da escola com os clássicos, com outros estilos literários que não os de massa".
É fato: só prestar um pouco de atenção à palavra falada no geral e notamos sua decadência.
Sei que um idioma é vivo e passa por transformações. A palavra blog no passado, não faria sentido, assim como face, insta, twitter.
Mas quando escuto o é nóis, é de doer.
E percebo que essas expressões ganham uma força tremenda e "nascem" como novas palavras.
Estamos empobrecendo nossa língua.
Poderíamos sim escolher vez em quando, uma nova palavra e sair por aí com ela!
Em pouco tempo seríamos bilingues em nosso próprio idioma!
No Meu blog e eu há um trecho maravilhoso de Graciliano Ramos sobre lavar e quarar nossas palavras. Confere lá!
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Vida saudável
É assustador o número de mortes que envolvem a busca pela vida saudável. Assustador e contraditório. Em busca de um corpo dentro dos padrões da magreza estabelecidos, das capas de revista,a gora não só femininas, mas também masculinas, faz um comum ser humano, desses que trabalham e fazem uma caminhada aos finais de semana se sentir a pior das espécies. É preciso passar três horas diárias nas academias que funcionam de segunda a segunda. Viagem? Não basta uma caminhada, uma corrida pela praia, é preciso que o hotel reservado tenha uma academia à disposição.
Qual o limite de uma vida saudável?
Com essa pergunta, quero descontrair apresentando uma cantora que faz um resgate à auto estima dos cheinhos! Não se trata de concordar com a obesidade, mas de não se sujeitar à ditadura da magreza.
O vídeo é este; bem divertido, dizendo que " sou um corpo tipo violão e não flauta; não visto 38 mas posso rebolar e não vou ser uma Barbie siliconada".
Aproveito a reflexão para apresentar um blog. A escritora, Evilanne, de um talento excepcional, conheci no instagram. Ela é apaixonada por artes e escrita. Mostra artistas e suas obras e semanalmente escreve um conto. Imperdível!
Passa lá no Leves Contos Breves e saboreie a escrita!
Qual o limite de uma vida saudável?
Com essa pergunta, quero descontrair apresentando uma cantora que faz um resgate à auto estima dos cheinhos! Não se trata de concordar com a obesidade, mas de não se sujeitar à ditadura da magreza.
O vídeo é este; bem divertido, dizendo que " sou um corpo tipo violão e não flauta; não visto 38 mas posso rebolar e não vou ser uma Barbie siliconada".
Aproveito a reflexão para apresentar um blog. A escritora, Evilanne, de um talento excepcional, conheci no instagram. Ela é apaixonada por artes e escrita. Mostra artistas e suas obras e semanalmente escreve um conto. Imperdível!
Passa lá no Leves Contos Breves e saboreie a escrita!
domingo, 11 de maio de 2014
Olhar devagar
"... Olham querendo decorar suas feições. Olham querendo descobrir o que deles e dos seus está impresso na nova criatura. Alguns pais e mães não desaprendem de olhar com calma os filhos, mas há outros que perdem logo o costume."
Pe. Fábio de Melo
Era sábado. Despertei antes das seis; bem poderia dormir mais um pouco, mas acho que é, como dizem, a força do hábito.
Abri janelas que não incomodariam quem ainda estivesse a dormir e tentei manter o maior silêncio possível.
O barulho, no entanto, veio da rua. Vozes exaltadas sugerindo discórdia, nosso cachorro atiçado saiu em disparada ao portão. Fui buscá-lo e então presenciei a cena.
Três jovens. O rosto ainda mantendo aquela feição pueril. Boas vestes de marca ou grife cara, talvez alguma marca ligada ao surf, à tribo dos skatistas, funk, não sei.
Havia discórdia na fala deles com um dos três tentando fazer as vezes da concórdia. Havia abraço e pedido para ficar "frio".
Um deles segurava uma garrafa de vodca e os outros dois seguravam duas latinhas, que foram deixadas no meu portão e ao recolhê-las soube ser energético.
Estavam embriagados, a coordenação trôpega.
Pensei em suas mães. Já se deram conta, tão cedo e os filhos não estão em casa? Certamente não dormiram em casa. Autorizados?
Saí para um compromisso com minha filha: um café comunitário em homenagem às mães.
Simplicidade e carinho deram forma à tudo o que aquelas pessoas prepararam. Inclusive as palavras.
Em algum momento, um voz agradável nos conduzia a uma reflexão e nos pedia em seguida a olhar para os nossos filhos como olhávamos quando eram recém-nascidos.
Percebi gestos tentando conter alguma lágrima fruto da emoção, narizes avermelhados e úmidos - idem o motivo.
Inevitável também foi não pensar nos três jovens, em suas mães.
Muitos poderiam argumentar se a juventude não foi feita justamente para essas pequenas transgressões.
Deixo a ingenuidade de lado e enxergo a possibilidade de um porre, noitadas, que podem fazer parte das descobertas de um jovem.
Mas e a destrutividade a que estão se impondo? Deixou a muito de ser uma descoberta.
O título desta postagem e a primeira frase são do padre Fábio de Melo, num belo texto onde ele fala sobre a nossa deficiência de olhar devagar, demoradamente como fazem ou faziam os pais com seus bebês.
Hoje é um domingo, dia das mães e meu desejo que o nosso olhar de mãe não desista. Porque não é fácil, especialmente depois que deixam de ser bebês e se tornam os adolescentes questionadores, desafiadores. Que nosso olhar não enfraqueça. Ao contrário, que olhar demoradamente fique forte, ou como dizem, é a força do hábito.
terça-feira, 6 de maio de 2014
18/52
"... e mantinha uma conta no pipoqueiro para os meninos de sua rua no Catete."
referência de Ruy Castro em sua coluna ao cantor Cyro Monteiro
sábado, 3 de maio de 2014
17/52
"O sussurro passou a ser um raro acontecimento, o silêncio virou poesia e pessoas conversando em voz baixa tornou-se um enorme desafio"
Kelly de Souza
terça-feira, 29 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Um por um
"Não é que o mundo seja só ruim e triste.
É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.
Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito.
Só os poetas o fazem".
É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.
Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito.
Só os poetas o fazem".
Rita Apoena
A esta bonita e verdadeira reflexão que Rita Apoena faz - "só os poetas o fazem"- eu acrescentaria que também os blogueiros o fazem!
Ouvir notícias, assistir a telejornais ou ler os jornais significa que a maior parte do que está ali, será de notícias ruins. Podemos optar pelas "piores"maneiras de tomarmos conhecimento, a depender do programa, do estilo do apresentador...
Muitas vezes precisamos também trazer esse lado não bonito do viver aqui nos blogs para alertar, refletir, desabafar.
Tão bom quando nos deparamos com esta "pena que flutua no ar por oito segundos"!
Dia desses foi espalhado feito sopro em dente-de-leão as pequenas boas notícias de pessoas que deixam um café pago para um desconhecido; alguém que coloca em sua porta, mudas de uma flor para quem quiser levar; alguém que encontra uma quantia de dinheiro dentro de um envelope com contas a pagar e, procura o dono e devolve com tudo pago; uma pequena atitude que eu já chamo de grande, acontecendo aqui na blogosfera que é o BookCrossing Blogueiro.
Um-por-um é um modelo adotado por Blake Mycoskie, dono da empresa Toms de calçados.
Ele construiu seu império calçadista vendendo um par de sapatos e dando outro de presente a uma pessoa necessitada.
A Toms até agora doou 10 milhões de pares de sapatos a crianças pobres.
200 mil pessoas tiveram sua visão restaurada no programa de mesmo modelo com a venda de óculos.
A marca de sapatos agora investe em café, que além de gerar empregos vai na proposta de um-por-um vendendo um saco de café e doando uma semana de água limpa para uma pessoa.
Pode parecer pouco, pode não ser a solução definitiva, mas as pequenas boas atitudes estimulam outras, fazem pessoas e empresas copiarem o modelo, aprimorarem.
Escolhi trazer esta notícia de uma empresa estrangeira porque me sensibilizou ler sobre a transformação na vida dessas mulheres que não enxergavam para poderem separar palha do arroz ou colocarem a linha na agulha.
A gente se esquece disso...
segunda-feira, 3 de março de 2014
O caderno da Menininha
Xiiiiiii! Nem adianta. Agora só depois do carnaval. Na verdade, só na outra semana ainda, porque vão emendar a semana inteira.
Essa foi a frase mais proferida nesta semana! E eu estava resignada a ela.
Comprei um livro e me conformei que o receberia somente depois do carnaval.
Qual não foi a minha surpresa quando ele chegou em pleno carnaval?!
Fazia muito tempo que eu não lia para as crianças. Eles vão crescendo, passam a fazer as suas leituras sozinhos e há muito que não tínhamos um momento assim: crianças na minha cama para ouvirem histórias!
Essa foi a frase mais proferida nesta semana! E eu estava resignada a ela.
Comprei um livro e me conformei que o receberia somente depois do carnaval.
Qual não foi a minha surpresa quando ele chegou em pleno carnaval?!
O livro infantil da blogueira Rovênia, do Datilografe!
E nesses dias de folia, nós optamos por um descanso. Sem horários escolares, rotinas, correrias.Fazia muito tempo que eu não lia para as crianças. Eles vão crescendo, passam a fazer as suas leituras sozinhos e há muito que não tínhamos um momento assim: crianças na minha cama para ouvirem histórias!
O caderno da Menininha traz várias histórias, daquelas que trazem, a nós adultos, aquela deliciosa nostalgia da nossa própria infância.
Um livro muito bem cuidado! Da capa, ilustrações, a letra, tudo muito bonito. Parabéns Rovênia!
Para conhecer mais, clique aqui.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
A rotina da leiteira
Quando
se vai morar em casa alheia, seja lá quais forem o motivo que te
levaram a isto, além de gratidão pelo acolhimento, deve-se atentar
a uma atitude essencial – não interferir na rotina e sim se
adaptar.
Aconteceu
comigo e tudo ia bem até que eu comecei a ter problemas com a
leiteira.
Leiteira,
utensílio para ferver leite e água também. Também dá para fazer
mingau. Ah e cozinhar ovos.
No
convívio com a família começou a incomodar-me a tal leiteira.
Tentei
argumentar sobre algo ter mais moderno, com antiaderente, uma leiteira que poderia servir
também como objeto decorativo, já que a família era abastada e
dinheiro não seria o problema para a aquisição, mas ouvi um
delicado e firme “não”acompanhado de uma explicação: fora
presente de casamento ( lá se iam 35 anos... ).
A
rotina da leiteira:
Antes
das cinco horas da manhã, ela fervia a água para o café e logo
após, era colocado cerca de meio de litro de leite para que se
aferventasse daquele jeitão de ficar ali na beira do fogão e
esperar que o leite subisse até quase derramar. Girava-se
rapidamente o botão para apagar o fogo e ao mesmo tempo um bom sopro
para que o leite não ultrapassasse os limites devidos.
E
a leiteira ficava ali, do fogão para a mesa, da mesa para o fogão.
A
medida que os membros da casa iam se levantando, solitários, ou no
máximo em duplas, lá ia a leiteira para o fogão aquecer o leite.
Para
os que não estão habituados à esta antiguidade, é preciso
esclarecer: da primeira fervida, assim que o leite abaixava, ficava
uma fina crosta grudada no alumínio. Conforme os demais voltavam a
aquecer o leite, a crosta ia ficando queimada. Não tipo carvão, mas
começava com bege claro.
O
último a aquecer o final do leite podia até ouvir pequenos
estalidos das crostas que a essa altura eram cascas.
Onde
entra o problema?
Tudo
era colocado na pia e a louça era de minha responsabilidade.
Então
somente quem já passou por isto vai entender o que estou dizendo.
Lavar uma leiteira incrustada de leite de 35 anos de idade, o que
significa que a cada tombo que ela levou em sua vida ficou amassada,
formando fincos internos onde a crosta insistia em se fixar, é de fatigar qualquer nervo.
Tinha
que deixar de molho, pegar bucha no lado grosso, apelar para a palha
de aço e palito de dente e para disfarçar na hora de enxugar era
unha com pano de prato para tirar os últimos vestígios.
O
microondas lá, só me olhando.
Por
que eu não aquecia o meu leite no micro?
Preciso
confessar uma coisa. Não existe nada melhor que um leite fervido e
aquecido depois formando crostas e cascas. Fica um gostinho de doce
de leite inigualável!
Agora, há quem diga que pior que lavar leiteira é lavar louça de moqueca
carregada no dendê. Aí já não sei...
Se
quiser se divertir com mais louça suja, na visão de um homem, leia aqui.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Túnel
"Como planejado, entraram no túnel com seus risos e cantos, beijos e abraços, a poucos minutos da meia-noite.
Quando esta chegou, os gritos e uivos reverberaram pelas paredes, confundindo-se com as buzinas, e ao sair no outro lado, já era o Ano-Novo - 1968."
Quando esta chegou, os gritos e uivos reverberaram pelas paredes, confundindo-se com as buzinas, e ao sair no outro lado, já era o Ano-Novo - 1968."
Ruy Castro 01/01/2014
Não passamos o ano novo exatamente dentro de um túnel, mas eu gostei da ideia!
As fotos acima são do marido, meus filhos e eu ( invisível ) atrás, dentro de um túnel no Rio de Janeiro.
São dessas coisas que só turistas fazem...
Pensando melhor, não quero passar o ano novo ali não.
( é bastante fedido ).
Um ano perfumado a todos nós!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Feliz Natal
Feliz Natal em imagens:
Feliz natal em mensagem:
por e-mail, enviaram-me esta mensagem semeada pela escritora Angela Lago no facebook; compartilho aqui.
Feliz natal em mensagem:
por e-mail, enviaram-me esta mensagem semeada pela escritora Angela Lago no facebook; compartilho aqui.
Oi
amigos e colegas de Facebook! Fazemos parte do mesmo grão de poeira
azul que roda no universo, e isso deve ser bastante para nos
chamarmos de amigos. Estamos juntos no mesmo barco. E no mesmo
oceano. Na mesma dimensão miúda da ventania que chamamos tempo.
Porque há outras dimensões maiores que não somos capazes de
compreender mas que batem nas janelas na época do natal e nos deixam
à flor da pele. Sem pele. Eufóricos e melancólicos. Ou sou só eu
que, ressentidamente amorosa, aceno a todos? Feliz natal! Feliz
Natal!
Angela Lago
domingo, 22 de setembro de 2013
Domingo pode?
Domingo pode passarinho cantar?
No início desta semana já era possível perceber a aproximação da primavera.
O sol já faz contornos diferentes ao re
dor da casa e o escuro que havia na janela do quarto de dormir, deu licença para um clarão que adentra as frestas e anuncia o amanhecer de tempos mais quentes.
Anúncio este feito em cores e também melodias de passarinhos.
A passarinhada está assanhada. As pessoas estão irritadas.
No mesmo início da semana, foi publicado uma matéria no jornal falando do sabiá-laranjeira, o cantador oficial da nova estação, e foi surpreendente o que aconteceu depois: redes sociais, programas de tv, telejornais mostraram o ódio dos paulistanos ( generalizo, mas claro há exceções e muitas ) para com os passarinhos.
Fico feliz de viver numa época em que cidadãos urbanos não têm destreza nenhuma no manuseio de budoques, ou como eu conhecia na infância, estilingues.
Não se trata de querer que todos os paulistanos amem os passarinhos, mas foi uma reação, na minha opinião tão desmedida que talvez mostre o quanto nos distanciamos da natureza externa e interna em nós.
Até as conversas de elevador, mudaram do se chove ou que calor, para o ataque aos pássaros.
E me pergunto se essas pessoas falam porque a maioria está falando, se pensam no que pronunciam ou escrevem, por exemplo: "Impossível, insuportável dormir em Higienópolis".
Higienópolis é um bairro nobre. Essa pessoa então aceitaria ir dormir em Ferraz de Vasconcelos, periferia onde há funk pancadão e tiros?
Outra atitude que é de difícil compreensão, estamos em campanha para uma cidade mais verde, porque como disse uma amiga turista pernambucana, até as árvores tem um verde cinzento em São Paulo.
Ela está certa. Tudo aqui é cinza, temo que haja concreto até nos corações...
Então vem um feriado e as estradas se entopem porque precisamos relaxar, ir para o verde, ouvir passarinhos, ter contato com a natureza.
No mesmo jornal, só que no final da semana, publicou-se locais no litoral onde é possível ver e apreciar passarinhos. Valores para todos os bolsos.
Por que na cidade irrita e ficar parado quatro ou mais horas para descer a serra e pagar para ouvir passarinhos não irrita?
Marido acha que a qualidade do sono das pessoas está péssima, o que se reflete em irritação.
Traga a nova estação aconchego nas palavras e no coração, aproximação com a natureza da qual nunca deveríamos ter nos afastado.
Hoje também é o Dia Mundial Sem Carro. Reflexões sobre mobilidade urbana são urgentes.
Trago uma curiosidade, uma pergunta e poesia.
Uma espécie de pássaro que constrói moradia para mais de 100 indivíduos.
Os ninhos são tão complexos que podem ser mais resistentes que uma árvore.
Foto de Dillon Marsh
Outras imagens aqui no site oficial do fotógrafo
No início desta semana já era possível perceber a aproximação da primavera.
O sol já faz contornos diferentes ao re
dor da casa e o escuro que havia na janela do quarto de dormir, deu licença para um clarão que adentra as frestas e anuncia o amanhecer de tempos mais quentes.
Anúncio este feito em cores e também melodias de passarinhos.
A passarinhada está assanhada. As pessoas estão irritadas.
No mesmo início da semana, foi publicado uma matéria no jornal falando do sabiá-laranjeira, o cantador oficial da nova estação, e foi surpreendente o que aconteceu depois: redes sociais, programas de tv, telejornais mostraram o ódio dos paulistanos ( generalizo, mas claro há exceções e muitas ) para com os passarinhos.
Fico feliz de viver numa época em que cidadãos urbanos não têm destreza nenhuma no manuseio de budoques, ou como eu conhecia na infância, estilingues.
Não se trata de querer que todos os paulistanos amem os passarinhos, mas foi uma reação, na minha opinião tão desmedida que talvez mostre o quanto nos distanciamos da natureza externa e interna em nós.
Até as conversas de elevador, mudaram do se chove ou que calor, para o ataque aos pássaros.
E me pergunto se essas pessoas falam porque a maioria está falando, se pensam no que pronunciam ou escrevem, por exemplo: "Impossível, insuportável dormir em Higienópolis".
Higienópolis é um bairro nobre. Essa pessoa então aceitaria ir dormir em Ferraz de Vasconcelos, periferia onde há funk pancadão e tiros?
Outra atitude que é de difícil compreensão, estamos em campanha para uma cidade mais verde, porque como disse uma amiga turista pernambucana, até as árvores tem um verde cinzento em São Paulo.
Ela está certa. Tudo aqui é cinza, temo que haja concreto até nos corações...
Então vem um feriado e as estradas se entopem porque precisamos relaxar, ir para o verde, ouvir passarinhos, ter contato com a natureza.
No mesmo jornal, só que no final da semana, publicou-se locais no litoral onde é possível ver e apreciar passarinhos. Valores para todos os bolsos.
Por que na cidade irrita e ficar parado quatro ou mais horas para descer a serra e pagar para ouvir passarinhos não irrita?
Marido acha que a qualidade do sono das pessoas está péssima, o que se reflete em irritação.
Traga a nova estação aconchego nas palavras e no coração, aproximação com a natureza da qual nunca deveríamos ter nos afastado.
Hoje também é o Dia Mundial Sem Carro. Reflexões sobre mobilidade urbana são urgentes.
Trago uma curiosidade, uma pergunta e poesia.
Uma espécie de pássaro que constrói moradia para mais de 100 indivíduos.
Os ninhos são tão complexos que podem ser mais resistentes que uma árvore.
Foto de Dillon Marsh
Outras imagens aqui no site oficial do fotógrafo
Gostaria de saber como é aí na sua cidade a relação ser humano/ passarinho.
Da Chica já sei que são os passarinhos que pedem para ela não acordá-los!
E, seja sincero, você se incomoda com a passarada?
Poesia pra combinar com as árvores, com a primavera com a pesquisa da Universidade de Liverpool que constatou que poesia faz bem para o cérebro.
Gorjeios
Gorjeio
é mais bonito do que canto porque nele se
inclui
a sedução.
É
quando a pássara está enamorada que ela gorjeia.
Ela
se enfeita e bota novos meneios na voz.
Seria
como perfumar-se a moça para ver o namorado.
É
por isso que as árvores ficam loucas se estão gorjeadas.
É
por isso que as árvores deliram.
Sob
o efeito da sedução da pássara as árvores deliram.
E
se orgulham de terem sido escolhidas para o concerto.
As
flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.
Manoel
de Barros
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