terça-feira, 13 de agosto de 2013

As leituras da Júlia

Quando minha filha tinha 1 ano e 4 meses de vida, sua primeira professora me chamou para uma conversa.
"Ana, a Júlia chorou durante a leitura do livro que você nos enviou. Pode ser que tenha acontecido alguma coisa enquanto eu lia, mas a impressão que tive é que ela se emocionou. Talvez sejam as cores do livro. Me mande o livro no próximo mês, por favor."
Mês seguinte, ela chorou novamente. Um choro silencioso, como disse a professora. Ela parece entrar na história e de repente as lágrimas escorrem - assim me relatou e acrescentou: estranho porque os outros não reagem assim, deve ser o livro.

O livro em questão era Para onde vai a quinta-feira?
Lindo, poético em tanto melancólico. Quando li em casa, ela também chorou.


Há pouco tempo, comecei a perceber que os livrinhos infantis eram lidos muito rapidamente e ela começou a trazer livros da biblioteca bem "maiores", encontrados nas prateleiras dedicadas aos juvenis.
Foi então que eu decidi ler um livro para adolescentes, queria saber como era esta literatura e comprei um livro da autora Paula Pimenta - Minha vida fora de série.
Antes mesmo que eu terminasse a leitura, vi a Júlia com o livro em mãos e os olhos cheios d'água!
"Desculpa mãe, eu comecei a ler sem te pedir, mas é tão bom, tão emocionante. Eles vão ficar juntos?"

O livro tem 405 páginas e ela o leu em quatro dias e queria muito a continuação.
Vimos que seria lançado o segundo volume e eu resolvi levar a Júlia na tarde de autógrafos.
Eu nem fazia ideia do que nos esperava...

Chegando à livraria, quase não conseguimos entrar, tanta gente que tinha, ou melhor tantas adolescentes.
Compramos o livro e fomos para a fila de autógrafos.
400 pessoas na nossa frente. Isso era duas horas da tarde e o autógrafo só começaria às quatro.
Júlia queria desistir. "Mãe, todo mundo tá me olhando, eles devem achar que eu sou uma criancinha. Ninguém acredita que eu leio os livros.
Não se importe com os outros, foi o que respondi.

De repente, uma pessoa parou ao meu lado e perguntou se estávamos só eu e ela.
Confirmei e a pessoa disse que tinha um lugar lá na frente para ela e foi nos puxando em meio àquela multidão. Colocaram uma pulseira no braço da Júlia, disseram que eu não poderia entrar e que ela entraria para uma conversa "vip"com a escritora, apenas para umas trinta meninas.


Depois da conversa, começariam os autógrafos e alguém da produção, achou a Júlia muito pequenininha e me deixou entrar!


Adorei, é claro! Pude fotografar tudinho!

Júlia continuava preocupada: mãe, essas adolescentes ficam me olhando; ninguém acredita que eu leio.

Chegou a vez da Júlia. Fiquei pertinho clicando e ouvindo a conversa das duas.




Não acredito que você leu o meu livro, a escritora perguntou! E quantos anos você tem?
Oito.

E então engataram numa conversa e a Júlia surpreendeu: sabia cada detalhe, sabia o poema de amor de cor, falava com a emoção de quem esteve dentro da história!




Júlia ainda não leu seu livro autografado. Quer pegá-lo com a agenda tranquila, porque quando ela começa não quer parar. Está deixando para as férias.



Ela adorou a experiência!

Ainda livros:

Essa semana a experiência não foi tão boa para ela...
Montaram uma livraria na escola dela.


Ela me pediu dinheiro para comprar um livro e quando voltou da escola, voltou brava porque não a tinham deixado comprar.
Eu quis saber se ela tinha escolhido um livro muito caro e o dinheiro não foi suficiente.
"Não mãe, o moço falou que o livro não era para minha idade e ainda me levou para a estante dos pequenos".
Bem, ele fez a sua função de orientar por idade, ademais, ele não te conhece...

Voltou com o pai e apesar de advertida mais uma vez sobre sua escolha, trouxe o livro para casa.
"Nunca mais compro na livraria da escola, ninguém respeita nossos gostos. Eu li a sinopse, eu realmente me interesso."

Trouxe para casa José de Alencar - Senhora.
E está pelos cantos suspirando com Aurélia.


E entre uma leitura e outra, ela coloca seus bichinhos para dormir!


sábado, 10 de agosto de 2013

Pai herói

Resolvi antecipar o almoço do dia dos pais para hoje, 10 de agosto, sábado ( evitar aquelas filas imensas nos restaurantes no domingo ).
Fato este que não agradou minha filha.
Resolvi então comemorar o aniversário de Jorge Amado, que faria 101 anos. Seguimos para a comida chinesa/japonesa.
Fato este que não agradou minha filha: "Se é para comemorar Jorge Amado deveríamos comer acarajé e não sashimi".
Pedi a ela que deixasse de pormenores e fomos para a nossa pequena viagem Guarulhos - São Paulo ( havia trânsito ).
Chegando ao restaurante ( sistema por quilo ), fui auxiliar uma das crianças que já foi mostrando sua independência dizendo que agora não precisava mais de ajuda porque já alcançava e conseguia se servir. E entre pegar a minha comida, espichar o olho para ver como as crianças estavam se saindo, olhar o marido ainda no começo da fila para se servir, fui me atrapalhando com os talheres, bandeja e quando vi, um funcionário gentilmente estava ajudando e  conduzindo as crianças para a mesa.
Quando consegui chegar à mesa, retangular, três cadeiras para cada lado, o funcionário já tinha acomodado as crianças numa mesa onde havia uma moça sentada.
Numa rápida olhadela, vi que o pequeno salão estava lotado. Teríamos mesmo que nos sentar com a moça ou ela conosco.
Ela estava no canto da parede. Eu me sentei ao lado dela e depois minha filha Júlia. A nossa frente, marido, mais próximo à moça e Bernardo na ponta.
A primeira coisa que minha filha falou assim que nos sentamos, foi um cochicho: que eu não puxasse conversa com a moça.
Que situação chata. Compartilhamos a mesma mesa e nem nos falamos?
A moça comia com o celular na mão conectada a alguma rede social ( incrível o poder de visão de rabo do olho ). Na verdade, é um mistério - será que ela tem por hábito comer com o celular na mão, ou ela ficou tão desconcertada com a situação que resolveu se conectar - nunca saberei, afinal estava impedida de falar com a moça.
O silêncio era tanto que dava até para ouvir as crianças em silêncio - fato este que eu não estou acostumada.
Então resolvi iniciar um diálogo de elevador com marido. 
Boa a comida, não?
Será que esse vento já é a frente fria chegando?
Foi então que percebi uma outra atitude da moça ao nosso lado: ela abriu uma garrafa de água aromatizada e colocava o conteúdo de apenas um gole no copo e fechava a garrafa. Bebia. Tornava a abrir a garrafa e colocava mais um dedo de líquido. Fechava. Bebia. Abria.
Não foi possível saber se o fazia por hábito ou por irritação mediante nossa conversa de elevador.

Nós não temos o hábito de ingerir líquidos com as refeições. Nunca pedimos em restaurantes nenhuma bebida.
Júlia pediu mais um sashimi, Bernardo dois e eu fui pegar mais um pouco de yakissoba.
Assim que voltei, a moça se levantou e deve ter feito algum gesto com a cabeça ou falado algo baixinho em direção ao meu marido que lhe devolveu esta frase de elevador : "Até logo".
Tão logo a moça virou as costas, marido pegou a garrafa de água aromatizada dela, abriu e encheu um dos copos que estavam emborcados ali na mesa. E lançou-nos um sorriso de pura travessura antes de bebericar um gole.
Não acredito - foi o que disse a Júlia.
Enquanto eu pensava se beberia também a tal água que já experimentei e não gostei, Bernardo empalidecido diz: "Ela foi pegar mais comida".
Marido, entendendo o significado funesto da frase, sabendo que a moça voltaria a sentar-se quase à sua frente, não teve dúvidas, virou o copo goela abaixo mais rápido do que se faz com cachaça. E imediatamente soltou um sussurro gritado - vamos gente, anda logo.
Júlia enfiou o sashimi inteiro na boca. Eu já não sabia se terminava o restinho de yakissoba ou partia para a banana caramelizada que eu adoro. Na pior das hipóteses, eu a embrulharia no guardanapo e apesar de papel grudado acho que daria para comer.
Fomos salvos pelo pânico do Bernardo, que quando viu a moça indo pegar novamente mais comida, já foi se levantando e então avistou-a de posse de uma marmita.
Ufa! Foi pegar comida para levar para casa. Não vai voltar à mesa.
Então, voltando a si e recobrando sua habitual tranquilidade, marido nos disse:
"Gente, qual o problema? Se ela voltasse, eu pediria desculpas e compraria outra água para ela."

Tive um acesso de riso que acho que vai durar mesmo durante o sono!
Aos pais, durões, engraçados, um abraço!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Visconde ou carrapato?

Quase noite. Hora de buscar o filho na escola. Me arrumo.
Na verdade, me arrumo traduz-se por coloco a coleira no cachorro.
Uma rua a atravessar e menos de um quarteirão é a distância.
Bem pertinho, costumamos dizer que moramos da escola.
Atraso-me um pouco por conta da característica farejadora dos cães e enquanto olho para os lados para atravessar a rua, um amigo de meu filho fala alto "O mãe do Bernardo, o braço dele..."
Fala e vai subindo a ladeira no que o coração subiu para os ouvidos e eu não ouvi se ele completou a frase. Com as pernas bambas não conseguiria correr em direção ao amigo de meu filho e numa nesga de raciocínio, achei melhor caminhar em linha reta até a escola.
Não imaginei num primeiro momento um braço engessado; imaginei o sangue escorrendo e a visão de um osso em exposição.
Ora, mas a escola não teria me avisado de algum infortúnio?
Não há mais tempo de divagar porque já me aproximo do portão.

Lá vem o menino com um sorriso cheio de marotice e os braços nem branco nem vermelho.
Tudo bem? O que aconteceu com seu braço?
Como você já está sabendo?
Encontrei seu amigo subindo a rua e... o que aconteceu?
Tem um carrapato no meu braço.

Paramos e com a dificuldade de enxergar no lusco-fusco ele me mostrou: estava bem próximo do lugar onde fica a marquinha da vacina. O bicho lá grudado, feito bebê esfomeado.

E por que você não arrancou isso daí?
Mãe, eu fui a sensação da escola hoje. Meus amigos nunca tinham visto um carrapato. Acho que os professores também não; cada um que entrava, primeiro vinha pra ver o meu braço. A notícia se espalhou e eu quase não consegui tomar o lanche para mostrar o carrapato. Entre um intervalo e outro das aulas, corriam moleques de outras salas para ver o carrapato.

Compreensível. Em tempos de fazendas virtuais, tempos urbanos que temos que levar nossos filhos em fazendinhas de uma vaquinha, duas ovelhas, e três porquinhos, é compreensível a efusão diante de um carrapato grudado no braço de meu filho.

Tinha para mim que ele seria sempre lembrado como o menino Visconde.
Será que o carrapato derrubou Visconde-menino?



Fato ocorrido na segunda-feira. Bernardo passou o final de semana na fazenda dos avós.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Monopólio facebook

Facebook: ame-o ou deixe-o.
Não tive nenhuma dúvida, depois de pouco tempo utilizando a rede, em responder a esta pergunta.
Deixei-o.
Era um misto de tempo a mais utilizado ali e que eu não dispunha, e a não identificação com o "estilo"da rede e ali eu não reencontrei amigos de colégio. Naquele tempo eram esses os motivos.
Hoje, a pergunta para mim já não seria simples de responder apenas com um sim ou um não.
Lancei um livro e talvez vendesse mais se estivesse ali.
A visibilidade do blog integrado ao facebook talvez fosse maior.
Muitos blogueiros que eu admirava e ainda admiro, fecharam seus blogs e estão somente por lá, no face.
Fico fora de muitos sorteios porque não curto as fanpages.
A rádio que eu ouço realiza promoções e interatividade sobre programas, assuntos polêmicos somente via facebook.
O jornal que leio complementa suas matérias através do facebook...

Quando não há alternativas, o nome disso é monopólio.
E parece não estar havendo alternativas. Alternativa viável.
Muitos tentaram o Google+, mas ele não "pegou"como o que seria hoje o terceiro país do mundo com mais de 1,1 bilhões de usuários.
O facebook não seria apenas o terceiro país; sua conduta seria equiparável à da Coreia do Norte.
Censuras a fotos de bebês sendo amamentados, fotos das índias do Alto Xingu em matéria que retrata toda problemática indígena, censuradas.
Não há como argumentar.

A migração de uma pessoa, ou um grupo em nada afeta o gigante.
Deixei-o, porém quando a ocasião permite, peço a alguém conectado que me permita dar só uma olhada. Mendicância é o nome disso.

Talvez eu devesse estar ali. Reabrir meu perfil, adicionar amigos, curtir.
Ainda não sei. Está parecendo cada vez mais impossível escapar da grande rede.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A falta de educação



São quase nove e meia da noite e eu me sentei para escrever sobre o monopólio facebook.
Fomos assolados por um barulho de vidro quebrando. Corri para olhar e tudo o que vi foi uma caixa de papelão jogada em frente a minha casa e várias lâmpadas fluorescentes quebradas.

As fotos aí de cima, eu fiz alguns dias atrás. Caixas com dúzias de lâmpadas estavam encostadas no muro de um hipermercado, na entrada de seu depósito.
Fui reclamar com o hipermercado e eles me garantiram que aquelas lâmpadas não eram deles, mas que mandariam recolher. Demoraram e as fotos sinalizam o que foi feito com as lâmpadas. 
Levei a máquina com as fotos e mostrei para os gerentes. Mandaram tirar de lá.

Neste final de semana, novamente caixas no mesmo lugar, com o mesmo material e agora estão quebradas em frente de casa.

Quando eu penso que o assunto meio ambiente, ecologia, reciclagem está saturado, que ninguém mais aguenta falar nisso, vejo que muitos ainda precisam ouvir, falar.
A começar pelos fabricantes das tais lâmpadas que se disponibilizassem vários, muitos locais para recolhimento desse material que é altamente contaminante por causa do mercúrio e fizesse propaganda pesada, facilitaria muito.

A tal história do "não fui eu"e vai-se empurrando até onde pode, até um sem noção pegar as lâmpadas e sair quebrando, ou pior usar como arma, como já aconteceu em São Paulo.

A educação nas casas, nas escolas está falha; não deveríamos ter lixo pelas ruas.
Agora é catar os estilhaços e colocar no lixo comum, o que é errado, mas se já é difícil recolherem um lâmpada inteira o que dizer de estilhaços?

domingo, 4 de agosto de 2013

Por favor escrevam

A falta de cartas, essas escritas de próprio punho, com cep, envelope, correios, selos, está causando intenso desequilíbrio ambiental.
Por isso peço, por favor escrevam.
A escassez de cartas está acarretando esta triste realidade nas caixas domésticas de correios.

Marimbondos invadem a minha caixa de correspondências.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

15 passos

Da minha cozinha até a lavanderia são 15 passos. Exatos. 
Contei e recontei; fui e voltei. 15 passos.

Pedi a meu filho Bernardo, quase 11 anos, que levasse algumas peças de roupa para a lavanderia. Ouvi como resposta que seus músculos estavam fatigados. Mas são só 15 passos, insisti.
Não tenho forças, estou exaurido, insistiu ele.
Depois de outros afazeres, eu mesma peguei as peças e caminhei 15 passos.
No caminho segurando as roupas emboladas em meus braços, percebi um algo num dos bolsos.
Chegando à lavanderia, procurei e encontrei um pedaço de papel amassado.
Mãe sempre desamassa papéis que estão em bolsos.

Sabe o que estava escrito?
Vocês têm noção do que eu estou passando? Do que eu estou sentindo?

"Por você eu iria até o fim do mundo". ( a caligrafia é do Bernardo )

Ele se recusa a dar 15 passos por sua mãe e vai até o fim do mundo por alguém?
Será que ele sabe quantos passos têm até o fim do mundo? Certamente que não são 15 passos.
Que ir até o fim do mundo, fatiga músculos, dá bolha nos pés, dor nas costas?

Não sou afeita a dramas. Tudo bem, se meu filho não pode caminhar 15 passos para eu que sou sua mãe, que passei noites incontáveis acordada, chorando junto com as cólicas, com os dentes que faziam as gengivas coçarem de madrugada, que carregava no colo porque o pequenino chorava, tudo bem.
Caminhe então até o fim do mundo.
Eu seguirei aqui, da cozinha até a lavanderia, com músculos exauridos, coração amargurado, mas sem reclamar. Calada. Porque assim é minha natureza.

Não diz o ditado que filhos são para o mundo? Pois o meu vai além.
Vai até o fim do mundo por alguém.