Na
minha juventude, isso nem faz tanto tempo assim, ouvi um especialista
em imóveis dar uma dica essencial para quem vai comprar ou alugar um
imóvel: dormir no imóvel antes de fechar negócio.
Achei
a tal dica tão divertida que a guardei até hoje ( é, na verdade
faz muito tempo que ouvi isso, mas estou boa de memória! ).
Então
você procura um apartamento para alugar/comprar e diz “as chaves
por favor, primeiramente passarei o final de semana lá”.
E
o especialista era tão enfático na sua dica que chegou a dizer que
mesmo que tivesse morador no imóvel, você gentilmente deveria
negociar passar uma noite lá na companhia dos moradores.
Aí
seria engraçadíssimo! Vamos pegar um exemplo utilizando os próprios
blogueiros.
Supondo
que a Chica colocasse seu imóvel à venda e eu fosse a potencial
compradora. Teria que passar uma noite por lá. Claro que devido à
interação blog a blog eu sei que no freezer dela tem umas coisinhas
sabor café que são maravilhosas e também tem bolachinhas que ela
faz. Devo pedir, devo falar que sei que tem, ou me levanto do sofá
tomando cuidado para não pisar na tartaruga nem na Cuca e pego? Deve
ser na verdade constrangedor uma situação dessas. Nunca ouvi falar
em ninguém que agiu assim para comprar/alugar seu imóvel.
Dormir aqui nesta casa. Nem pensar. Num parece que é mal assombrada?
Já
fiz várias mudanças e fui acumulando alguma experiência.
Num
condomínio com três torres e apenas uma churrasqueira, o resultado
eram brigas de alto nível tanto nas reuniões como na porta do
churrasco...
Quase
alugamos uma casa, mas por sorte descobrimos uma feira ali e a
barraca do peixe seria na nossa porta. Ainda bem!
Moramos
vizinhos a uma igreja e era difícil fazer os irmãos entenderem que
não deveriam parar na nossa garagem.
Teve
vizinho do andar de cima barulhento no momento da procriação e
então munidos de vasta experiência fomos comprar a nossa casa e
mesmo sem dormir no local, fechamos negócio.
As
características da nossa casa
avarandada
que dá ver os aviões bem de pertinho chegando ou a depender do
vento, chegando.
sol
durante todo o dia
defronte
para uma praça
a
uma quadra da escola na qual as crianças estudam
mercado
a alguns passos
centro
gastronômico na rua debaixo ( já imaginou sair à noite sem
precisar enfrentar trânsito, dificuldade para estacionar e pode
escolher de barzinho, fast food, churrascaria, japonês,
delicatessen, o que você pensar tem ali na rua de baixo.
Está
achando que eu moro na Vila Paraíso, não é?
E
ainda me esqueci de dizer que tem um bosque de Mata Atlântica
preservada que é um parque e tem também passarinhos. Algum defeito?
Varanda,
sol, passarinhos, bosque, nenhum problema.
Morar
de frente para uma praça é mais o menos, porque além do lixo que
despejam ali, tem o descarte de animais domésticos, o que é triste.
Mercado.
Se eu tivesse dormido uma noite sequer aqui eu saberia que para se
ter um mercado é preciso que ele seja abastecido. E adivinha a que
horas e por onde os caminhões gigantes passam? Exatamente: de
madrugada e justamente na minha rua que é uma descida e o cantar dos
freios e pneus não combina com sono.
Já
disse por aqui que os aviões até nos faz esquecer a escassez de
estrelas. Mas o que dizer, ou melhor como ouvir aquele diálogo chave
num filme ou novela bem na hora que um bichão de asas passa zunindo
bem acima da sua tv. Nem adianta aumentar o volume.
Então
você diria, e a vida social e gastronômica noturna?
O
sonho de muitos morar praticamente na rua das baladas.
Dois
problemas: vento e mãe.
O
vento é que a depender da direção que sopra carrega consigo o som
que vem dos barzinhos. E inacreditavelmente ele sopra na direção da
minha casa sempre aos finais de semana e nunca traz uma música que
seja do meu gosto. Aliás acho que nenhuma me serviria nas
madrugadas.
Mãe.
Os
empresários da noite guarulhense tiveram uma ideia fantástica. Eles
fornecem moradia para os trabalhadores, os garçons e fazedores de
pizza e sushis. Assim não há desculpa com greves, chuvas,
distância. E ainda levam o título de sustentáveis ou verdes porque seus funcionários se locomovem a pé, que além de saudável não polui. Todos esses funcionários são meus vizinhos de fundo! E
onde entra a mãe nesta história, você deve estar se perguntando.
Lembram
da música? “Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar...”
Pois
é, eles chegam do trabalho entre uma e duas horas da manhã, nos
dias de semana, e só vão dormir depois de falar com a mãe pelo celular. Tudo
isso num terraço que dá na janela do meu quarto.
“Mãe,
o tomate tá tão caro que eu tenho que espalhar uma colher de chá
na pizza”.
“Mainha,
a cenoura subiu tanto por aqui que o patrão mandou a gente encher o
yakissoba com repolho ( ah safados, por isso que eu comprei e era uma
repolhada só naquela caixinha ).
Mãe,
no Natal eu vou levar um tablete pra senhora. Acredita que lá onde
eu trabalho num tem mais cardápio de papel? É mãe é tudo no
tablet e eu fiz curso mãe! (é verdade, nós fomos lá e marido se confundiu e pediu
quatro pizzas para duas crianças e dois adultos, ainda bem que
estranharam o pedido e só mandaram uma).
E
eita que essas mães têm uma paciência para ficar ouvindo essas
histórias às duas da manhã.
E
assim amigos leitores declaro que em breve colocarei minha casa à
venda, mas nem venham com essa ideia de dormir no local porque vai
que vocês descubram tudo isso hein? Ninguém vai querer comprar
minha casinha.
Quero saber: alguém já dormiu no imóvel que iria comprar/alugar?
Beijo