Emocionou-me o relato; eu me nutri com aquela ternura.
E depois pus-me a pensar nos registros que eu não fiz da infância de meus filhos.
Não fotografei o positivo no teste de gravidez, não fotografei a barriga mês a mês, não houve foto na hora do parto, não fiz marcações na parede da altura que tinham em cada dia de seus aniversários, e tantos outros que deixei de fazer.
Se pudesse voltar atrás, não teria feito do mesmo jeito.
Não está em mim, não sou eu assim. E meus filhos já "me sabem" assim!
Acho que nossos registros têm um pouco de nós. Não é errado fazê-los ou não fazê-los como a maioria.
Penso que temos que ter o cuidado, de, com tantas facilidades virtuais, deixar de registrar com emoção e ser apenas mais um clic. Há de ter significado.
Revirando uma caixa em busca de um envelope de bolinhas que tinha certeza de encontrar, encontrei além.
Os pezinhos da menina estavam numa foto de papel. O encantamento do meu filho com um imenso arco-íris me fez pegar a máquina, fotografar e depois revelar.
Espero que eles encontrem a maneira deles, o seu peculiar modo de registrar momentos, seja em fotografias, palavras escritas, ou apenas no coração ou em várias plataformas juntas incluindo o coração.
Eu não me lembrava das fotos no sapato de mãe.
Eu não me lembrava que um dia havia mandado revelar uma foto caseira, tirada às pressas de um arco-íris.
Foi um espanto!
E ter um blog para descrever as emoções recordadas é muito bom!
Beijos com desejos de registros cheios de afetos e ternuras e que possam ser compartilhados nos blogs que andam tão acuados, encaramujados.
