Antes de sair, muitas vezes com a mudança lá no caminhão, andava pelos cômodos vazios, agradecia por ali ter vivido dias bons e outros nem tanto e vasculhava também se não havíamos esquecido algo.
Nas várias casas, apartamentos, que chegamos, muitas vezes encontramos "coisas" ali deixadas. Coisas por vezes impossíveis de se levar. Adesivos grudados nos vidros das janelas. Figurinhas de álbuns coladas na parte interna da porta de guarda-roupas.
Na casa mais recente de nossas vidas, encontrei um regador.
E ele me fez uma alegria no peito de um dia de céu bem azul cheio de sol!
Eu nunca havia tido um regador. E não nego a minha ausência de intimidade com plantas e flores - talvez seja esse o motivo.
Se tive algum de levar à praia, não recordo.
Recordo de figurinhas e álbuns e papéis de carta com lindas meninas de cabelos longos, vestidos esvoaçantes segurando um regador.
Penso ser poético tal objeto.
Uma mangueira bem faz suas vezes, ou como via uma senhora íntima das flores, um balde e a própria mãos a fazer chover.
Assim como temos vontade, secreta, tímida, ou transparente, de carimbar, pular corda, comer algodão doce, acho que temos de regar!
Lá na Praça Belo Horizonte em Salvador ( não confunda a geografia, a coisa é mesmo na Bahia! ) há um projeto para incentivar o cuidado com mudas e árvores nativa da Mata Atlântica com o projeto "Vem me regar".
Desconfio que faz o maior sucesso. Mas sejamos sinceros, entes mesmo do cuidar está aquela vontade de usar regador!
Quem tem, quem usa, quem ficou com vontade?
Quando nos mudamos daquela casa, ficou lá regador. Seria inútil trazê-lo para um apartamento sem plantas.
Há algum tempo passamos de carro pela antiga casa. Parecia mágica! Vasos, flores plantadas, um árvore crescendo. Quero acreditar poeticamente que a nova moradora faz um bom uso daquele regador!










