domingo, 24 de setembro de 2017

Memória dos nossos dias

Foi num domingo que eu li uma crônica do Antônio Prata, chamada Recordação.
Numa conversa dentro de um táxi, o passageiro ouve o taxista relatar a perda da esposa e a tristeza por não ter uma foto dela. A indignação é instantânea, nenhuma foto?
Ao que o taxista lhe responde que ele tem sim fotos, inclusive um álbum, mas são fotos em que ela, a esposa, não é ela. Fotos produzidas, cabelo com penteado e o que ele queria mesmo era uma recordação trivial, corriqueira. Queria mesmo era uma foto dela de avental, por fim diz.

Foi uma crônica que ficou em mim. Tanto que, em uma carta que escrevi recentemente, falei sobre ela e não é que minha destinatária também conhecia a história e gostava muito dela?!

Há muito que já deixamos os filmes kodak e fuji para trás. Só por gosto e hobby que algumas pessoas os usam.
A facilidade da fotografia digital deveria mesmo nos proporcionar essa recordação: fotos do cotidiano, espontâneas, sem arranjos e produções.

E há um movimento para estimular esse tipo de foto do dia a dia.
Conheço uma joaninha que retrata a memória dos nossos dias de uma doce maneira!

Quero também deixar um link para você se inspirar entre fotografar e escrever sobre essas memórias.

Aqui: savethelove.com.br

E vou mostrar o que tenho feito por aqui, no nosso dia a dia.









Fotos do Bernardo, entre estudos e árvores.


Passeio com o cão e aqueles bons momentos no banco da praça




Júlia ao perceber que eu a fotografava: "Você não fez isso?
Sim, eu fiz.
O que as pessoas vão pensar ao me ver estudando com esse rolinho de passar nas roupas?
O mesmo que eu: Nossa que estranho, porque será que esta menina estuda com um rolinho de tirar bolinhas e fiapos das roupas?


Nesse momento ela caiu na risada e atirou para longe o tal rolinho!
















terça-feira, 12 de setembro de 2017

Adeus dona Maria

São ovos fresquinhos, selecionados, direto da granja para sua mesa.
Venha correndo aproveitar dona Maria, é o carro do ovo passando na sua porta
São trinta ovos por apenas onze reais.
Pode chegar dona Maria, pode examinar sem compromisso
Que hoje a senhora leva trinta ovos por apenas onze reais
Venha correndo aproveitar dona Maria
Ovos graúdos de qualidade
É o carro do ovo passando na sua porta dona Maria

Desci para o passeio matinal do cãozinho e quase ocasionei um acidente: seu Sidney, o porteiro vinha entrando segurando uma bandeja de papelão verde-azulado contendo 30 ovos que quase foram parar no chão, quando eu e ele nos encontramos no estreito portão.
Risos, pedidos de desculpas e a recomendação por parte dele de que os ovos eram mesmo dos bons.

Eu já tinha ouvido o tal carro do ovo, mas nunca pus reparo realmente nele. Ou melhor, no som que sai por um alto-falante.
O carro é uma belina, cor de chumbo cintilante e fica lá estacionado por um tempo chamando, lembrando a dona Maria de comprar ovos. E que venha correndo dona Maria.

Foi seu Sidney que me falou do carro que chama por dona Maria. Eu sou Donana e achei bem ultrapassado o tal carro do ovo.
Não por ser belina. Por generalizar homens e mulheres, por reduzir-nos todos a dona Maria, por faltar com gentileza à todas as Marias.

Retrato de uma época a fala gravada que sai do alto-falante.
Um passado que não foi bom e serve para nos ensinar.

Meu pai, que Deus o tenha, já baixou ligeiro a manivela do vidro de sua brasília ocre e mandou um "vá cozinhar feijão dona Maria".

Retrato de uma época que não deveria ter existido, mas já que houve, sirva para nos ensinar a não reproduzir o mesmo erro do passado.

E por falar em ovos...
Adorei a novidade que eu trouxe do supermercado: uma caixa de ovos lindamente ilustrado com patinhas ( ou seria pezinhos de galinhas ) azuis escrito em letra bonita: galinhas livres de gaiolas.

Tem também a opção "passeio livre no campo", porém esse custa mais caro.

Penso em lançar produto similar escrito em cor laranja, que é a minha predileta:

Galinhas confortavelmente acomodadas em leiteiras antigas
Assim ó




sábado, 2 de setembro de 2017

Folhas caídas


Sentei-me num banco próximo a essa jovem árvore e fui tomada por um encantamento: suas pequenas folhas avermelhadas estavam banhadas pelo sol do final da tarde. Era uma luminosidade tão apaziguadora. Eu estava sem possibilidade de fotografar, não havia levado qualquer dispositivo.
Voltei na tarde seguinte e fui surpreendida novamente.
As folhas estavam todas no chão. Sobrara apenas uma ou outra.
Uma bela lição...

Assim foi também com o blog e o mês de agosto. Queria escrever, postar; deixei para depois e quando vi já estava no chão a folha destacável do calendário. Setembro se faz presente.

O que escrever, ou algo relevante a escrever, não tenho.
Só o anseio em voltar, interagir aos poucos.


sábado, 15 de julho de 2017

A doçura dos blogs

Não estou em minha casa. Há uma semana que estamos na roça, na fazenda e hoje pela primeira vez, abri a lata de açúcar.
Deixei a água do café borbulhar um pouquinho mais que o necessário, só para demorar no reparo.
Reparei docemente no objeto que, nesta casa da fazenda, serve como pegador, medidor do açúcar.
Metade de uma pequena cabaça.


Fui preenchida pela doçura que os blogs me trazem.
Blogs? Você deve estar estranhando a conexão fazenda-blogs.
Mas é exatamente isso: nas minhas andanças pelos cantinhos virtuais dos blogs, através dessa doce partilha, conheci a moça que depois de assistir a um filme ( Ida ), fez certa manhã, uma chuvinha de açúcar sobre o pão com manteiga; de outro canto, a moça disse não ter paciência para finas chuvinhas de açúcar, afinal é uma ariana com ascendente em áries, e então faz um mergulho da sua bolacha lambuzada de manteiga direto na lata de açúcar. E ainda tem a moça que quando vai à padaria, utiliza um pacotinho e meio de açúcar e fica sem saber o que fazer com a metade do pacotinho que fica. Não quer desperdiçar, então dobra-o cuidadosamente e o recoloca na cestinha com a esperança de que um próximo cliente, vencendo indagações e medo de envenenamento, utilize de seu meio pacotinho, gentilmente deixado ali.
Voltando ao café, titubeei em despejar sobre o líquido fumegante o açúcar acomodado na cabacinha. Peguei colher, me senti segura. Ficou bom.
Beberiquei debruçada na janela da cozinha e o pensamento correndo por entre pastos, plantações, amigos cultivados nos blogs e vontade imensa de escrever.





quarta-feira, 12 de julho de 2017

Jabuticabeira

Saudades, saudades, saudades!
Vontade de interagir e vou fazê-lo, mesmo a passos de tartaruga.
E por falar em passos, estou em Passos, Minas Gerais.
Com internet por aqui!
Que vem a galope, por vezes, muitas vezes empaca, mas hoje, ventos favoráveis.
Deixo então um pouquinho da paisagem da fazenda.


Bastante jabuticabas no pé ensinando paciência.
Precisam ficar pretinhas.






Silêncio restaurador!


Um beijo e promessa minha de visitar os blogs amigos!
Até.




sexta-feira, 9 de junho de 2017

Inauguração

hoje, lua cheia de junho, houve uma grande inauguração
obra monumental
compareci
procurei palanque com primeira-dama chique
homens atrás do grande feitor-governador/prefeito/presidente
aqueles homens sorridentes e cheios de aplausos
procurei nos noticiários
jornais, revistas, tv
nota alguma
notaram coisa nenhuma
nenhuma "influencer digital"
escreveu no seu blog sobre a grande inauguração

uma ponte foi inaugurada


olhem bem, ponham bastante reparo:
afastem os fios da tv a cabo, da telefonia, da eletricidade, da inutilidade
e está lá a grande ponte!
ligação direta com o alto pinheiro

joaninhas, formigas, vespas, passarinhos compareceram 
à grande inauguração
borboleta teve um atraso por conta de um difícil néctar 
vem mais tarde

hoje, lua cheia de junho
dois caminhões de mudança chegaram aos edifícios do entorno
trazendo novos moradores
poxa! eles estão se mudando para perto da grande ponte!
será que eles sabem disso?!

os shoppings da cidade estão e ficarão ainda mais lotados
para as compras do dia dos namorados
ah! certamente eles entregarão os presentes e farão juras de amor
aqui na ponte recém-inaugurada...
aqui não se coloca cadeados de amor
porque cadeados que prendem não combinam com amor

foi obra de difícil execução
muita noite de luar
frio intenso
chuva forte com vento
dias de brisa fresca
sol quente demais 

a grande ponte foi inaugurada!




segunda-feira, 5 de junho de 2017

A oração funciona?

Há uma história, a qual eu gosto muito, que se propõem a responder essa indagação: a oração funciona?
Quero partilhar com vocês. Está no livro "A energia da oração"


Era uma vez um garoto de seis anos de idade que tinha como animal de estimação um ratinho branco. O ratinho não era bem um animal de estimação, era o melhor amigo do garoto. Um dia, o garoto e o ratinho foram brincar no jardim. O ratinho entrou num buraco do chão e não voltou mais. O garoto ficou muito triste. Achou por um instante que não valia mais a pena viver sem o ratinho. Ajoelhou-se, juntou as mãos e orou fervorosamente para que o ratinho voltasse. Rezou de todo o seu coração. Rezou da maneira como via sua mãe fazê-lo, e murmurou para Deus a seguinte oração: "Eu creio em vós, ó Deus. Sei que, se quiserdes, podereis trazer de volta o ratinho".

A criança ficou de joelhos e orou com toda sinceridade por mais de duas horas. Mas o ratinho não voltou. Finalmente muito triste, entrou em casa sem o ratinho.

Durante sua infância, rezava sempre que alguma coisa ruim acontecia. E o que pedia nunca se realizava. Nos anos da escola secundária, não acreditou mais na oração.

O garoto, agora um adolescente, matriculou-se nas aulas de música no colégio católico que frequentava. Um senhor idoso, de voz trêmula e bastante doente, dava as aulas. A primeira coisa que o professor fazia de manhã, antes de começar a aula, era uma oração. Rezava durante uns quinze minutos, o que não agradava muito a nenhum dos alunos. Sua maneira de rezar não era muito interessante nem cativante. Antes de começar, sempre perguntava: "Alguém de vocês tem alguma coisa que quer que eu peça?"Tomava nota daquilo que porventura alguém dissesse e então começava a orar na intenção de cada um.

Muitas vezes pedia coisas muito simples como: "Amanhã vamos a um piquenique, portanto dê-nos bom tempo e não chuva". Para o nosso rapaz, esses quinze minutos de oração antes da aula eram puro aborrecimento. Ele não acreditava em nada. Apesar disso, o professor continuava rezando sinceramente todo dia.

Certa vez, entrou na sala uma garota chorando inconsolavelmente. Disse que fora informada por seus pais que sua mãe estava com um tumor no cérebro. Tinha muito medo de que sua mãe morresse. O professor escutou-a com atenção, levantou-se, olhou pela classe toda e disse:

"Se houver alguém na sala que não queira rezar conosco, pode sair e ficar no corredor. Os demais, vamos rezar pela mãe desta moça. Depois de terminada a nossa oração, pedirei a alguém que vá até o corredor e avise a quem saiu para que volte".

O rapaz pensou em sair da sala, porque não acreditava na oração. Mas alguma coisa o fez ficar em sua carteira e ver o que ia acontecer. O professor pediu que todos inclinassem a cabeça, e começou a orar. Sua oração foi muito curta, mas sua voz era forte. Com a cabeça inclinada, de mãos postas e olhos fechados, disse: "Muito obrigado, Senhor, por curares a mãe desta moça". Foi só o que disse.

Duas semanas depois, a garota contou à turma que sua mãe estava recuperada. Uma tomografia do cérebro revelara que não havia mais vestígio do tumor.

Este milagre restaurou a confiança do rapaz na capacidade de cura da oração, confiança esta que havia abandonado há bastante tempo. Começou, então, a rezar por seu professor de música, que estava outra vez muito mal. Rezou com sinceridade. Rezou de todo o coração pela saúde do professor de música, mas um ano depois, o professor morreu.

Há muitas reflexões que essa historinha pode nos trazer...

A oração é uma ponte!