sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Um tucano na cidade


Era para ser somente uma ida aos Correios.
Enquanto eu aguardava o semáforo para atravessar, avistei a majestosa ave voando e logo em seguida, um pouso suave na árvore bem a minha frente!
Só lembrava de tucanos em zoológicos. Vê-lo ou vê-la assim, livre, encheu-me de alegria.
Primeiro eu desejei que o semáforo se apressasse em fechar para os carros e pareceu-me uma eternidade...
Atravessei já com o celular na mão, coisa rara, diga-se, porque quase nunca levo o aparelho quando vou por perto.
Havia um outro edifício, não este da foto, bem defronte à ave. Ah! Queria habitar aquela janela no alto!
Depois desejei ter uma câmera fotográfica com lente potente para retratar toda a exuberante beleza.
Por fim, dei-me conta que eu estava ali apreciando a cena peculiar - um tucano na cidade!
Os carros passavam ligeiros. Um ônibus parou no ponto e eu pude ouvir "o que será que ela está vendo? ".
Abri um sorriso enquanto a ave batia asas novamente!
Alguém mais com um tucano urbano?!





domingo, 16 de setembro de 2018

Um convite, um chá

Recebi um convite.
Chegou-me por um meio de comunicação que tanto aprecio: a correspondência!
Eu li, reli, tanto alegrei-me, porém demorei em aceitar esse especial convite.

Seria uma viagem. Era preciso acomodar-me para que pudesse apreciar a paisagem.

Demorei para encontrar aquele espaço, aquele momento para que eu realmente abraçasse o convite e me lançasse nessa viagem.

Mas quando pude realizar essas palavras convidativas, foi mesmo uma viagem incrível!


Sou uma leitora - nada voraz - tenho um tempo meu, minhas fases para com os livros. Digo isto porque já me lancei em desafios do instagram de ler um livro por mês, depois um por semana e senti que não funciona comigo.  

Fazia um tempo que não lia um livro dessa forma,viajando e apreciando a paisagem!

Há pouco tempo entrei em uma livraria de shopping para procurar um livro. Não tinha nada definido. Queria mesmo andar por entre as prateleiras e encontrar algo que brilhasse para meus olhos.
Que decepção... As grandes livrarias foram tomadas por livros de séries, youtubers, pilhas e mais pilhas desses gêneros.

Se são ruins ou não, nem saberia dizer pois nunca os li. São na realidade uma tendência de mercado.

Saí da livraria sem comprar nada e alguns dias depois, os correios me entregam esse delicioso presente!

Fiz várias xícaras de chá para acompanhar a leitura e foi uma agradável viagem dia após dia, página a página!

Esse livro é uma dessas coisas incríveis que acontecem aqui pelos blogs!
Obrigada!

Filhos e o criar asas


Projeto: Na casa da vizinha, uma blogagem coletiva mensal organizada pelas meninas Tê Nolasco do blog Bolhinhas de Sabão para Maria e Cris Philene do Prosa de Mãe.

Esta será minha primeira participação e quero agradecer à Tê e Maria, que eu já conheço e também à Cris, que estou tendo a oportunidade de conhecer através dessa interação que as blogagens proporcionam! E claro será muito agradável conhecer outras mamães que estão participando. Sem contar que tem mamãe que também é avó e corta as asas se for preciso!!!

Filhos e o criar asas tão cedo

A vida me colocou uma experiência, que claro, a princípio foi de extrema dor - eu tinha doze anos quando minha mãe morreu e que depois a dor se tornou uma doce lembrança e me possibilitou ressignificar muitas coisas.
Essa experiência jogou luz na maneira como eu crio os meus filhos.

O "criar asas" sempre esteve à voltas nesse meu processo de maternidade, mas sem peso, sem tristeza, sem medo, foi algo simples e que acontece aos poucos.

Como sou filha única e não tenho família próxima, cada oportunidade que surgia, dos filhos dormirem fora, era algo muito positivo. Mas, como disse anteriormente, nós, os pais, respeitamos as individualidades: minha filha com dois anos já aceitava o convite, o filho, na época com quatro, simplesmente não queria.

Então passamos por todo o processo em que a escola tem um espaço grande, seja nos passeios, excursões, noite de pijama em casa de amigos, muito bem.

Sei que pode soar estranho, mas eu sempre fiquei muito tranquila, nada de coração na mão! Checada as condições de segurança e afins... eu me alegrava com a situação.

Quero nessa interação abordar a fase bem adolescente dos meus filhos e sei que a Chica passa pelo mesmo agora com o neto.
Meu filho tem 15 anos e a menina, 13.

E acho essa a idade mais difícil e perigosa e já falo disso logo mais.

Com 15 anos meu filho se locomove sozinho para a escola, pela cidade de ônibus e uber, porém isso só é possível porque aqui a cidade é segura. Esse é um dilema: como soltar numa cidade, num bairro inseguro, violento?

Esse soltar do meu filho foi acontecendo: um dia eu não pude ir buscá-lo no kumon e ele voltou sozinho para casa ( anteriormente eu o levava e comecei a ficar na esquina para que ele entrasse sozinho; depois combinei que esperá-lo em uma rua próxima e assim se deu até que ele veio sozinho para casa, disse ser tranquilo e passou então a ir e voltar só ).

Moramos próximo à escola da menina, no primeiro mês eu a levava, depois vendo várias crianças indo sozinhas também a deixei ir só.

Vez por outra eu peço uma passada na quitanda para que me tragam uma alface ( e chega em casa uma escarola! ), tem mocinho comprando seus próprios itens de higiene e assim vamos seguindo.

Junto a tudo isso, acho importante que essas asas que vão ganhando mundo encarem as limitações, as frustrações, as dificuldades. O crescimento e aprimoramento emocional é grandioso nesse processo.

O perigo das asas:

Como disse acima, acho essa a fase mais perigosa. Por quê?
Porque educar, criar, ensinar, cuidar é maravilhoso e é cansativo. Por mais que exultemos a maternidade, o cuidar, existe um cansaço que talvez nem seja físico. Então essa fase "adolescente grande" é maravilhosa para se ter um pouco de sossego - dê dinheiro ao seu adolescente e liberdade a ele e você terá momentos de paz...

Estou presenciando isso: muitos pais soltam completamente nessa fase e temos visto muitos adolescentes bebendo e usando drogas. Amigos de minha filha de 13 anos fazem "festinhas"em casa à base de vodca ( cadê os responsáveis ? ).

Não senti aperto no peito quando eram pequenos e sinto agora com o filho moldando seus sonhos, falando inclusive em ir morar fora do país.

Bem, aos menos não se precisa mais usar ficha DDI para ligações internacionais ( sou dessa época! )

Vou finalizar apresentando meus filhos!

Bernardo, quer ser engenheiro aeronáutico.


Júlia, começa o ensino médio ano que vem e nunca termina de assistir a série Grey's Anatomy ( e eu fico sem o computador )


Dar asas, podar um pouco as asinhas é viver!
E é maravilhoso viver com esses seres que nos inspiram dia a dia!


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Qual o meu lugar mágico?


Hoje tem festa! Ou melhor, hoje começa a festa que promete durar por nove dias!
Estamos festejando o aniversário de blogue da querida Rosélia. São nove anos de blogosfera, de postagens e principalmente de interação.
Ainda não tive a oportunidade de abraçar a Rosélia pessoalmente, já vi e me alegrei pelos encontros que ela promoveu, participou.
Então meu desejo de que essa festa seja alegre, cheia de interações e que venham muitos mais anos de blog!

O tema proposto para essa festa com blogagem coletiva é: Qual o meu lugar mágico?

O silêncio é meu lugar mágico.
E eu fui ao longo de muitos anos aprimorando esse silêncio.
Primeiro era o som chiado que saía da boca da minha mãe com o dedo indicador em riste a frente dos lábios. O silêncio me chegava como reprimenda.
Lembro-me também dos quadros que haviam nos hospitais; uma enfermeira solicitando silêncio. Era um silêncio triste, sussurrado.
O silêncio como uma diminuição dos ruídos, trazia-me alento. Eram tantos os sons da grande metrópole, que um pouco de pausa, de menor volume, trazia alívio.
Hoje entendo o silêncio como um grande espaço no qual posso me recompor, descansar, ouvir, estar presente.
A ausência de ruído é quase impossível. Seja nas grandes cidades, seja num lugar isolado - lá sempre haverá um grilo, um pássaro... isso é som afinal!
Eu preciso estar em silêncio, silêncio interno para poder ouvir com amor os que estão a minha volta. 

E aqui eu quero contar algo que para mim foi um presente.

Certa vez, eu li em um outro blog, um comentário que a Rosélia deixou por lá e eu recolhi e guardei em meu coração.

Ela escreveu que era possível encontrar esse silêncio, fazendo às vezes, um pequeno retiro em nosso próprio quarto.

( Será que você se lembrará disso, Rosélia?! )

Foi um presente que ela me deu sem saber.

Muitas vezes, os blogs, as nossas palavras podem ser um presente, um alento, um sopro de ânimo para alguém.

Eu bem sei que estou mais ausente nesses últimos tempos, mas também tenho a certeza de que é nesse espaço dos blogues que as melhores coisas acontecem!

Parabéns Rosélia!


Se você quiser participar ou desejar os parabéns para essa grande amiga, passa lá!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Crianças

Cresceram. São adolescentes, serão sempre crianças!
Uma das coisas agradáveis dos blogues, é que muitos, como esse meu, têm um pouquinho, ou muito, de fatos pessoais. E ao longo dos anos a gente vai acompanhando a vida, o cotidiano, o crescimento dos bebês, das crianças ( e deixa nosso envelhecer pra outra hora! ).
Perguntaram-me carinhosamente " E as crianças? "
Resposta fotográfica!













segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A minúscula revolução

Mais alguns anos e eu terei meio século de vida. Tempo suficiente para poder olhar para as muitas mudanças, transformações pelas quais passam o mundo e nós também.
Durante muito tempo, eu achava que a grande mudança, por mim vivenciada, estava na era digital.
Do orelhão de ficha aos smartphones.
Da máquina fotográfica analógica e seus filmes a revelar para a instantaneidade das fotos digitais.
Não me esqueço também do escândalo das minissaias que moças de família não deveriam nunca usar, para a era dos "shorts". Fosse vivo meu pai, ele teria saudades das minissaias comparando-as com os shorts da atualidade!

Eu gosto de pedir para meu marido relatar a chegada do fogão à gás lá na infância dele.

"Ficamos todos os irmãos, doze, lado a lado ali na cozinha, dava para ouvir o coração disparado um do outro. Ah! E quando vimos a chama azul acesa..."

Grandes transformações políticas, sociais.
Silenciosas mudanças pessoais.

E eu tenho me deparado com uma minúscula revolução: a escrita com ausência de letras maiúsculas.

A primeira vez que soube de tal acontecido, foi em algum jornal impresso que falava de um autor português que lançara seu livro todo escrito em letras minúsculas.
Foi o suficiente para eu desgostar, sem mesmo conhecer o tal escritor.

Tenho motivos afetivos nascidos lá na minha infância.

Tia Sônia, a professora da primeira série, de letra absolutamente redonda, ensinou-nos com enorme paciência e creio, com enorme amor também.
"Três dedinhos"... ela repetia e demonstrava com sua mão. "Coloca junto à margem, essa linha vermelha aqui ( caderno encapado de xadrez vermelho em punho ) e faz uma bolinha com o lápis".

Assim se deu nossa iniciação no parágrafo sempre começado com letra maiúscula.

Era demorado o processo de posicionar os três dedinhos, depois fazer a bolinha. Eu fui advertida várias vezes: "Não precisa uma bola de futebol, faça um olhinho de formiga" ela me dizia com doçura na voz.

Passamos depois a usar apenas dois dedos e adiante, de maneira mágica, ou melhor, depois de muitas repetições, bastava o olhar e o lápis ficava na posições exata, sem necessidade de marcações.
Foi um longo processo.

Depois do escritor português que me neguei a ler ( depois li e me apaixonei e será um outro post! ) deparei-me nas telas do computador e do celular com várias pessoas escrevendo em minúsculas apenas.

O escritor português explicou que queria dar igualdade às letras quando concebeu seu livro.
Num site, o moço justificou-se utilizando seu conhecimento em design e estética - ele acha muito feio esteticamente a variação de tamanho das fontes. Passou ele mesmo a escrever apenas em letras minúsculas.

E agora, especialmente na plataforma instagram, tenho encontrado muita gente escrevendo sem fazer uso de letras maiúsculas. Modismo? Facilidade? Rapidez?

Essa minúscula revolução tem mexido comigo.
Sigo aberta a olhar, compreender, reproduzir, questionar.

Além da saudade desse cantinho que é formado por vocês amigos que me lêem, também quero saber: já aderiu à essa minúscula revolução? Gosta, desgosta, nunca, talvez? Me conta e também me desculpa por tanta ausência!

Beijo

*beijo especial para a menina Aleska que foi um sopro de inspiração!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Com amor

Sem amor é o título de um filme que concorre ao Oscar 2018 na categoria de filme estrangeiro.
Não sei absolutamente nada sobre a premiação desse ano. Não assisti a nenhum dos filmes indicados, apenas um comentário num programa de tv falando e mostrando algumas cenas do "sem amor". Pais sem conexão alguma com o filho, sem o mínimo de afeto. Não senti vontade de assistir ao filme, embora deva ser interessante. Infelizmente não se trata de uma história inédita. Há mais crianças, filhos sem amor do que a gente queira saber...

Mas eu quero mesmo falar é da cena de filme que vi há pouco na rua, enquanto passeava com o cachorro. 
Fosse um filme, o melhor título seria : Com amor e com torcicolo.

Enquanto eu esperava o cachorro terminar a sua "cheiração"num pedaço de grama, avistei ainda distante uma bicicleta que vinha titubeando, tipo eu, depois de trinta anos sem pedalar!
À medida que a bicicleta se aproximava, recolhi-me mais ao canto para dar passagem, num misto de receio e curiosidade.

O homem estava bem equipado "de ciclista". Capacete, roupas. Pareceu-me mesmo alguém experiente nos pedais. Mas por que o ziguezague?

Bem mais próximo, notei e exclamei!
Havia uma cadeirinha própria de levar crianças acoplada logo atrás do homem.
Ali sentada estava sua filhinha. Também devidamente equipada: capacete de ciclista-mirim, cinto de segurança.

Mas...

A pequena adormecera. Talvez o embalo, talvez o cansaço das brincadeiras, enfim, ali no banco de trás da bicicleta, uma menininha dormia.
O pai, segurava com o braço direito o guidão. O esquerdo, se contorcia para trás segurando a cabecinha da criança.

Passou meio vagaroso e cambaleante por mim e ao ouvir minha exclamação sobre o adormecer da garotinha, ele disse, entre o desconforto da situação e um certo orgulho do heroísmo: "Minha filhinha dormiu!"

Amanhã certamente ele acordará com torcicolo!

Com amor, que assim sejam os pais!