terça-feira, 13 de agosto de 2019

Uma década de blog!

Dez anos de blog da amiga Rosélia!
É para celebrar com muita alegria!

Eu tenho grande admiração pela persistência da Rosélia nessa década blogando.
Seu estilo vai muito além de postar em seu blog.
Rosélia tem esmero para com seus seguidores que se tornaram  amigos. Visita-os em leituras e comentários, participa e organiza temas coletivos para que haja mais interação e assim nos estimula a escrever e não desistir desse espaço virtual tão frutífero.
Sem falar, que vez por outra, ela viaja, e encontra pessoalmente amigos de blog!

Que sua disposição continue por muitas décadas espalhando amor pelos caminhos virtuais!



Quero pedir à Rosélia que, com sua experiência, traga-nos algumas palavras para os tempos em que estamos completamente desanimados com nossos blogs, sem inspiração para escrever. Nada nos ocorre e nos vem a vontade de desistir, encerrar nosso cantinho.

E deixo aqui minha homenagem com flores, que fotografei lá na França, para essa festa tão bonita!
Parabéns!










terça-feira, 6 de agosto de 2019

O primeiro castelo

Abri a janela do quarto do hotel e me deparei com um castelo!


Nunca fui uma garota sonhadora com castelos. Filmes da Disney não fizeram sucesso comigo!
E o único castelo que tinha visto, era uma miniatura lá no Mini-Mundo em Gramado-RS.

Confesso que ver a grandiosidade desse castelo em Carcassone, foi mesmo admirável.

Há pouco romantismo na história desse castelo: construído por prisioneiros de guerras que trabalhavam na maioria das vezes até sua morte.

E ali nas suas muralhas, mais guerras...




Outra surpresa para mim, além da beleza e tristeza das construções, foi que, em determinado momento, o guia que nos contava a história, pediu que nos afastássemos um pouco porque era a hora da abertura...
Repentinamente começou um movimento de carros, pessoas, bicicletas e eu pensando o que será que todo esse povo faz dentro de um castelo?

Ainda não tínhamos entrado, estávamos nas muralhas e eu não havia pesquisado nada a respeito antes de viajar.

Só quando entramos, é que compreendi o que se passava:








Tudo lá dentro é um comércio. Fiquei inicialmente decepcionada, mas pensando melhoro que se faz com um espaço tão grande?

Há hóteis, sorveterias, lojas e também uma igreja, uma bela igreja cheia de silêncio e tranquilidade.



Sugeri ao meu marido que, quem sabe um dia, poderíamos nos hospedar ali no castelo.

"Larga mão disso, o tanto de assombração que deve ter aí dentro, eu é que não fico aí de noite."

Dei muita risada com a resposta de marido!

domingo, 28 de julho de 2019

Uma pessoa especial

Uma viagem não é só feita de lugares bonitos, comidas diferentes, compras.
Pessoas nos inspiram, acrescentam algo especial.
E assim se deu na nossa viagem - uma pessoa especial faz morada em nossos corações!

Nosso primeiro café da manhã em Paris.

Entre pegar a bandeja, talheres, guardanapo, marido ao trazer a xícara para próximo de si, examinou  e exclamou em voz alta: "Nossa! Que xícara larga!"

A resposta veio de imediato:

"Francês gosta muito de molhar o pão no café com leite, por isso a boca é bem larga".

Eu, marido e nossa amiga viramos ao mesmo tempo em direção ao salão do café para ver de onde vinha a voz daquela resposta.

Não foi difícil encontrar. Por ainda ser bem cedo, estava vazio o salão. Uma senhora sentada ao centro mas bem à frente era a dona da resposta. Agradecemos com um sorriso e um bom dia.

Até então nós não sabíamos nem quem eram as pessoas que fariam o roteiro pelo interior da França conosco. Somente dois dias depois é que o grupo de 14 pessoas entrava no ônibus de cor azul para começar a viajar pelas cidades do sul da França.

E ela estava lá! A senhora que nos ensinou sobre o tamanho da boca da xícara!

Sentou-se sozinha e ao longo do trajeto, falava algo a mais que o guia do passeio, acrescentava, só para nós que estávamos sentados próximos a ela. Não era intrometida, muito pelo contrário, com educação e gentileza.

Na primeira parada do ônibus, marido ajudou-a a descer e logo depois ela disse a todos que poderiam ir tranquilos ao passeio com o guia que ela ficaria por ali que estaria de volta no horário combinado.

Saímos todos achando que aquilo não ia dar certo. Era quase certo que ela se perderia.

Perdeu-se foi um outro casal! Ela estava lá no antes mesmo do horário limite, faceira, exibindo postais da pequena cidade tão lindos que deixava qualquer fotografia na dúvida!

Entre uma cidade, uma ajuda, fomos aos poucos nos encantando com aquela senhora que nos arrepiava por estar sozinha em uma viagem para outro país.

Marido, depois de um café de máquina tomado ao lado dela, depois veio nos dizendo: "Quantos anos vocês acham que a dona Anna tem? "

Eu já ia soltando o meu palpite quando ele deu uma pista - "a filha dela tem 66 anos"

Uau! Isso fez ir por água abaixo meu palpite...


Dona Anna e marido

Oitenta e cinco anos. Uma francesa que ficou marcada pelos horrores da guerra, vendo seu pai ser levado e nunca mais voltar e ser levada, sem opção de escolha, com a mãe para o Brasil quando tinha nove anos de idade.

Fala fluente francês e alemão. E depois começou a falar em japonês com minha amiga!


Amiga Sílvia, eu e dona Anna
no Museu das Lavandas

A nossa viagem foi de 11 dias. A dela duraria 31. Depois da França iria para a Croácia, Praga, e nem sei mais para onde. 
Todos os anos sai para mais de mês viajando. "Ficar em casa para quê filha? 

Dicas de viagem de dona Anna? Várias!

Três saias, todas pretas. Cinco blusas e o casaco que comprou há 20 anos na Alemanha.
Todas as noites ferve água na chaleira elétrica do quarto do hotel, para cedo colocar a água já fria numa garrafa. 
No café da manhã, enrola um pedaço de pão num guardanapo, caso não dê para jantar, uma fatia de pão e um chá são suficientes.

Enquanto nós corríamos para acompanhar os passos do guia de viagem para algum lugar, dona Anna estava na casa de algum amigo almoçando, ou tomando um chá da tarde. Antes de ir, sempre nos deixava uma recomendação de um lugar para ir, ou algo para comprar.

Marido, certo dia se pôs a carregar a mala dela para o ônibus. Não deu conta, precisou da ajuda do motorista e os dois quase "desconjuntaram".

Dona Anna só fez rir. "A cada cidade sempre compro um livro! E quando eu parar na última cidade, comprarei uma mala para dividir o peso".

Nas igrejas com escadaria, ela não subia, mas nos descrevia algum detalhe que não podia deixar de ser olhado.

Era a terceira vez que fazia o mesmo roteiro! Viaja sozinha há vinte anos. Se enrola com o celular, apenas isso. Mas, da mesma maneira que ela nos ensina, nos inspira, alguém sempre está disposto a desenrolar o celular dela. Minha amiga foi quem o fez!

Hora ou outra lembramos de dona Anna em nossas conversas. "E pensar que dona Anna ainda não chegou em casa hein?! - marido me falou ainda ontem.

Que bom ter uma pessoa tão inspiradora morando em nossos corações!

Obrigada dona Anna. Muitas viagens em seu roteiro neste planeta!



Como tudo começou - clique aqui



terça-feira, 23 de julho de 2019

Sonho realizado


Essa é a fotografia que retrata o sonho que realizei!
Se você colocar no google - Abadia de Sénanque, verá fotos belíssimas. Mas deixo aqui essa mesma que fiz com o coração carregado de emoção e alegria!

Quando menina adolescente, numa aula de Geografia me deparei com esse lugar em alguma página do livro didático. Encantei-me e naquele momento sonhei um sonho que fazia fronteira com o impossível.

As viagens internacionais eram algo que só acontecia nas novelas, filmes e não na nossa realidade de um bairro de periferia. Ninguém de nossa vizinhança havia feito um viagem para outro continente.

Dizem porém que essa é a graça dos sonhos - dar-lhes liberdade para acontecer.

Sonhei muito em estar nesse lugar. Depois de um certo tempo, adormeci o sonho em uma caixinha. Mais adiante ainda tirei-lhe a importância sem qualquer tristeza para o coração. Tudo bem não ir. Saber que o lugar existia já era motivo de alegria.

Casamento, filhos, e embora a vida tivesse melhorado materialmente, não dava para planejar uma viagem.

Filhos pequenos, compromissos escolares... até que um dia um vento auspicioso sussurrou que já se podia despertar sonhos adormecidos.

E com muita leveza, as coisas foram se mostrando numa cadência tão agradável que no começo deste ano começamos a preparar nossa viagem para o sul da França.

Há ainda algo mais especial na realização deste sonho! Minha grande amiga, uma amizade de 30 anos, que mora tão distante e por isso tão pouco nos vemos ( mas nos falamos toda semana ) foi conosco!




Marido, eu e Sílvia!
Que alegria!


Foram dez dias perambulando, rindo, se encantando com uma cultura diferente, com lugares tão bonitos, incluindo o do meu sonho!

Quero partilhar minha alegria com vocês, meus amigos de blog, que, alguns, já realizaram meu sonho de abraçá-los pessoalmente e sonho ainda com outros abraços!

Vem comigo? Farei outras postagens para mostrar um pouquinho do que encantou nossos olhos.

Começamos o dia em Paris! Com o ícone de lá visto de manhã e à noite.



Passeamos tanto pela clássica Paris quanto pela moderna Paris.


Grande Arco de La Défense



Embarquem nesta viagem, acompanhem os próximos posts!
Agradeço a presença de vocês. Beijos!












domingo, 30 de junho de 2019

Licença para sonhos

     Meus queridos amigos, estou saindo para uns dias de férias! Espero realizar um lindo e longo sonho!
     Volto com novidades. Fiquem em paz!

sexta-feira, 7 de junho de 2019

O sino

Faço um esforço exaustivo, minucioso e também silencioso para recordar a primeira vez que ouvi um sino. Sendo ineficaz meu esforço, volto-me para meu marido e entrego a ele a minha vontade de saber : "você se lembra da primeira vez que ouviu um sino?"

"Ixi... claro que lembro. O sininho do Bom Jesus. Lembro até da batida triste que era pra avisar que alguém tinha morrido."

Marido passou a infância em área rural de Minas Gerais. Lugarejos bem afastados, onde o sino era uma forma de comunicação.


Digo a ele que essa primeira lembrança do som de um sino, eu não tenho. 
Mas...
Tenho uma boa história com um sino.

Eu toquei um sino de igreja!

Essa frase não poderia ter exatamente uma exclamação. Por que? Porque foi um tanto decepcionante meu "tocar o sino"...

Nos desenhos animados da televisão, eu tenho lembrança de algum personagem vestido de frade, pendurado em uma corda, puxando com força, ou mesmo balançando de um lado para o outro tal a força do sino.

Eu era uma adolescente quando minha doce vizinha foi pedir permissão ao meu pai para que eu passasse uns dias de férias na casa da irmã dela, no Paraná, que era uma freira. Eu iria com a filha de dona Rosa e seria bom sair um pouco de casa; era recente a perda de minha mãe.

No segundo dia, irmã Suzana fez-me o convite inusitado logo pela manhã. "Você quer tocar o sino da igreja hoje à tarde? Temos que estar lá quinze minutos antes das seis, não se pode atrasar"

Não saí pulando e gritando de alegria porque o ambiente era mesmo reservado e silencioso.

Eu iria tocar um sino. Nem conseguia acreditar!
Será que eu teria forças? As cordas, será que havia uma só ou várias? E a melodia, eu saberia tocar, ou era só bater seis vezes? E se eu errasse e soassem sete badaladas?

Achei melhor não importunar a tão acolhedora freira e deixar todas as surpresas para o final da tarde.

Como demorou para o sol baixar naquele dia.

Segui a passos apressados ao lado da freira pelo calçadão principal da cidade. Meu coração é que parecia um sino.

Subimos uma escada caracol. A freira ia na frente. Lá no alto enquanto ela olhava fixamente para seu relógio de pulso, eu procurava as cordas.

De repente, ela me fala "Está na hora, aqui, aqui. Aperta".

Um pequeno painel com um botão. Apertei-o e vi e ouvi o sino soar, movendo-se harmoniosamente.
As cordas e as pessoas penduradas eram coisas do passado. Bastava olhar as horas no relógio de pulso e pressionar um botão.

Desci as escadas caracol um tanto atordoada. Não sei se pelo som alto do sino ou pela ausência de cordas. 

Bem, eu toquei um sino!

E você, tem uma história de sino para me contar?

Beijo!



domingo, 12 de maio de 2019

A doçura das mães

É final de domingo, dia das mães, e eu queria muito escrever algo aqui no blog. Durante o dia, chegaram-me mensagens de pessoas queridas, olhei um pouco as redes sociais inundadas desse carinho lindo para com as mães. Tudo já foi escrito, pensei. E talvez já tenha mesmo e isso é tão bom!
Então, lembrei-me de algumas coisas que queria escrever já faz algum tempo.

Uma fotografia:


A data em que foi tirada esta fotografia foi dia 11 de fevereiro de 2015.
É um quadro e me lembro exatamente do que senti ao me deparar com ele: uma simplicidade, uma ternura; eu realmente enxerguei ali, não a santidade que talvez fosse a expressão maior da pintura. Mas enxerguei uma maternidade tão delicada, tão presente.

Aproximei o máximo que pude o celular da tela para fotografá-la e tentar capturar algum detalhe.

Eu mantive durante todos esses anos a fotografia em meu celular pelo encanto que ela me proporciona toda vez que a admiro.

Há presença ali. Há uma mãe, com feição cansada, mas inteiramente presente ao segurar o seu bebê e ele, o bebê completamente aconchegado nesse colo de amor.

Lembro de quando eu olhava para o quadro e pensava na mãe cansada, porém serena, livre para ser mãe e confrontava o pensamento com o que estamos a viver hoje nas grandes cidades especialmente:
mães que não estão presentes porque é preciso dividir a atenção com tantas outras demandas, incluindo o celular ( sim, vejo muitas mães empurrando carrinhos de bebê com uma mão e a outra grudada no celular ), uma presença fragmentada.
Muitas mães seguindo regras tão rígidas, tão desnecessárias - não pegar o bebê no colo para ele não se acostumar...

Há tantas imposições para as mães... que pode nos faltar coragem para seguir o nosso coração.

E a ternura da pintura lembrou-me também de um texto que li há muitos anos que falava da simplicidade das pessoas que viviam na área rural do Vietnã. Essas pessoas não entendiam quando se dizia "uma mãe é um tesouro".
No Vietnã, as pessoas do campo comparam suas mães às melhores qualidades de banana ou mel, arroz-doce ou cana-de-açúcar.
"Para mim, mãe é como uma banana ba huong da melhor qualidade, como neo mot, o melhor arroz-doce e como mia laua, a mais doce cana-de-açúcar.

Ter a delicadeza e simplicidade de uma mãe, não é sobre falar baixinho e ter gestos comedidos. Eu não falo baixo, nem tampouco tenho delicadezas nos gestos!
Mas são tantos rótulos e exigências que a sociedade quer que sigamos para criar filhos dessa maneira que é a melhor, ou a outra que tanta gente seguindo e fazendo no instagram...

O amor é tão simples como apenas um colo de mãe que pode ser silêncio e calor que acolhe e serena o coração.

À todas as mães, às avós, às filhas e filhos de mães que estão aqui e também daquelas que já se foram mas que sempre estarão em nós - que a gente nunca deixe de oferecer e sentir um abraço demorado.
Feliz Dia das Mães.