♥ Vamos brincar com a chica ♥
quarta-feira, 30 de julho de 2025
Saruê
sábado, 19 de julho de 2025
Mãos
filhos, quando foi a última vez que seguraram as mãos dos teus pais?
Ainda tenho fresco na memória a imagem do vírus da covid-19 girando ao fundo na tela dos telejornais. Era aterrorizador, ainda sem muitas informações o que nos dominava era o medo. Acredito ter sido assim para a grande maioria das pessoas.
À medida em que íamos nos acostumando a lidar com tudo aquilo em nosso isolamento, começaram a surgir as bonitas e ternas histórias que nos eram como um sopro, um alento para aqueles dias tão difíceis: bilhetes colocados nos elevadores de pessoas dispostas a fazerem mercado e farmácia, músicos que das sacadas dos apartamentos cantavam, faziam soar seus instrumentos suavizando a atmosfera tão densa de incertezas. Muita arte foi nascendo de forma coletiva, muitos projetos individuais começavam a deixar as gavetas.
Lembro-me de uma história que me tocou profundamente: a filha perdeu a mãe para a covid e queria continuar a sentir o perfume dela, porém o mesmo havia sido descontinuado da linha de fabricação. Então, alguém "grande" lá da marca O Boticário, mandou fazer um frasco do perfume e entregou para acalentar o coração e as memórias olfativas daquela filha.
Num desses momentos ali dentro da pandemia, um fotógrafo se deu conta que ao levar seus meninos para a escola, segurava nas mãos deles e que aquele gesto logo seria deixado para trás pois os filhos estavam crescendo, então ele sentiu vontade de vontade de fotografar o seu pai e seu avô, com 95 anos, de mãos dadas.
Mas, a pandemia impôs aquele longo hiato e eles ficaram um ano sem poder ver o avô.
No meio desse intervalo, enquanto caminhava, Valery ( o fotógrafo ) parou para fotografar uma casa bonita. De lá saiu um casal, a mulher, com o retrato do filho que haviam perdido há poucos meses, fez um pedido comovente:
"Você pode tirar uma foto do meu marido com a foto do nosso filho?"
Ali o fotógrafo entendeu - aquilo não era apenas uma fotografia.
Era memória.
Era amor guardado num toque.
Mais tarde, finalmente conseguiu tirar a foto do seu pai e do seu avô juntos. Foi a última.
Desde então, Valery viaja o mundo registrando mãos entrelaçadas de pais e filhos.
Aqui vale ressaltar que esse projeto fotográfico é com pais e filhos homens. E ao apreciar as fotografias e possível sentir tanto a beleza mas também a dificuldade, a resistência, a hesitação para esse gesto que é aparentemente simples, segurar, enlaçar as mãos.
Para as mulheres, as mães e filhas, esse é um gesto mais natural, fluido.
Só que não é apenas uma foto, um projeto. Olha o que diz o fotógrafo sobre pais e filhos:
Alguns não se viam há anos
Alguns nunca haviam se tocado
Alguns, ao se tocarem reataram laços
Há ainda mais duas frases desse fotógrafo que eu quero deixar para reflexão.
"Nós não guardamos os dias inteiros, nós guardamos gestos, toques e fotografias"
"Em um mundo que já está se afastando, das as mãos se torna uma oração silenciosa."
Eu me dei conta que não tenho uma foto do meu filho e seu pai de mãos dadas, agora na fase adulta e quero muito fazê-la.
Tiramos muitas fotografias e acho isso muito bom. Antigamente era um artigo de luxo, era restrito, trabalhoso, caro. Hoje com nossos aparelhos celulares, os registros são muitos fáceis. E podemos nos valer dessa facilidade para colocar um significado profundo em nossas fotografias.
O que acham?!
Essa história eu fiquei conhecendo graças a uma empresa que faz álbuns de fotografia artesanais.
Deixo aqui o link da Mim Papelaria
E claro, visitem e se demorem no site do fotógrafo Valery Poshtarov. Vale colocar a tradução automática do google ou apenas apreciar as fotografias.
Tenham um bom final de semana e fotografem bastante!
Beijos 📸 🎞️
sexta-feira, 18 de julho de 2025
🍀 Curtinhas da Chica 6 🍀
Vamos interagir e brincar com a Chica lá no Sementes Diárias?!
sábado, 12 de julho de 2025
O pão azul
Eu já tinha feito de um tudo: tomei café, dei voltinha pelo corredor, mexi no celular, olhei a rua.
"A senhora realmente nos desculpe, o doutor está bem atrasado, mas já já ele vai chamar a senhora."
Eu estava em outra cidade, então demorar pouco ou muito para ser atendida, não significava coisa alguma. Foram quase 150 km, então o jeito era mesmo esperar.
E foi nesse ponto, tentando não deixar a impaciência ganhar espaço, que eu comecei a ouvir uma conversa entre um homem e uma mulher.
Eles estavam em pé. Vi o momento em que um cumprimentou o outro, pareciam se conhecer. Nitidamente não eram pacientes.
Poderiam ser representantes de laboratórios, ou outra coisa.
Conversavam sobre comida. O homem gostava de cozinhar e foi na pandemia que começou a fazer pães de fermentação natural.
Ele então falou de um pão azul que fez muito sucesso.
Ela riu e retrucou - "ah mas é com corante né?!"
Nesse momento eu me lembrei de um pão azul da minha infância ou adolescência.
Era um saco de pão de forma que tinha sido esquecido no fundo de um armário e saiu de lá um autêntico pão azul!
O homem ao corrigi-la revelou o segredo mostrando-lhes as fotos de seu pão azul.
Seus olhos fitavam a tela do celular incrédula. Ela estava de queixo caído, ela mesma o disse para o homem. Ele cada vez mais orgulhoso do seu pão azul.
Tive tempo de ouvir o segredo para produzir tal iguaria antes do doutor me chamar, ainda bem!
Jenipapo.
Eu não sabia como se escrevia jenipapo, com gê ou jota? Lembrei das provas primárias que vinham assim: _enipapo para a gente completar. Acho que desde os tempos escolares eu nunca mais escrevi jenipapo!
Por uma coincidência do destino, o Toninho colocou no comentário da postagem anterior sobre as festas juninas lá para as bandas do nordeste, que tem muito licor de jenipapo. Vou aproveitar e perguntar para ele se custa muito caro um jenipapo, porque o homem do pão azul falou que por aqui ( São Paulo ) é muito difícil de achar, só no mercado municipal e é bem caro, uns cinquenta reais.
Cheguei em casa e fui procurar na internet sobre pão azul feito com jenipapo.
E, uau!!!
Não é que tem mesmo?! E o segredo é ferver jenipapo com leite que depois, em contato com a farinha deixa essa coloração.
Quem fizer vem aqui me contar. Se um dia eu esbarrar no jenipapo, compro e tento fazer o pão!
Vou deixar o link da receita: