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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O nome da praça

Mudamos para esta cidade, há cinco anos, sem conhecer nada. Tínhamos como referência apenas a escola, na qual as crianças estudariam e precisaríamos conseguir uma moradia nas cercanias da escola.
Conseguimos. E sendo transportados no carro do corretor de imóveis para o desenrolar burocrático, eu avistei um grande oásis verde encravado entre casas e prédios. Logo após contornarmos esse local, o carro estacionou em nosso destino, nosso futuro lar. Soube então, que estávamos bem próximos daquele enorme campo verde.

No final do dia da mudança, mesmo exausta entre caixas e arrumações, chamei as crianças para conhecermos aquele local que estaria bem perto de nós.

As crianças já  sabiam até o nome:

_ Maconhão, é maconhão que se chama aquela praça mãe, a galera do prédio falou que sempre vai lá.

Praças e viadutos, creio eu, que são os mais apelidados dos logradouros. Parques também. Praças...

Recusei-me desde a primeira vez que ouvi de pronunciar o nome Maconhão.

E enquanto não descobri o nome de batismo, chamei a praça de Campão.


E fui descobrindo aos poucos que naquela praça tinha também "maconhão".

Mas tinha muito mais... expressões de amor, afeto, cuidado, paciência. Gerações que lá se encontram e caminham juntas.


Tem espaço para as brincadeiras caninas.


Tem espaço para os sonhos de amor dos enamorados.


Tem pelada de domingo, onde o goleiro, além das chuteiras e luvas, também precisar levar enxada e dar uma ajeitada bem ali na boca do gol!

E enquanto eu me empenhava em descobrir o nome do lugar ( nem lembrei de procurar no google! ); perguntei pro carteiro, pra morador, entregador e só ouvia a palavra Maconhão, vi florescer botões, demorei-me a comer pitangas...








Até que um dia, numa poda de árvore, descortinou-se a placa com o nome da praça.

Floripes.

Ah! Floripes, não vou me esquecer desse nome... tenho uma boa história, que conto de outra feita.

E de mansinho vem soprando na praça Floripes, um presságio de outono.












domingo, 24 de setembro de 2017

Memória dos nossos dias

Foi num domingo que eu li uma crônica do Antônio Prata, chamada Recordação.
Numa conversa dentro de um táxi, o passageiro ouve o taxista relatar a perda da esposa e a tristeza por não ter uma foto dela. A indignação é instantânea, nenhuma foto?
Ao que o taxista lhe responde que ele tem sim fotos, inclusive um álbum, mas são fotos em que ela, a esposa, não é ela. Fotos produzidas, cabelo com penteado e o que ele queria mesmo era uma recordação trivial, corriqueira. Queria mesmo era uma foto dela de avental, por fim diz.

Foi uma crônica que ficou em mim. Tanto que, em uma carta que escrevi recentemente, falei sobre ela e não é que minha destinatária também conhecia a história e gostava muito dela?!

Há muito que já deixamos os filmes kodak e fuji para trás. Só por gosto e hobby que algumas pessoas os usam.
A facilidade da fotografia digital deveria mesmo nos proporcionar essa recordação: fotos do cotidiano, espontâneas, sem arranjos e produções.

E há um movimento para estimular esse tipo de foto do dia a dia.
Conheço uma joaninha que retrata a memória dos nossos dias de uma doce maneira!

Quero também deixar um link para você se inspirar entre fotografar e escrever sobre essas memórias.

Aqui: savethelove.com.br

E vou mostrar o que tenho feito por aqui, no nosso dia a dia.









Fotos do Bernardo, entre estudos e árvores.


Passeio com o cão e aqueles bons momentos no banco da praça




Júlia ao perceber que eu a fotografava: "Você não fez isso?
Sim, eu fiz.
O que as pessoas vão pensar ao me ver estudando com esse rolinho de passar nas roupas?
O mesmo que eu: Nossa que estranho, porque será que esta menina estuda com um rolinho de tirar bolinhas e fiapos das roupas?


Nesse momento ela caiu na risada e atirou para longe o tal rolinho!
















terça-feira, 28 de março de 2017

Espanto

A todo o momento temos que aprender palavras novas. Não palavras que já existiam nos dicionários, são palavras novas realmente, que antes não existiam e passaram a existir por conta dos novos tempos, novas tecnologias, maneiras de pensar e se expressar.
Pós-verdade é uma dessas novas palavras. Já absorvemos blogs, face, insta, selfie.
Muitas vezes porém, vamos nos esquecendo de algumas palavras ou lembrando só parte do seu significado.
E é aí que entra a palavra que dá o título a esse texto.
Espanto.
Medo, sobressalto, terror, susto.
Indignação ( inclinada para um certo negativismo ).
A parte esquecida, talvez, seja o maravilhar-se.
Espanto é sinônimo também de maravilhar-se.

Então quero lhes contar uma história de espanto.
Começo a história pelo seu final, pela cena final.

Na rua, na calçada, no passeio público, duas malas escolares esquecidas ( possuem alça e rodinhas ).
Vários metros à frente, um carro freia bruscamente. É uma via de mão única, e no horário escolar, muito movimentada o que impediu uma marcha a ré. Pisca-alerta acionado, a motorista sai em disparada. Posiciona as malas, faz um giro com seu corpo, puxa as alças suspendendo-as e volta em direção ao carro. Corre um tanto descompassada pelo incômodo de puxar ambas malas ao mesmo tempo. Abre o porta-malas e logo sai apressada. É preciso compensar os minutos deixados ali em toda essa manobra.

Começo da história:

No ano passado, durante as saídas matinais com meu cachorro, uma alegre mãe com seu filho, interrompiam por alguns segundos os passos ligeiros para um aceno, uma palavra de carinho dirigida ao peludo.
Não demorou muito para eu saber que ela vinha a pé de outro bairro para levar o filho à escola.
Fiquei indignada com a distância e ela, bem humorada me disse fazer bem caminhar e que gostava.
Tempos depois anunciou-me que se mudaria ali, para bem perto.
Mostrei-lhe o prédio no qual moramos.
Seremos vizinhas de prédio então - ela disse sorridente - e você vai conhecer meu coelho!

Nesses rápidos encontros não era possível se estender. Muitas frases eram ditas já com as pernas em caminhada.
Vieram as férias escolares e nunca mais encontramos a simpática mulher que nem o nome eu sabia.

Certa manhã, eu saí do prédio com o cachorro e dei de cara com ela parada ali rodeada de crianças. Segurava um coelho no colo.
Apenas acenei, pois meu cão começou a latir, sinalizando não ter muita afinidade com coelhos.

Bem, não era um coelho comum, pelo menos dos que eu conheço, de pelo curtinho. Era um coelho parecido com um gato angorá, muito, muito peludo. Uma mescla de cinza e branco que se destacava ainda mais perante o vermelho da coleira. Sim, é um coelho que anda de coleira!

Fiz a volta habitual com meu cachorro e já retornando, mas ainda distante pude vê-la no mesmo lugar, agora com apenas duas crianças a rodear-lhe.

Demorei-me pois o cão vai e volta se enfronhando, parando a cada passo para cheirar.
Nessa demora, vi a cena final acontecendo: as crianças aguardavam a carona ali na calçada.
A mulher com o coelho parecido com uma nuvem fofinha a sestear, causou espanto nas crianças. Ficaram ali a perguntar, a acariciar o animalzinho.
Espanto faz isso mesmo, um encantamento tão arrebatador que malas, mochilas são facilmente esquecidos.

Vi as crianças entrando no carro, o coelho a saltitar de volta para a casa, as malas ficando ali esquecidas.

Sorri. Pensei em recolher as malas e pedir ao porteiro que as guardasse.
Nem foi preciso. Vi o carro parando bruscamente, o pisca-alerta acionado...

Voltei daquela manhã lembrando-me da bela fala, do ensinamento, do sonho de Rubem Alves de que precisamos, sempre vamos precisar, de professores de espanto.

E então, vamos nos espantar mais?!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Um pouco de beleza

Não sei dizer se é o calor, que está se demorando demasiado, que não cede lugar aos dias frescos de outono, ou se é a falta de chuva que vai deixando tudo árido, inclusive os ânimos.
Não sei se é a exaustão de refletir se, escarro em face alheia tem por significado lavar a alma de um povo ou é simplesmente falta de educação.
Não sei se é o desânimo de pensar que amanhã é dia de feira e como tem sido corriqueiro, preços mais altos do que na semana passada. Aliás nem tenho visto carrinhos de feira que voltavam para casa com saquinhos dependurados pelo lado de fora, tão cheios e fartos estavam.
Obras que desabam, nem consigo mais...
Desânimo, descrédito, exaustão. Assim me sinto.
E quando estou assim me refugio na beleza. É ela, a beleza, que me tira o peso, as lamúrias.
Hoje a encontrei e cheguei em casa ávida para partilhar!

Voltávamos a pé da aula de cálculos do meu filho. O ar ardia as narinas, o cheiro de queimado incomodava. O olhar alcança as queimadas nas matas. O vento se encarrega se trazer a fumaça. 
Enquanto caminhávamos por trecho de suave descida, vinha subindo o sorveteiro com seu carrinho amarelo. Vimos ele parar em frente a um casebre e soar sua buzina. Imaginei ser um cliente fiel.
Ao nos aproximarmos, vimos o sorveteiro agachado, como que passando o sorvete pelas frestas de um portão aberto somente rente ao calçamento.
Que estranho - eu pensei - a pessoa compra um sorvete e pede para passá-lo por debaixo do portão, quase encostando na rua?

A cena mágica então surgiu quando passamos ao lado do carrinho amarelo.
O sorveteiro dava pedaços de sorvete que ele acabara de abrir a um pequeno cão. Separados por um portão estreito e feio, o cãozinho abanava o rabinho festivamente. O sorveteiro lhe sorria.

Parei por uns instantes para me extasiar com aquela cena de delicada beleza.
Não me contive e perguntei se o cachorrinho era dele, ao que me respondeu que não, apenas que ele já conhece a buzina e fica esperando por pedaços de sorvete.

Segui feliz. 
E não quero nem saber das pessoas do contra, que vão reclamar de açúcar para cachorro...
Fiquei doce, sorri. O sorveteiro de sorvetes sem glamour ( será ? ) é um sujeito especial!

domingo, 30 de agosto de 2015

Aconteceu no cinema


Não dirijo.
Opção esta que não me dificulta em nada; mas, às vezes, algum contratempo pode ocorrer.
Foi o caso da melancia no cinema.
Não que eu tivesse pendurado uma melancia no pescoço para ir ao cinema. 
Longe disso que um mínimo de noção eu ainda tenho.
Mas não nego que fui ao cinema portando melancia.

O fato de ter feito a opção por não dirigir, exige planejamento para as coisas cotidianas, para que se aproveite o melhor do tempo e das caminhadas.
Foi o caso do cinema.
Decidimos, eu e as crianças, assim no repente.
Saímos com folga de tempo. E fomos à pé, afinal temos um pequeno shopping próximo a nossa casa.
É pequeno se comparado com os tradicionais, porém supre as necessidades ao unir num mesmo espaço cinema e mercado.

A prioridade eram os ingressos para assegurar um bom lugar, já que as salas são para um público pequeno. Chegar em cima da hora significa ficar com a tela muito próxima ou desistir da sessão.
Escolhemos bons lugares centrais.
As crianças pediram alguma guloseima para acompanhar o drama que nos aguardava.
Claro! Exclamei.
E os fui puxando ao som das interrogações de mãe, mas nós não vamos comprar um chocolate?

Os tempos são de crise e como tínhamos ainda tempo antes do início do filme, eu fui economizar tempo e dinheiro indo comprar no mercado a alguns passos da "vendinha" do cinema onde os preços são exorbitantes.

Peguei um cestinho logo na entrada do mercado.
Mas precisa de cestinho só para pegar um chocolate?

Bem, quando não se dirige, o pensamento tem que ser rápido como virar à esquerda ou à direita.
Sendo assim eu pensei em já comprar umas coisinhas além do chocolate, assim pouparia uma outra vinda ao mercado no dia seguinte. 
Pegaram os chocolates e eu peguei a melancia.
Melancia?
Você vai entrar no cinema com uma melancia?
Sim.
Ah...
Ah, mas se eu não levar agora, quando sairmos do cinema, o mercado estará fechado e quem quererá vir comigo amanhã cedo ao mercado?!
Consentiram a melancia.

Saquei minha sacola de pano e acomodei ali dentro a melancia para que não chamasse a atenção.

Lugares demarcados em nossos ingressos, entramos, sentamos e eu acomodei com delicadeza a melancia no chão.
E então começou um tal de passa gente pra cá, passa gente pra lá. Eu levantava a melancia, punha de novo no chão. 
Licença, licença...
Encolhia as pernas torcendo pro salto da moça não infincar na melancia.
Que sufoco. Que gente chata passando de um lado para o outro.

Choramos no filme. Era bem triste.
Saímos refletindo e conversando. A melancia seguiu no escuro da noite dentro do escuro da sacola.
Já em casa, veio a vontade da melancia.
Fatias generosas do nosso 1/4 da fruta. Era preciso adoçar a noite diante da tristeza da película.

Estava estragada. Completamente estragada.
Eu custava a acreditar; o cheiro não deixava dúvidas.

Um dos filhos com habilidade de leitura de pensamento materno já foi logo dizendo:

"Nem pense em ir reclamar no mercado, porque eu tenho certeza que você vai dizer que levou a melancia no cinema e a moça vai achar isso muito estranho".

Eu também achei estranho. Até agora não sei se foi toda aquela gente passando e a melancia indo do colo ao chão, se espremendo debaixo dos assentos.
Ou se ela, a melancia, também se ressentiu de tanta tristeza daquele filme que até azedou.

Voltei lá no dia seguinte e trouxe laranjas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Não à redução

Fazia tempo que eu não comprava chocolate.
Não que eu não goste. Muito pelo contrário: amo chocolate.
Mas tenho procurado há muito tempo pelo sabor do chocolate da minha infância e não encontro.
Pode ser que o envelhecimento das minhas papilas gustativas sejam responsáveis.
Pode ser que aquele pacotinho com dois tubetes vermelhos cheios pequenos chocolates envoltos em papel dourado e que deveriam durar, a depender, 30 ou 31 dias, algumas vezes 32, fizessem o chocolate ter o sabor especial que se perdeu de mim.
Ou pode ser que o fabricante, aquele que tem como símbolo um ninho, tenha reduzido o sabor.
Comprei e qual não foi minha surpresa!


Reduziram? De novo?
Eu me lembro da redução de 200g para 170g.
Entristeceu-me.
Nas minhas receitas era solicitado sempre 200. 
Mas, o tempo passou, e eu me acostumei. Ora comprava duas barras para fazer o doce, ora ia com uma só e dava certo do mesmo jeito.
Agora essa redução já é demais.

Passado o susto, ocorreu-me que eu estava feito criança mimada, sempre querendo mais.
"Ora Ana Paula - pensei - estão fazendo isso para seu bem; menos açúcar, menor quantidade de gordura; não seja ingrata e agradeça essa redução".

É. Está um problema grave essa história de gorduras e açúcares.
Resolvi, inclusive deixar de comer o chocolate e partir para a aveia.
Ah, todos nós conhecemos os efeitos salutares da aveia.
Reduz colesterol, tem fibras...
Só que...


Reduziram também a aveia.
Não tem ninguém preocupado com a minha saúde.
Estão preocupados em reduzir o conteúdo, aumentar o preço e ampliar ao infinito seus lucros.

O que mais você viu que reduziu? O pote de sorvete de 2l também...
A energia elétrica também, porém... agora :(


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Costure as frases

Na minha infância, minha mãe comprava yakult da moça do carrinho que batia palmas em frente a nosso portão, comi cigarrinhos de chocolate, andei no fusca de papai sem cinto, assisti programa de calouros com a Aracy de Almeida e passava as manhãs assistindo Xuxa.

Em algum momento decidi que com meus filhos tudo seria diferente.
Não tiveram dvd, nem tv no quarto. A Tv Cultura foi o que lhes marcou a infância com video clipes do Palavra Cantada, Castelo Rá Tim Bum, De onde vem, com a Kika, Reporter Eco que se tornou tradição aos domingos.

Fui chamada para uma reunião de urgência quando meu filho estava no 6˚ ano (hoje está no 9˚). Foi uma reunião cara a cara com a professora de Língua Portuguesa. O menino havia tirado nota vermelha e ela estava inconformada com aquilo. O motivo? Eu o havia criado de uma maneira muito diferente.
"Ele não sabe quem é Bob Esponja. Olha aqui na prova essa interpretação: ele não tem a menor noção do que se trata e por isso errou tudo".

Foi impossível conter o brotamento das minhas lágrimas diante da professora. As palavras encarceradas por um horrível e enorme nó que fechou minha goela.
Mas eu pensava. Eu ainda conseguia pensar. Poxa! Eu li a revista Pais e Filhos, a Crescer e também comprei a edição especial de Cláudia Bebê e eles indicavam Baby Einstein, Mozart para crianças e Lego. Fiz tudo direitinho. Não me lembro de terem indicado Bob Esponja.
E agora, a nota vermelha era culpa exclusiva minha. Eu teria que me redimir perante meu filho.

Muitos anos se passaram sem que Bob Esponja me atormentasse novamente. Teve uma única vez que o rebento me pediu para comprar uma bolacha recheada embalada e estampada pelo personagem. Recusei. Compra outra.

Ontem, tive reunião escolar coletiva do meu filho. Era para falar que eles iriam para o Ensino Médio, que lá a história seria outra. Tudo muito exigente. Tardes inteiras de provas, alternando provas em estilo Fuvest e na outra leva, estilo Enem. No segundo ano terão que se direcionar para uma área específica. No terceiro ano, farão provas aos domingos, não importa se for Natal ou dia santo.
Senti uma leve pontada. Meu filho nem teve tempo de conhecer o Bob Esponja e a vida já o espera dessa maneira.

Passeei com o cachorro pela manhã. Havia um papel dobrado caído no meio-fio. Me contive para nào pegá-lo. Parecia que o papel se comunicava comigo. Senti medo de sentir essas coisas.
Na segunda e terceira vez que saí com o cachorro, ainda estava lá o papel.
Na quarta e última antes de dormir, ele, o papel, tinha se deslocado um pouco do lugar inicial. Lancei-me a ele, afinal tinha acabado de ler um trecho de um livro em que uma carta, após um atropelamento de quem a segurava, perdeu-se e causou muitas coisas.

Contive-me para não abrir o papel dobrado no caminho. Deixei para fazê-lo em casa.
É uma prova e é da escola do meu filho!
É uma prova do ensino médio, do 2˚ ano do médio, não sei definir se é a prova estilo Fuvest ou Enem, mas é, ou melhor são duas provas em uma folha: Física e Biologia.

Para meu desespero, a questão de Biologia é inquestionavelmente sobre o Bob Esponja.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Descombinado

"Mãe, não vamos pelo elevador social porque, no social, as pessoas ficam sempre olhando para baixo e elas vão ficar olhando para os meus pés!"


Já era noite e eu avisei que desceria com o cachorro que já estava "apertado".

Posso ir, posso ir?
Então ligeiro.
Não vou nem por tênis ou bota, já tá escuro mesmo né?

A própria dona das meias sapatilhas com sapatos sapatilhas achou sua combinação engraçada e o melhor é que nem se importou! Descemos rindo, ou melhor gargalhando!
E claro nos lembramos de um livro que foi muito lido aqui quando mais novos: Pedro e Tina, uma amizade muito especial de Stephen Michael King.



"Então, Pedro lhe arranjou um casaco e um chapéu que não combinavam".

Às vezes, descombinar combina com uma leveza deliciosa na vida!

domingo, 12 de abril de 2015

Uma baleia no aquário

Um dos pés deixei bem firme no chão, o outro estava apoiado no degrau do ônibus.
 - Bom dia, por favor esse ônibus passa na Univap?
A posição de meu corpo impedia o ônibus de seguir; exigia uma resposta. Era o meu pedido de ajuda, de alguém aprendendo na sua nova cidade.

Impossibilitado de seguir, o motorista me devolveu a pergunta:
 - Univap?
Mas ao mesmo tempo, já se virou para o cobrador, que no caso era cobradora e indagou.
Ela também não sabia e aí aconteceu.
Alguém lá do fundo gritou um para onde eu iria.
Firmei o braço na alça de apoio ao lado externo da porta. Fiquei atenta e sem pressa.
Univap, na Rua Baleia.
Foram várias confabulações, de repente o ônibus todo queria me ajudar. Todas aquelas pessoas que eu não conhecia, repetiam a pergunta, repassavam, tentavam encontrar em algum lugar da memória. Não me expulsaram para que seguissem com rapidez.
Estava bonito de se ver e ouvir. Parecia brincadeira de telefone sem fio.
"Rua baleia, rua baleia que ela vai?"
É, eu afirmei.
"Ah, ela vai na Univap da avenida salmão lá no aquarius. Esse mesmo, pode subir."
Compreenderam minha confusão entre baleia e salmão. Coisa de iniciante.
Seguimos todos em águas anônimas e solidárias rumo ao Jardim Aquárius!

sábado, 11 de abril de 2015

Sábado de manhã

































 - Mãe, será que você tem outra vassoura? É que essa faz barulho e eu não quero incomodar as pessoas que dormem até mais tarde no sábado.

Como não amar?!







sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

52/52

Faltava uma foto para eu concluir o projeto que fiz durante o ano passado de uma foto por semana.
A foto de número 52 referente à ultima semana do ano e que fecharia o projeto, eu queria que fosse especial. Mas não sou fotógrafa! Nem tenho foto de lugares incríveis.
E com a mudança de cidade, também posterguei a postagem que deveria ter sido feita realmente na última semana de dezembro, mas isso resultou em algo que eu realmente queria!
A foto virá acompanhada de um vídeo. Esse sim é incrível, com uma mensagem para guardamos porque dias cinzentos são inevitáveis, porém podemos passar por eles.
São cinco minutos. Sei que parece muito tempo a perder quando se tem tantos outros blogs para interagir. Insisto mesmo assim.

Minha foto do Projeto 52 Semanas





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Gola molhada

presente da Tina


Ainda não se acostumara. Ao longo de décadas, o jornal nacional, o qual não deixara de assistir um dia sequer, de tempos em tempos alterava seu horário de exibição, terminando agora bem mais tarde que há quarenta anos.
Esforçava-se para não cochilar. e o ritual repetia-se dia após dia: ao "boa noite" do apresentador, apertava o botão do controle remoto para desligar a televisão, levantava-se, tirava o fio da tomada e ia deitar.
Naquela noite porém, fez diferente. Ao ouvir a notícia de que o dia amanheceria chovendo, desligou a tv e foi até o varal que ficava nos fundos da casa para recolher a roupa e os pregadores. A estiagem prolongava-se atipicamente e ele já não se importava de deixar a roupa dormir ao luar.
A chuva, enfim, era prenunciada e foi com certo conforto que alterou sua rotina naquela noite.

Era fina a chuva que caía no início da manhã, mas suficiente para molhar roupa esquecida na corda.
Preocupou-se.
Da porta da cozinha viu a roupa do Seu Olavo esquecida na chuva.
Não precisava acrescentar ao nome do vizinho o pronome possessivo, afinal Seu Olavo e ele tinham a mesma idade. Era respeito mesmo.
Demorou o olhar na roupa alheia que o vento úmido chacoalhava. 
Como Seu Olavo, que também não deixava de assistir uma noite sequer ao jornal, não deu atenção ao aviso de chuva certa chegando ainda no final da madrugada? Por que não recolhera a roupa do varal?

Tinham amizade feito casas de cidade grande, com enormes muros e grades nas janelas.
Um aceno, um bom dia, uma reclamação do lixo jogado na rua ou o aumento do imposto. Não conseguiria transcender portões, muros e grades para falar com Seu Olavo naquela ocasião.

Ainda olhando para a casa do vizinho, incomodou-se quando o vento mudou de direção e trouxe algumas gotas da chuva a seu rosto que misturou-se com as lágrimas há tanto tempo estiadas de sua alma. Deixou-as escorrer com a chuva.
E então recordou que houve uma noite em que não assistira ao jornal nacional. A noite do velório de sua esposa. Dona Teresinha morreu deixando as camisas com os punhos e a gola ainda molhados pendurados no varal.
Preocupou-se com Seu Olavo.
A chuva agora engrossava.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A fralda pintada

Seguia de mão dada com minha filha pela rua tranquila e estreita. 
O sol, apesar de ser de inverno, estava à pino e demasiado quente para a época, o que nos fez escolher o lado mais arborizado que nos oferecia por um bom trecho, agradável sombra.
"Como você é disposta para andar, hein?!"
A voz vinha do lado oposto ao que estávamos. Avistei e de imediato reconheci - Priscila.
Diminuí o passo, mas não atravessei a rua. Minha intenção era apenas de acenar para a Priscila e seguir em destino a buscar meu filho na escola.
Uma frase porém paralizou-me:
"Paula, o Gabriel tem até hoje a fralda pintada que você deu a ele"- ela disse com um sorriso duradouro.

O Gabriel é o filho da Priscila. Tem a mesma idade da minha filha Júlia. A Priscila falava enquanto o ajudava a entrar no carro com a mochila.
 Eu fiquei parada segurando a mão de minha filha e devo ter ficado com uma expressão vazia porque a Priscila tentava me ajudar:
"Naquele aniversário que eu fiz lá no buffet do centro... Ele usa até hoje na aula de artes!"

Mantive a mão firme segurando a mão de minha filha e me abstraí dali olhando o sorriso da Priscila.
Eu tinha dois pensamentos ao mesmo tempo. Um era referente ao sorriso da Priscila e o outro era sobre o presente.
Quando eu pensava no presente que eu havia dado ao menino, achava que o sorriso dela era um deboche, uma afronta, um recado. Mas a Priscila não é esse tipo de pessoa. Um sorriso sarcástico não é do feitio dela. Porém, levando em consideração o presente, ela teria todo o direito de me afrontar com um sorriso.
Dar uma fralda pintada de presente?
Não tenho nada contra fraldas pintadas. Só acho que presentear um garoto de quatro ou cinco anos com uma coisa dessas é mesmo fora de noção. Fralda pintada é para quatro ou cinco meses de vida. Dentinhos nascendo, bebê babando, essas coisas.
"Ô presente que durou, hein?! A fralda pintada branquinha."

De lá de onde eu estava, tentava acessar os arquivos. Onde será que eu comprei essa fralda pintada? Teria encomendado? Pintar, eu não pinto; hipóstese descartada. Então comecei a sentir mal. E se eu tivesse pego uma fralda que fora de um dos meus filhos para presentear o filho da Priscila? Sabe, presente de última hora, não deu tempo para comprar. Nossa, eu fui mesmo capaz de fazer isso? Que decepção comigo. Que pessoa mais sem noção eu sou - presentear um amiguinho de minha filha, aniversariante de cinco anos com uma fraldinha pintada?
Eu realmente merecia aquele sorriso infame da Priscila, mesmo tendo se passado quatro anos do ocorrido. Ela devia estar engasgada com a fralda pintada e neste encontro casual despejou sobre mim todos esses anos de raiva.

"Ele nunca esquece de levar para a aula!"
Imaginei então o Gabriel na aula de artes, tirando a fraldinha pintada, colocando-a sobre a mesa e limpando delicadamente os pincéis ora sujos de tinta guache, ora na aquarela.

Mas, nesse momento me ocorreu que o sorriso da Priscila era mesmo verdadeiro. Ela me pareceu orgulhosa pelo filho ter até hoje o presente.

Então me senti péssima mãe. Eu me lembro que pediram um paninho, um trapo, coisa pequena para as aulas de artes e eu nem sei o que mandei. Deve ter sido alguma manga cortada de camiseta velha.
A Priscila não. Ela é uma excelente mãe. Claro que sabe exatamente o tipo de paninho que o filho usa para limpar os pincéis.
Resolvi dar um basta naquela tortura. A besteira eu já havia feito. Quatro anos atrás, ou uma vida inteira, não importa, terei que conviver com o fato de um presente malfadado.
Para encerrar então, soltei uma fala:
"Ah! Eu também guardo várias coisinhas de bebê da Júlia."

O tranco seco, contido e forte, eu senti de imediato no meu braço. Aquele puxão que as mães dão para dizer sem palavras "cala a boca".

Deixamos a Priscila para trás e seguimos. A uma boa distância do ocorrido, minha filha voltou-se indignada para mim e me censurou:
"Mãe, por que você foi falar para a Priscila de paninhos de bebê?"

Ok, ok. Entendi que era um típico faniquito de uma pré-adolescente que não quer ter nada de bebê associado a ela.
Comecei a responder com a paciência escassa:
"Não tem nada de mais falar que guardo algumas coisas de bebê que foram suas. A Priscila não estava falando da fralda pintada que eu dei para o Gabriel? Então...

"Mãe, a Priscila estava falando da flauta da yamaha que você deu para o Gabriel".

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A saga da escrivaninha

Nossa filha não queria mais uma escrivaninha compartilhada. Queria sua própria e exclusiva escrivaninha. E era simples a que ela almejava - apenas o local para escrever e uma portinha.
Ela mesma já tinha pesquisado o modelo e o valor pela web.
E então começou a saga da escrivaninha.
O pai, achou o modelo simples demais para o preço cobrado.
Ofereceu uma ida às casas Bahia. Voltaram de lá sem encontrar o desejado.
A menina insistiu na loja que ela pesquisou. O pai cedeu. Eu sugeri resolver tudo pela internet. Entramos no carro e rumamos para a capital.
A menina ia faceira.
Lá chegando, o pai examinou o modelo ao vivo e sentenciou: é muito caro e isso aí parece ser feito de papelão. Tenho uma ideia muito melhor.
Voltamos para nossa própria cidade e marido, enquanto dirigia falava as maravilhas da loja que em poucos minutos nos receberia.
"Lá sim tem móvel de qualidade; madeira mesmo; coisa que dura pra vida inteira e alguns blás blás.
Alguns minutos foi força de expressão. Depois de uma hora chegamos.
Marido com passos firmes nos conduziu para o interior da loja. A vendedora mostrou um primeiro modelo que não agradou e o segundo que era exatamente o que marido queria ( a filha, mais ou menos ).
E então aconteceu ( de novo):
"Quanto custa?"
"Mil e oitocentos reais".

Foi um 7x1 para marido ( de novo ).
Ele não esperava por aquilo. Negou-se a pagar 350 e agora aquele golpe.

Não fiz nenhuma pergunta para marido após essa derrota.
Voltamos em silêncio para casa.
Porém, ele resoluto, respirou fundo, bebeu um copo d'água e ligou o computador para novas pesquisas.
Encontrou o produto e pediu-me para efetuar o cadastro e a compra.

Trinta e seis dias úteis para entrega, eu disse. E o frete era mais de cem reais.
Desse jeito acaba a escola, acaba o ano e eles ainda não entregaram. Esquece.

Põe aí xxx.com.br. Tem! Olha que bonitinha!
Não entregam no nosso cep.
E se a gente for no mercado ( pertinho de casa ) e falar que vimos no site do mercado, se a gente pode comprar e retirar no próprio mercado.
Nada feito, uma coisa é o mercado virtual, outra é aquele sempre com filas enormes.

Voltamos para casa e então marido se lembrou da loja de móveis planejados na rua de baixo.
Fomos. Explicamos, desenhamos e ouvimos:

"Dois mil e oitocentos e você podem escolher o acabamento em"
Nem ouvimos mais o que a vendedora dizia.

No caminho de volta marido disse que aquilo parecia o jogo Brasil x Alemanha, depois dos cinco gols, nada mais abalava. Então depois dos mil e oitocentos, custar mil a mais, já era insignificante.

A menina estava entristecida. Eu exausta.
Atirei-me no sofá finalmente.
Janta, louça, passeio noturno com o cachorro e sofá com livro.
Confortavelmente acomodada, ouvi:
Vamos.
"Vamos, aonde a essa hora da noite?"
"Não fecha às 22h aquela loja que a Júlia gostou da escrivaninha? Vamos lá."
Devido ao meu cansaço, sugeri mais uma vez, que tudo fosse feito via web.com.
Passava das 21h quando saímos.

Dessa vez compramos e retiramos o produto na hora para montar em casa!
Marido estranhou o peso da caixa. "Nossa, como pode essa coisinha ser tão pesada?"

Manhã do dia seguinte, marido coloca sua roupa de montador de móveis, posiciona suas ferramentas como se aquilo fosse uma cirurgia e então começa a abrir a caixa.


Foi um susto! Quando ele viu o tanto de peças e detalhes, começou a falar sem parar, lembrou que uma vez atendeu um sujeito que tinha levado 7 tiros na barriga e 7 dias depois estava indo embora sorridente e certamente era mais fácil do que montar aquele labirinto.
Céus - essa coisa de sete afetou mesmo o marido.

Fechou metodicamente a caixa e me chamou para dar uma volta.

Ao ouvir a palavra "volta" nosso cachorro que bem conhece o significado, abocanhou sua coleira e foi conosco.
Marido sorriu ao parar defronte a um poste.


O cachorro também ficou bastante feliz.

Ligamos para o Seu Maciel. Ele disse que morava muito longe e que não compensava o preço que cobraria, porque teria que cobrar muito caro.
Quanto?
Cinquenta.
Marido disse que não faria nem por cem. Manda ele vir.
Pedi, dei endereço, dei telefone.
Então ele perguntou se era "Oi". Não, não é oi.
Mas eu não posso ligar se eu me perder porque o meu é oi.
Oi? Liga a cobrar.

Em quarenta minutos estou aí.
Passou quatro horas e nada do seu Maciel.
Então ele ligou, confirmou e chegou de carro.
Todo esfolado, coitado.

Estava vindo de moto. Caíram, ele e a esposa. Nada grave, ainda bem. Só joelho e cotovelo ralado. Tiveram que voltar para casa e pegar o carro.
A esposa o ajudava e entre um manuseio na furadeira e outro parafuso, ela parava e tentava convencê-lo a colocar água oxigenada no braço. Ele dizia ter medo.


Em quinze minutos, a escrivaninha estava montada. E o seu Maciel nem olhou o manual!
Bem, agora falta a cadeira.
Mas vamos dar um tempo, ainda estamos cansados só com a escrivaninha!






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A rotina da leiteira




Quando se vai morar em casa alheia, seja lá quais forem o motivo que te levaram a isto, além de gratidão pelo acolhimento, deve-se atentar a uma atitude essencial – não interferir na rotina e sim se adaptar.
Aconteceu comigo e tudo ia bem até que eu comecei a ter problemas com a leiteira.
Leiteira, utensílio para ferver leite e água também. Também dá para fazer mingau. Ah e cozinhar ovos.
No convívio com a família começou a incomodar-me a tal leiteira.
Tentei argumentar sobre algo ter mais moderno, com antiaderente, uma leiteira que poderia servir também como objeto decorativo, já que a família era abastada e dinheiro não seria o problema para a aquisição, mas ouvi um delicado e firme “não”acompanhado de uma explicação: fora presente de casamento ( lá se iam 35 anos... ).

A rotina da leiteira:
Antes das cinco horas da manhã, ela fervia a água para o café e logo após, era colocado cerca de meio de litro de leite para que se aferventasse daquele jeitão de ficar ali na beira do fogão e esperar que o leite subisse até quase derramar. Girava-se rapidamente o botão para apagar o fogo e ao mesmo tempo um bom sopro para que o leite não ultrapassasse os limites devidos.
E a leiteira ficava ali, do fogão para a mesa, da mesa para o fogão.
A medida que os membros da casa iam se levantando, solitários, ou no máximo em duplas, lá ia a leiteira para o fogão aquecer o leite.
Para os que não estão habituados à esta antiguidade, é preciso esclarecer: da primeira fervida, assim que o leite abaixava, ficava uma fina crosta grudada no alumínio. Conforme os demais voltavam a aquecer o leite, a crosta ia ficando queimada. Não tipo carvão, mas começava com bege claro.
O último a aquecer o final do leite podia até ouvir pequenos estalidos das crostas que a essa altura eram cascas.
Onde entra o problema?
Tudo era colocado na pia e a louça era de minha responsabilidade.
Então somente quem já passou por isto vai entender o que estou dizendo. Lavar uma leiteira incrustada de leite de 35 anos de idade, o que significa que a cada tombo que ela levou em sua vida ficou amassada, formando fincos internos onde a crosta insistia em se fixar, é de fatigar qualquer nervo.
Tinha que deixar de molho, pegar bucha no lado grosso, apelar para a palha de aço e palito de dente e para disfarçar na hora de enxugar era unha com pano de prato para tirar os últimos vestígios.
O microondas lá, só me olhando.

Por que eu não aquecia o meu leite no micro?
Preciso confessar uma coisa. Não existe nada melhor que um leite fervido e aquecido depois formando crostas e cascas. Fica um gostinho de doce de leite inigualável!
Agora, há quem diga que pior que lavar leiteira é lavar louça de moqueca carregada no dendê. Aí já não sei...
Se quiser se divertir com mais louça suja, na visão de um homem, leia aqui.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Quanto custa ser rico?

Quanto custa ser rico?
Sabe que nem é tão caro não?


Era um dia em que a rotina havia tirado folga.
Desprovidos de horários a cumprir, fomos comprar pão para o café da tarde. E descompromissados, resolvemos passar por corredores do mercado que não nos é habitual, ou na correria, nunca temos tempo para eles!
Ziguezagueando, entramos no corredor dos produtos de higiene pessoal.
Uma moça, sentada em um banquinho, organizava um a um as pilhas de sabonetes. Cuidadosamente.

Ao vê-la disse para as crianças: "Ah! Esse deve ser o trabalho mais gostoso do mercado. Até as mãos ficam perfumadas".
Pronunciava a frase enquanto andava e já estava no corredor principal quando meu filho emendou sua frase à minha.
"É o melhor trabalho mesmo. Ela trabalha com sabonete de rico."

"Sabonete de rico? Onde isso? Neste mercado não tem sabonete de rico."

"Mãe eu já tenho quase onze anos e sempre usei sabonete Johnson ou da Turma da Mônica. Meu sonho é usar sabonete de rico, aquele ali ó".

Sabonete de rico?
Rica poderia estar eu que durante onze anos paguei três vezes mais nos sabonetes para bebês para proteger-lhe a cútis. Para manter-lhe a emoliência, o viço de uma pele de seda, de pétala, de pêssego, de passarinho, sei lá o que mais.
Ainda bem que sou desprovida de uma mente matemática dessas que fazem cálculos de cabeça, porque se eu soubesse quanto teria economizado se nestes onzes anos banhasse meu rebento com sabonete de rico, talvez fosse pior.

Tentando disfarçar o ligeiro tremor que me percorria o corpo, abri a bolsa, tirei uma nota de dez reais e disse com voz de pele aveludada. 
"Querido, escolha a vontade os seus sabonetes de rico que eu vou pegar o pão e te espero lá na saída".

Não demorou muito e ele surgiu segurando numa das mãos, a sacola com os sabonetes; na outra o troco que me entregou sorridente.

Durante dez barras de sabonete ele estará rico, depois...
Bem, depois, ainda tenho um pacote com duas dúzias de Jonhson bebê para ser usado.


domingo, 30 de junho de 2013

Ações boas


Este livro foi lançado dias atrás. Soube por acaso, em alguma notícia na web.
Ainda não o li. Pretendo.
Viva e deixe viver fez parte da minha vida. 
Eu, fiz parte, em um pedaço, em um momento da minha vida, ainda que breve, dessa associação que tem por objetivo contar histórias para crianças hospitalizadas.

Foi imensamente maior do que um trabalho voluntário.
Eu andava com vontade de fazer de voluntariado e não me lembro como cheguei até esta associação. Não estávamos ainda na era dos computadores pessoais  ( faz tempo hein! ).
Só que não foi tão fácil, como eu havia imaginado, sair pelos hospitais contando histórias.
Era preciso antes um curso de capacitação.
E foram nestas palestras inspiradoras que eu aprendi, refleti, conheci, sobre o universo do terceiro setor; aquele que não espera tudo do governo para que a sociedade melhore. Pessoas, atitudes que vão além da caridade, do assistencialismo.
Quando bem organizado, com foco, projeto, o crescimento naturalmente chega e aí com os resultados busca-se apoio também do governo.
Nossos impostos também precisam ser empregados em ações como estas e nós, enquanto indivíduos também podemos contribuir para melhorar a sociedade em que vivemos.
Como diz uma amiga, são tantas formas de engajamento: os que têm tempo, disponibilidade em ongs, associações, os outros, um sorriso, um bilhete, um pacote de bolacha recheada porque criança de rua também tem suas vontades.

Bem, quando eu pude ir aos hospitais, não fui uma boa contadora de histórias, fui melhor como ledora de histórias.
A primeira experiência foi no hospital Emílio Ribas com crianças com HIV. E quando eu pensava que a situação era triste, ficamos, eu e outras voluntárias que uma das crianças havia sido abandonada pelos pais ali. Muito provavelmente eles teriam poucas chances de vida. Depois do hospital, as crianças iriam para um abrigo.
Todas as palestras eram para também nos dar um suporte, para não nos envolvermos além da nossa função.
Havia também muitos sorrisos e histórias felizes.

Vamos reclamar, exigir nossos direitos, o retorno coerente dos impostos que pagamos e também vamos fazer um pouquinho que seja para contribuir por um nosso mundo melhor.