quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Blogagem coletiva inveja
Hesitei, confesso, em participar desta blogagem coletiva proposta pela Alê, pois quando entrei em contato com o tema inveja, a amplitude de possibilidades de explorá-lo me paralisou. Mas este é o lado positivo das blogagens: várias pessoas abordando um mesmo assunto sobre diversas óticas.
Então, quero abordar o aspecto que considero mais destrutivo com a inveja, a criminalidade.
Acredito que muitos delitos nasçam frutos da inveja. Uma inveja material.
Talvez comece pequena: a inveja da borracha do colega de sala que faz tomá-la para si. E um olhar invejoso, recebendo fermento do consumismo, da falta de oportunidades e principalmente da ausência de amor e atenção familiar, só faz com que cresça a inveja e os meios obscuros para alimentá-la.
Por estes dias no noticiário, uma mãe chega à delegacia onde o filho adolescente fora detido após ser pego em um roubo.
A mãe em desespero grita com ele "eu já te falei se você quer um tênis, trabalha para comprar".
A inveja tomou-lhe o que a mãe tentara ensinar.
A falta de limite ético, moral, faz com que a inveja tome proporções devastadoras.
Então, quero abordar o aspecto que considero mais destrutivo com a inveja, a criminalidade.
Acredito que muitos delitos nasçam frutos da inveja. Uma inveja material.
Talvez comece pequena: a inveja da borracha do colega de sala que faz tomá-la para si. E um olhar invejoso, recebendo fermento do consumismo, da falta de oportunidades e principalmente da ausência de amor e atenção familiar, só faz com que cresça a inveja e os meios obscuros para alimentá-la.
Por estes dias no noticiário, uma mãe chega à delegacia onde o filho adolescente fora detido após ser pego em um roubo.
A mãe em desespero grita com ele "eu já te falei se você quer um tênis, trabalha para comprar".
A inveja tomou-lhe o que a mãe tentara ensinar.
A falta de limite ético, moral, faz com que a inveja tome proporções devastadoras.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Exaltação ao coador de pano
Esqueceram-no
dependurado numa cordinha de varal.
O
sol estonteante do meio do dia, incomodou mais pela luminosidade do
que pelo calor.
Acostumara-se
a altas temperaturas.
Esperava
ficar pouco tempo ali. O necessário para desprender a umidade, o que
no caloroso ambiente deveria ser coisa rápida.
E
foi mesmo rápido, porém ali ficou, esquecido.
Inebriou-se
ao ver o entardecer chegando feito gato sorrateiro e tingindo o céu
de cores que nunca antes vira. Nuvens vestiam-se de nuances infinitas
até o negro céu se impor.
Conhecia
tão bem a negritude do líquido que escorria de si, como o céu lhe
escorreu naquela noite de esquecimento.
Sobressaltou-se
com o clarão repentino e o estrondo. Ruídos fortes conhecia o de
tampas de panelas que eventualmente caíam ao chão e o esbravejar
numa voz feminina.
Lenta,
lentamente foi sentindo umedecer-se por inteiro.
Que
líquido era aquele? O líquido que lhe escoava era fervente, sempre
fervente.
O
dia amanheceu cinzento e o líquido gélido prosseguiu a lhe
envolver.
Observou
que advinham das nuvens, as mesmas vestidas de furta-cor, agora
cinzentas ,é que lhe derramavam a água que só vira jorrar da
torneira.
O
líquido precioso que lhe perpassava borbulhando, descia do alto dos
céus, das lindas damas envoltas em sedas de delicados tons.
Cedo
ou tarde, quando sentissem falta do perfumado líquido marrom,
levariam-no para dentro.
Porém,
agora conhecia as nuvens, conhecia a preciosidade das chuvas.
Era
um coador feliz. Fosse de papel ou uma máquina moderna, jamais
poderia apreciar gota a gota a preciosidade líquida que o preenchia
diariamente.
domingo, 11 de novembro de 2012
A avó
Trinta anos se passaram da morte da minha mãe.
Os primeiros tempos foram de muitas dores. Dores desesperadas, angustiantes, desesperançosas.
Foram tempos de memórias vivas e intensas que aos poucos foram deixando de ser águas turbulentas para se tornarem águas cada vez mais calmas.
Hoje preciso fazer um esforço para encontrar uma lembrança, uma memória. Estão lá, sempre estiveram e sempre estarão, apenas uma bruma envolve tudo. Não dói, não me faz querer reescrever tudo de forma diferente a ter o final feliz esperado como já desejei no passado. É tranquilamente assim.
Um fato porém tem remexido estas brumas: uma pequena menininha que tem se encontrado com a tristeza porque desejava com intensidade ter conhecido aquela que foi minha mãe e seria sua avó.
Essa menininha adentra de mãos dadas comigo o mundo das recordações.
Vejo nela as lágrimas que há trinta anos me percorreram.
Ofereço braços, colo, algumas palavras, por vezes silêncio.
sábado, 10 de novembro de 2012
A caixa do correio
Quantas e quantas cartas eu coloquei ali dentro . Para o pai, lá no trabalho dele, a tia na rua de cima, a melhor amiga três casas abaixo.
E também para o próprio endereço, para surpreender a mãe e então o carteiro nem encaminhava para o correio. Ele pegava e já deixava em casa, o que significava que o selo não era carimbado e eu poderia usá-lo novamente! Que alegria!
Ainda menor, quando nem sabia escrever e perguntei para que servia "aquela coisa"amarela, minha mãe disse que era para colocar cartas. E eu já imaginei a carta sendo colocada ali dentro, passando pelo cano azul e seguia por baixo das ruas até o seu destino. Acho que foi um pensamento precursor do e-mail...
Eu sabia o horário que o carteiro passava. Via-o abrir, pegar muitas cartas, postais, colocar em sua bolsa azul e seguir.
Dia desses parei para observar atentamente a caixa de correio que fica no meu caminho. Voltei no dia seguinte e fotografei.
Uma tristeza, um abandono.
Seu Dutra, o carteiro da nossa rua, dia desses me chamou para assinar uma encomenda e eu aproveitei para puxar a conversa.
- Seu Dutra, ainda usam bastante as caixas de correios das ruas?
- Ih! Que nada. Só em época de eleição é que enchem de "santinhos políticos", uma porcaria.
- E vocês abrem todos os dias as caixas?
- Não. Só as que ficam diante de repartições públicas ou das próprias agências dos correios. Aquela ali debaixo ( referindo-se à da fotografia ) só abro uma vez por semana e as vezes até quinze dias e nunca tem nada.
- E as correspondências, diminuíram com a internet? As cartas manuscritas de pessoas para pessoas sim. Correspondências comerciais, encomendas, cobranças é o que mais tem!
Nem a lojinha de esquina que vendia os selos existe mais...
Ah! Se eu fosse corajosa o suficiente, sairia de madrugada, arrancaria a caixa de lá, cuidava dela com todo o merecimento que lhe é devido e a plantaria no meu jardim.
Aos meus olhos, ela seria sempre assim:
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Lembranças
Estou lá no cantinho da Nina, longe, longe... na Alemanha escrevendo como eu gostaria que meus filhos se lembrassem de mim.
Tão longe e tão perto. Obrigada Nina por compartilhar uma ideia tão agradável!
Clique aqui para ler.
beijo
Tão longe e tão perto. Obrigada Nina por compartilhar uma ideia tão agradável!
Clique aqui para ler.
beijo
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Uma coisa puxa outra
Semana passada fui visitar uma amiga lá na Bahia e dei com o nariz na porta. Ainda bem que ela deixou um recadinho lá na porta do blog: "Fui para São Paulo".
Corri a tempo de vê-la passando em cima da minha varanda.
Acenei lá debaixo mesmo e desejei-lhe boas vindas.
Ah! E se você não sabia, quem chega à São Paulo pelo aeroporto internacional é só me dar um alô que eu aceno da varanda.
Minha amiga saboreou um famoso deleite numa doceria francesa. O "macarron".
Então me lembrei que minha filha e eu também saboreamos o macarron, mas não era francês. Era do japonês que mudou de ramo e deixou para trás os doces de feijão azuki e foi fazer macarron.
Quando a filha viu aquele colorido na vitrine do japonês, imediatamente pediu:
Mãe, compra para combinar com meu vestido?
Eita combinação cara...
E ela não gostou. Para não desperdiçar, pediu que eu tirasse uma foto. E eu para não desperdiçar, tirei a foto e depois comi.
E também não gostei. Achei assim, com gosto de um suspiro mais sofisticado.
Será que é o japonês, será que o francês é melhor?
E como uma coisa puxa outra e o macarron do japonês tem gosto de suspiro sofisticado, lembrei que certa vez num passado bem distante uma senhora me ensinou um truque para fazer suspiros inesquecíveis: usar um pregador.
Sim, um pregador de roupas, daqueles que eu fui para a escola pendurados na blusa.
Você coloca o pregador na porta do forno para que fique uma frestinha entreaberta.
E já que foi inesquecível ir para a escola cheia de pregadores pendurados na blusa, eu posso falar para quem me sorrir demasiado que a Mariacininha me disse que eu tomei a forma de um varal, e os passarinhos gostam tanto de pousarem em um varal que ficam lá me vendo fazer suspirons com a fresta do forno entreaberta por um pregador.
E enquanto isso a amiga voou de volta.
E já que foi inesquecível ir para a escola cheia de pregadores pendurados na blusa, eu posso falar para quem me sorrir demasiado que a Mariacininha me disse que eu tomei a forma de um varal, e os passarinhos gostam tanto de pousarem em um varal que ficam lá me vendo fazer suspirons com a fresta do forno entreaberta por um pregador.
E enquanto isso a amiga voou de volta.
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