Vou escrever sobre armas.
Não combina nem um pouco com o clima do Natal que já está se instalando nas casas decoradas, arrumadas para receber familiares, nas decorações das ruas, tampouco com a serenidade dos corações que desejam um mundo melhor, mas não quero deixar para depois.
Armas de brinquedo: é sobre elas que quero falar.
E em primeiro lugar elas não se chamam armas de brinquedo e sim lançadores.
Lançadores de projéteis é como devem ser chamadas.
E eu fico me perguntando por que dar um nome pomposo? Por que não "pega" bem dizer vou comprar uma arma de brinquedo para meu filho?
Mudando o nome das coisas, alivia-se algo nos adultos?
Outra mudança diz respeito às cores. Nada monocromático, cinza, preto, marrom, para não dar impressão de arma. Afinal é apenas um lançador. Deve ser colorido para parecer lúdico.
Sou absolutamente contra armas de brinquedo ou lançadores, como é politicamente correto dizer.
Muitos especialistas afirmam que nada há de errado em brincar com eles.
É natural das crianças em sua imaginação usar o bem e o mal. Lembro-me de uma especialista dizendo que se uma criança não tiver uma arma de brinquedo ela pode simulá-la com a mão.
Concordo.
Só que acho que muita coisa mudou desde os tempos em que eu ia na feira com minha mãe e tinha a barraca de doces onde se vendia um suco dentro da embalagem plástica em formato de carrinho, boneca, arma.
Mocinho e bandido, talvez seja brincadeira do passado.
Os videogames violentos, a dificuldade de se impor limites, o nível de stress deste nosso mundo, dão, ao meu ver, uma outra nuança à brincadeira.
Precisariam mudar o nome das coisas se fosse tudo assim tão inocente?
Sou contra. Absolutamente contra.
Posso ser careta, antiquada, mas prefiro outro tipo de brinquedo.








