segunda-feira, 25 de março de 2013

Estamos assim





Fios serão desconectados, paredes recortadas, tintas por vir...
Volto em abril.
Beijo!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Das cores invisíveis


Desejei que fosse azul. Celeste como o céu.
Mesmo assim me aproximei.
Ela desejou que eu fosse laranja. Gostava do entardecer.
Mesmo assim não se afastou.
Em seu olhar eu vi todas as belezas.
Ela olhou o meu dentro.
Silenciamos.
E o tempo não foi preciso em quantidades
Aprendemos frente a frente
uma para outra
não julgar.
Temos as cores do vento
que nos tingem além da matéria
Um sopro de Manoel de Barros
nos acorreu:
Privilégio dos ventos
semear 
as borboletas!
Privilégio teu olhar
pequeno imenso ser.

Leitura alimenta


Um projeto muito interessante este: incluir numa cesta básica que será distribuída, um livro para estimular o gosto por ler, transformar não-leitores em leitores.
Um parceria da empresa Cesta Nobre com a Livraria da Vila.
Tomara seja mesmo uma agradável surpresa para o trabalhador e sua família, abrir a cesta básica e encontrar ali um livro!
E também outras livrarias poderiam abraçar a causa. Ou nós mesmos: época de Natal com suas sacolinhas, ovos de páscoa, que tal incluir um livro também?
Beijo

quarta-feira, 20 de março de 2013

Oito sons


O convite veio da Etienne, para a blogagem coletiva com o tema: "Quais os oito sons que você mais gosta?"
Quando eu li a proposta com o tema, logo pensei, vou escrever sobre o recital de harpa que fui há muito tempo atrás, onde também conheci o som do cravo, vou falar de chuva no telhado.
Porém, quando me pus a escrever, nenhum desses sons quiseram aparecer na minha escrita.
Deixei então outros rumorejos se mostrarem!

Os sons do parto - mulher e depois o bebê. Nem sempre, mas em sua grande maioria, é uma sonoridade carregada de bonitas emoções. Fico com o simbolismo poético dos gemidos, gritos da mãe que anunciam e abrem caminho para o choro do bebê, que naquele momento não é choro, mas a sinfonia da vida.

Não faço a menor ideia de como me apaixonei por este som, mas ele saiu de alguma música e acariciou meus ouvidos e simplesmente me fascina: o som de tablas indianas.

Sinos. Lá do alto nos acenam.
Quando soube do ofício do "fazedor de sinos", a afinação, a nota de cada um, encantei-me ainda mais! E vou contar um segredo - já toquei um sino do alto de uma torre.

Campainha - ah! como eu gostava dos sons das campainhas. Em cada casa, um toque diferente. Acho que nos dias de hoje temos escutado menos os sons de campainhas; visitas que se anunciavam e nos surpreendiam através do toque da campainha esta cada vez mais raras.

Um lugar descampado, de vegetação rasteira e aquele vento que parece correr a brincar de pega-pega, balançando a relva, despenteando os cabelos. O som deste vento rápido porém calmo, aprecio muito.

Assovios - acho que é o som da alegria, é para todos! Você pode até ser desafinado para cantar, mas poderá assoviar. Adoro ouvir gente assoviando logo cedo!

Já sei que tem muita gente que vai rir do meu "outro som preferido" e vai me mandar catar feijão, mas eu adoro o som da roupa sendo lavada na beira do rio e amaciada na pedra. Ah! Como eu queria bater roupa na pedra na beira do rio...

E não poderia faltar o gorjeio dos passarinhos.
Conheço só os passarinhos urbanos e já me trazem uma alegria imensa.

Não coube na proposta da postagem, o som do milho estourando nas panelas amassadas dos nossos pipoqueiros, mas essa pode ser uma outra postagem.
Beijo.

domingo, 17 de março de 2013

Fiquei de recuperação

Certa vez, eu li num comentário de um blog de um amigo, uma pessoa falando da época em que pegava segunda época, exame em matemática ( não vou contar quem é! ) e até sentia saudades disso!
Pois eu criei coragem para revelar que também fiquei de segunda época, fiquei de recuperação.
Em qual matéria?
Não pasmem, por favor.
Fiquei de recuperação em Bordado. Sim, matéria bordado.
É preciso que eu conte um pouco da minha vida escolar para que compreendam como eu consegui quase repetir de ano.

Eu era uma linda menininha que só tirava nota dez. Sobre a nota dez, é tudo verdade. Sobre a lindeza, é mentira.
Eu era uma menininha bem feinha ou feiozinha, como queiram. Mas com a sapiência de minha mãe, que comprava lindas fitas de cetim para colocar em minhas marias-chiquinhas, as pessoas sempre se referiam a mim como "que gracinha". A verdade é que eu nunca soube se eu era uma gracinha ou eram os laços acetinados com estampas de bolinhas, bichinhos, xadrez, que o eram. O que importa é que minha auto-estima não foi afetada na infância. Ser engraçadinha já estava bom.
Assim segui entre os boletins recheados de notas dez e as fitas enrolando minhas chiquinhas. Crescia feliz.
Até que chegou o ingresso no ginásio, na quinta série. 
Deixei de lado as chiquinhas, a mala escolar e passei a carregar os tão sonhados cadernos universitários no braço. Que símbolo de liberdade era aquilo!
Eu sentia o mundo se abrindo para me receber. Eu não precisava mais fazer fila e esperar a professora ( que naquela época podia ser chamada de tia ).  
E foi nessa atmosfera de liberdade, de tudo novo que eu fiz a minha primeira prova de educação artística. Era um desenho livre. Havia somente um pequeno traço no meio da folha branca de sulfite.
Expressei toda a minha sensação de sentir-me livre naquele mundo ginasial. Risquei, rabisquei, utilizei cores fortes misturadas com traços delicados e criei a minha mais bela obra abstrata. Afinal bastava de desenhos de coelhinhos, casinhas, cerquinhas. Meu mundo agora era outro e eu o retratei ali.

Nota zero. Foi isso mesmo que eu vi escrito na minha prova. Assim Z-E-R-O.
O mundo me engoliu quando eu recebi aquela prova. A menininha que só tirava dez no boletim, de repente chega em casa com um zero.
Mamãe foi conversar com a professora que lhe explicou que ficou horrorizada com tanto rabisco. E mostrou uma prova que ainda estava com ela: uma linda casinha com cerquinha e um coelhinho comendo cenourinha. Era isso que ela esperava de mim.
Mas não estava escrito desenho livre? Eu ainda indaguei. Desenho querida, não rabisco livre.
Tirei dez na outra prova, que somando com o zero e dividindo deu média cinco. E entre cinco e seis eu passei de ano, com a auto-estima artística arrasada. E com medo até de olhar para a professora.
No ano seguinte, uma possibilidade surpreendente para me livrar da aulas de artes: era dado a possibilidade de escolha entre ficar na sala de aula com a professora ou optar por fazer aula de bordado com a freira Irmã Laurinda. 
Segunda opção, claro.
Adentramos nos labirintos secretos do colégio religioso para chegar aos aposentos da freira que nos aguardava.
Achou que éramos poucas.
Explicamos que a maioria optara por ficar na aula convencional de artes.
Ela disse que o mundo estava perdido. As moças estavam perdidas.
E pôs-se a explicar: aqui vocês podem fazer três tipos de trabalho; tela, para as mais preguiçosas; casaquinhos de bebê em crochê, para as igualmente preguiçosas e por fim, bordado, para as mais aplicadas.
Bordado, disse eu. Foi sedutor para mim ver aquele pano branco esticadíssimo num bastidor e junto com o sol da tarde que tingia os vitrais, a agulha tingia delicamente o tecido.
Começamos. E eu cheguei em casa mostrando para a minha mãe o caderno com os desenhos e nomes dos pontos e o paninho com a agulha pendurada dizendo que não tinha conseguido compreender nada do que a freira ensinava. Mamãe olhou com alegria saudosa para o bastidor e começou a bordar igualzinho a freira. Deixei por conta da mamãe. Ela ficava tão feliz bordando. Era uma cena perfeita para uma mãe - sentada, imersa em silêncio e bordando.
Chegava para a aula com a lição feita e após conferir o avesso ( como a freira gostava do avesso ) ela passava outro ponto. Eu enrolava até terminar a aula e entregar tudo para mamãe.
O problema foi que mamãe morreu em agosto e aí...

Aí que o dia que eu mostrei a joaninha para a freira ela me perguntou se aquilo era uma joaninha ou uma zebra.
Sim, porque as bolinhas pareciam listras...
As amigas da tela, já estavam terminando; os casaquinhos de crochê recebiam uma fita para finalizá-los e os outros bordados também estavam se encerrando quando eu ainda tentava me entender com a joaninha e ainda tinha uma formiga de pé carregando uma trouxa nas costas.
O bordado parecia demasiado pesado para mim quando tirei outro zero e fiquei de recuperação com a irmã Laurinda. Três vezes na semana eu subia até o último andar do colégio e tentava bordar enquanto ela me rogava pragas que eu não iria casar, afinal nem os lençóis com as iniciais dos nossos nomes eu sabia bordar.
Tudo o que eu fazia era engolir o nó na garganta e lembrar da " Casas Teixeira - tudo para o seu enxoval" recém inaugurada em frente ao ponto de ônibus que eu ficava.
No dia 21 de dezembro ela me liberou e disse que eu tinha passado apesar da minha péssima habilidade com as linhas e agulhas.
Nunca mais desenhei e costurar, somente botão, em caso de extrema necessidade.
No ano seguinte, soou o sino com notas fúnebres.
Soube que Irmã Laurinda tinha morrido.
Tive um sentimento entristecido. Eu gostava da Irmã Laurinda, ali com o sino, eu soube.

sábado, 16 de março de 2013

Escolha o olhar


"Foca na luz, não foca na sombra"

Carmo Dalla Vecchia, ator e fotógrafo amador

quinta-feira, 14 de março de 2013

A tecnologia e eu

Não escondo de ninguém que eu sou uma anta laranja quando se trata de tecnologia.
Alguns amigos mais antigos hão de se lembrar que durante muito tempo eu usei este bichinho aí do lado no meu perfil. Privacidade? Qual o quê! Eu não sabia mesmo encontrar e colocar uma foto minha. Demorou mais consegui.
Depois veio a tal nuvem da computação, que também demorei para compreender e agora não consigo é encontrar uma nuvem do meu estilo para alugar: queria uma que fosse bem gorduchinha, não totalmente branca, com nuances de alaranjado e de frente para um rio, pode ser riacho também. Mas, como está caro o aluguel de uma nuvenzinha. Enquanto não baixarem o preço, sigo por terra mesmo.
Aliás, por curiosidade, quem aí tem uma nuvem?

E essa tecnologia é mesmo um vendaval de novidades. Enquanto eu ainda estou nas nuvens, fico sabendo de aplicativos para chips cerebrais.
Sabendo não é bem o termo, porque eu estou é bem confusa. Como assim aplicativos, chips cerebrais?
Precisa tomar injeção para ter um chip cerebral? Se precisar, não quero, obrigada.
E fui pesquisar. E sabe com o que me deparei?
Com a solução dos meus problemas!
Sim, porque além de problemas com a tecnologia, eu tenho outro problema que é de socialização, amigos: sempre tenho que recusar qualquer convite que envolva dançar. Seja dançar quadrilha,cranda-cirandinha, baile de debutante então, nem pensar. Tudo porque eu não danço absolutamente nada. Pense num poste. Sou eu. Anta laranja e poste.
Mas, como eu ia dizendo, ao pesquisar sobre chips cerebrais encontrei um vendedor assim:
" Vendo diversos chips cerebrais com informações de artistas. Michael Jackson por exemplo: é bem vendido para sair dançando como ele...".
Gente é tudo o que eu preciso - um chip cerebral Michael Jackson. Serei um arraso nos salões, nas baladas!
Ah! Quero um desses e já vou até providenciar meus sapatinhos de baile.
Aliás, por curiosidade, quem aí tem um chip do Michael?