Tecnófobo - pessoa que tem ou demonstra aversão ou antipatia para as tecnologias virtuais.
Ludita - avesso a inovações tecnológicas.
Recentemente, eu participei com outros blogueiros de uma blogagem coletiva onde refletimos sobre os impactos da tecnologia na família.
Muito produtivo. Equilíbrio foi uma das palavras, das condutas mais citadas e também do problema não estar nas tecnologias e sim ser muito mais psicológico, o nosso comportamento perante nossos aparelhinhos de telas luminosas.
E logo após essas reflexões, eu conheci uma pessoa ludita, totalmente avessa às tecnologias digitais.
Tão estranho quanto aquela pessoa que não desgruda os olhos do celular, que conversa com você teclando, postando, é estar ao lado de alguém que repudia veementemente tudo isso.
Nossas filhas fazem aula de natação juntas e entre uma conversa e outra, ela me pergunta sobre alimentação saudável e eu sugiro o filme que está na internet 'muito além do peso'. Ah, internet não, é a resposta.
"Passe seu e-mail que eu te mando o link. Não tenho e-mail e já briguei na escola da minha filha porque não quero saber nada por e-mail, que me chamem e conversem olho no olho". Falei, num outro momento das aulas de jornal que meu filho está fazendo e ela achou muito pouco ser uma vez na semana. Respondi que também gostaria que fosse ao menos dois dias, mas ele troca informações com a professora por e-mail e isso agiliza, otimiza a aula. Nada feito. Não concorda com trocas dessa maneira.
Acho que passamos por uma fase de muita empolgação, talvez até exageros, como naquele ditado popular "quem nunca comeu doce, quando come se lambuza". A possibilidade de fotografar o nosso sanduíche e postá-lo na rede era algo sedutor, nada parecido com levar o filme em rolo até uma loja, sair com uma tira de papel com o número do seu pedido e voltar lá dias depois.
Fomos também aprendendo sobre as implicações desses comportamentos e buscando o tal equilíbrio.
Hoje já vemos atitudes como desconectar-se aos finais de semana, ou sair com o celular desligado durante as conversas.
A tecnologia não deixará de existir e aquela pessoa chamada de ludita sofre demais ao tentar ir contra essa corrente.
De quando começamos a usar computador aqui em casa, tivemos muitas dificuldades na aceitação. Ao mesmo tempo em que era necessário saber usar, quando se estava usando, parecia já um exagero, um vício.
Foram necessários alguns anos, muitos diálogos, muito olho no olho, muitos links compartilhados. Ainda estamos aprendendo a integrar a vida analógica com cheiros, toques, gargalhadas, choros com a digital. Vamos derrapar, cair, levantar, aprender.
Tem um post divertido sobre família e tecnologia abaixo deste. Se quiser ler, clica aqui.
E você, já conheceu alguém tecnófobo?
quinta-feira, 30 de maio de 2013
O peso da tecnologia
Minha família tem sentido o impacto da tecnologia. Impacto de peso. No nosso peso.
Em abril foi aniversário da minha filha Júlia e resolvemos sair para comer uma pizza.
Sentados, depois de alguma espera, o garçom perguntou-nos o que iríamos querer.
- O cardápio - eu disse.
Rapidamente o garçom voltou com um ipad na mão.
- Estamos agora trabalhando com cardápio digital.
Marido já foi estendendo o braço e se apropriou da máquina multifunções. Parecia até que dominava a tal tecnologia, mas somente mexemos na engenhoca quando estamos em alguma loja e lá tem o aparelho exposto, a gente aperta, pupula o indicador sem prestar atenção em nada, e ali perante ao garçom, marido fez bonito.
Rápidas explicações e ficamos a sós com a telinha luminosa.
Primeiro as bebidas: refrigerante para as crianças e limonada suíça para nós dois.
Orgulhoso marido mostrou-nos os copinhos na tela. Pedido feito!
Então chegou a vez da pizza.
Marido rapidamente disse: "Pronto!"
Pronto como? - eu perguntei. O que você pediu?
Ah não. Não me chame para comer pizza de muçarela jamais. Que me desculpem as veias italianas, os mais ortodoxos, mas para mim, pizza de muçarela é algo muito próximo de pão com queijo quente. Recuso-me.
E aí eu pedi - meio a meio marido.
Percebi que o semblante do marido modificou-se um pouco. Uma ligeira sisudez.
Ipad entregue para o garçom. Era só esperar.
Bebidas servidas, brindes à aniversariante e quem chega à nossa mesa?
Alguém vindo da cozinha.
- Senhor, recebemos seu pedido on line lá na cozinha e como achamos um pouco estranho, vim aqui confirmar. São mesmo quatro pizzas? É que vocês estão em apenas quatro pessoas...
Eu, por mim, deixava trazer as quatro. Levava três para casa, congelava, comeria durante a semana, de segunda a sexta. Quer saber um segredinho: para a pizza ficar crocante quando se aquece, frigideira uma colherzinha de água e tampa. No microondas não fica bom.
Pedido ajustado ao tamanho da família, marido disse: o problema é a configuração. Este cardápio não está adaptado para pizza 1/2 a 1/2! Eu também acho o mesmo. Ainda bem que não fui eu a fazer o pedido. Era capaz de sair mais de 10 pizzas lá na cozinha!
Adorei!
A pizza estava ótima. Foi um feliz aniversário para a filhota.
Fico só imaginando quando pedirmos um cardápio e vierem com um óculos daqueles google glass que tem controles com movimentos da cabeça. Vou me divertir muito!
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Curtinhas
Recebi pelo celular uma foto do casalzinho Antônio e Sebastiana no dia da comemoração dos 70 anos de casamento.
Estavam somente eles, a cuidadora e uma vizinha que fez um bolo para celebrar a data!
Uma prosa que a Tiana teve comigo:
Ô Paula, eu pedi pra Magda pintar minha unha e eu falei pra ela que queria uma cor da moda.
Ela disse que é azul que tá moda.
Ficou bom Paula? É que eu num enxergo.
Ah! Ficou sim Tiana.
E você Paula, que cor que você pinta a unha?
Ih! Tiana. Eu não pinto unha mão.
Ai credo Paula. Pensei que você fosse mais moderna.
!
Estavam somente eles, a cuidadora e uma vizinha que fez um bolo para celebrar a data!
Uma prosa que a Tiana teve comigo:
Ô Paula, eu pedi pra Magda pintar minha unha e eu falei pra ela que queria uma cor da moda.
Ela disse que é azul que tá moda.
Ficou bom Paula? É que eu num enxergo.
Ah! Ficou sim Tiana.
E você Paula, que cor que você pinta a unha?
Ih! Tiana. Eu não pinto unha mão.
Ai credo Paula. Pensei que você fosse mais moderna.
!
domingo, 26 de maio de 2013
A doçura do pequeno príncipe
Pinterest
Cheguei a um ponto de não suportar mais essa frase.
Na minha adolescência eu exerci uma função bastante peculiar: eu era revisora ortográfica dos rascunhos que se transcreveriam para os mais belos e enormes cartões ( era uma época de cartões gigantes, nem sei se ainda existem ). Eram escritos pelas minhas amigas do colégio quando o namoro se desfazia e entre lágrimas, sempre a esperança de uma última tentativa de reatarem os laços.
E lá nos rascunhos, entre as promessas de mudanças, as explícitas declarações de amor, lá vinha a frase do principezinho. Ela era a cobrança disfarçada, a encostada na parede, a chantagem mesmo.
Até sugeri algumas vezes que fosse retirada, mas a inconsolável amiga aceitava retirar todo o resto, mas manteria a frase a qualquer custo.
Uma das vezes que li o pequeno príncipe senti-me imensamente compelida a saltar aquela página e o fiz. A frase, mesmo depois de uns vinte anos dos cartões gigantes, ainda me causava mal estar.
Mas ocorreu um fato em nossa vida familiar que eu senti uma necessidade inexplicável de recorrer ao pequeno príncipe e sua frase imortal.
Mudamo-nos em dezembro de 2011 e entre todo o tumulto nos grandes centros urbanos pelas festas de final de ano, eu precisava descobrir onde encontrar o melhor pãozinho, conhecer pizzarias, olhar a localização da farmácia, pesquisar o preço dos cabeleireiros e foi num final de tarde, com o sol de horário de verão já ameno que eu e as crianças nos deparamos numa esquina com um "carrinho" de caldo de cana.
Nada de pastel, de feira, apenas caldo de cana, garapa.
Experimentamos e a simpatia do dono do negócio, aliada à beleza de seus apetrechos e a doçura da cana, cativou-nos.
Durante um ano inteirinho ele estava lá. Nas maioria das vezes somente um cumprimento acompanhado de sorriso; nas outras quando o corre-corre permitia, uma pequena pausa.
E assim surpreendíamos a nossa rotina com um copo de doçura.
Chegou outro dezembro, a mesma correia e quando sentimos a garganta clamar por uma "cana geladinha" nosso conhecido não estava lá.
Férias - anunciei para as crianças. Ele também merece! Logo volta.
Arrancamos do calendário a folhinha de janeiro, fevereiro, depois março.
A esquina continuava vazia. Vazia modo de dizer. Vazia de caldo de cana porque sempre havia um carro estacionado no lugar.
Abril foi o mês da desesperança. Ninguém tomar uma garapa na feira. Na kombi barulhenta, sem pano de prato alvo e com crochê nas bordas.
O que teria acontecido? Morreu? Arrumou lugar melhor para trabalhar? Um feira, talvez?
Olhei para o poste na esquina que o carrinho da cana estacionava. Podia, deveria haver ali um cartaz colado, uma explicação, afinal "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Qual foi nossa surpresa quase arrancando a folhinha de maio, quando caminhávamos rumo à esquina? Ele havia voltado!
Ele usou sabiamente a frase do pequeno príncipe e não nos deixou sem o doce néctar da cana!
Sentei, primeiro com o Bernardo, depois, à tarde com a Júlia e à noite acompanhei marido ( só tomei um copo, tá? ). Todos que passavam, era inevitável a pergunta. Eu nem precisei perguntar, fui logo sabendo: foi passar férias com a família na casa do pai; os problemas eram muito, foi ficando, ficando.
Voltamos a ter um motivo doce para acomodar os ânimos, o calor ou a simples vontade de um caldo de cana!
domingo, 19 de maio de 2013
Diferente
Essa semana, faço diferente com as postagens.
Deixo cinco publicadas aí embaixo. Não quis programar, faço uma experiência!
Se quiser ler apenas uma, ir , voltar, sinta-se à vontade.
Não escreverei por aqui esta semana. Tem fotos, texto curtinho, texto longo.
Uma boa semana a todos!
Aceita um café?
A mãe da AnaVi
Angelina e Guiomar
Cavalos
Não apresse
Deixo cinco publicadas aí embaixo. Não quis programar, faço uma experiência!
Se quiser ler apenas uma, ir , voltar, sinta-se à vontade.
Não escreverei por aqui esta semana. Tem fotos, texto curtinho, texto longo.
Uma boa semana a todos!
Aceita um café?
A mãe da AnaVi
Angelina e Guiomar
Cavalos
Não apresse
Não apresse
Quando eu era adolescente, lembro-me de um livro que li. Não me lembro como ele chegou, nem o título, nem mesmo o assunto por completo.
Ficou guardado a passagem das borboletas, em que não devíamos apressar sua saída do casulo e o paralelo com a vida, onde há momentos em que tudo o que se tem a fazer resume-se em espera.
Lembrei-me quando as vi dependuradas em sua espera.
Ficou guardado a passagem das borboletas, em que não devíamos apressar sua saída do casulo e o paralelo com a vida, onde há momentos em que tudo o que se tem a fazer resume-se em espera.
Lembrei-me quando as vi dependuradas em sua espera.
Cavalos
Certa vez, pedi ao marido que tirasse uma foto de cavalo para mim ( eu tenho medo até de chegar perto! ).
E ele me trouxe o pedido:
E ele me trouxe o pedido:
Confesso que fiquei um tanto decepcionada. Mas, talvez fosse a escola fotográfica de marido que é assim, digamos imaginativa. Tira-se uma foto e quem a vê imagina que seja...
Resolvi então deixar o medo de lado, protegido pela cerca, e tirei minhas próprias fotos de cavalos!
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