sábado, 30 de novembro de 2013

Banca de jornal


Precisa comprar um guarda-chuva? Quer indicação de um local que venda?
Banca de jornal.
Isso se você estiver em São Paulo.

Uma nova lei aprovada pela prefeitura, aumentou a variedade de itens que poderão ser comercializados nas bancas de jornais da capital e entre eles, o guarda-chuva.
Enquanto eu lia sobre as novas regras para as bancas, fui sendo transportada pela minha memória para a banca da minha infância.
Pequena. Porém, o proprietário era ninguém menos do que um Rei Momo do carnaval, daqueles tempos em que os rei momos eram imensos. Nem sei como ele cabia ali dentro.
Havia poucos itens. A revista Manchete, sempre exposta, os jornais empilhados, gibis e do que eu mais me lembro eram das revistinhas de bonecas de papel e roupas para recortar.


Ah! Como eu brinquei de vestir estas bonequinhas! As bonecas, num papelão mais duro, eu não conseguia recortar. Minha mãe o fazia e depois eu recortava os vestidos, saias, blusas.

Não me lembro quando, mas as bancas foram ficando enormes. Nem tanto no tamanho, mas na quantidade de revistas, jornais e miudezas. Perderam muito das vendas para os grandes mercados e por esse motivo agora poderão incrementar as vendas, incluindo aí o guarda-chuva.

Já mantive amizades longas com jornaleiros que guardavam o jornal de domingo, que acaba rapidamente, ou guardavam pacotes de figurinhas.

Luís Fellipe, do Cronicalize, escreveu uma deliciosa crônica, que vale ser lida ( clique aqui ) sobre uma banca, onde seu dono, exausto de dar informações sobre endereços, resolveu cobrar pela ajudinha.
E não é que agora estão estudando a possibilidade das bancas venderem informações turísticas?

Sabe o que também tem nas bancas de São Paulo? Corrupção.
Venda de talões de zona azul, para estacionar o carro nas ruas, fornecidos pela Companhia de Engenharia de Tráfego - CET, dizem que as bancas estão devendo um milhão de reais... Não se preocupe: a polícia investiga o caso ( adoro esta frase! ).

O que tem de diferente na banca de jornal aí da tua cidade? Conta pra gente!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Habitacional


Esta é a Edith, minha amiga.
Ela mora na grama aqui de casa.



Esta, não sei o nome.
Mora na casa vizinha.

Nossa! Preciso urgentemente inscrever a Edith no programa Minha Casa Minha Vida.

Amargo e doce

Tive um cachorro xereta quando criança igualzinho a este.
Achava intrigante o fato de terem feito o brinquedo com a cabeça no chão.
Bom, eu não tinha cachorro naquela época e não sabia que era exatamente assim que fazem quando estão andando na rua, por exemplo.

Agora que tenho um xereta em carne, osso e pelos é que entendo a originalidade do brinquedo.
É só sair com ele na rua que se põe nesta exata posição e como diz a Chica, vai se enfronhando de tudo!
Não é preciso ser um grande conhecedor da psicologia canina para logo saber que o mundo é percebido pelo cheirar.

Em um desses momentos cheira-cheira, meu cachorro parou em uma árvore e ali ficou.

Foi quando apareceu uma senhora na janela da casa e nos soltou palavrões do mais alto escalão. Que eu não deveria sair com cachorros, ficasse com ele dentro de casa e que estava sujando a calçada dela ( será que ela desconhece o verdadeiro nome para calçada - passeio público? ).
Olhando para ela que não parava de gritar, vi que de nada adiantaria qualquer resposta ou qualquer ataque; dizer que o cãozinho só estava ali cheirando, exercitando seu olfato, seria pior. Só fiz tirar do bolso um saquinho e acenar com ele.
Claro que é desagradável as pessoas que "esquecem" de recolher a sujeira do cachorro. Mas será que tanta amargura assim é necessário?



E num dia desses de mercado cheio, ou melhor, lotado, com filas enormes, clientes que brigam com a operadora do caixa; operadora com pouca paciência, troco que falta, cartão que não passa, um senhor à minha frente embalava apressado a sua compra e quando percebi ele havia deixado uma embalagem com mortadela nas minhas compras.
Avisei-o e sorridente ele agradeceu.
Como o clima ali estava "pesado" fiz uma brincadeira, falando:
"Olha, eu bem que estou com vontade de comer mortadela, mas seria injusto eu ficar com a sua. Já pensou ter que voltar e encarar toda essa fila novamente?!"

Assim que a moça do caixa passou sua embalagem pelo leitor e o mesmo apitou, o senhor interrompeu sua arrumação das compras, abriu a embalagem e me ofereceu a mortadela.
Corei. Não queria aceitar, ele insistiu. Peguei uma fatia; a operadora do caixa, outra. Ele sorriu novamente.
Fomos para casa adocicados.
Porque tem doçura também nos salgados!

sábado, 23 de novembro de 2013

Nós Maiores




Foi ainda criança que conheci outros tipos de cumprimento além dos beijos, abraços, apertos de mão.
A inclinação japonesa demostrando dentre tantas coisas, o respeito. O “namastê” dos indianos, com as mãos unidas e postas no centro do tórax, significando “o Deus que habita em meu coração saúda o Deus que habita em seu coração”.

Somos 7 bilhões. Somos todos um.
E é nessa diversidade de cores de pele, religiões, crenças, costumes que nos lançamos nesta viagem chamada Vida em busca de respeito, de significado, de felicidade.

Nesta imensidão chamada de Planeta Terra são tantas as possibilidades!
Faço um convite junto com Tina, que hoje também espalha o mesmo tema, para assistir a um trailler de apenas três minutos e se você gostar, reserve aí no seu final de semana um tempo para uma sessão de cinema (uma hora e meia) e desfrute de muita reflexão, filosofia e poesia!


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Depois da britadeira...

Vieram as betoneiras.


Não se enganem com a aparente imobilidade da foto.
Elas, as betoneiras, precisam ficar em movimento.
E tem um "modo" turbina. Indescritível!

Sempre fica uma delas parada onde, onde?
Lá em casa!


Justamente a que fica em frente à nossa casa é que precisa acionar o modo turbina!
Calma, calma. Há uma previsão de término: às 22h.
Marido perguntou se é às 22h do último andar do prédio.
Valha-me! Que estou tão atordoada com tanto barulho que nem pensei nesta possibilidade.


"Seu Obama, Seu Obama, olha a espionagem."





quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Acordar escrever britadeira brigadeiro

Uma fresta da janela se ilumina. A mais alta. Mesmo dormindo, não sei bem como, mas percebo.
É como se fosse um carinho da manhã a me despertar com um sussurro.
Mais ou menos, à metade da janela ensolarada, desperto.
Espreguiço demoradamente, inspiro profundamente algumas vezes, tendo a sinfonia de pássaros como música de fundo.
Massageio meus pés e só depois saio da cama roçando a camisola longa de seda pelo chão.
Café preto muito quente completa meu despertar.
Troco de roupa, coloco sapatos confortáveis porém com salto. Gosto de ouvir o salto batendo no assoalho.
Dirijo-me até a edícula.
Abro as janelas e antes de puxar as cortinas deixo-as esvoarem com a leve brisa.
Sento-me e pouso minha mão na folha em branco enquanto a outra pega o lápis. A ponta negra tão bem afiada toca a folha ao mesmo tempo em que o sol produz um brilho incrível em toso o lápis.
Começo a escrever. Assim sigo em meu dia, em minha rotina.

Ah! Ainda bem que você não acreditou em nada disso, né?
Isso descrito aí em cima é um sonho. Um sonho onírico e também no sentido de sonhar e desejar que um dia seja assim. 
Porque hoje acordei foi com uma britadeira na porta de casa e pensei que fosse algum pesadelo, alguma confusão que eu estava fazendo com a obra ali do lado da praça, mas não. Era exatamente na minha porta.




Lembram que pintaram uma seta amarela em frente do meu portão. Faz tanto tempo que nem estava conseguindo achar aqui no blog. Foi em maio, clica aqui para ler.
Pois bem, eles, da companhia de água, chegaram isolando a rua, ligando a britadeira e dizendo que há um vazamento, por isso a seta amarela, que pode até comprometer a estrutura da casa.
Nossa, ainda bem que eles vieram rápido. Demoraram só alguns meses...

Às vezes eu sinto que tenho incubado em mim um livro de umas 660 páginas. Mas como escrever na tranquilidade das manhãs ao som de uma britadeira?

Vou aproveitar que o corretor ortográfico não aceita que eu escreva britadeira e sugere substituir por brigadeiro e vou fazer uma panela enorme e comer tudo que é pra deixar a panela limpa pois vamos ficar sem água novamente.




terça-feira, 19 de novembro de 2013

Divagações de uma praça


Oi.
Eu sou a praça.
Isso mesmo que você leu: a praça.
Sou a praça que fica bem em frente à casa da dona deste blog.
Preciso desabafar porque estou com medo e dizem que quando temos medo faz bem falar sobre ele.
Do que eu tenho medo?
Tenho medo da sombra, do escuro que começa a me tomar e não é de nenhuma nuvem. Nuvem escura, nós, as praças, gostamos muito. Chuva que nos nutre. Mesmo as tempestades com suas nuvens muito escuras, ventos que por vezes arrancam uma de nossas árvores, também não temos medo. Sabemos dos ciclos.
Essa sombra a que me refiro, é de concreto.
Ergue-se num ritmo assombroso uma enorme construção.

Ouvi dois senhores, que sempre se encontram aqui na sombra que as copas fazem para conversar, dizerem que será um imenso edifício.
Antes, o vento soprava, assoviando livre antecedendo o sol que nasceria em poucos minutos. Acordava os galhos das árvores, a passarinhada, as formigas, lagartas, assanhava as minhocas.
Ele chega agora ressabiado; remexe somente as folhas mais altas e já não brinca com os dente-de-leão tão rasteiros. Vai embora apressado. Comentou lá num ninho alto que tem medo dos homens de vermelho que trabalham quase encostados aqui em mim.

Talvez seja somente um receio passageiro. Já me disseram que quando estiver erguida a torre gigante, as árvores daqui roçarão janelas e poderão ver bebês sorrindo em seus bercinhos ou pessoas sorrindo ao tomarem um café juntas e logo o vento voltará como antes.

Estou me esforçando para pensar desta maneira, porém não é nada fácil para uma praça que tinha uma amplidão para enxergar.

Outro dia, era um domingo, veio uma moça sentar-se aqui para ler seu jornal. Fiquei tão feliz pois teria companhia por um bocado de tempo. Mas a moça leu o jornal muito rápido e me confessou: jornal de domingo, só no primeiro caderno tem 12 páginas com publicidade de empreendimentos imobiliários.
Fiquei a imaginar que deve haver outras praças na mesma situação que eu.

Também fiquei com vontade de conhecer um país, do qual não me lembro o nome. É que um casal conversava aqui enquanto observava a construção e contava que neste país, onde as pessoas têm olhos que se parecem luas minguantes, tão lindos, tão delicados, tem um tal de feng shui, que não sei se é uma pessoa, uma lei, um jeito de pensar e construir ( o barulho da obra me atrapalhou de ouvir ) e esse feng shui jamais permitiria que se construísse um prédio encostado numa praça. Explicaram que seria harmônico que o prédio ficasse no meio do terreno e assim ele, o prédio, poderia admirar a praça e a praça, no caso eu, poderia também contemplar o edifício.
A moça também falou algo que me amedrontou ainda mais: "Capaz das pessoas abrirem as janelas e quebrarem os galhos com as próprias mãos".
O moço já acha que não haverá janelas para o meu lado. Só uma fria e imensa parede. E completou dizendo que são os negócios gananciosos que fazem isto.

O jeito é esperar. E uma das minhas maiores virtudes é a paciência.
Pacientemente suporto períodos de seca, aguardo a floração, o ovo ser quebrado dentro do ninho e depois o bichinho criar penas.

Bem, obrigada por me ouvir.
Um sopro.
Assinado: a praça