domingo, 12 de janeiro de 2014

2/52


Sugestão lida num blog delicioso feito picolé de melancia.
Tudo tão simples, tão possível.
Com todos os ingredientes à mão: crianças, férias, calor, mas muito calor, mangueira, água, alegria foi fácil sorrir e se divertir!
E se quiser se refrescar vendo mais fotos, clica aqui!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Autorretrato

Décadas atrás, ( não revelerai quantas! ) nesta mesma época, segunda semana de janeiro, mamãe me levava para tirar fotografias 3 x 4 para a matrícula na escola.
Os tempos eram outros, as matrículas eram feitas em janeiro e as aulas começavam somente lá no final de fevereiro, com um pouco de sorte com a data do carnaval, só em março colocávamos o uniforme.

Era preciso pegar ônibus pois em nosso bairro não havia nenhuma loja fotográfica.
Íamos até o bairro da Penha; exatamente na rua Penha de França onde se avizinhavam uma loja fotográfica ao lado da outra.
Parávamos primeiro em frente a vitrine. 
Era fascinante a vitrine das lojas fotográficas. Aqueles pôsteres enormes expostos, diversos modelos de álbuns fotográficos, máquinas, poucas porque não haviam muitos modelos e também filmes da kodak em suas caixinhas amarelas.

Mamãe entrava na loja segurando minha mão e perguntava quanto custava a foto 3 x 4. Já se podia escolher entre a colorida e preto e branco.
Preto e branco foi uma opção em anos consecutivos até o preço da colorida ficar com pouca diferença.
Isso da cor da foto nem importava.
Também não havia muita diferença entre uma loja e outra. Mamãe escolhia pela simpatia do retratista, geralmente o mesmo do ano anterior.
Muitos japoneses no ramo, mas quem nos atenderia tinha traços mais italianos. Talvez fosse a boina, talvez fosse espanhol. Nunca soube.

O estúdio fotográfico ficava nos fundos de qualquer uma daquelas lojas e ao passar por em curto corredor, meu coração disparava.
Havia o banquinho e ao redor deles os enormes guarda-chuvas prateados.
Em um cantinho, um móvel com espelho e escova de cabelo.
Sempre tive vontade de me pentear ali, mas mamãe era enérgica - não usa isso.
Tirava a minha própria escova de cabelo que lembrara de colocar na bolsa e me ajeitava, sem dar mais explicações.
O lugar era cheio de silêncio e luz.
Para mim era um momento muito tenso. Não podia mexer e tampouco piscar os olhos.
 ( até hoje penso se alguém saiu com os olhos fechados no 3 x 4 analógico )

Ficava pronto em dois dias. Ninguém reclamava. Era assim para todo mundo.
Já fora da loja mamãe me explicava sobre não poder usar a escova de cabelos da loja de fotografias.
Piolho. Para mim uma resposta sem a minha total comprensão. Nunca tinha tido um piolho. Não havia google para me mostrar um 3 x 4 dele.

Dois dias depois fazíamos o mesmo trajeto para ir buscar a fotografia e aproveitar para fazer a matrícula.
Entrávamos na loja segurando o papel carimbado de "pago"e dentro de mim uma euforia que minha mãe conseguia conter somente com o olhar dela. Eu teria ficado bonita no retrato?
Ela me mostrava rapidamente enquanto perguntava o preço daquele pôster exposto na vitrine.
Sempre acima das possibilidades.

Todo ano era a mesma coisa. A mudança foi quando pude fazer a foto colorida.
Não me lembro ao certo, mas houve um ano em que não precisei fazer as fotos 3 x 4; no seguinte já havia uma certa pressa no tempo e encontramos uma cabine com fotos que "sai na hora". Além de pequeno, o espaço era escuro e não havia escova de cabelo fosse com ou sem piolho, muito menos guarda chuva prateado. A foto não ficara boa. Isso nem importava, era só uma foto. Ano que vem fazia-se outra. Não podia é perder o prazo da matrícula. Agora as aulas já começavam no início de fevereiro. Já havia pressa por tudo.

Quando já maior fui fazer um passeio pelas ladeiras e ruelas da Penha senti uma tristeza analógica. Já não havia nenhuma loja fotográfica com suas vitrines.
Para onde teriam ido os irmãos fotógrafos e  sócios Takei e Takashi?
Na grande loja do senhor de boina, a grande novidade do consumo, uma grande loja de 1,99.

Três trilhões de fotografias serão tiradas neste ano de 2014.
Senti um pouco de saudade da minha meia dúzia na capinha vermelha.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Desafio 52 semanas

1/52


Ano passado já tinha acompanhado este desafio em alguns blogs. E agora em 2014 resolvi tentar!
Consiste em postar uma foto por semana, completando ao final do ano as 52 fotos. Já vi blogs só com fotos de objetos, outros de lugares. Irei mesclar um pouco de tudo - isso se conseguir!
E caso não tenha uma foto "fresquinha", vou me valer das mais antigas.
Esta primeira foto que abre o desafio, não foi tirada por mim.
Foi feita pela minha filha Júlia - 8 anos - são seus próprios pés e toda produção foi idealizada por ela mesma, o que me deixou muito orgulhosa! 
Achei a foto linda e realmente me surpreendeu!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Silêncio


No silêncio deste acolhimento tento apaziguar o coração, que na verdade, não é coração, é cérebro.
Tento lavar com  água cristalina as imagens manchadas de sangue. Não o sangue da vida, o sangue que a violência faz jorrar. Imagens que mesmo sem ter atravessado a retina, existem.
sangue
seiva
orvalho
lágrima

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ainda Ano Velho

Já vi muitas fotos de fogos, roupas brancas e douradas, comidas, réveillons com e sem acento.
Já li retrospectivas e expectativas e promessas para 2014.
Mas, eu continuo no ano velho.

Como muitos já devem saber, eu estava sem calendário, porém não é esse o motivo pelo qual ainda me encontro no velho ano.
Eu ganhei um calendário sim!


Só que ele é chinês.
Então, só dia 31 de janeiro que poderei comemorar o ano novo!
E vou emendar o feriado. Será que chinês emenda?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O caso da teia

"Teia" no caso significa casa, telhado, moradia, telha.

Há tempos que eu queria descrever algum causo onde fosse possível se deparar com a sabedoria da dona Sebastiana.
Encontrei!
É o caso da teia. Especificamente da teia do Antônio ( seu marido ).
Foi-me contado por ela mesma e agora vou recontá-lo, usando algumas palavras dela.

Sabe Paula que quando eu estava acamada, ( ficou três meses pela fratura na perna ) o Antônio veio conversar comigo e disse que estava muito triste porque tinha chegado nesta altura da vida sem ter uma teia. Criou 12 filhos, todos têm teia e só ele que não.
Eu disse pra ele largar mão de bobagem que nós estamos muito bem aqui na casa do filho. E que não é possível, que agora que já estamos quase fazendo a curva da vida, nosso filho vai por nós pra fora. E se fizer isso, ainda tem 11 filhos. Um deles há de acomodar nós dois.
Falei isso pra ele, mas ele continuou uns dias cabisbaixo. Então eu vi que a coisa era muito séria e aí eu fiquei duas semanas sem dormir, só matutando.
As meninas ( filhas que se revezavam em cuidá-la ) achavam que era por causa da perna. Eu num contei que era por causa da teia do Antônio.
Matutei, matutei e pensei: se eu morrer agora, eu não vou ter sossego do lado de lá porque deixei o Antônio aqui triste sem ter teia. Se ele morre primeiro que eu, vou ter duas tristezas - de ficar sem meu companheiro e de ter deixado ele partir sem a sua teia.
Mas Paula, eu só quero sair daqui direto pro cemitério.
Chamei o Antônio e disse que eu ia ajudar ele a ter a teia. Vendi minhas galinhas, vendi as vacas que eu tinha, juntei um dinheirinho que tava guardado dentro de um travesseiro, e dei tudo pra ele.
Ele tinha mais um pouco e comprou o terreno.
Tem que ver como alegrou esse homem Paula!

Você foi lá ver a casinha? É boa?

Casa contruída, prontinha e aí...
Começa o muda-não-muda.
Então a voz de Tiana sentenciou: " Eu disse que ajudava o Antônio a comprar e construir, mas nunca disse que iria mudar daqui. Ele não queria uma teia? Agora já tem. Mudar, eu não mudo não.

Ah! E já esta à venda a teia do Antônio!    

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Túnel

"Como planejado, entraram no túnel com seus risos e cantos, beijos e abraços, a poucos minutos da meia-noite.
Quando esta chegou, os gritos e uivos reverberaram pelas paredes, confundindo-se com as buzinas, e ao sair no outro lado, já era o Ano-Novo - 1968."

Ruy Castro 01/01/2014



Não passamos o ano novo exatamente dentro de um túnel, mas eu gostei da ideia!
As fotos acima são do marido, meus filhos e eu ( invisível ) atrás, dentro de um túnel no Rio de Janeiro.
São dessas coisas que só turistas fazem...
Pensando melhor, não quero passar o ano novo ali não.
( é bastante fedido ).

Um ano perfumado a todos nós!