terça-feira, 21 de julho de 2026

Você foi um bebê cheiroso?

 Você foi um bebê cheiroso?

Eu não tenho essa resposta de maneira clara, óbvia, já que minha mãe e meu pai não estão mais comigo para puxarem a resposta da memória olfativa.

O ano era 1971. E as fraldas eram de pano. 

Creio que sim, que eu fui um bebê cheiroso. Havia o talco johnson com o qual as mães pulverizavam as dobrinhas de seus bebês. Talvez uma pomada de assaduras, um vick vaporube no peito, um chá de camomila e tudo isso compunha a fragrância dos meus primeiros meses de vida.

Muitos anos depois, lembro-me da Valdete.

Amiga de mãe, Valdete andava sempre com a sua mãe, dona Santa, as duas numa variant azul claro.

Depois da morte do marido e pai, o sustento delas vinha dos produtos Avon, vendidos no catálogo.

Um dia Valdete nos chamou para ir em sua casa. Passamos pela variant azul na garagem e chegamos logo na cozinha. Mas eu ganhei uma surpresa especial, Valdete me levou para o quarto dela e disse que eu podia abrir e sentir "tudo" o que estava ali.

Eu nunca tinha visto nada igual -  a penteadeira da Valdete era imensa, ou eu era ainda muito pequena.

Sentada na banqueta, espelhos em três partes e por toda a superfície do móvel, frascos diversos de perfumes, cores, tampas, aromas.

Fui abrindo cuidadosamente um a um, porém tanto tempo já passado, tenho lembrança apenas do frasco cuja tampa era uma maçã. Tempos depois minha mãe encomendou um para mim.

Na escola, eu, uma mocinha ginasial fiz a besteira de comprar um perfume " errado" para mim.

Havia uma garota que se destacava de todas as outras. Era alegre, falante, sorridente, destemida e usava um perfume marcante. Criei coragem e um dia perguntei-lhe do perfume. Ela me respondeu como quem não dá muita importância ao assunto e foi-se rindo e dizendo " ih, pego dos meus irmãos, o Gersinho fica muito bravo comigo que eu estou acabando com o perfume dele, nem ligo.""

Styletto do Boticário.

Pus-me a economizar o que podia e logo estava com o meu styletto. Me senti até com um pouco de medo, mas passei atrás das orelhas e nos pulsos.

Meu pai foi o primeiro a indagar que cheiro esquisito era aquele que eu estava usando.

Pisei na escola e tive meu coração pisoteado de tanta chacota.

Devo ter dado o perfume masculino para meu pai mesmo. 

Com quase 55 anos, não tenho uma identidade olfativa. Passo tempos sem perfume, às vezes ganho algum, compro pouco. Não me identifico com os aromas doces.

Daquele desastre do perfume masculino na adolescência, ficou o fundo amadeirado que até hoje gosto e tento encontrar nas fragrâncias femininas.

Nunca tive um chanel n 5 ou outro perfume muito caro.

Meu marido diz que sou mesmo uma eterna alma de flores!

E ele ainda tem a ousadia de mandar a foto e um "lembrei de você!"


Quero comentários bem perfumados! Contem se foram bebês cheirosos e sua relação com os perfumes hoje!





domingo, 28 de junho de 2026

Perrengues

 Ah! Os perrengues merecem um registro para que possamos rir ao nos lembrar!

Estivemos no Rio de Janeiro, no nosso apartamento, que agora já tem internet.

Mas, não tem nem camas, nem cortinas.

Eu me arranjei num canto e marido em outro.


Lembro-me de marido ter se deitado sobre três colchões, para parecer mais com uma cama, ele me disse.

Porém depois do alarme da Defesa Civil, que disparou o coração de muitos, marido não conseguindo dormir, julgou que o problema era a claridade da janela com a falta de cortinas.

Foi engenhoso e criativo!



 Entre sustos e perrengues, aproveitamos bastante para caminhar, passear.

Precisamos fazer uma manutenção nas janelas que já está marcada para julho e no futuro, as cortinas.

Por enquanto esse modelo de dormir criado pelo meu marido, vai dando um jeito!

Boa semana, sem perrengues 😉

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O homem do tiktok

 A empolgação na voz da vizinha era algo a se considerar.

Ela havia conhecido um novo estabelecimento, não muito longe.

" Dá para ir a pé " - disse efusiva.

Tratava-se de um café. Além do nome da rua, deu-me uma outra referência - " você vai ver a fila, fica pra fora de tanta gente".

Fui. A pé.

E encontrei exatamente a descrição passada. Gente saindo para fora.

Já que vim, fico.

Não demorou muito para que eu conseguisse entrar. Pedi uma broa. Avisou-me o dono, que cuida de tudo sozinho, que estava no forno assando, que era pra eu ter um tiquinho de paciência.

Fiquei por ali, enquanto aguardava meu pedido sair do forno. E então entendi!

Com um sotaque mineiro, o dono vai dando conta da clientela que não reclama. Ah, não tem como reclamar quando ele solta: "Olha meu filho pega essa lasquinha de queijo que é pra você se acalmar que daqui a pouco eu pego seu café para moer".

Coando café, moendo café, servindo um queijinho, olhando a broa... ele revelou o segredo do sucesso.

" Olha minha gente, eu já estou aqui há nove anos, quase fechei por várias vezes porque ninguém entrava, só gato pingado, quase fali. Aí num domingo eu estava na sorveteria com a minha filha e um sujeito parou e falou - olha, você é o homem do café? Te vi lá no tiktok!

" Eu nem sabia o que era esse "tar" de tiktok mas depois disso, só gente entrando e falando que eu sou famoso nesse tiktok e agora é assim, gente até do lado de fora! "

Fotografei enquanto esperava, levei minha broa para casa, e é boa mesmo, e ouvi quando ele falou para uma senhora que estava entrando.

 - A senhora me "descurpe" mas eu só vou terminar de atender aqui esse povo e vou fechar, que eu fecho às quatro horas e olha, vou falar pra senhora, depois das quatro não é bom não beber café. A senhora "vorta" amanhã um cadinho mais cedo que eu vou te dar um queijinho com doce de mamão pra compensar que a senhora chegou tarde hoje.

É de uma sinceridade esse homem do tiktok!

E eu acredito que o sucesso está mesmo na simplicidade do lugar, no cheiro do café no ar, da prosa que vai oferecendo, de um passado analógico em cada objeto ali colocado.

Vou deixar as fotos para vocês também apreciarem!

Notinhas: fiz exames e tudo está ótimo com minha saúde, estou muito bem.

Minha filha Júlia voltou a sorrir, voltou a alegria a lhe visitar! 











Quem aí se lembrou dessa enceradeira?!
Beijos!




sexta-feira, 8 de maio de 2026

Um delicado poema

 O poema que postarei abaixo, não é meu.

De autoria de Beto Furquim, é um poema que me toca profundamente. Fazia tempo que queria trazê-lo e agora o contexto do dia das mães, é a oportunidade que não deixarei passar!

Triste, delicado, bonito. E um feliz dia das mães a todos que por aqui passarem!


Banhei minha mãe


ela pediu

a cuidadora faltou

só tinha eu


banhei minha mãe

não sabia

onde ficavam

suas roupas


banhei minha mãe

vi seu corpo

tão pequeno

só essência


banhei minha mãe

na verdade

era só

começar


banhei minha mãe

pus a mão ensaboada

na vagina

minha origem


banhei minha mãe

ela não quis 

molhar

o cabelo


banhei minha mãe

os pelos púbicos

nem todos

brancos


banhei minha mãe

as pernas

resumidas

à metade


banhei minha mãe

os seios operados

não lembram 

mais nada


banhei minha mãe

ela disse

que as costas

estavam limpas


banhei minha mãe

mas lavei

o vão

entre os dedos dos pés


banhei minha mãe

adiei

o momento 

de desligar a água quentinha


banhei minha mãe

agora

sou capaz

de tudo

Beto Furquim




Amor de mãe

 💕  Vamos brincar com a Chica 💕



Palavra da semana: umbilical
Uma frase com sete palavras

Seu coração umbilical me levou até você.

Minha mãe me adotou, assim não fui gerada em seu ventre, mas foi no seu coração transbordando de amor que nasceu o cordão umbilical que me envolveu com tanta ternura.

Participando no Sementes da Chica dessa interação, aproveito para deixar meu abraço a todas as mamães!








quarta-feira, 6 de maio de 2026

Dica de filme

 Se tem algo que não gosto de postar, esse algo é: dica de filme.

As plataformas são as responsáveis pela minha indisposição. São muitas, são inúmeras, são diversas as plataformas de streaming e na maioria, com raras exceções, são pagas. E não param de se multiplicar.

Já fiquei descontente ao ler sobre uma dica de filme e o mesmo estar disponível naquela plataforma que eu não assino!

Ah como era bom lá no passado onde imperava a netflix!

Embora eu tenha tido muita resistência em assiná-la, acabei por fazê-lo. Já usei muito, já fiquei ano inteiro sem assistir nada, enfim...

Cá estou com minha dica de filme.

E tem um motivo para minha indicação: fazia muito tempo que eu não dava boas gargalhadas com um filme!

Então se você é assinante da Netflix e gosta de comédia, minha dica é um filme italiano sobre caminhada e transformação ( ah eu sigo ainda com a energia do caminho da fé! ) especificamente o Caminho de São Tiago de Compostela.

Ah, e tem um fotografia linda!



Vou aproveitar e indicar um outro, muito mais reflexivo. Esse é uma comédia dramática. Mas eu diria que é menos comédia e mais drama, porém o lado divertido dá uma leveza à história.

Além de muitas reflexões, esse é um filme tailandês, o que nos coloca em contato com tantos elementos de uma cultura diferente.


Se você assistir, volta aqui para contar suas impressões.

Se não for assistir, aproveita e me conta como é a sua relação com as plataformas de filmes. Você assina várias, dá conta de assistir a muitos filmes, séries. Indica alguma plataforma menos conhecida?

Ah! E se quiser indicar um filme, deixa aí nos comentários!

Um beijo!


quarta-feira, 22 de abril de 2026

A caminhada

 A fotografia foi feita pela motorista do Uber que nos deixou no ponto inicial da caminhada. 6h28min.


Fizemos uma breve oração e exatamente às seis e meia iniciamos a caminhada.

Primeiro subir. E subir muito!

Estava bastante frio, três graus. Porém o subir logo nos aqueceu.





A primeira vista bem bonita!





Mas ainda havia muita subida.


Aqui estávamos no ponto mais alto do caminho da fé!


A primeira parada às 10h18min. A fome já estava presente!


Abastecidos para enfrentarmos a temida descida das pedrinhas.

E pensa numa dificuldade...




É descida que não acaba mais. E descer com pedras soltas exige demais do corpo,  joelho e muita atenção.

Porém em meio à dificuldade, sempre alguma surpresa:


As pequeninas capelas espalhadas por todo o caminho!


Mesmo descendo, ainda estávamos bem alto! E olha só que espetáculo:



Aqui eu já estava exausta. Mas tinha ainda muita descida!


Pelo menos tínhamos vencido as pedrinhas. Agora era descida no asfalto.

E então surgiu-me o desespero para um banheiro. Beber água é muito necessário mas tem que sair!

Nem me venha com a ideia de marido - mato, vai no mato.

Eis que encontrei um banheiro.

Tudo bem que não tinha porta.

Nessa altura de desespero... nem me importei com as vaquinhas que me olhavam ao longe.

Precisei registrar!




Aqui já estava perto e eu quase sem forças!

Enfim chegamos à nossa pousada. Horário 16h 11min.

O cansaço era tanto que não tirei nenhuma foto da pousada.

Olha o tanto que andamos nesse dia!





Eu não sei que instrumento eles usam para fazer as medições, mas dá muita diferença pelo que marca o celular.


Nessa foto lá no início da caminhada, indica que a Pousada do Agenor fica a 26 km dali.

Nossa pousada ficava à 500m depois do Agenor.

E olha o tanto que andamos - 36,9km

Achei que não ia ter força nem para jantar!

Mas consegui; barriguinha cheia, muito cansaço fomos dormir e no dia seguinte, embora com dor na musculatura das panturrilhas, despertei muito disposta!

Tomamos café e saímos ainda antes da seis da manhã.



Encontramos cavalheiros que tínhamos encontrado no dia anterior.


E logo após a foto abaixo, uma dor no pé me fez parar e lá estava uma bolha.



Fiz curativo e ainda segui por um tempo, mas não deu para prosseguir.

Acho que a humildade foi uma das lições do caminho para mim.

Entrei num uber faltando menos de 5 km para chegar.

Tinha caminhado quase 16 km...



Marido seguiu firme e me encontrou lá na basílica!




Foi difícil, foi duro, foi agradável, lindo, tudo misturado!

Voltamos para casa no mesmo dia.

E sabe o que aconteceu depois?

Já estamos falando de uma próxima vez!!!