quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Água na jarra

E já que a simplicidade está nos envolvendo qual brisa fresca num dia muito quente, por que não falar da água?
Simplicidade completa, plena.
Hoje pela manhã ouvi na rádio, uma iniciativa aqui em São Paulo, chamada água na jarra que pretende conscientizar e reduzir o volume de garrafas plásticas.
Vale a pena uma espiadela no site.
Foi lá também que eu encontrei este vídeo e pelo que percebi numa postagem anterior o apreço pelo mar... gostarão com certeza!


Mais simplicidade pelos blogs? Aqui também tem!
E pelos outros estados, como anda esta questão?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A simplicidade do paladar


Tenho lido textos tão lindos falando sobre simplicidade.
Textos que me tocaram, marejaram meus olhos. E por isso vou escrever o que já está lá nas entrelinhas da simplicidade e que eu tenho refletido bastante ultimamente.
A simplicidade do paladar, ou talvez a perda da simplicidade do paladar.
Dia desses pensava num texto que queria escrever e não fluiu ainda, mas nos pensamentos haviam compotas. Doces em compotas.
E eu me dei conta de que minhas crianças não gostam desses doces. Chocolate é o que impera.
Quando são bebês é tudo mais simples e depois que crescem, o cuidado passa a ser redobrado para que não percam a simplicidade do paladar.
Hoje, especialmente, nas grandes centros urbanos, temos a facilidade de alimentos que fogem do sabor simples aliado à correria. Equação esta que pode ser desastrosa.
Mas não quero falar somente em saúde, doença, obesidade.
Falar do prazer de sentir o gosto simples de um alimento. Porque nós adultos, podemos bem comer beterraba por ser saudável, por precisar estar no cardápio. Mas e a simplicidade do paladar? De apreciar realmente? Tenho receio de nos distanciarmos dela aqui em casa.
Durante o período em que as crianças ficaram na fazenda, eu pude fazer um exercício muito legal do paladar, mas que infelizmente fica difícil quando se tem horários a cumprir, gostos diferentes durante uma refeição.
Nestes dias eu esperei que o meu paladar dissesse o que era para eu comer. Esperei sentir vontade. E tive vontade de quiabo, de jiló e também de torta de chocolate meio amargo. No dia a dia fica difícil conciliar sabores que satisfaçam a todos. O mais importante é preservar o paladar simples e isso não significa abrir mão de coisas gostosas.
Acho também que o período da gestação (salvo exceções!) tem um ligação com a simplicidade do paladar. De repente uma vontade de algo que precisamos naquele momento.
E você já sentiu a simplicidade do seu paladar lhe pedindo algo? Beijo

domingo, 7 de agosto de 2011

Um dia para viver

Não foi um despertar tranquilo
Agitação festiva, murmurinhos risonhos
Pela fresta o convite chegou
alaranjado, quente
Sol trazendo presente

Queriam logo sair
Palavras douradas
asas a voar
não para serem lidas
muitos não saberiam...

Palavras também sabem
se fazer em sentir
sentir a vida
presente
no tempo presente

Presente dourado
asas invisíveis
no ar transparente

Um dia para sentir
sentir a vida
presente do tempo presente
simplesmente a simplicidade
de viver

Ana Paula

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Eu e o mar

Com o mar não tenho nenhuma intimidade
Não saberia tirar o meu sustento do mar
Não saberia cantar a poesia do mar
Não saberia fotografá-lo, quer dourado ou prateado
Somos distantes na geografia e no envolvimento
Em mim a lembrança da criança brincando por suas areias
encantada com as ondas, com as conchas
Conchas do mar onde recostei meu ouvido e me encantei com música

Pela manhã minhas mãos em concha
lavam o sal do meu rosto
sonho dourado que correu a beira-mar
Diariamente a concha das mãos
onda doce a me despertar
Diariamente as ondas, as conchas do mar
Somos tão distantes eu e o mar.

Ana Paula

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Carro

Não tenho carro. Não tenho carteira de motorista. Não sei dirigir. E não pretendo ter um carro e nem a carteira e nem dirigir.
Essa história começou na ebulição dos hormônios, que na minha época foi ali pelos quatorze anos.
Elaborei um trabalho escolar, frequentando bibliotecas, xerox, pesquisando trabalhosamente entre vários livros, extraindo de um capítulo, juntando com outro e embora não me lembre mais o título do projeto, nele continha o seguinte: o Japão naquela época remota já utilizava água de reuso para lavar seus carros, era inadmissível lavá-los com água potável; num outro capítulo costurado a este estavam alguns, digo muitos países africanos onde morriam principalmente crianças por não terem água potável.
Juntando tudo isso com os hormônios recém-despertos, decidi que não teria um carro.
Adolescentes costumam ser bem radicais quando levantam uma bandeira.
E assim sobrevivi ao final do período colegial, quando todas as minhas amigas ganhavam de presente a carteira de habilitação dos pais, ou tios, padrinhos, enfim, tudo em prol dos dezoito anos. Eu ficava enfurecida. Não porque elas teriam a tão sonhada carteira, nesta época já tinha amadurecido a ideia de que cada qual com suas decisões e muito respeito quanto a isso. Enfurecia-me o fato delas estudarem placas de trânsito e não estudarem para prova e depois queriam que eu passasse cola.
Cheguei aos filhos sem carro. O que para muitos era absurdo a equação ter um filho sem ter um carro.
A gestação do Bernardo foi toda acordando às quatro da madrugada para pegar o metrô às cinco. Dizem que é por isso que ele gosta tanto de trens!
Fácil não foi. Mas que divertido, ah! Isso sim!
Claro que para trazer os grandiosos pacotes de fraldas em promoção tinha o carro do papai, mas eu me virava mesmo é no transporte coletivo e na sola do sapato.
Com a Júlia bebê de colo e o Bernardo bebezão de dois anos e meio, saíamos de ônibus e metrô. Não pense que eu carregava aquelas bolsas enormes de bebê. Era uma bolsa comum a tira colo, com uma fralda descartável, uma de pano, uma garrafinha de água. Ter mamadeiras embutidas no meu corpo era excelente! Nunca passei nenhum apuro e nem chegava a trocar a fralda.
Minha maior dificuldade era o retorno para casa. No ônibus dormiam os dois e depois para acordar o mais velho era quase um desespero. Descia com um bebê no colo e uma criaturinha cambaleando.
Agora, será que alguém me explica por que será que a “criaturinha” não dormia no seu berço macio, cheio de protetores e rococós para dormir sacudindo num coletivo?
Lembranças boas a parte, o fato é que há pessoas que realmente necessitam de um carro, inegável o quesito conforto, comodidade.
Aqui em São Paulo e acredito que nas grandes capitais ocorre o mesmo, está se tornando cada dia mais difícil dirigir. Seja pelo trânsito, acho o principal, vagas para estacionar cada vez mais restritas, alguns já pensam na poluição e tudo isso me mantém distante dos carros.
E vocês vão me agradecer por eu não estar nas ruas dirigindo. Vou contar um segredo: eu adoro olhar bueiros, lá dentro, lá no fundo deles. Já imaginaram eu dirigindo e olhando os bueiros?!
Sou mais feliz com um bilhete único recarregado do que com um carro! Mas incentivo quem vai em busca de se motorizar ( para você Angi!).

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Transferência



Theo. Não sei se de Teófilo ou de Teodoro.
Ou simplesmente Theo. Nosso cachorro.
Ele não é um cachorro poeta como o do Marcílio, mas descobri que ele é um cachorro “transferência”.
Chegou em casa porque minha filha Júlia tinha pavor de cachorros. Andávamos em ziguezague pelo bairro. Ela sabia todos os portões que continham um cachorro pelo lado de dentro e me fazia atravessar a rua. E quando avistava um canino vindo em nossa direção? Tremia de corpo todo.
Veio então o Theo. E algo surpreendente aconteceu. Sim ela perdeu o medo de cachorros. O surpreendente foi que ele, o cachorro ficou com medo de outros cachorros.
Que dificuldade é passear com o Theo pelas ruas. Andamos em ziguezague, porque se ele avista um semelhante, é preciso atravessar a rua, de tanto que treme.




As crianças chupavam o dedo. Pararam.
Quem passou a chupar o dedo das crianças?
O Theo.
Não dorme sem antes dar uma “mamadinha”nos dedinhos ainda pequenos. Dedos adultos ele dispensa.
Bem ele poderia se chamar Transferência!

E hoje ele completou dois aninhos.
Parabéns Theo, adoramos nossa convivência entre medos e dedos!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nuvem

Estou nas nuvens!
Minha internet voltou e poderei abrandar a saudade dos blogs e amigos queridos. Ler o que ficou para trás, comentar, voltar a escrever...
Mas uma nuvem de preocupação tem me tirado um pouco o entusiasmo. É essa história de que os nossos dados digitais, nossos arquivos, fotos e outros apetrechos que povoam nossos computadores poderão agora  ir para uma nuvem. Eita tecnologia rápida como os ventos! Quando eu me acostumava, chega essa tal de nuvem.
Nuvem para mim sempre foi poética, sonhadora, ainda mais depois que li um livro em que a menininha órfã via sua mãezinha correndo no céu a empinar uma pipa feita de nuvem.
Nuvem me lembra o algodão doce, os desenhos que eu fazia na infância, deitar na grama em boa companhia e conversar sobre os desenhos que as nuvens formam.
Também é uma boa puxadora de conversa: “bom levar guarda-chuva, viu as nuvens, acho que vai chover”.
E dar uma boa caminhada para desanuviar os pensamentos? Ah! Como funciona.
O jeito é se preparar para as mudanças.
Então comecei a planejar a minha nuvem. Fofinha, igual àquelas que os anjinhos adormecem, muito branquinha e bem contornada. Poderia tirar uma foto dela e mandar para o blog da Chica dizendo “olhe minha nuvem, não é linda?”.
Eis que chega uma nuvem cinza, carregada.
Não poderei ter uma nuvem só minha, irei habitá-la com outras pessoas.
Então pus-me a escolher. Queria lá na minha nuvem, primeiro uma amiga blogueira com mãos de fada, dessas que transformam, arrumam e deixam tudo mais bonito. Ah! Nossa nuvem seria linda e organizada para receber mais amigos.
Um raio espantou meus devaneios. Não poderei escolher. Algum chefe de nuvem escolherá aleatoriamente quem vai comigo pra nuvem.
E como diz meu filho: “E se for uma pessoa má?”.
Ai, ai, ai. Essa história de nuvem está muito confusa. E se me colocarem com alguém lotado de arquivos, vou ficar lá espremida?
Meu horizonte está agora anuviado.
Será que quando eu olhar para uma nuvem, ficarei mais inspirada com tanta coisa pairando acima da minha cabeça, ou isso vai é me confundir?
Pensar que nuvem é a última palavra no meu dicionário da letra N e agora a primeira nos meus pensamentos.
E qual é a sua nuvem?!