sexta-feira, 11 de maio de 2012

Um outro olhar





Por vezes nos exaurimos em questionar, em reclamar, em tentar encontrar respostas...
Por vezes poderíamos mudar um pouco o olhar.
Acontecimentos ruins poderão deslizar para dentro de nossas vidas. Assim é o viver:  acontecimentos.
A qualquer instante podemos modificar o olhar.
O olhar dos olhos, o olhar do coração.
Suavize asperezas.
Transforme os olhos!

Aos que irão comemorar o dia das mães, beijos
Aos que não comemoraram, beijos.
Celebremos pois o viver!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dia 10

Dia 10, dez fotos.
Lembrei logo cedo do projeto e aproveitei que precisava ir até o centro da cidade para fazer minhas fotos em forma de protesto.
Não são fotos bonitas. Retratam o descaso das nossas autoridades, o mau uso do dinheiro público e também a má educação das pessoas.
A tradicional praça central, com coreto e chafariz das cidades interioranas, servem mais como banheiro a céu aberto.
Construções históricas se deteriorando enquanto perduram as disputas judiciais.
Um pouco de charme por conta do "equipamento"do engraxate, os pombos urbanos.
E muito charme da minha filhota para finalizar!























quarta-feira, 9 de maio de 2012

70 anos de casamento


Neste mês de maio eles comemoram 70 anos de casamento.
Sebastiana e Antônio.
O "casalzinho"como meu marido se refere à seu pai e sua mãe.
O casalzinho que não se sabe quando no calendário deixou de ser dois. Eles estão tão entreados um no outro, que são um.
Esta foto é do ano passado.
Não querem comemorações. A comemoração é silenciosa. Alegram-se com os filhos, netos, bisnetos que chegam, saem, voltam, visitam, ficam...
Durante o dia sempre há uma companhia com eles.
Ao entardecer, lá na roça das Minas Gerais, ficam apenas os dois.
Os olhos, os ouvidos já estão enfraquecidos, mas conversam entre si e muito.
Sempre um queijo para vender, bezerros para negociar.
Vida simples com uma riqueza de detalhes incontável.
Eles nem sabiam ao certo quantos anos de casado fariam neste mês de maio. Uma brincadeira do tempo com eles.
Parabéns pela lição de companheirismo!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Rua da Felicidade


Você já se imaginou tendo este endereço?
Morando, vivendo na rua da Felicidade?
Eu nunca havia dado importância para os nomes de ruas. Já morei em ruas, tive endereço que começava por  avenida, fiz pesquisa escolar sobre o significado do nome dado à nossa rua, mas...
Um livro infanto-juvenil veio para as minhas mãos e eu fiquei fascinada com a delicadeza, a verdade, a criatividade da história e das ilustrações.
Quintais - é o nome do livro, de Cris Tavares e ilustrações de Ana Terra.
Encantador.
Relata todos os tipos de quintais - daqueles enormes que até pomar têm, até aqueles que são somente um corredor.
Após a leitura, fui logo procurando se havia algo falando da escritora, da ilustradora.
E o que eu encontrei?
A rua da felicidade, onde a Cris, autora, cresceu em meio a muitas brincadeiras no seu quintal e tendo esse endereço que é pura poesia!


Havia um e-mail e eu escrevi. Na resposta ela me confirmou que residiu sim na Rua da Felicidade ( eu havia me confundido e perguntado se ela morou na rua da Alegria! ), mas que a rua mudou de nome...
Herbert Baldus é o que vem escrito nas correspondência.
Se esse tal de Herbert foi um sujeito feliz a ponto de ser sinônimo para a rua, eu não sei.
Sei, que eu que nem conheci a rua, fiquei indignada pela troca. 
Porque não podemos ter nomes de rua assim, tão simples quanto a felicidade, algodão doce, voo de borboleta?


E sabem qual é o nome de rua mais comum no Brasil?
Um.
Rua Um.
São 3079 em todo o país.


A explicação é que são nomes provisórios, que acabam ficando para sempre.
E quem o poder de renomear as ruas são os nossos queridos políticos.
Que se esmeram caso o terreno localizar-se num lugar central; porém se for na periferia, fica um mesmo.


E se algum dia, eu for eleita política, prometo acabar com os nomes de rua um.
E já estou aceitando sugestões!


Se você pudesse mudar o nome da tua rua, seria qual?
Eu queria morar na Rua do Amanhecer. Também poderia se na Rua do Realejo, adoro o som que a manivela faz aparecer!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Blogagem coletiva


A primeira água

Éramos somente nós dois naquela manhã. Eu, com o corpo ainda fatigado pelo parto. Você com o corpo encolhido, tão pequenino.
Enchi o recipiente plástico com água e ali emergi seu corpinho.
Um misto de penumbra no interior do quarto e a luminosidade que espiava pela vidraça fechada, recoberta de fino cortinado, envolvia-nos naquele nosso momento.
Minha mão, firme e insegura, aparava tua pele macia; a outra, em concha, mergulhava naquela primeira água e escorria delicadeza e doçura.
A mesma mão que com intensidade e paixão toca o corpo de teu pai, a mesma mão que agora se traduz em poesia e acalanto para tocar teu corpo tão pequenino.
Decerto você fora banhado no hospital, mas era a nossa primeira água...
Enchi cântaros com água cristalina jorrando do seio da terra; um cântaro com o mel mais doce. Colhi os raios mais macios do sol, aqueles do alvorecer que colorem as nuvens, aqueles do crepúsculo que adormecem o céu.
Percorri jardins buscando as mais perfumadas flores e pedi permissão à noite para despregar as estrelas penduradas por alfinetes no manto azul aos pés da lua.
Trouxe ainda boas palavras, olhar sereno, melodias de ninar.
Restou um pouco desta primeira água no fundo de um cântaro, acomodado em algum canto do meu coração.
Quando minhas palavras ficam rudes...
Quando minhas mãos deixam de acarinhar. Quando não vejo os alfinetes que penduram as estrelas, quando a paciência enfraquece... mergulho naquela primeira água.
Reencontro a poesia em minhas mãos, o mel nas palavras e me faço ninho para que deite encolhido com teu corpo crescido.


Crianças, vocês dois tiveram "a primeira água".
Escrevi para lembrá-los e  para me lembrar, principalmente naqueles momentos em que eu me destempero e tudo fica difícil, que existe doçura em nossas vidas, estrelas em nossas noites e sonhos.
E que é maravilhoso compartilhar a vida ao lado de vocês, meus filhos pequeninos, queridos e amados!
E que a maternidade tem o gosto desta primeira água de mel, sonhos, estrelas, perfumes.


Participe também da blogagem coletiva! Faça o texto e publique o link no blog Diversão em Família.
Vamos trocar intensas emoções!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Na janela


Poderia estar ali para que o sol evaporasse suas boas palavras escritas e as nuvens as chovesse sobre os telhados que seriam lavados com abraços, risos, fé, traquinagem de criança.
Poderia estar ali para que o vento carregasse a melodia de suas folhas e sussurrasse baixinho para as pessoas dançarem, por breve que fosse.
Poderia refletir lá na lua o amor enamorado, o amor apaixonado e a lua enlaçaria com seus fios cor de prata os que à  procura estão de um grande amor.


Tão somente ali está porque cheira a guardado de muitas décadas e faz espirrar o mais intrépido dos narizes, impossibilitando a leitura de uma frase sequer!
Ali ficará até que se desprenda os odores do tempo que viram nas páginas amareladas lugar ideal para um ninho.
Que venha o sol. Janelas abertas para recebê-lo.



Dei uma escapadinha para Curitiba estes dias. Com chuva e frio, delicioso mesmo assim!
De volta, com chuva e um pouco menos de frio. Hoje o sol, tímido, voltou a visitar o meu livro na janela e eu devargazinho vou voltando a visitar os amigos queridos.
Bom ler, bom compartilhar com vocês!
Abraços.

A morte

A morte envolveu seu corpo e sua alma. Um xale de seda a deslizar pela sua pele, roçando com delicadeza a alma.
Não estava enferma, tampouco familiares e amigos; não havia perigo iminente, possíveis catástrofes, pensamentos assombrosos, nem o ébrio das religiões ou o torpor dos sentidos.
Estava num momento simples, cotidiano.
Vicejavam seus músculos, seu olhar, seus sonhos.
Entregou-se à textura macia com uma aquiescência desconhecida em si mesma.
O brando calor do seu interior contrastava com a ausência de sol naquela tarde de inverno.
A vida pulsava ali abraçada, enlaçada com a morte, sem medos, sem repulsas.
e o tempo era tão somente uma palavra naquela entrega.
Era aconchegante e misteriosamente agradável. Deixaria seu corpo no auge do viço. Desprenderia sem resistência a luz do seu interior. Talvez um certo torpor, uma pequena ansiedade como naquele momento em que se percorre a ponte entre um olhar e outro até que se unam, pela primeira vez, os lábios enamorados.
Diferente do que já ouvira tantas vezes, o que lhe acontecia naquele momento não era um aviso, uma situação limite, um chacoalhão da vida.
Aquela morte que lhe havia tomado por inteiro, ser e matéria, era uma morte viva. Morte vida.
Não modificou drasticamente o seu viver. Foi dura, foi dócil. Os problemas, os obstáculos continuaram a surgir.
E a vida e a morte numa única linha de desdobraram para conduzir seu caminhar sob o azul do céu.