sábado, 31 de março de 2012

Faxina número 06

Faxina número 06 - A brincadeira das letras


As letras, as palavras, as frases resolveram brincar. Brincar de se transformar. E se esticaram, cirandaram, pularam, balançaram, sapatearam e então aconteceu!
Letras soltas, frases elaboradas, compêndios, constituições, artigos, textos... tudo virara desenho.
Uma linguagem que em qualquer língua se entendia.





sexta-feira, 30 de março de 2012

Faxina número 05

Faxina número 05 - Dia da Consciência Negra



Novembro do ano passado. Fomos a uma apresentação na comemoração do Dia da Consciência Negra. Ritmos e danças afros.
Qual a nossa surpresa ao chegar lá?
Cadê os negros?
Tal a admiração dos brancos, que eles mesmos eram negros por dentro e por fora.
E como seria bom que não houvesse necessidade de lutar por direitos.
Como seria bom que nossas etnias fossem em toda a sua beleza diversa, plena de igualdade.
Impossível não gingar o corpo sem jeito ao som da percussão, da animação!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Faxina número 04

Faxina número 04 - Os pés do pianista

A música entrecortava a aglomeração de rostos apressados, carrancudos, com o sono se debatendo nas pálpebras.
A música estava ali na estação Sé do metrô de São Paulo.
Assim que as portas da composição se abriram e eu e minha filha fomos impulsionadas para fora do trem, sentimos a melodia antes mesmo de sentirmos o ar pesado que impulsionava a nossa respiração.
Havia pressa em nossos passos, não em nossos ouvidos que nos conduziram à nascente do som.


Meus olhos foram enternecidos para os pés do homem sentado à frente do piano.
Não eram pés de um pianista. Por certo seriam sapatos lustrosos o invólucro dos pés de um pianista e não chinelas envelhecidas, sujas e esburacadas pelo uso.
As mãos causticadas por algum trabalho bruto ou pela brutalidade da vida, eram desprovidas de beleza, mas de uma suavidade fascinante.
Flutuavam e pousavam com tal leveza no teclado branco e preto que faziam a própria melodia valsar.
Após o fim da segunda canção, ele virou-se para seu público de cinco pessoas e recebeu abafados aplausos.
Na minha pressa, ainda havia um tempo para um dedo de prosa.
"Venho aqui todas as manhãs desde que colocaram o piano nesta estação. Toco de ouvido. Aprendi só de olhar quando eu era moleque. Era uma dádiva a gente poder ver e ouvir o pianista naquela vida seca do agreste".
Não era preciso mais explicações para compreender aqueles pés que também sabiam utilizar os pedais de um piano.
Levantou-se e misturou-se à multidão. 




Minha filha sentou-se e pousou suas mãozinhas sem jeito pela primeira vez em um piano.

terça-feira, 27 de março de 2012

Faxina número 03

Faxina número 03 - Sarau com música


Anônimos que se dispuseram à exposição, não importando se belos, feios, gordos ou altos, não há melhores, há vozes e seres humanos tornando o momento da existência daquelas pessoas que ali estavam, um momento especial. Música, melodias, danças, cirandas. Eu estava ali e foi especial.


Hoje também estou na Chica: fotografei um céu e ela docemente o palavreou!


E também estou na Cris com meu piquá! Participando do projeto terça-feira. Para quem já passou por lá e deixou um carinho, aos que vieram de lá pra cá, meu obrigada e minhas boas vindas. E se você ainda não foi, corre lá!
Uma delícia participar Cris, agradeço o convite!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Faxina número 02

Faxina número 02 - Em casa de ferreiro...

Ligaram da escola no meio da tarde.
"Ana Paula, aqui é da escola... é que seu filho caiu e a professora pediu para avisar, mas está tudo bem".
E meu coração não sobressaltou. Deveria mesmo estar tudo bem. Coração de mãe não se engana.
Até tentei encontrar um táxi, mas não havia nem pra remédio. Fui a pé mesmo. Passo apertado, daqueles de deixar a respiração ofegante.
Cheguei tranquila na escola e pedi para falar com a pessoa que me ligou.
Ela não está - foi a resposta.
Disse que eu era a mãe do Bernardo e me ligaram para vir buscá-lo.
Aguarde.
O coração acelerado pelo andar ligeiro lá ia se acalmando, retomando o compasso habitual.
O problema é que o garoto não aparecia. Que demora.
Foi então que eu ouvi - "A Maria foi para o hospital, vai ter que avisar a mãe que ele convulsionou".
A Maria, aquela que me telefonou e que agora não está na escola?
Aí o coração disparou.
E como eu estava sem chapéu, já fui logo gritando - cadê o meu filho?


Eis que ele aparece com a professora, que treme, que está pálida.  Mas ele está ali bem diante dos meus olhos com um curativo logo abaixo do olho.
Recobrei o compasso, conversei bastante com ele, confirmei que estava bem e saímos.
Ele queria falar imediatamente com o pai. Telefonamos, ele explicou o acontecido durante uma partida de futebol, eu peguei o telefone e aumentei um pouco a situação ( que era pra ver se ele chegava mais rápido! )
Só fomos ser atendidos depois de quatro horas...
Como diz o ditado "Em casa de ferreiro, o espeto é de pau".


Foram só alguns dias de inchaço, muita paparicação das meninas na escola, o ponto falso no atendimento domiciliar, chamegos e hoje nem marca pra contar a história!
Só a foto antes da faxina do celular.

domingo, 25 de março de 2012

Faxina número 01

Fui faxinar meu celular e encontrei bastante fotos ali que, quando eu as tirei, havia um significado, uma história e outras eram simplesmente fotos.
Escreverei sobre elas. Para mim será uma tarefa interessante. Faxino o celular que está ficando com a memória cheia e vou tirando a poeira do tempo e da memória. Espero que fique bom, espero que gostem!


Faxina número 01 - O ônibus de viagem.


Tirei esta foto assim que subi e me acomodei no ônibus de viagem.
Fazia uns bons anos que eu não viajava de ônibus. Com a popularização dos preços das passagens aéreas, era bem mais cômodo ir via nuvens.
Fato este que durou pouco - os aeroportos ficaram lotados, os voos atrasados, cancelados e ainda temos que pagar o cafezinho...
Com uma semana de antecedência, fui até a rodoviária. Tão diferente, tão mudada e bem mais ajeitada.
No guichê, mostraram-me a tela do computador para que eu escolhesse o assento. O ônibus inteiro disponível.
Ah! O meu lugar preferido esta lá, à minha espera.
Poltrona um - pedi.
Desculpe-me senhora, mas a um e a dois ficam disponíveis para passageiros da terceira idade - disse-me o funcionário.
Nossa! Que avanço! Que respeito! Nada mais merecido!
Um lugar privilegiado que facilita quem pode ter um pouco de dificuldade de locomoção e presenteia com a bonita paisagem que uma viagem rodoviária proporciona. Mais alguns anos e eu mesma poderei desfrutar de tal direito, de tal conquista.
E eu é que não quero saber disso.


Não que eu não queira ser da terceira idade, da melhor idade, da turma da envelhescência ou seja lá que nome vão inventar para a minha velhice. Quero sim envelhecer.
Só não quero me sentar é neste lugar reservado aos idosos.
Olha só:


Essa é a "paisagem"que vai adentrar pelas retinas de quem cultiva um passado extenso.
Uma poluição visual. Um monte de coisas coladas bem a frente.
Mas também é preciso ser justo - há muito humor ali escrito para quem conseguir ler.
"Obrigatório o uso do cinto de segurança ( nos veículos equipados com o mesmo )".
Adorei esta piada é obrigatório você usar, mas não é obrigatório que o ônibus tenha!
O que achou do lugarzinho especial, hein?!


sábado, 24 de março de 2012

É o chapéu

Descobri de onde vem a delicadeza das princesas! E não é do berço não. Porque tenho certeza de que as lindas princesinhas já se esgoelaram em seus berços de ouro por um colo, um afago, um leitinho, uma troca de fralda.
É do chapéu que vem tal adjetivo que praticamente descreve uma princesa - como ela é delicada!


Só pude comprovar a teoria da delicadeza  depois que tornei princesa.
O uso do chapéu é praticamente ininterrupto no meu cotidiano. Só tiro para dormir.
E foi o chapéu que me trouxe uma delicadeza que eu nem sonhava, mesmo quando sonhava que queria ser uma princesa.
Na hora de pendurar as roupas no varal, por exemplo, executo tal tarefa como se estivesse bailando um comovente ballet. É que a aba do chapéu bate e enrosca no varal. Então fico de lado, estico bem os braços para cima e coloco suavemente os prendedores.



A mesma delicadeza me toma quando vou colocar as roupas para quarar nos jardins do palácio. Não posso simplesmente curvar o corpo senão o chapéu cai.


Flexiono os joelhos mantendo o tronco ereto, levanto-me e vou para a outra extremidade da roupa para esticar-lhe e flexiono novamente os joelhos. Ainda bem que não tenho nenhum problema com meus joelhos, especialmente o esquerdo.
Mas, o momento de derradeira delicadeza tem sido mesmo com as crianças.
Estava de chapéu ( nem preciso ficar falando isso porque sempre estou de chapéu, desculpem-me a redundância) quando berrei com as crianças para que não fizessem alguma traquinagem; o som da minha voz reverberou, ecoou de tal forma nas abas do chapéu que parecia até que eu estava gritando.
Soube então que quando estamos de chapéu, a voz precisa ser delicada para ressoar com suavidade aos próprios ouvidos.
As crianças estão adorando levar bronca agora que sou uma princesa - ando delicadamente até eles, flexiono os joelhos e fito-os na altura dos olhos e com voz de acalanto sussurro:
"Queridos, este comportamento está inadequado".
Nossa! O que um chapéu faz na vida das princesas.