Descobri de onde vem a delicadeza das princesas! E não é do berço não. Porque tenho certeza de que as lindas princesinhas já se esgoelaram em seus berços de ouro por um colo, um afago, um leitinho, uma troca de fralda.
É do chapéu que vem tal adjetivo que praticamente descreve uma princesa - como ela é delicada!
Só pude comprovar a teoria da delicadeza depois que tornei princesa.
O uso do chapéu é praticamente ininterrupto no meu cotidiano. Só tiro para dormir.
E foi o chapéu que me trouxe uma delicadeza que eu nem sonhava, mesmo quando sonhava que queria ser uma princesa.
Na hora de pendurar as roupas no varal, por exemplo, executo tal tarefa como se estivesse bailando um comovente ballet. É que a aba do chapéu bate e enrosca no varal. Então fico de lado, estico bem os braços para cima e coloco suavemente os prendedores.
A mesma delicadeza me toma quando vou colocar as roupas para quarar nos jardins do palácio. Não posso simplesmente curvar o corpo senão o chapéu cai.
Flexiono os joelhos mantendo o tronco ereto, levanto-me e vou para a outra extremidade da roupa para esticar-lhe e flexiono novamente os joelhos. Ainda bem que não tenho nenhum problema com meus joelhos, especialmente o esquerdo.
Mas, o momento de derradeira delicadeza tem sido mesmo com as crianças.
Estava de chapéu ( nem preciso ficar falando isso porque sempre estou de chapéu, desculpem-me a redundância) quando berrei com as crianças para que não fizessem alguma traquinagem; o som da minha voz reverberou, ecoou de tal forma nas abas do chapéu que parecia até que eu estava gritando.
Soube então que quando estamos de chapéu, a voz precisa ser delicada para ressoar com suavidade aos próprios ouvidos.
As crianças estão adorando levar bronca agora que sou uma princesa - ando delicadamente até eles, flexiono os joelhos e fito-os na altura dos olhos e com voz de acalanto sussurro:
"Queridos, este comportamento está inadequado".
Nossa! O que um chapéu faz na vida das princesas.