ler Livros em edições antigas é um prazer
que protejo em mim. algo na fragilidade das folhas
me comove
e me torna grave como eu era na infância
ao carregar esse animal delicado
que precisa se manter vivo
até mesmo quanto toco
a sua asa
e não é isso justamente o que fazemos
ao lidar com as palavras na escrita?
ter livros antigos ensina as mãos )
Aline Bei
A poesia da escritora Aline Bei me encontrou. Não li nenhum de seus livros, ainda. Esses pequenos encontros se dão no território do Instagram da autora.
Tem alguns dias que li e lembro-me que saí daquelas palavras e fui direto para a estante buscar o livro mais antigo.
Comprei-o em um sebo sabendo pela descrição que carregava em suas páginas, em sua capa, em sua lombada, longos anos de existência.
As manchas, o tom amarelado, e a fragilidade expressa na escrita da Aline Bei - esse animal delicado.
É mesmo preciso muita suavidade para tocar aquelas páginas. As mãos ganham uma delicadeza.
Tenho tantos outros livros na estante e nenhum se assemelha a esse.
Fico pensando se algum dia, um desses exemplares, hoje com as características que permitem classificá-lo como “livro novo, em bom estado” um dia atingirá o estado de animal delicado.
Estará ele, o livro, na minha estante? Estarei eu, aqui para enxergá-lo desgastado e frágil?

