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sexta-feira, 15 de março de 2024

Blogagem coletiva

 💙Botando a cabeça para funcionar 08💙



Botando a cabeça para funcionar é uma blogagem coletiva de todos os dias 5, 15 e 25 organizada pela Chica no blog Chica brinca de poesia onde através da imagem dada podemos nos inspirar em uma postagem ou mesmo nos comentários. Participem também!

A imagem é essa:


Peregrino que era, encontrar árvore tão aprazível, generosa em sombra, momento ideal para tirar a mochila das costas, aliviar os pés das pesadas botas. Um descanso, um alimento, um agradecimento pela inigualável beleza da Natureza.
Restabelecido seguia. Muitos passos, muitos quilômetros ainda até o seu destino de peregrinação. Sempre o olhar atento a buscar outro aconchego, outro colo verde, de raízes, tronco, galhos e folhas. Natureza é mãe, uma árvore, para o peregrino, é um colo de mãe.

Vou aproveitar essa postagem e costurá-la com uma outra!
Essa semana tivemos o Dia da Poesia Nacional ( 14 de março ) e no próximo dia 21 será a vez da Poesia Mundial.

Rosélia está fazendo uma festa com os poetas blogueiros! Espia lá!

Se você é " das antigas" aqui nos blogs, certamente vai se lembrar que muitas postagens já nos encantaram com poesia, frases, mensagens que eram assinadas por "Ana Jácomo". Alguém se lembra disso?

Também circulava no facebook e eu me recordo das especulações sobre quem era aquela pessoa, tão cheia de poesia que assinava por Ana Jácomo e não era encontrada em canto nenhum? Alguns falavam de pseudônimo, outros de um escritor fantasma.

Bem, o tempo passou e eu nem me lembrava mais da tal Ana Jácomo.

Até que...

Uma escritora que sigo no Instagram postou um stories assim:


Quando eu bati os olhos e vi Ana Jácomo, imediatamente me lembrei do quanto eu e muitas outras pessoas se encantavam com os escritos da moça!

Através daquele stories então foi possível chegar a essa pessoa que sempre admirei.

A página que ela mantém no instagram é uma delícia de passear e se banhar em poesia.

Vou colocar o link para você também poder apreciar!



Beijo e bom final de semana!











quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Arte e Bênçãos

 "É preciso muita arte para se blindar de tantas coisas ruins acontecendo pelo mundo.

Os últimos relatos são estarrecedores, mas a gente vai teimar em esperar um mundo melhor".                                                Toninho


A partir do comentário, que transcrevi acima, deixado na minha última postagem, foi que me inspirei a encontrar arte para trazer, um pouco que seja, de leveza aos dias pesarosos.

Fotografia é uma arte que transmite tanto e escolhi uma fotografia que a mim, evoca a paz. Aliás o nome da planta é lírio da paz.




E também quero trazer um texto de autoria de Rachel Naomi Remen que fala de bênçãos. A bênção de um avô.

Achei-o tão lindo, delicado, a arte em palavras que tem o poder de nos nutrir!


Abençoando

Nas tardes de sexta-feira, depois da escola, quando eu chegava à casa de meu avô, o chá já estava servido sobre a mesa da cozinha. Meu avô não bebia o chá da mesma maneira que os pais de meus amigos. Ele colocava um cubo de açúcar entre os dentes e tomava o líquido quente direto do copo. Eu fazia o mesmo. Preferia assim à maneira como me ensinaram em casa.


Depois do chá, vovô colocava duas velas sobre a mesa e as acendia. Então, conversava um pouco com Deus, em hebraico. Algumas vezes falava alto, mas em geral fechava os olhos e ficava em silêncio. Eu sabia que ele estava falando com Deus pelo coração. Ficava sentada e esperava pacientemente, pois a melhor parte da semana estava para começar.


Quando terminava de falar com Deus, ele olhava para mim e dizia:

 - Venha cá, Neshumele.

Eu ficava de frente para ele, e vovô apoiava as mãos suavemente sobre minha cabeça. Começava agradecendo a Deus pela minha existência e por fazer dele o meu avô. Mencionava especificamente os meus progressos naquela semana e contava a Deus alguma informação a meu respeito. A cada semana eu esperava para ver qual seria. Se eu tivesse cometido erros, ele falava da minha honestidade em dizer a verdade. Se houvesse algum fracasso, ele valorizava o quanto eu tinha me esforçado para acertar. Se até tivesse tirado uma soneca com a luz do quarto apagada, ele festejava a minha coragem por dormir no escuro. Então, vovô me abençoava e pedia às mulheres do passado, que eu conhecia de tantas histórias - Sara, Raquel, Lia e Rebeca -, que tomassem conta de mim.

Aqueles eram os únicos instantes da semana em que eu me sentia totalmente segura e em paz. Os membros da minha família, quase todos médicos e profissionais da saúde, lutavam para aprender e progredir cada vez mais. Nada era suficiente, havia sempre um novo nível de exigência. Se eu tirava 98 numa prova, o comentário de meu pai era:

 - O que aconteceu com os dois pontos que estão faltando?

Corri atrás daqueles dois pontos, sem descanso, durante toda a infância. Mas meu avô não se preocupava com isso. Para ele, eu já era o suficiente. E de alguma maneira, quando eu estava com ele, tinha a mais absoluta certeza de que isso era verdade.


Meu avô morreu quando eu tinha 7 anos. Foi muito difícil para mim, pois nunca vivera num mundo sem ele. Ele me chamava por um nome especial, "Neshumele", que quer dizer "querida alma pequenina". Mais ninguém me chamava assim.

No começo, fiquei com medo de que, sem ele para olhar por mim e contar a Deus quem eu era, eu desaparecesse. Mas, com o passar do tempo, comecei a entender que, de alguma forma misteriosa, eu tinha aprendido a me ver através dos olhos do meu avô. E que, uma vez abençoados, estamos abençoados para sempre.


Muitos anos mais tarde, quando, já bem velha, minha mãe começou a acender velas e a conversar com Deus, contei sobre aquelas bênçãos e quanto elas significaram para mim. Ela sorriu e disse:

 - Eu abençoei você durante toda a minha vida, Rachel. Só não tive a sabedoria de fazer isso em voz alta.

Rachel Naomi Remen



domingo, 17 de setembro de 2023

A primavera do ano 2023

 


Não é uma fotografia atual. Está datada na galeria de fotos: 22 de setembro de 2022.
Ano passado. Primavera do ano passado.
É da primavera deste ano, deste 2023, é sobre essa primavera que estará oficialmente nos próximos dias chegando que vou escrever.

A primavera vem chegando em meio à dolorosa destruição pelo ciclone que passou região sul do nosso país e outro evento climático catastrófico ocorrido na Líbia, onde já é incalculável o número de mortos. Terremotos, incêndios.

A primavera, no hemisfério daqui ou no lá de cima, talvez para uma grande maioria, seja um tempo com um sopro de alegria.
As flores e seus rastros de beleza, perfumes, cores. A temperatura se tornando mais amena. As forças parecem se renovar no externo e no nosso lado de dentro. Uma disposição com o dia clareando, o canto mais presente dos pássaros.

A Sabedoria da Natureza, dos ciclos a se renovar. O verde fresco, que acabou de nascer nas folhas das árvores, de maneira misteriosa nos convida a seguir fortalecidos.

Nesses dias difíceis de setembro, sentindo meu coração estreito, fechado, precisava de um curativo e foi num podcast infantil que esse cuidado se fez em mim.

Havia uma poesia lá, palavras-remédios que tão bem me fez que quero que mais pessoas possam contemplar aquela beleza.

" O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque aogosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. Aguardam seu tempo de brotar.

Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores"

Miryan Lucy Rezende

Anseio que a beleza, a arrebentação da primavera nos faça honrar a nossa terra, a nossa Terra.











segunda-feira, 5 de junho de 2017

A oração funciona?

Há uma história, a qual eu gosto muito, que se propõem a responder essa indagação: a oração funciona?
Quero partilhar com vocês. Está no livro "A energia da oração"


Era uma vez um garoto de seis anos de idade que tinha como animal de estimação um ratinho branco. O ratinho não era bem um animal de estimação, era o melhor amigo do garoto. Um dia, o garoto e o ratinho foram brincar no jardim. O ratinho entrou num buraco do chão e não voltou mais. O garoto ficou muito triste. Achou por um instante que não valia mais a pena viver sem o ratinho. Ajoelhou-se, juntou as mãos e orou fervorosamente para que o ratinho voltasse. Rezou de todo o seu coração. Rezou da maneira como via sua mãe fazê-lo, e murmurou para Deus a seguinte oração: "Eu creio em vós, ó Deus. Sei que, se quiserdes, podereis trazer de volta o ratinho".

A criança ficou de joelhos e orou com toda sinceridade por mais de duas horas. Mas o ratinho não voltou. Finalmente muito triste, entrou em casa sem o ratinho.

Durante sua infância, rezava sempre que alguma coisa ruim acontecia. E o que pedia nunca se realizava. Nos anos da escola secundária, não acreditou mais na oração.

O garoto, agora um adolescente, matriculou-se nas aulas de música no colégio católico que frequentava. Um senhor idoso, de voz trêmula e bastante doente, dava as aulas. A primeira coisa que o professor fazia de manhã, antes de começar a aula, era uma oração. Rezava durante uns quinze minutos, o que não agradava muito a nenhum dos alunos. Sua maneira de rezar não era muito interessante nem cativante. Antes de começar, sempre perguntava: "Alguém de vocês tem alguma coisa que quer que eu peça?"Tomava nota daquilo que porventura alguém dissesse e então começava a orar na intenção de cada um.

Muitas vezes pedia coisas muito simples como: "Amanhã vamos a um piquenique, portanto dê-nos bom tempo e não chuva". Para o nosso rapaz, esses quinze minutos de oração antes da aula eram puro aborrecimento. Ele não acreditava em nada. Apesar disso, o professor continuava rezando sinceramente todo dia.

Certa vez, entrou na sala uma garota chorando inconsolavelmente. Disse que fora informada por seus pais que sua mãe estava com um tumor no cérebro. Tinha muito medo de que sua mãe morresse. O professor escutou-a com atenção, levantou-se, olhou pela classe toda e disse:

"Se houver alguém na sala que não queira rezar conosco, pode sair e ficar no corredor. Os demais, vamos rezar pela mãe desta moça. Depois de terminada a nossa oração, pedirei a alguém que vá até o corredor e avise a quem saiu para que volte".

O rapaz pensou em sair da sala, porque não acreditava na oração. Mas alguma coisa o fez ficar em sua carteira e ver o que ia acontecer. O professor pediu que todos inclinassem a cabeça, e começou a orar. Sua oração foi muito curta, mas sua voz era forte. Com a cabeça inclinada, de mãos postas e olhos fechados, disse: "Muito obrigado, Senhor, por curares a mãe desta moça". Foi só o que disse.

Duas semanas depois, a garota contou à turma que sua mãe estava recuperada. Uma tomografia do cérebro revelara que não havia mais vestígio do tumor.

Este milagre restaurou a confiança do rapaz na capacidade de cura da oração, confiança esta que havia abandonado há bastante tempo. Começou, então, a rezar por seu professor de música, que estava outra vez muito mal. Rezou com sinceridade. Rezou de todo o coração pela saúde do professor de música, mas um ano depois, o professor morreu.

Há muitas reflexões que essa historinha pode nos trazer...

A oração é uma ponte!


quinta-feira, 2 de junho de 2016

A poda da árvore


" [...] eu ia te ensinar a podar os ramos mais altos das árvores, porque se é preciso aprender a plantá-las é igualmente vital que se saiba apará-las, "
João Anzanello Carrascoza

Esse trecho foi extraído do belíssimo livro Caderno de um ausente.
Um pai tem nos braços a filha recém-nascida e o sentimento de que ele não viverá para ensinar-lhe tudo o que poderia. Assim começa essa bela obra.

Podar árvores...

A necessidade de plantá-las é veemente. Projetos, distribuição de mudas, incentivos.

E o cuidar?

Não é só podar árvores.

Queremos um animalzinho de estimação, mas depois reclamamos dos cuidados que exigem.

Queremos filhos e eles são um "projeto" a longo prazo. Exigem e por mais modernistas que sejam as teorias, temos sim que abrir mão de muitas coisas.

Queremos um amor, mas será que sabemos cultivá-lo, ou deixamos nosso egoísmo ir corroendo aos poucos?

Há tanto o que se aprender... inclusive podar árvores.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A velocidade da vida

Já tem um tempo que, conversando com uma amiga, decidimos em comum acordo parar com "ah, estou sem tempo, ah não tenho tempo para nada". Reclamar da falta de tempo virou uma mania, um vício que não vai modificar o andar dos ponteiros ou qualquer medidor de tempo digital.
É dentro de nós que precisamos apaziguar o fluir do tempo. 
Fato que nos dias atuais o aumento das tarefas, trânsito, tudo isso demanda sim tempo e ele pode ficar apertado para determinadas coisas. Mas há que se respirar profundamente para cessar essa correria toda!
Nessa semana que passou, chegou-me em momentos diferentes, três "coisas" que falavam do mesmo assunto: a vida apressada.
Um artigo, um programa de tv e depois uma mensagem extraída do facebook que me foi envidada por e-mail.
Compartilho então duas dessas mídias.
O programa de tv tem trinta minutos.
E o texto, não é meu. A fonte é o facebook/Ensinamentos do Pai.

A VIDA FAST

Atualmente tudo virou fast, queremos cada vez mais velocidade em tudo, não temos tempo para mais nada, e quanto mais veloz, melhor. Não importa a idade, desde criança pequena, com seus joguinhos, à pessoas de idade. Tudo parece que se globalizou com o FAST.
Essa correria e rapidez da vida moderna está fazendo nos afastar do vivenciar, do aprender esperar e do comportamento.
As coisas lentas têm seus ensinamentos, seus aprendizados. Vivemos em um dia todas as sensações: amamos, odiamos, confiamos, traímos, e todo resto. Tudo isso acontecendo numa velocidade alucinante. Estamos precisando aprender algumas coisas que fazem a vida valer a pena de ser vivida. Não temos mais conversas, músicas, precisamos baixar com rapidez, frases curtas, caretas para expressar o que desejamos ou sentimos.
As pessoas estão esquecendo que a rapidez de tudo está matando dentro de nós valores essenciais para nossa praticidade de vida, do comer ao se relacionar, tudo ganhou uma velocidade enorme. Se nosso pedido demora um pouco, perdemos nossa paciência e nosso apetite. Se o que compramos demora para chegar, perdemos nosso interesse. Se nossas mensagens demoram a ser visualizadas ou respondidas, pronto, já estamos uma revolução e soltando o verbo. Onde fica a calma, a paciência, o respeito, a privacidade, o tempo para conversar e principalmente o tempo para refletir?
A velocidade da vida moderna não está ensinando a pessoa a usufruir do tempo, pois quando o temos não sabemos o que fazer com ele.
Reavalie sua maneira de viver, verifique se essa velocidade em tudo está sendo saudável. Se antes de darmos o 1˚beijo, não seria melhor termos uma boa conversa; se antes da 1ª transa, termos um pouco de tempo para sentirmos com quem estamos deitando, e antes de sairmos esbravejando com pessoas lentas, se não seria melhor aprendermos com elas a ter paciência, a esperar a conversar.
As pessoas modernas continuam velhas no seu interior, a velocidade só vai ser benéfica se soubermos conservar nossos valores de afeto para com os outros, porque enquanto buscamos velocidade em tudo, estamos a passo de tartaruga em construir relações e a passos de formiga em cultivar o afeto e o carinho.
A qualidade de vida está em termos afeto e carinho em tudo o que fazemos. E isso leva tempo para se fazer.
Ctba, 26/01/2016
Fonte: Facebook / Ensinamentos do Pai

Programa JC Debate


E você, está em harmonia com o tempo?! Conta aí!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Balançar

Uma blogueira fez uma postagem tão apaixonante sobre um escritor ( além de tantos outros atributos ) que eu pedi-lhe ali no retângulo dos comentários que me indicasse alguns títulos desse autor.
Dois me foram sugeridos, sendo que um deles imediatamente me embalou, acho que pela poesia já contida no próprio título: O velho que acordou menino.
Coloquei na minha lista de possíveis leituras.
Há títulos lá na minha lista que estão há anos; outros se tornam objeto palpável rapidamente.
A vontade de ler nem sempre encontra sintonia com nossas economias, com nosso tempo.
Estava lá - o velho que acordou menino. Nem precisava olhar para a lista, eu já tinha decorado, já estava no coração.
Foi numa entrada descompromissada em uma livraria que me deparei com uma luz belíssima vinda da capa de um livro. O primeiro de uma pequena pilha.
Era o livro sugerido!



A sintonia não poderia ter sido melhor entre a beleza da capa e a possibilidade financeira de trazê-lo para casa.
A cada texto lido, assim que fechava o livro, apreciava novamente a capa.
Entre leituras demoradas e outras mais rápidas, cheguei ao final, mas antes, já quase no fim, um texto que é a tradução da capa do livro.

"O meu balanço estava amarrado num galho de uma ameixeira. Quando não se sabe ainda, é preciso a colaboração de um amigo que nos empurre. Depois a gente aprende o segredo. Com sucessivos deslocamentos do centro da gravidade do corpo, o balanço voa. Ah! A alegria de tocar com a ponta do pé uma folha num galho alto! Eu fazia um monte de folhas secas à frente do balanço. A aventura que exigia coragem era pular do balanço quando ele estivesse no alto para cair no monte de folhas secas.
Depois de velho, psicanalista, dei-me conta de que um balanço é um excelente remédio para depressão. Por experiência própria. Bastava que eu balançasse para que a tristeza sumisse. Balanço e tristeza são incompatíveis. No balanço não há passado, não há futuro. É só o presente.
[...] Um adulto que se assenta num balanço é porque perdeu a vergonha. E perder a vergonha é o início da felicidade."

Agradeço à Ana que me indicou o livro. Agradeço à uma amiga que me presenteou com a visão de vê-la balançando no parque ao lado de minha filha.






quarta-feira, 1 de julho de 2015

Infância no olhar

Se você tiver 10 min disponíveis, continue lendo.
Se não tiver, vá fazer suas outras visitas e volte depois trazendo consigo esses 10 min!

Julho chega. A gente se espanta: metade do ano! Metade o quê? Já é mês 07 e os panetones já devem estar empacotados.
Não entre nessa sintonia. Julho bem começou e está inteirinho aí.
Ainda há muita poesia para fazer e ler e enxergar!

José Eduardo Agualusa, escritor angolano escreveu: "Infelizmente, o que a generalidade dos sistemas de ensino faz é tirar a poesia de dentro das crianças. Crescer é assim, perder a poesia. Talvez por isso temos a tendência a adoecer à medida que nos afastamos da infância - e da poesia".

Um vídeo inspirador: a infância não está lá, somente nos sete anos. Ele pode estar no teu olhar aos trinta, aos setenta.



Clique aqui para assistir Lila.

domingo, 28 de junho de 2015

Sobre relacionamentos

Recebi por e-mail esse texto, já faz tempo e procurei a autoria, mas não encontrei; encontrei-o em outro blog e só agora me inspirou a escrever algo relacionado a ele.
Tenho tido boas e espontâneas conversas com meu filho adolescente. Às vezes sou surpreendida com sua maturidade para os poucos 12 anos e, outras vezes, sinto que a falta de vivência, de experiência dele não o fará entender por mais que eu argumente.
Estávamos dia desses, diante do amor romântico que ele vê se manifestando na vida dos primos mais velhos, no colégio, onde se começam alguns namoricos e compara tudo isso com o que ele tem de mais próximo, ou seja, os pais, a família com os tios mais velhos.
E junto a tudo isso tem as idealizações e sonhos dele: "eu farei assim; nunca farei como vocês, etc"
Os primos estão iniciando, descobrindo e o lado social que se mostra é intenso e lindo. Baladas, festas, amigos, restaurantes. Todo um lado que pode fazer parte.
Mas há o outro lado.
O lado morno, ou como eu prefiro chamar, sereno. Onde já fez tudo isso e agora as coisas são diferentes, principalmente a depender do estilo de vida de cada um.
Não que um jeito seja certo ou errado. Mas acaba até existindo um padrão.
É comum no início de relacionamentos uma vida mais agitada e com o passar dos anos o agito se acalma, ou toma outros caminhos.
Brinco com ele e digo que dificilmente casais há um bom tempo juntos queiram ficar em filas de quarenta, cinquenta minutos na porta de um restaurante ou pizzaria. A gente compra e leva pra casa e fica tudo bem!
São coisas que precisam de tempo e a maturidade que ele que ainda não viveu e por isso não tem.
O bonito texto traz essa reflexão.


Um famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o casamento. Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando este se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio. 
O mestre disse que respeitava sua opinião, mas lhes contou a seguinte história: 
Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia as escadas para preparar o café e sofreu um enfarto. Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e quase se arrastando a levou até à caminhonete. 
Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava morta. Durante o velório, meu pai não falou. Ficava o tempo todo olhando para o nada. Quase não chorou. Eu e Seus irmãos tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos engraçados. 
Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o caixão e falou com sentida emoção: “- Meus filhos, foram 55 bons anos… Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem ideia do que é compartilhar a vida com alguém por tanto tempo.” Fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou: 
- Ela e eu estivemos juntos em muitas crises. Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade. Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam. Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal, e perdoamos nossos erros… 
Filhos, agora ela se foi e estou contente. E vocês sabem por que? Porque ela se foi antes de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim… ” 
Quando meu pai terminou de falar, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolava, dizendo: “Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa.” E, por fim, o professor concluiu: Naquele dia entendi o que é o verdadeiro amor. Está muito além do romantismo,e não tem muito a ver com o erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam duas pessoas realmente comprometidas. 
Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar. Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam. O verdadeiro amor se revela nos pequenos gestos, no dia-a-dia e por todos os dias. O verdadeiro amor não é egoísta, não é presunçoso, nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.
Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado com certeza chegará mais longe…”


terça-feira, 9 de junho de 2015

Aula de saber ouvir

Minha filha chegou da escola hoje com certa euforia.
Tudo por conta de uma aula "suuuuper legal" que ela teve e pôs-se a me contar.
"Mãe, a Pro Dri deu uma aula sobre aprender a ouvir e ..."
Contou-me detalhes da aula, das atividades divertidas que fizeram e enquanto ela falava eu me lembrava de Rubem Alves e sua escutatória.
Só no finalzinho do dia é que consegui sentar-me à frente do computador e pesquisar.

"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular" -  Rubem Alves  ( texto na íntegra aqui ).

Uma alegria me invadiu. Gritei dentro de mim, mirando pro céu, gritei pro Rubem - olha, você achou que ninguém fosse se matricular no curso de escutatória, mas se matricularam sim!

Acredito que tenha muita gente, muito anônimo por aí que tão bem sabe exercitar a escuta. Não é fácil.
Na escola de minha filha, na aula de Educação para Cidania, escutar consta da matéria. Não significa que já aprenderam. Aliás, acho que é um aprendizado constante e que sempre pode ser aprimorado.

Rubem Alves plantou uma semente talvez sem muito acreditar. Está brotando, verdejando, não foi em vão o sonho do curso de escutatória!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Dom de Ensinar

Esse texto não é meu.

Dom de Ensinar


Quando se visualiza o poder massacrando aqueles que ensinam, as cenas são chocantes, não só pelas cenas de violência física que se apresenta, mas pela história que se repete da mesma maneira e com intensidade.
O dom de ensinar, dom difícil e peculiar, sempre foi tratado com desinteresse pela sociedade, nunca teve o valor que precisava e precisa, tamanha sua importância dentro da sociedade.
Está no dom daqueles que ensinam toda a transformação de uma dimensão, é graças a eles que a vida foi transformando-se, mesmo com todas as dificuldades que sempre tiveram os "ensinadores" da dimensão.
O poder sempre vai coibir os ensinamentos, porque eles libertam as pessoas, mostram novos caminhos, as deficiências das pessoas e do sistema. Cada um de nós temos nossa importância na manutenção desse dom na dimensão.
As pessoas com o dom de ensinar não serão pessoas de grandes passos, não serão pessoas que terão uma vida tão próspera, mas serão pessoas que por onde passam, ensinam o caminho da transformação.
Por isso, nos dias atuais quando ainda assistimos nos meios de comunicação o poder massacrando os "ensinadores", nos faz refletir que mesmo esses com o poder, passaram um dia nos bancos desses hoje massacrados, e infelizmente não conseguiram absorver o que lhes foi ensinado.
Essas pessoas usaram todo o ensinamento recebido e acabaram se transformando de maneira destrutiva levando por onde passaram, sempre o desequilíbrio e a desordem, que é isso que o poder provoca, a diferença.
O dom de ensinar é o mais antigo do planeta, e é nele que reside todo o futuro da dimensão e a preservação dela, porque se caso não aprendermos que viver é um ato de amar, ser fervorosos e justos, não há dimensão ou civilização que resista a ganância e as fantasias do poder,
O que nos liberta do poder é a sabedoria, o que nos liberta do sofrimento é a igualdade, o que nos liberta da limitação é o aprendizado.
Só conseguiremos aprender graças a entrega que todas as pessoas com esse dom de ensinar faz todos os dias na sua vida. Entrega essa, que ninguém que tenha o poder, consegue ou conseguirá fazer.
De que lado estaremos da história, do poder ou do ensinar?
Estaremos do lado das pessoas com dom de ensinar quando colocarmos em prática o que nos é repassado. Estaremos do lado do poder, quando procuramos condicionar os ensinamentos, as regras e leis, tirando ou dificultando a liberdade daqueles que ensinam.
Uma dimensão se transforma não pelos números de pessoas no poder, mas uma dimensão se transforma pelo número de pessoas livres que podem caminhar pelas ruas levando ensinamento a todos aqueles que precisam.
As pessoas com poder deveriam voltar aos bancos da aprendizagem e dar oportunidade aos "ensinadores" a direcionar, pois a vida não é direcionada por aqueles que mandam, mas sim por aqueles que ensinam.

Ensinamentos do Pai/Facebook

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Eu, você, bilingue

"... O assunto parecia sério, exigia cautela pelo modo de me abraçar. Disse-me que, embora fosse inteligente e perceptiva, tinha a linguagem precária e pobre, que deixava a desejar."

A frase acima foi dita por uma mãe. Uma mãe afetuosa e atenta. Abraçou a filha, foi delicada, mas não deixou de chamar-lhe atenção a este fato. O vocabulário pobre.
Nélida Piñon,  escritora brasileira relata esse fato em seu livro de memórias Coração andarilho. Era uma criança quando foi advertida pela mãe e acatou aquelas palavras e enriqueceu seu vocabulário. Tornou-se grande escritora.

Lia dicionários. Preocupava-se com suas palavras proferidas. Ouvia atenta novas palavras.

Foi a partir de uma reunião escolar agora no início do ano letivo que me pus a repensar mais o assunto.
O coordenador foi duro em suas palavras: "nossos adolescentes estão usando vocabulário cadeeiro; sim, o mesmo vocabulário usado nas cadeias 'mano, véio...' E não se pode atribuir à classe econômica menos favorecida, estamos dentro de uma instituição particular.
E alguém levantou a questão da leitura e disse que os jovens estão lendo muito.
O coordenador confirmou, porém destacou "lêem sim, mas são leituras fáceis, não acrescentam em termos de vocabulário, eles já se habituaram ao mesmo estilo de livros e aí o papel da escola com os clássicos, com outros estilos literários que não os de massa".

É fato: só prestar um pouco de atenção à palavra falada no geral e notamos sua decadência.
Sei que um idioma é vivo e passa por transformações. A palavra blog no passado, não faria sentido, assim como face, insta, twitter.
Mas quando escuto o é nóis, é de doer.
E percebo que essas expressões ganham uma força tremenda e "nascem" como novas palavras.
Estamos empobrecendo nossa língua.
Poderíamos sim escolher vez em quando, uma nova palavra e sair por aí com ela!
Em pouco tempo seríamos bilingues em nosso próprio idioma!

No Meu blog e eu há um trecho maravilhoso de Graciliano Ramos sobre lavar e quarar nossas palavras. Confere lá!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Vida saudável

É assustador o número de mortes que envolvem a busca pela vida saudável. Assustador e contraditório. Em busca de um corpo dentro dos padrões da magreza estabelecidos, das capas de revista,a gora não só femininas, mas também masculinas, faz um comum ser humano, desses que trabalham e fazem uma caminhada aos finais de semana se sentir a pior das espécies. É preciso passar três horas diárias nas academias que funcionam de segunda a segunda. Viagem? Não basta uma caminhada, uma corrida pela praia, é preciso que o hotel reservado tenha uma academia à disposição.
Qual o limite de uma vida saudável?

Com essa pergunta, quero descontrair apresentando uma cantora que faz um resgate à auto estima dos cheinhos! Não se trata de concordar com a obesidade, mas de não se sujeitar à ditadura da magreza.
O vídeo é este; bem divertido, dizendo que " sou um corpo tipo violão e não flauta; não visto 38 mas posso rebolar e não vou ser uma Barbie siliconada".


Aproveito a reflexão para apresentar um blog. A escritora, Evilanne, de um talento excepcional, conheci no instagram. Ela é apaixonada por artes e escrita. Mostra artistas e suas obras e semanalmente escreve um conto. Imperdível!
Passa lá no Leves Contos Breves e saboreie a escrita!

domingo, 11 de maio de 2014

Olhar devagar

"... Olham querendo decorar suas feições. Olham querendo descobrir o que deles e dos seus está impresso na nova criatura. Alguns pais e mães não desaprendem de olhar com calma os filhos, mas há outros que perdem logo o costume."
 Pe. Fábio de Melo

Era sábado. Despertei antes das seis; bem poderia dormir mais um pouco, mas acho que é, como dizem, a força do hábito.
Abri janelas que não incomodariam quem ainda estivesse a dormir e tentei manter o maior silêncio possível.
O barulho, no entanto, veio da rua. Vozes exaltadas sugerindo discórdia, nosso cachorro atiçado saiu em disparada ao portão. Fui buscá-lo e então presenciei a cena.

Três jovens. O rosto ainda mantendo aquela feição pueril. Boas vestes de marca ou grife cara, talvez alguma marca ligada ao surf, à tribo dos skatistas, funk, não sei.
Havia discórdia na fala deles com um dos três tentando fazer as vezes da concórdia. Havia abraço e pedido para ficar "frio".
Um deles segurava uma garrafa de vodca e os outros dois seguravam duas latinhas, que foram deixadas no meu portão e ao recolhê-las soube ser energético.
Estavam embriagados, a coordenação trôpega.

Pensei em suas mães. Já se deram conta, tão cedo e os filhos não estão em casa? Certamente não dormiram em casa. Autorizados?

Saí para um compromisso com minha filha: um café comunitário em homenagem às mães.
Simplicidade e carinho deram forma à tudo o que aquelas pessoas prepararam. Inclusive as palavras.
Em algum momento, um voz agradável nos conduzia a uma reflexão e nos pedia em seguida a olhar para os nossos filhos como olhávamos quando eram recém-nascidos.

Percebi gestos tentando conter alguma lágrima fruto da emoção, narizes avermelhados e úmidos - idem o motivo.
Inevitável também foi não pensar nos três jovens, em suas mães.

Muitos poderiam argumentar se a juventude não foi feita justamente para essas pequenas transgressões.
Deixo a ingenuidade de lado e enxergo a possibilidade de um porre, noitadas, que podem fazer parte das descobertas de um jovem.
Mas e a destrutividade a que estão se impondo? Deixou a muito de ser uma descoberta.

O título desta postagem e a primeira frase são do padre Fábio de Melo, num belo texto onde ele fala sobre a nossa deficiência de olhar devagar, demoradamente como fazem ou faziam os pais com seus bebês.

Hoje é um domingo, dia das mães e meu desejo que o nosso olhar de mãe não desista. Porque não é fácil, especialmente depois que deixam de ser bebês e se tornam os adolescentes questionadores, desafiadores. Que nosso olhar não enfraqueça. Ao contrário, que olhar demoradamente fique forte, ou como dizem, é a força do hábito.

terça-feira, 6 de maio de 2014

18/52


"... e mantinha uma conta no pipoqueiro para os meninos de sua rua no Catete."

referência de Ruy Castro em sua coluna ao cantor Cyro Monteiro

sábado, 3 de maio de 2014

17/52


"O sussurro passou a ser um raro acontecimento, o silêncio virou poesia e pessoas conversando em voz baixa tornou-se um enorme desafio"

Kelly de Souza

terça-feira, 29 de abril de 2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um por um

"Não é que o mundo seja só ruim e triste.
 É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.
Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito.
Só os poetas o fazem".     
Rita Apoena

A esta bonita e verdadeira reflexão que Rita Apoena faz - "só os poetas o fazem"-  eu acrescentaria que também os blogueiros o fazem!
Ouvir notícias, assistir a telejornais ou ler os jornais significa que a maior parte do que está ali, será de notícias ruins. Podemos optar pelas "piores"maneiras de tomarmos conhecimento, a depender do programa, do estilo do apresentador...
Muitas vezes precisamos também trazer esse lado não bonito do viver aqui nos blogs para alertar, refletir, desabafar.
Tão bom quando nos deparamos com esta "pena que flutua no ar por oito segundos"!
Dia desses foi espalhado feito sopro em dente-de-leão as pequenas boas notícias de pessoas que deixam um café pago para um desconhecido; alguém que coloca em sua porta, mudas de uma flor para quem quiser levar; alguém que encontra uma quantia de dinheiro dentro de um envelope com contas a pagar e, procura o dono e devolve com tudo pago; uma pequena atitude que eu já chamo de grande, acontecendo aqui na blogosfera que é o BookCrossing Blogueiro.

Um-por-um é um modelo adotado por Blake Mycoskie, dono da empresa Toms de calçados.
Ele construiu seu império calçadista vendendo um par de sapatos e dando outro de presente a uma pessoa necessitada.
A Toms até agora doou 10 milhões de pares de sapatos a crianças pobres.

200 mil pessoas tiveram sua visão restaurada no programa de mesmo modelo com a venda de óculos.


A marca de sapatos agora investe em café, que além de gerar empregos vai na proposta de um-por-um vendendo um saco de café e doando uma semana de água limpa para uma pessoa.

Pode parecer pouco, pode não ser a solução definitiva, mas as pequenas boas atitudes estimulam outras, fazem pessoas e empresas copiarem o modelo, aprimorarem.

Escolhi trazer esta notícia de uma empresa estrangeira porque me sensibilizou ler sobre a transformação na vida dessas mulheres que não enxergavam para poderem separar palha do arroz ou colocarem a linha na agulha.
A gente se esquece disso...


segunda-feira, 3 de março de 2014

O caderno da Menininha

Xiiiiiii! Nem adianta. Agora só depois do carnaval. Na verdade, só na outra semana ainda, porque vão emendar a semana inteira. 

Essa foi a frase mais proferida nesta semana! E eu estava resignada a ela.
Comprei um livro e me conformei que o receberia somente depois do carnaval.
Qual não foi a minha surpresa quando ele chegou em pleno carnaval?!


E nesses dias de folia, nós optamos por um descanso. Sem horários escolares, rotinas, correrias.
Fazia muito tempo que eu não lia para as crianças. Eles vão crescendo, passam a fazer as suas leituras sozinhos e há muito que não tínhamos um momento assim: crianças na minha cama para ouvirem histórias!



O caderno da Menininha traz várias histórias, daquelas que trazem, a nós adultos, aquela deliciosa nostalgia da nossa própria infância.
Um livro muito bem cuidado! Da capa, ilustrações, a letra, tudo muito bonito. Parabéns Rovênia!

Para conhecer mais, clique aqui.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A rotina da leiteira




Quando se vai morar em casa alheia, seja lá quais forem o motivo que te levaram a isto, além de gratidão pelo acolhimento, deve-se atentar a uma atitude essencial – não interferir na rotina e sim se adaptar.
Aconteceu comigo e tudo ia bem até que eu comecei a ter problemas com a leiteira.
Leiteira, utensílio para ferver leite e água também. Também dá para fazer mingau. Ah e cozinhar ovos.
No convívio com a família começou a incomodar-me a tal leiteira.
Tentei argumentar sobre algo ter mais moderno, com antiaderente, uma leiteira que poderia servir também como objeto decorativo, já que a família era abastada e dinheiro não seria o problema para a aquisição, mas ouvi um delicado e firme “não”acompanhado de uma explicação: fora presente de casamento ( lá se iam 35 anos... ).

A rotina da leiteira:
Antes das cinco horas da manhã, ela fervia a água para o café e logo após, era colocado cerca de meio de litro de leite para que se aferventasse daquele jeitão de ficar ali na beira do fogão e esperar que o leite subisse até quase derramar. Girava-se rapidamente o botão para apagar o fogo e ao mesmo tempo um bom sopro para que o leite não ultrapassasse os limites devidos.
E a leiteira ficava ali, do fogão para a mesa, da mesa para o fogão.
A medida que os membros da casa iam se levantando, solitários, ou no máximo em duplas, lá ia a leiteira para o fogão aquecer o leite.
Para os que não estão habituados à esta antiguidade, é preciso esclarecer: da primeira fervida, assim que o leite abaixava, ficava uma fina crosta grudada no alumínio. Conforme os demais voltavam a aquecer o leite, a crosta ia ficando queimada. Não tipo carvão, mas começava com bege claro.
O último a aquecer o final do leite podia até ouvir pequenos estalidos das crostas que a essa altura eram cascas.
Onde entra o problema?
Tudo era colocado na pia e a louça era de minha responsabilidade.
Então somente quem já passou por isto vai entender o que estou dizendo. Lavar uma leiteira incrustada de leite de 35 anos de idade, o que significa que a cada tombo que ela levou em sua vida ficou amassada, formando fincos internos onde a crosta insistia em se fixar, é de fatigar qualquer nervo.
Tinha que deixar de molho, pegar bucha no lado grosso, apelar para a palha de aço e palito de dente e para disfarçar na hora de enxugar era unha com pano de prato para tirar os últimos vestígios.
O microondas lá, só me olhando.

Por que eu não aquecia o meu leite no micro?
Preciso confessar uma coisa. Não existe nada melhor que um leite fervido e aquecido depois formando crostas e cascas. Fica um gostinho de doce de leite inigualável!
Agora, há quem diga que pior que lavar leiteira é lavar louça de moqueca carregada no dendê. Aí já não sei...
Se quiser se divertir com mais louça suja, na visão de um homem, leia aqui.