quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fotos e gentilezas

Mais fotos do projeto 10 em 10?
Corre lá pra Goiânia: teve chuva e caixas também no cantinho delicioso da Carolina, um blog simples. Vale conferir!
Minha amiga Silvia enviou este vídeo sobre gentileza.
Adorei!


Ah! A tesoura?
Não encontrei ainda, mas...
Encontrei nas caixas outra "coisa"que corta:


Uma rapadura!!!
Corta qualquer dieta...
Beijos

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Projeto 10 on 10


E quem chegou por aqui hoje...


precisou de guarda-chuva
durante todo o dia!


no lado de fora


só mesmo os brinquedos dos miúdos


lado de dentro
miúdos, computador e pinguins!


só mesmo as gotas brincavam
de se pendurar no varal


e saltar com leveza rumo ao chão


de repente, precisei de uma tesoura.
Alguém sabe em qual das caixas
da mudança eu coloquei?


Desisti de procurar e 
fui o telhado fotografar


E faltava uma foto...
Às vezes temos mesmo que jorrar
com força
tristezas, raivas,
 excessos
Deixa sair
Deixa chover


E esse foi o nosso projeto 10 on 10, cheio de chuva, todo molhado, mas muito gostoso!
10 de fevereiro é o próximo. Vem participar conosco!










domingo, 8 de janeiro de 2012

Estante de livros


Temos um número tão considerável de livros aqui em casa, que podemos sim dizer que temos uma biblioteca.
Mas, não temos uma estante para livros.
E eu só me dei conta do fato lendo o interessantíssimo artigo do Claudio de Moura Castro na revista Veja desta semana ( edição 2251 ) intitulado “Onde comprar estantes de livros?”
Investimos conscientemente em livros para as crianças. Digo 'conscientemente' porque foi uma decisão tomada pelas próprias crianças de trocar o famoso hamburguer com brinquedo por um livro. Conto outro dia esta história.
Os livros infanto-juvenis foram se avolumando, juntando com os nossos de gente grande ( que come algodão doce escondido) e eu, assim como o autor do artigo, peregrinei por algumas lojas de móveis e não encontrei nenhuma estante própria para livros. Eram em sua maioria estantes para TV ou como disse o Claudio: “estantes para jarros e bibelôs”.
Na época não dei importância ao fato de não ter encontrado e arrumei uma solução que funcionou bem por vários anos.
O guarda-roupa de bebê ( que só depois que comprei, vi que era completamente dispensável...), virou a nossa biblioteca, num formato de livros empilhados e portas fechadas.
Nossa biblioteca/guarda-roupa não aguentaria mais um desmonta e monta e não veio conosco.
Vieram os muitos livros em muitas caixas. E como agora temos um espaço para mobiliar no melhor estilo biblioteca, começamos a idealizá-lo dentro de um orçamento apertado de começo de ano.
E hoje, ao ler sobre onde comprar estantes de livros, percebi que é um problema escandalizante.

Como os donos dessas empresas não são tontos, é inevitável concluir que, se não oferecem boas estantes, é porque não há compradores. Ou seja, o brasileiro frequentador dessas lojas não possui o volume de livros que provocaria a demanda por elas”

Abre-se aqui um leque de reflexões, que vão do preço dos livros, incentivo em casa, internet, escolas, número de livros/ano, etc.
Mas é fato: quem quiser móveis para livros, biblioteca particular ou vai mandar fazer no seu marceneiro de confiança, ou vai adaptar, ajeitar... Só não vai na mega liquidação das casas Bahia porque lá não tem. Eu já fui procurar!
Tenho uma clara imagem, enquanto digito, da sala da dona Rosa, onde eu adolescente entrava após pedir licença, ficava parada em frente à enorme estante onde ficavam impecavelmente brilhando aos meus olhos a enciclopédia Barsa. Era só me concentrar na letra inicial do assunto a ser pesquisado e aquela estante abria-se como uma porta...
E como é a estante de livros de vocês?   

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Fazer contato

Encontrei um antigo livro nas caixas de mudança de autoria de uma médica que enfrenta uma doença grave. No livro pequenas histórias.
Escolhi uma da qual gosto muito e tem um significado bem atual. Espero que gostem também.


do livro: Histórias que curam - conversas sábias ao pé do fogão de Rachel Naomi Remen



A Tarefa Nos Separa

O modo como perdemos uns aos outros pode ser bem simples. Um de meus pacientes descreveu como passava seu tempo com o filho antes do câncer. “Subíamos a pé uma montanha, uma escalada difícil, lado a lado, ambos concentrados em atingir o topo. Depois descíamos até o carro por um caminho diferente, um atrás do outro, e íamos para casa. Fizemos isso muitas vezes. Refletindo agora, tenho uma nítida lembrança de muitas daquelas escaladas, mas nenhuma de algo que meu filho tenha dito para mim ou que eu tenha dito para ele.”
Em psicologia infantil, o que esse homem está descrevendo chama-se brincadeira paralela, e é normal nas crianças de dois e três anos. Nessa idade, as crianças usam a mesma caixa de areia e até os mesmos brinquedos, mas estão brincando sozinhas, perto umas das outras. Em vez de se relacionarem entre si, elas se relacionam com uma atividade comum que fazem paralelamente.
Meu paciente aponta um grande contraste entre aquele modo e a maneira como ele e seu filho se relacionam hoje em dia. “Não sou capaz de fazer muita coisa agora, por isso nos sentamos e conversamos. Pergunto a ele sobre sua vida e como ele se sente a respeito dela. Pela primeira vez, sei o que é importante para ele, que tipo de homem ele é, o que o motiva. E falo com ele também. Sei agora que sou importante para ele, que ele deseja passar seu tempo comigo, e não porque podemos fazer atividades juntos. Às vezes simplesmente nos sentamos juntos, vivendo. A montanha estava em nosso caminho antes. Eu não sabia.”
Muitas pessoas vivem dessa maneira, compartilhando o lar, o emprego e mesmo a família, mas sem fazer contato. É possível ser solitário no meio da família, na própria casa. Com demasiada frequência, nós até mesmo exercemos a medicina desse modo. Lado a lado, paciente e médico concentrados na doença, nos sintomas, no tratamento, sem nunca ver ou conhecer o outro. O problema está no caminho, e cada um fica só.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Defronte


Mudança feita! Bagunça por arrumar, muitas coisas por desencaixotar... e vamos dando continuidade ao viver!
Obrigada pelo carinho que recebi durante a ausência. Aqueceu, motivou a voltar, a continuar.
E já que o assunto é a mudança, vou falar do lugar que moramos por dois anos.
Um apartamento.
Dois anos em que eu não pude ser completamente feliz.
Ao inverso de mim, marido e crianças se saíram muito bem.
O motivo da minha infelicidade?
A arquitetura do prédio.



Quando fomos visitá-lo, não me dei conta. Achei a fachada bonita , a localização excelente, etc.
Negócio fechado, mudança feita e aí começaram os problemas.
Olharam bem para a foto? Viram as pequenas janelas na fachada? Sim, o banheiro.
O banheiro era a frente do prédio.
Reclamei para o marido, que me disse ser uma bobagem este fato, não dava para ver nada lá da rua.
Isso reforça a minha tese de que o arquiteto, ou seja lá quem projetou este prédio era homem.
Homens não ligam para essas coisas...
Eu precisava convencer o meu metabolismo que estava tudo bem e resolvi largar aquela quantidade enorme de caixas para arrumar e desci com o cachorro para passear.
Havia uma ruela sem saída defronte ao nosso banheiro.
E ali, segurando o cachorro, defronte a nossa morada eu fiquei paralisada: era possível ver uma silhueta sentada em seu momento íntimo.
ruela defronte

Eu sou uma pessoa razoavelmente ecológica. Procuro economizar água, energia e esse meu lado “verde” foi decisivo para um certo bem estar nestes dois anos.
O que fez o metabolismo diante das silhuetas expostas? Decidiu-se por trabalhar somente à noite.
Então eu ia ao banheiro no escuro, sem acender a luz.
Claro, que os familiares me indagavam “por que você está no banheiro escuro? Acende a luz”.
Se alguém defronte ficasse me olhando, bem que seria engraçado – tudo escuro e de repente, como uma explosão, um clarão... o segredo da Nona em ação!

Aproveito que estou me expondo mais do que deveria e vou confessar para a Chica que algumas fotos de céu que eu lhe enviei foram tiradas dali, do banheiro. Espero que não se importe.

Há outra coisa que eu preciso saber;
A querida prima morou conosco por um tempo. Nunca tive coragem de lhe perguntar pessoalmente. Pergunto agora – naquela correria para não perder a hora do cursinho, naquele tempo em que o norte era o vestibular, você se incomodava com a silhueta na fachada? Responde aí nos comentários porque não tenho coragem de perguntar...

A Júlia, minha filha, sempre me pedia para fechar a janela. Como se isso resolvesse.
Ah! Como eu gosto da inocência das crianças.
Embora eu já esteja em outra habitação, nem adiantaria me sugerir uma cortina, uma toalha. Era proibido. Normas de condomínio.

Como eu não tinha nenhuma foto desse local em que fui quase feliz, pedi ao marido que ficasse defronte para o prédio e tirasse algumas fotos.
Isso foi no último dia, quando ele foi para lá entregar o imóvel.
Voltou feliz por estarmos na nova casa:
Realmente, dava para ver tudo. Se a máquina fosse profissional, eu teria clicado alguém sentado. Que coisa, não imaginei que era tão nítido”.
Que sorte que sou ecológica e já estamos na nova casa, com o banheiro no seu devido lugar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Gestar


Pari filhos
e agora estou gestando a mim mesma
sem luas a contar
sem exames a fazer
sem dores que amedrontam

Sangro erros cometidos
ideias empoeiradas
e fico mais viva
forte

Sinto a dor das palavras
que já poderiam estar extintas
Nutre-me uma outra linguagem
palavras de um outro mundo

Deste ventre que me gera sem tempo
sem medidas
não sei quando virei à luz
Não importa

Nesta escuridão
meu olhar meu sentir
são tão claros
como a Lua
que segue seu fluxo

E eu sigo o meu fluxo
de gestar a mim
sem luas a contar

Estou me organizando para mudar de cidade e depois temos reforma pela frente. Ficarei ausente. Agradeço e retribuo o carinho recebido. Um beijo.
Ana Paula

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Um Anônimo


Quando se mora em grandes centros urbanos, acostuma-se com os ruídos. Uma questão de sobrevivência.
Tornam-se conhecidos. Mesmo dentro de um apartamento, no alto, aprendemos a decifrar ruídos. Horário de entrada de escola mais carros, chuva, muita buzina, provavelmente semáforos apagados... e assim, mesmo sem olhar pela janela, os acontecimentos se codificam nos ruídos.
Era perto da hora do almoço quando um ruído nos sinalizou algo fora dos padrões conhecidos. Um helicóptero bem próximo, num voo pausado.
Mesmo difícil de ouvir a nossa televisão, ligamos no noticiário local do meio-dia.
Na tela da tv a imagem gerada do helicóptero: uma obra, um prédio, um operário morto.
Seria mais um caso como quase todos dos noticiários: morte, morte, morte.

Reconheci de imediato a construção. Um edifício que abrigará um hospital.
Sim era mesmo a construção que acompanhamos desde o início. A chegada das máquinas, o prédio tomando forma e mais do que isso, os trabalhadores.
Feriados, noite adentro, lá estavam eles: incansáveis no cansaço disfarçado dos músculos e suor escorrendo.
Parados ali em frente à obra, aprendemos sobre cooperação, sobre dons.
O engenheiro com o projeto debaixo do braço necessitando do dom de braços fortes para tornar seu papel realidade. A cooperação de cada um desempenhando o seu papel.
Ali em frente àquela obra, que simplesmente estava no nosso caminho, parávamos para aprender sobre a vida.
Ali conversamos sobre igualdade: não há dom mais importante que outro, precisamos de todos. O operário sujo, queimado de sol, cheirando a suor não é menos que o engenheiro, não é menos que a faxineira que irá trabalhar naquele hospital. É tão igual ao médico, tão necessário. Infelizmente no nosso planeta as diferenças se fazem em tantos aspectos...
Esse operário que nós nunca vimos o rosto, ou talvez tenhamos visto num horário de almoço onde ele poderia estar sentado na beira da calçada, morreu.
Um anônimo que tanto nos ensinou.
Não sei o porquê, de quê ele morreu. Sei que ele não ganhará uma biografia com direito a pré-venda.
Sei que passamos novamente em frente à obra e ali apenas consta em grande placa o nome dos engenheiros responsáveis.
Não há flores ou desenhos pelo chão para homenageá-lo.
Lá dentro, vários trabalhadores anônimos. Disfarçando a tristeza em seus músculos fortes. Escorrendo suor no lugar das lágrimas.
Queria um dia passar por uma obra e ver, como num convite de formatura, o nome de todos que ali trabalham, em ordem alfabética.
O Anônimo também estaria lá.