Mudança
feita! Bagunça por arrumar, muitas coisas por desencaixotar... e
vamos dando continuidade ao viver!
Obrigada
pelo carinho que recebi durante a ausência. Aqueceu, motivou a
voltar, a continuar.
E
já que o assunto é a mudança, vou falar do lugar que moramos por
dois anos.
Um
apartamento.
Dois
anos em que eu não pude ser completamente feliz.
Ao
inverso de mim, marido e crianças se saíram muito bem.
O
motivo da minha infelicidade?
A
arquitetura do prédio.
Quando
fomos visitá-lo, não me dei conta. Achei a fachada bonita , a
localização excelente, etc.
Negócio
fechado, mudança feita e aí começaram os problemas.
Olharam
bem para a foto? Viram as pequenas janelas na fachada? Sim, o
banheiro.
O
banheiro era a frente do prédio.
Reclamei
para o marido, que me disse ser uma bobagem este fato, não dava para
ver nada lá da rua.
Isso
reforça a minha tese de que o arquiteto, ou seja lá quem projetou
este prédio era homem.
Homens
não ligam para essas coisas...
Eu
precisava convencer o meu metabolismo que estava tudo bem e resolvi
largar aquela quantidade enorme de caixas para arrumar e desci com o
cachorro para passear.
Havia
uma ruela sem saída defronte ao nosso banheiro.
E
ali, segurando o cachorro, defronte a nossa morada eu fiquei
paralisada: era possível ver uma silhueta sentada em seu momento
íntimo.
ruela defronte
Eu
sou uma pessoa razoavelmente ecológica. Procuro economizar água,
energia e esse meu lado “verde” foi decisivo para um certo bem
estar nestes dois anos.
O
que fez o metabolismo diante das silhuetas expostas? Decidiu-se por
trabalhar somente à noite.
Então
eu ia ao banheiro no escuro, sem acender a luz.
Claro,
que os familiares me indagavam “por que você está no banheiro
escuro? Acende a luz”.
Se
alguém defronte ficasse me olhando, bem que seria engraçado –
tudo escuro e de repente, como uma explosão, um clarão... o segredo
da Nona em ação!
Aproveito
que estou me expondo mais do que deveria e vou confessar para a Chica
que algumas fotos de céu que eu lhe enviei foram tiradas dali, do
banheiro. Espero que não se importe.
Há
outra coisa que eu preciso saber;
A
querida prima morou conosco por um tempo. Nunca tive coragem de lhe
perguntar pessoalmente. Pergunto agora – naquela correria para não
perder a hora do cursinho, naquele tempo em que o norte era o
vestibular, você se incomodava com a silhueta na fachada? Responde
aí nos comentários porque não tenho coragem de perguntar...
A
Júlia, minha filha, sempre me pedia para fechar a janela. Como se
isso resolvesse.
Ah!
Como eu gosto da inocência das crianças.
Embora
eu já esteja em outra habitação, nem adiantaria me sugerir uma
cortina, uma toalha. Era proibido. Normas de condomínio.
Como
eu não tinha nenhuma foto desse local em que fui quase feliz, pedi
ao marido que ficasse defronte para o prédio e tirasse algumas
fotos.
Isso
foi no último dia, quando ele foi para lá entregar o imóvel.
Voltou
feliz por estarmos na nova casa:
“Realmente,
dava para ver tudo. Se a máquina fosse profissional, eu teria
clicado alguém sentado. Que coisa, não imaginei que era tão
nítido”.
Que
sorte que sou ecológica e já estamos na nova casa, com o banheiro no seu devido lugar.