quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sonhos



Espera a chuva parar
e correndo sai
para outra chuva
Para diante das árvores
e deixa os ouvidos se aconchegarem
com a chuva que agora é só das árvores
Som incerto sem ritmo 
Percuciente na terra molhada
folha morta grama escassa
Incerta, abre os braços
e se move para debaixo da árvores
fica imóvel, pacientemente
esperando a folha-nuvem
chover
Chuva trapezista das folhas
salta escorre
Chega o vento
ventando
assusta a folha-nuvem
goteja de uma só vez seu corpo
regador de sonhos.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Rua e vizinhos


Esta festa julhina, foi para mim, muito diferente de todas as que já participei.
Os ingredientes, é fato que são os mesmos: fogueira, chapéu de palha, quentão.

Vizinhos. Esta era uma festa de vizinhos de rua. Muitos vizinhos, daqueles de muito tempo, que criaram os filhos juntos, viram crescer, viram casar, e trazem para a festa agora uma nova geração.
Eu nunca tive vizinhos no plural. No máximo, o do lado.
Morei por pouco tempo em um apartamento, mas ainda as mães desciam com as crianças para brincarem na rua, que não tinha carro.
Logo em seguida, mudamos para uma avenida. O que é muito diferente de morar em uma rua.
Na avenida, ninguém sentado em frente de casa, não tem amarelinha desenhada na calçada. Depois mais apartamentos e assim cresci órfã de vizinhança.
Foi numa tarde dessas que chamaram no portão e a apresentação foi esta: sou sua vizinha lá da parte de cima da rua e vim convidá-los para a festa na rua.
Temos pouco tempo de "rua". Fomos acolhidos com carinho por uma vizinhança animada.
A gente se sente meio esquisiito – entra lá em casa pra dar água pro menino!
Vai aos poucos se soltando.
Acha graça do fogão na rua. Admira o cuidado com a decoração. Toma um quentão.
Entre eles, se faltar uma xícara de açúcar pra receita, não tem problema. Corre ali na vizinha da frente e depois leva um pedacinho do bolo, entra pro café e um dedinho de prosa que logo é hora da janta.
O mesmo calor da fogueira, eu senti no coração das pessoas. Tão diferente do frio do elevador...






A chuva é que poderia ter esperado um pouquinho mais para cair e apagar a fogueira e adiar a quadrilha!





segunda-feira, 9 de julho de 2012

(des)ilusão

Que boa ilusão esta:



Não por me fazer imaginar um mar, um oceano aqui neste pedaço de terra e grama, que é outra ilusão para o concreto real de uma cidade que não é litorânea; não por me fazer quase sentir aquele vento que veleja as embarcações, sonhos, (des)alentos...







A boa ilusão é esta: acreditar que o governo do Estado do Ceará, lá para cima no mapa da geografia, parou, lembrou-se de nós aqui da geografia de baixo, em outro estado tão longínquo e pensou como poderia tornar melhor nossos dias aqui longe do cheiro do mar, dos ventos que estufam a vela e mandou para o prefeito da nossa distante cidade este símbolo de suas águas.
Tantos problemas esse governador deve ter para resolver, mas ainda assim ele se lembra de nós.
Que bonito gesto.
Que boa (des)ilusão.


domingo, 8 de julho de 2012

Mentir não é fácil

Diálogo entre mãe e filho dentro de um shopping:

  • Mãe, a gente pode comer no Mc Donald's, porque faz 1ano e 11 meses que eu não como sanduíche de lá. Pode?
  • Tudo bem Bernardo, mas não conta pra tua irmã que eu te trouxe aqui senão ela vai ficar com vontade.
  • Tudo bem mãe, eu não vou falar nada.
  • Mãe, você tira uma foto minha, eu comendo o hambúrguer.
  • Pra quê isso?
  • Porque meus amigos não acreditam que eu como hambúrguer.
  • Tá bom. Mas a tua boca está toda lambuzada.
  • Deixa assim pra eles acreditarem mesmo que eu estou comendo.
  • Não esquece hein Bernardo: não fale pra tua irmã.

Diálogo entre mãe e filha com a mãe sentada ao computador:

  • Mãe, quando você foi levar o Bernardo na médica, o que vocês comeram?
  • Um arroz, feijão e salada.
  • Mas e essa foto aí do Bernardo comendo hambúrguer?





quarta-feira, 4 de julho de 2012

Refazendo sonhos

Hoje, refizemos caminhos de uns sete ou oito anos atrás.
A paisagem urbana mostrou-se pela janela, ora a mesma, ora subtraída, destruída e seus olhos atentos recordavam sem necessidade de tantas palavras, de tantas perguntas, como foi naquele passado.
Tantas coisas mudam. Outras tantas permanecem iguais.
Em algum momento do caminho, eu pensei: como você mudou neste tempo, meu filho. O sono chegava na cadência de sons e movimentos do ônibus e seu corpo pequenino deixava-se embalar. Em meu colo sua cabecinha adormecida era apoiada pela minha mão para que não balançasse tanto. Ainda cabiam suas pernas no banco ao lado.
Tanta coisa mudou, mas refazendo caminhos, percebi que você não mudou. Percebi que você nunca mudará. Será sempre meu menino, com a minha mão apoiando teu sonhos, mesmo que tuas pernas já não caibam no banco ao lado.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Carro de bois e smartphone



"Era o carro de bois do carreiro Anselmo que costurava os sertões, trazendo notícias e suprimentos ( ... ) " *
O sinal sonoro do carro de bois chegando à fazenda Paraíso, era para Cora Coralina uma janela que se abria para o mundo através das cartas, jornais que vinham de longe. Aquela sonoridade devia lhe trazer uma enxurrada de sentimentos.
Assim ela expressou:
"Uma festa, apurar o ouvido ao longínquo cantar do carro/ avistado na distância/ esperar as novidades que vinham: cartas, livros e jornais" ( Cora Coralina Vintém de cobre - meias confissões de Aninha ).
Seriam as mesmas sensações avivadas pelo cantar do carro e pelo sinal sonoro dos nossos smartphones?
Cora e tantas outras moças e moços e velhos e velhas,  viviam suas emoções até a volta lenta e demorada do carro de boi, do giro vagaroso e rangido de suas rodas de madeira.
E nós? Com a velocidade quase instantânea das nossas mensagens, e-mails, estamos conseguindo saborear as sensações? Ou será que essa enxurrada de sinais sonoros, luminosos nos nossos smartphones está nos afundando, distanciando de nossas próprias emoções?

Uma notícia, em tom de brincadeira, relata uma moda nos Estados Unidos chamada de Phone Stacking, ou Empilhamento de Telefone.
As pessoas reunidas à mesa de um restaurante, colocam seus celulares no centro da mesa com a tela voltada para baixo e aquele que sucumbir aos apelos sonoros do seu aparelho, perde a brincadeira e paga a conta.
Esta maneira "divertida" de encarar um almoço em família ou entre amigos, revela o resultado de uma pesquisa que aponta que 47% dos americanos entre 17 e 34 anos de idade, usam o facebook, twitter ou mensagens na hora de comer.
A brincadeira é uma boa maneira de medir quão viciados em redes sociais estamos, nós e nossos amigos.

Aumentamos surpreendentemente a velocidade do carro de boi para a chegada de nossas cartas, notícias e agora nos aprisionamos nas janelas luminosas dos nossos aparelhos de comunicação.
E você, vai pagar a conta?

* trecho do livro - Cora Coralina Raízes de Aninha.


Este texto eu havia enviado e foi publicado em um blog coletivo que infelizmente foi fechado. Agradeço à Aleska pela oportunidade.

domingo, 1 de julho de 2012

O arraiá na escola

E ontem, sábado, estivemos na festa junina da escola das crianças.
E tinha muita gente!




A Júlia de caipirinha sustentável: o vestido é o mesmo do outro ano!



Detalhe do vestido da Júlia:


Os irmãos



Os doces da festa!


A bochecha da Júlia toda colorida!


A diretora estava de Maria Bonita. Olha só a munição dela:




Danças


Uma apresentação que misturou quadrilha e ginástica olímpica!



E já estamos em julho e em férias!