Esta festa julhina, foi para mim, muito diferente de todas as que já participei.
Os ingredientes, é fato que são os mesmos: fogueira, chapéu de palha, quentão.
Vizinhos. Esta era uma festa de vizinhos de rua. Muitos vizinhos, daqueles de muito tempo, que criaram os filhos juntos, viram crescer, viram casar, e trazem para a festa agora uma nova geração.
Eu nunca tive vizinhos no plural. No máximo, o do lado.
Morei por pouco tempo em um apartamento, mas ainda as mães desciam com as crianças para brincarem na rua, que não tinha carro.
Logo em seguida, mudamos para uma avenida. O que é muito diferente de morar em uma rua.
Na avenida, ninguém sentado em frente de casa, não tem amarelinha desenhada na calçada. Depois mais apartamentos e assim cresci órfã de vizinhança.
Foi numa tarde dessas que chamaram no portão e a apresentação foi esta: sou sua vizinha lá da parte de cima da rua e vim convidá-los para a festa na rua.
Temos pouco tempo de "rua". Fomos acolhidos com carinho por uma vizinhança animada.
A gente se sente meio esquisiito – entra lá em casa pra dar água pro menino!
Vai aos poucos se soltando.
Acha graça do fogão na rua. Admira o cuidado com a decoração. Toma um quentão.
Entre eles, se faltar uma xícara de açúcar pra receita, não tem problema. Corre ali na vizinha da frente e depois leva um pedacinho do bolo, entra pro café e um dedinho de prosa que logo é hora da janta.
O mesmo calor da fogueira, eu senti no coração das pessoas. Tão diferente do frio do elevador...
A chuva é que poderia ter esperado um pouquinho mais para cair e apagar a fogueira e adiar a quadrilha!