domingo, 2 de julho de 2023

Nos braços da Mãe Natureza

 


A respiração um tanto ofegante pelo esforço da subida, logo foi encontrando o seu equilíbrio à medida que os olhos se lançavam em contemplação.

Havia o calor agradável do sol, havia um vento suave, havia o som também suave das águas chegando nas pedras.

Certamente uma ou outra ave que a câmera fotográfica não capturou.

A respiração, porém, não ficou em modo suave, não se manteve tranquila.

Pude sentir quando a vergonha, a pequenez,  tomava de assombro meu corpo inteiro, meu ser. O ar entrava estreito, curto.
Os ventos da minha respiração movimentavam as águas internas que não demoraram a brotar dos olhos. Aqueles mesmos olhos que antes contemplavam, agora se encolhiam de vergonha.

Por que?

O mar passou a me olhar. Era ele, o mar, as águas, o oceano, todos os seres das profundezas que eu não enxergava, eram eles que me enxergavam e me contemplavam.

As rochas, a brisa, a ave que sobrevoava mas não foi fotografada. Ela também demorava o olhar em mim.

E eu sabia exatamente o que eles viam...

Eu. Um homem, uma mulher, um ser humano. A espécie humana que quer, que precisa de toda aquela beleza e não sabe dela cuidar.

O humano que sonha em estar em Marte. O humano que contaminou oceanos inteiros com plástico, com micro partículas de plástico e com tanto mais.

Toda aquela exuberância voltava os olhos para mim.

Naquele momento, sem agressão, sem palavras duras, sem apontar de dedos. Mesmo estando brutalmente ferido, o mar, o oceano, a natureza toda, era só amor.

Um amor doce e suave feito a brisa, o som da onda quebrando na pedra. Um amor que clamava singelo por um cuidado maior.

A grande ferida a sangrar, ali, naquele momento, não se deixava ver. 
Era apenas sussurro "ainda há tempo, cuide-nos".

Meu corpo, a espécie humana que destrói.
Meu corpo, totalmente dependente da água, da chuva, do sol, do mar, das abelhas, dos fungos. Os olhos da espécie humana que insistem em não enxergar.

Me envergonhei, me encolhi e senti-me ainda assim, acolhida pela Mãe Natureza que insiste em nos amar.

Se você já faz algo pela nossa casa comum, siga fazendo.
É amplo e complexo, feito um oceano, as soluções.
Ingênuo pensar que depende só de atos individuais, mas certamente eles trazem impacto positivo.

Acho que vez por outra deveríamos nos colocar no lugar das árvores, das águas e imaginar o que sentem.

O assunto do meio ambiente tem estado bastante em meus pensamentos e quero trazê-lo para cá mais vezes.

É tão belo nosso planeta! Contemplemos e cuidemos dele!






sexta-feira, 30 de junho de 2023

Tomar alento

O desalento faz insistências em tomar de assalto o olhar

Consegue, por vezes 

O alento, o remédio

É pousar e demorar o olhar

Numa folha

Um pedacinho de natureza

Quieto, silencioso quando o vento é pequena brisa

Uma breve agitação

Uma breve surpresa, ágil em minúsculas patas

Que devem pisar com suavidade o solo das folhas

Sendo lavanda, caminham em maciez e se perfumam.










terça-feira, 20 de junho de 2023

Piazza di Spagna


Praça da Espanha ou, perrengues de viagem!

Tinha visto em filmes, novelas, nos blogs turísticos, então queria muito conhecer a praça com a escadaria florida na primavera.

Soube também que na igreja, lá vários degraus acima, 132 para ser exata, há uma belíssima escultura ( veja aqui ), e eu queria muito vê-la.



Subimos, apreciamos muito a bela vista, que realmente é encantadora.


Enquanto apreciávamos a vista me dei conta que a porta da igreja estava fechada.
Ah mas eu queria tanto conhecer a igreja...
De repente, entre meu olhar triste lá para a porta fechada, eu avistei um adulto e uma criança subindo as escadas laterais e entrando na igreja.

É isso!

A entrada é pela lateral. "Vamos, vamos, marido" - eu disse eufórica!
Achei bem bonita a cena: a criança ia na frente, subindo saltitante os degraus laterais, o homem a seguia logo atrás e nós, marido e eu, apurando os passos para seguí-los.

Entramos logo em sequência a eles. Confesso que achei bem estranha a igreja que eu tanto havia sonhado em conhecer.
Porém nem houve tempo para minha estranheza...
Só me lembro de alguém um tanto bravo, dizendo, bem, eu entendi duas palavras apenas:
"Senhora, escola".

Nem me desculpei porque a vergonha foi imensa! Entramos num colégio infantil!

Desci os degraus laterais feito um foguetinho. Tomei umas inspirações profundas e aí sim caímos na gargalhada!

Bem, a igreja seguiu fechada e assim apreciamos a beleza da praça em si.

Já sabe né?! Se você for lá para aquelas bandas, entre na igreja pela porta central. Desejo que esteja aberta!








domingo, 18 de junho de 2023

Em Belo Horizonte

 


Ainda quero escrever mais sobre alguns lugares que visitei na Itália.
Mas, hoje vamos de Belo Horizonte, Minas Gerais!

Como eu já havia relatado anteriormente, nossa filha Júlia cursará medicina na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG.
O curso inicia em agosto. Então fomos para a capital mineira procurar moradia para a menina.


Júlia no campus Pampulha


Centro de BH



Os ipês estão carregadinhos de flores de um rosa forte.




Entre muita caminhada, aproveitamos também para passear.





Estivemos em um parque muito tranquilo para repor o fôlego das longas caminhadas!





Teve muito pão de queijo, teve Santo Antônio também!


Basílica Nossa Senhora de Lourdes

Fomos à Belo Horizonte para encontrar moradia para a Juju e sim, conseguimos!
Júlia dividirá um apartamento com uma outra estudante.
Assim ficamos mais tranquilos nessa nova etapa da vida que ela vai iniciar.

Agora é planejar, organizar, olhar detalhes para que ela inicie em agosto com tranquilidade.

Boa semana a todos!



terça-feira, 13 de junho de 2023

Padova

 No meu passeio por um pedaço da Itália, tivemos uma breve passagem, breve mesmo, uma hora e meia, por Pádua.

Especificamente conheceríamos a basílica de Santo Antônio de Pádua.

O dia estava chuvoso, tivemos que caminhar um bom trecho a pé e meus pensamentos enquanto seguíamos pelas ruas molhadas era apenas "mais uma igreja".

Passei pela porta da igreja sem expectativa nenhuma e foram apenas alguns passos, três ou quatro para que eu fosse inundada por uma sensação estranha porém agradável e intensa.



Não era sobre a beleza desta basílica em si, já tinha visto em termos de obras de arte, arquitetura, outras mais belas.

Era algo mesmo além disso.
Dentro da basílica era proibido fotografar, certamente na internet é possível encontrar registros, inclusive a fotografia que eu fiz não conseguiu retratar o tamanho e a beleza toda de seu exterior. 

Fiz fotografias do claustro que é anexo à basílica.







Após nosso retorno, Sant'Antonio di Padova permanecia em meus pensamentos. Peço desculpas mas eu confesso que, as histórias que eu conhecia, santo de cabeça para baixo, santo no freezer, nunca me agradaram e não gosto dessa abordagem.

Seria apenas isso Santo Antônio? Ou seria meu conhecimento, melhor ainda, o meu não conhecimento a respeito do menino Fernando, que se tornou Santo Antônio, que era ausente?

No dia seguinte ao nosso retorno, ainda com metade da mala para ser desfeita, soou a campanhia e um moço de voz bonita me entregava a biografia de Santo Antônio de Pádua.

O livro está emprestado, aliás tem uma fila de empréstimos!

Levei cinquenta e um anos achando que Santo Antônio era apenas festa junina, simpatias e santo casamenteiro...

Acho que comecei a entender tudo o que senti naquela igreja. É incrível a vida e as ações, a entrega, a fé de um Fernando que se tornou Antônio.

Se você tem, como eu tinha essa visão pequenininha desse imenso santo, vai se encantar com a biografia dele.

É fato que tem sim ajuda nos dotes de moças para casar, mas é algo muito, mais muito maior que isso.













sexta-feira, 26 de maio de 2023

Itália

 Sim! Itália!

Era um sonho antigo e, para nós que temos que atravessar o oceano, é um tanto mais difícil.

Enfim, o momento de realizar o sonho de conhecer a belíssima Itália chegou!


Claro que quando digo “conhecer a Itália”, não é uma verdade. Como turistas, conhecemos um recorte num curtíssimo tempo.

O suficiente para nos encantar, marido e eu.


Chegamos em Roma e tínhamos esse primeiro dia livre, já que fomos com uma operadora de turismo em grupo.


O Vaticano foi o que escolhemos para ter nosso primeiro contato com as belezas da arte, da arquitetura.


Saí daqui do Brasil com a intenção de estar com os olhos livres para poder apreciar aquilo. Para mim, a linha é muito tênue, é muito fácil contaminar o olhar com a ostentação da Igreja, com seu período cruel, enfim as mazelas.


Lembrei-me da fala de um professor muito querido que dizia algo assim: quando você vai receber em sua casa alguém muito querido, que você deseja muito acolher, receber, você colocará a melhor toalha e a melhor louça na mesa. Seus lençóis estarão perfumados.


O estilo do Vaticano, particularmente, não é o que eu tenho afinidade, mas isso não me impediu de admirar a beleza delicada, grandiosa de tudo aquilo.


Não posso deixar de registrar que nesse primeiro dia, fui surpreendida quando estávamos no hotel, pelos sinos de uma igreja que não estava ao alcance dos olhos, mas me encantou ao tocar a ave-maria às seis horas da tarde.


Aliás, os ouvidos foram agraciados com o badalar dos sinos por todos os lugares que passamos. Um deleite!







quarta-feira, 24 de maio de 2023

Retornada da viagem

 Foi um sucesso a nossa viagem. E o que é uma viagem de sucesso para mim?

Saímos deixando todos bem e no retorno encontramos todos bem. No entremeio, a viagem, com toda a beleza, os muitos perrengues que foram superados, as dificuldades e as delícias de estar num país diferente.


E eu estou com muita saudade daqui, desse mundo da blogosfera! Então vou chegando de mansinho, entre a desarrumação das malas, a arrumação da casa, a visita entre um blog e outro.


Trarei vários registros aqui no blog, uma forma de compartilhar com vocês e registrar essas memórias.


Ah, mas não vou contar ainda para onde fomos!


Quem arrisca decifrar?!


É um país que tem muito vinho e assim usa-se a rolha até como peso, prendedor de porta!



Oliveiras. Muitas.



Dica de comida, assim fica mais fácil. E olha, comemos muito, mas muito mesmo!



Na verdade, a melhor conjugação verbal é “tomamos”.


E agora, arriscam um palpite?!