"Preciso ver esse filme" - foram as palavras de meu marido.
Não fomos. Lamentei, mas a imagem que estava no cartaz não saía da minha cabeça.
Fui procurar na internet. Não sou muito boa para encontrar filmes; fui no bom e velho youtube e lá estava.
É um filme japonês de 2008 de Yojiro Takita, eu nunca tinha ouvido falar.
A morte é o tema central e há tanto nas entrelinhas.
Neste mesmo dia encontrei um antigo livro, A Arte da Felicidade de Dalai Lama e Howard Cutler com uma história sobre a morte que eu já havia falado aqui no blog, mas não coloquei a história e sim o que eu me lembrava dela.
Antes de falar mais sobre o filme quero costurar aqui a história:
"Na época do Buda, uma mulher chamada Kisagotami sofreu a morte do seu único filho. Sem conseguir aceitar o fato, ela corria de uma a outro, em busca de um remédio que restaurasse a vida da criança. Dizia-se que o Buda teria esse medicamento.
Kisagotami foi ao Buda, fez-lhe reverência e apresentou seu pedido.
- O Buda pode fazer um remédio que recupere meu filho?
- Sei da existência desse remédio - respondeu o Buda. - Mas para fazê-lo, preciso ter certos ingredientes.
- Quais são os ingredientes necessários? - perguntou a mulher aliviada.
- Traga-me um punhado de sementes de mostarda - disse o Buda. A mulher prometeu obter o ingrediente para ele; mas, quando ela estava saindo, o Buda acrescentou um detalhe. - Exijo que a semente de mostarda seja retirada de uma casa na qual não tenha havido morte de criança, cônjuge, genitor ou criado.
A mulher concordou e começou a ir de casa em casa à procura da semente de mostarda. Em cada casa, as pessoas concordavam em lhe dar as sementes; mas, quando ela lhes perguntava se havia ocorrido alguma morte naquela residência, não conseguiu encontrar uma casa que não tivesse sido visitada pela morte. Uma filha nessa aqui, um criado na outra, em outras um marido ou pai haviam morrido. Kisagotami não conseguiu encontrar um lar que fosse imune ao sofrimento da morte. Vendo que não estava só na sua dor, a mãe desapegou-se do corpo inerte do filho e voltou ao Buda, que disse com enorme compaixão:
- Você achava que só você tinha perdido um filho. A lei da morte consiste em não haver permanência entre todas as criaturas vivas. Ninguém vive sem estar exposto ao sofrimento e à perda."
No filme, a morte é retratada em seu momento final: a preparação do corpo. Tudo com absurda poesia.
"Fazer reviver um corpo frio e dar a ele beleza eterna. Isso tudo feito com muita tranquilidade, precisão e sobretudo com infinito afeto. Participar do último adeus e acompanhar o morto em sua viagem. Nisso eu percebia uma sensação de paz e extraordinária beleza"- do filme A Partida.
Um filme de 2h e 10min. Um filme soberbo.
Uma Feliz Páscoa a todos!
