terça-feira, 29 de novembro de 2011

Janela da Vida




A vida se desnuda na  janela
intensa
feia, bonita
todos os contrastes
que nos permitem
o simples e complexo
viver

Segredo da Nona


Que eu não sou lá uma boa quituteira, isso eu já sabia. Mas que eu era tão péssima, realmente me surpreendeu.
Meu bolo de laranja ficou assim:


É preciso colocá-lo dentro do contexto do dia em que foi feito – aquele dia de perder o fôlego por causa da vizinha. Ainda assim não precisava ter ficado tão ruim.
Se bem que, ruim de sabor, não ficou não. Como disse meu filho, o problema foi apenas estético. Todo esfarelado, porém gostoso.
Pensar assim não amenizou o desconforto da minha auto-estima estar lá no chão, principalmente esses dias que eu vi um bolo lindo de aniversário pela internet, e tinha jeito de ser verdadeiro.
Diminuída em minhas aventuras gastronômicas, fui buscar as crianças na escola. Era final da tarde, momento de se pensar no jantar, aquela angústia, mas é preciso manter a cabeça erguida.
E foi no erguer a cabeça que eu encontrei o Sr. Oshiro no meu caminho.
Sua kombi estacionada é de um branco tão alvo que faz inveja até para propaganda de sabão em pó. Um enorme guarda-sol azul turquesa e lá dentro o Sr. Oshiro sentado num banquinho, fritando pastéis pequeninos numa pequena panela e resfriando-os num mini ventilador. É preciso também descrever que todo o interior da kombi é revestido de um papel igualzinho ao de todas as caixinhas e caixas maiores e o próprio banquinho do Sr. Oshiro.
Era tudo o que eu precisava para o jantar: pastéis do Sr. Oshiro!
Então ele me pergunta: “senhora sabe fritar pastel de queijo, nom?”
Controlei o choro que ficou preso na garganta. Se nem bolo de laranja sei fazer, que dirá fritar pastéis de queijo.
Ele leu meus olhos aflitos e explicou calmamente: primeiro coloca palito de fósforo no óleo, quando acender coloca pastéis apenas quatro que é pra óleo não esfriar, senão queijo sai de dentro do pastel.
Era tudo o que eu precisava ouvir, porque não tinha ainda comprado uma caixa de fósforos. E se a energia for programada para ficar desligada novamente?
Comprei fósforos, fritei como me fora ensinado. Sucesso absoluto para o jantar.
Eu agradeci em pensamento o Sr.Oshiro por me falar de fósforos e no meio do agradecimento eu lembrei da Regina.
Ah! A Regina foi uma grande amiga no passado. Grande até no tamanho. Uma italiana alta.
Fazíamos yoga juntas. À medida que a amizade crescia, chegávamos cada vez mais cedo para a aula, só para ficar conversando.
Numa tarde, ela bruscamente interrompeu a conversa e disse que precisava ir ao banheiro. Abriu a bolsa dela que estava ao lado e tirou de lá uma caixa de fósforos.
Eu fiquei horrorizada.
'Regina, você fuma?'
Claro que não! Você não conhece o segredinho da Nona sobre o palito de fósforo?
Deixou a pergunta no ar e saiu apressada.
Demorou tanto que quando voltou, a aula já havia começado e não pudemos conversar.
Para mim foi uma aula péssima. Eu não conseguia me concentrar, quando era para fazer exercícios de respiração tentava disfarçadamente perceber se havia cheiro de cigarro, charuto, cachimbo na Regina e quem disse que no final eu conseguia fazer relaxamento?
Não aproveitei nada da aula, mas a explicação que a Regina me deu, foi proveitosa para uma vida inteira.
Foi a Nona que me ensinou isto, lá na Itália. Quando você for ao banheiro fazer aquelas coisas mais sólidas, leve sempre uma caixa de fósforos. Quando terminar, risque um palito que o cheiro some. Então a próxima pessoa que entrar no banheiro, nem vai perceber que você fez 'aquilo'.”
Essa Nona! Quase pensei errado da Regina...

Você conhecia o segredinho da Nona?  

domingo, 27 de novembro de 2011

Máquina fotográfica


Alguns meses antes do meu filho nascer, eu fiz uma aquisição importante : uma máquina fotográfica.
E comprei cinco rolos de filme de 36 poses.
A máquina tinha uma tecnologia inovadora que era rebobinar o filme quando este chegava ao final.
Ouvir aquele barulhinho “automático”despertava várias sensações em mim! A ansiedade em mandar logo para a revelação, depois me deliciar vendo as fotos, escolher as melhores para mais cópias.
E assim, mês a mês, meu rebento tinha muitas fotos. Muitas, nem tanto, porque a quantidade de fotos tremidas, cortadas, embaçadas eram muitas também. Então salvava-se das 36 poses, uma dezena de fotos aproximadamente.
Nos primeiros meses do bebê, eu precisa me deslocar até um outro bairro, onde havia uma rua estreita somente de lojas de revelações. Escolhia-se pela simpatia da loja e também pelos brindes oferecidos – uma ampliação, um pôster, desconto no próximo rolo de filmes.
Posteriormente, inaugurou uma loja bem próximo de casa. Colocava o bebê no carrinho e lá íamos para mais uma revelação. Essa era uma loja muito mais moderna que as anteriores. Ali me davam muitas dicas, como por exemplo a maneira de colocar o filme na máquina que poderia render até duas fotos a mais.
Quando havia pouco serviço eles sugeriam que eu esperasse por ali enquanto revelavam. Entre brincadeiras com o Bernardo, dicas de melhorar as minhas fotos, saía de lá com o pacote de retratos, uma ampliação garantida, escolhia alguns modelos para fazerem em “sépia”( parecia mágica poderem transformar uma imagem), já comprava um novo filme e me arriscava em filmes com mais qualidade, usado por profissionais.
E o melhor de tudo: sempre se encantavam com uma das fotos e me pediam para expô-la na vitrine dentro de um belo porta-retratos. Para a vaidade de mãe, não havia nada comparável!
Relutei um pouco em passar para a digital. Lembro-me das inúmeras reportagens que li e ouvi falando da quantidade de pessoas desempregadas por conta do fechamento das enormes fábricas de filmes fotográficos.
Mas, a máquina digital, de repente, estava em minhas mãos.
Foi fascinante poder ver imediatamente a foto e ali eu mesma transformá-la em sépia que tanto gostava, apagar e muitas possibilidades mesmo no meu pouco entendimento de técnicas para fotografar.
Ainda tinha por hábito prender a respiração para não tremer a foto!
Aos poucos fui relaxando.
Lembro-me de uma noite fria de inverno, eu tinha recém descoberto a possibilidade de fazer fotos em movimento e chamei as crianças para fazerem cambalhotas.
Foi pura alegria e muita risada.
Mesmo com as facilidades da máquina digital, não foi tão fácil assim para mim congelar aquele momento no ar.
Para fotos caseiras até que ficaram boas, mas o principal foi a diversão!







E as suas peripécias com uma máquina fotográfica?
Beijo






sábado, 26 de novembro de 2011

Mário Lago 100 anos

26 de novembro de 1911 nascia Mário Lago, que para mim era somente o ator que me encantava nas novelas. Surpreendi-me ao saber que cantava, compunha, escrevia...
Em homenagem ao centenário de seu nascimento um poema bem ao seu estilo: leve, descontraído de quem olhou para a vida e viu muitos sorrisos.


Proclamação do amor anti gramática

"Dá-me um beijo", ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te". aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
Vós és o meu bem querer

Mário Lago

Dia mundial sem compras




Hoje é o Dia Internacional de Não Comprar Nada – Buy Nothing Day.
A edição deste movimento de conscientização do consumo ocorre no último sábado do mês de novembro.
As pessoas se unem em prol do consumo consciente e da responsabilidade para com o Planeta e se desafiam a passar um dia inteiro sem fazer compras.

Acho interessantíssimo as reflexões que esse dia pode proporcionar para que não fique apenas no “último sábado de novembro” e passe a ser uma atitude para todos os dias.
O Tulio Kengi Malaspina traz um artigo excelente e um exemplo de uma inovadora campanha que se propõe a fazer roupas duráveis evitando que se compre sem necessidade.
Vale conferir ( clica ali no nome dele).


Outra dica que combina com este dia e com atitudes sustentáveis é o blog Maria Reciclona. Ideias prá lá de charmosas.


Obrigada Manoel pela dica, é óbvio que reciclagem combina com menos consumo!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

De perder o fôlego


A tarde hoje estava agradável. Um céu azul de sexta-feira, eu fazendo bolo de laranja e ouvindo música. A música não era propriamente do meu gosto, mas como era meu vizinho de cima que a escutava num bom volume, acabei aproveitando o som.
Assim que fechei a porta do forno e bateram na porta dos fundos. Ou melhor, tocaram a campainha. Coisa estranha. Nunca tocam. Sempre o porteiro interfona antes.
Quando eu abri a porta, simplesmente perdi o fôlego. A vizinha de cima.
Com uma mão segurei o cachorrinho e com a outra o coração que havia saído pro lado de fora.
Ela leu a minha postagem de perder o sono e agora?
Preciso muito falar com você, posso entrar?
Eu, com o coração na mão, o cachorro, nem conseguia falar, apenas fiz que sim com a cabeça.
A cabeça girava à velocidade da Terra, que eu não sei qual é, mas sei que é bem rápida.
Eu e a vizinha frente a frente. Como ela leu? Como ela encontrou meu blog?
Enquanto eu tentava pensar, ela começou a chorar.
Céus, será que foi tão horrível o que eu fiz. Ah sim, foi. Eu desnudei a intimidade dela na rede. Peço perdão já, ou espero o pior acontecer?
Você me desculpa vir assim, tocando sua campainha de repente, é que eu preciso desabafar.
Estava embaraçoso, mas talvez depois que ela leu, sentiu vontade de falar algo, um segredo profundo.
Sabe, eu sou sua vizinha.
Sim, claro que eu sei – apenas pensei, continuava muda, sempre esperando pelo pior.
E eu preciso saber se você ouve barulhos.
Pensei em responder que por causa dos hormônios eu tivesse ficado com uma leve deficiência auditiva e não ouvia os barulhos, mas num momento de lucidez, eu pensei: se ela leu o blog, vai saber que isto foi um comentário da Ivani.
Imaginei-me perante o juízo final e achei melhor dizer a verdade, somente a verdade.
Sim, eu ouço barulhos.
Você estava ouvindo a música?
Sim, inclusive dançando porque não é fácil bater bolo na mão ( nem me ocorreu pedir a batedeira dela emprestada).
Então, ela disse: eu não aguento mais e o choro ficou forte.
Eu ainda estava segurando o cachorro e o coração e não estava entendendo nada.
Eu não aguento mais esse vizinho aí de cima.
Como assim? O vizinho de cima não é você?
Não, eu sou do lado.
E vim aqui saber se você escuta barulhos à noite, porque eu e meu marido não sabemos mais o que fazer.
Neste momento botei o coração pra dentro de volta e só pensava no blog.
Então não são eles?
Ela veio me pedir alguma sugestão, desabafar, porque hoje, justamente hoje no dia do seu aniversário aquela música ensurdecedora.
Tudo o que eu consegui dizer era que nós estávamos praticamente de mudança.
Aí ela me pediu o meu e-mail, porque eu era muito legal, nós nem nos conhecíamos e eu a ouvi, ela precisava desabafar. Eu era tão legal que que convidou para um café ( eu nem ofereci água para ela).
Agradeci; quase pedi para ela ser seguidora do meu blog. Aí eu me lembrei dos cometários sobre seguidores e achei melhor nem falar sobre o blog. Afinal neste momento a última pessoa que eu quero que leia o blog é ela.
Ela me abraçou no final, disse que estava tentando engravidar.
Eu disse que sabia disso e abracei-a desejando um feliz aniversário.
Pedi desculpas por não ter nenhum conselho prático.
Ela se foi.
Eu recobrei meu fôlego perdido.
Penso que isto pode ser um aviso mesmo que hoje não seja sexta-feira 13. Será melhor eu parar com essas coisas de blog? Acho que o blog anda atraindo umas coisas estranhas para mim: aquela assombração na mesma porta dos fundos, o italiano de duas mil palavras, a vizinha de cima, que na verdade é do lado direito.
Vou tomar um fôlego, me benzer e canja. Porque já dizem por aí: canja de galinha não faz mal à ninguém.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Seguidores


Seguidores de blog. Assunto que considero um tanto espinhoso para abordar, mas hoje ao ler no excelente blog da Vivi, que é super antenada, que o Google vai descontinuar, cancelar, suspender o google friend connect ou conhecido como caixa de seguidores, senti vontade de falar do aspecto mais reflexivo dos seguidores, porque é lógico que eu que já fui e ainda sou a anta laranja para muitos, é que não vou dar dicas práticas a respeito.
Antes de se desesperarem com o sumiço dos seguidores, passem lá na Vivi!

Qual a importância dos seguidores para nós blogueiros? Precisamos de seguidores? Você acha que os seguidores são um termômetro dos blogs?

Há quase um ano, quando eu comecei a frequentar os blogs, ainda não tinha o meu, chamava-me a atenção o número de seguidores. Os que já estavam na casa da centena, aqueles poucos que alcançaram a marca de alguns milhares, os da dezenas e o meu, quando comecei que não chegava aos dedos de uma mão. E claro que isso me impressionava.
Com o tempo percebi que o número de seguidores nunca correspondia ao número de comentários.
Fiz o meu primeiro blog e a cada novo seguidor, uma alegria, uma vontade de continuar a escrever, porém o padrão seguidor/comentários era o mesmo dos outros blogs, uma disparidade.
Entendi que muitas pessoas te seguem por retribuição apenas, nunca mais voltam ao blog.
E depois percebi que tem pessoas que não te seguem não fazem parte das estatísticas, mas estão sempre presente comentando.
Há blogs com finalidades profissionais, onde os números são muito importantes e já vi blogs excelentes que não crescem em seguidores.
Enquanto se tem um número pequeno, é fácil conseguir interagir com frequencia com seus seguidores, não sei como se dá essa relação com números maiores.
Uma vaidade ter muitos seguidores? Uma consequência do seu trabalho? Ou da insistência para que te sigam?!
Eu tenho duas experiências: uma com a caixa de seguidores neste blog, e dois outros blogs onde não coloquei a caixa, não aparecem seguidores, embora em um número bem menor as pessoas leiam estes blogs.
Além das funções estimulantes, envaidecedoras dos seguidores, há outra bem prática: quando você tem um blog e segue os outros, eles aparecem ali no seu painel, o que no ponto de vista, facilita muito administrar as visitas.
Então, eu quero saber, você vai sofrer muito se ficar sem a sua caixa de seguidores?

Retomarei este assunto em outra postagem, porque quero associá-lo ao 'tempo'.
Beijos