Li num caderno literário de jornal a seguinte nota:
"Comemorada no dia de São Jerônimo (30) a data será lembrada pelo Instituto Goethe com laboratório de tradução..."
Achei instigante o santo estar ali mencionado numa agenda de eventos literários e fui atrás de saber.
São Jerônimo faleceu no dia 30 de setembro, então o porquê da data, e era considerado um exegeta, ou seja um intérprete de textos, palavras, leis, gramática.
Estudioso de idiomas, inscrições em catacumbas, traduziu com precisão a Bíblia para o latim.
Hoje, então é comemorado o dia do Tradutor, que fica nas maiorias de nossas leituras estrangeiras, tão renegado ou mesmo nem lembrado.
E que nossa Literatura Brasileira ganhe através do maravilho dom dos tradutores, cada vez mais o mundo.
Sem deixar de lembrar que São Jerônimo é o padroeiro das secretárias, que infelizmente e de forma não merecida comemoram a data cheia de piadas de mal gosto.
E que São Jerônimo, exegeta, aquele que faz exegese - comentário e interpretação de textos, inspire os muitos internautas que insistem em lançar lixo, dejetos podres em comentários que espalham sob o manto do anonimato.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
domingo, 28 de setembro de 2014
A beleza do feijão
Estavam no corredor aguardando o elevador. As três amigas desfrutavam sempre com muita conversa, risos, o horário de almoço. Desciam juntas e escolhiam o mesmo restaurante.
Viram pelo painel que o elevador estava parado no penúltimo andar, mas já vinha descendo.
Ficaram paralisadas quando a porta se abriu.
Quem era aquele deus grego deslumbrante, que deu uns passos para trás, para que pudessem entrar?
Que olhos, que músculos que a camisa social justa sugeria. Aquilo não podia ser verdade...
E o perfume, o cabelo, o relógio. Da onde caiu aquela belezura?
O silêncio até o térreo estava mesmo engraçado. Saíram e começaram a caminhar devagar até que viram que o rapaz as ultrapassava.
Não tiveram nem tempo de começar os comentários e as impressões sobre aquela perfeição quando viram que a beldade entrava justamente no restaurante para onde estavam indo.
Só podia ser um golpe do destino. Era muita sorte.
Esses eram os pensamentos da Carla, a única sem namorado das três.
Portanto, ela apertou o passo, passou álcool gel nas mãos e rapidamente pegou seu prato e viu-se exatamente atrás do bonitão.
Ambos segurando o branco prato vazio, foram circulando o balcão onde estavam as saladas, massas, carnes, sobremesas.
Ele dirigiu-se firme, inclinou o corpo e preencheu todo o prato com melancia. Muita melancia. Melancia picada em cubos, algumas formas saiam triangulares, enfim todo o prato cheio de melancia.
Céus - ela pensou - além desse excesso de beleza, ele cuida da alimentação. Começa o prato com melancias...
Então aconteceu.
O moço segurando firme suas melancias acomodadas no prato branco, ultrapassou a mocinha que suspirava desde que o vira no elevador, e parou em frente ao caldeirão de cerâmica vermelha onde borbulhava o feijão.
Encheu a concha e despejou-a em cima das melancias.
Até o cupido que os sobrevoava, esperando o momento derradeiro de lançar a flecha do amor, desmaiou ao ver os cubos de melancia nadando no feijão.
Fim.
Tudo isso é só para perguntar qual é e como é o seu feijão?!
Certa vez eu li sobre um homem que espantava clientes de um restaurante a quilo por mergulhar pedaços de melancia no feijão!
Viram pelo painel que o elevador estava parado no penúltimo andar, mas já vinha descendo.
Ficaram paralisadas quando a porta se abriu.
Quem era aquele deus grego deslumbrante, que deu uns passos para trás, para que pudessem entrar?
Que olhos, que músculos que a camisa social justa sugeria. Aquilo não podia ser verdade...
E o perfume, o cabelo, o relógio. Da onde caiu aquela belezura?
O silêncio até o térreo estava mesmo engraçado. Saíram e começaram a caminhar devagar até que viram que o rapaz as ultrapassava.
Não tiveram nem tempo de começar os comentários e as impressões sobre aquela perfeição quando viram que a beldade entrava justamente no restaurante para onde estavam indo.
Só podia ser um golpe do destino. Era muita sorte.
Esses eram os pensamentos da Carla, a única sem namorado das três.
Portanto, ela apertou o passo, passou álcool gel nas mãos e rapidamente pegou seu prato e viu-se exatamente atrás do bonitão.
Ambos segurando o branco prato vazio, foram circulando o balcão onde estavam as saladas, massas, carnes, sobremesas.
Ele dirigiu-se firme, inclinou o corpo e preencheu todo o prato com melancia. Muita melancia. Melancia picada em cubos, algumas formas saiam triangulares, enfim todo o prato cheio de melancia.
Céus - ela pensou - além desse excesso de beleza, ele cuida da alimentação. Começa o prato com melancias...
Então aconteceu.
O moço segurando firme suas melancias acomodadas no prato branco, ultrapassou a mocinha que suspirava desde que o vira no elevador, e parou em frente ao caldeirão de cerâmica vermelha onde borbulhava o feijão.
Encheu a concha e despejou-a em cima das melancias.
Até o cupido que os sobrevoava, esperando o momento derradeiro de lançar a flecha do amor, desmaiou ao ver os cubos de melancia nadando no feijão.
Fim.
Tudo isso é só para perguntar qual é e como é o seu feijão?!
Certa vez eu li sobre um homem que espantava clientes de um restaurante a quilo por mergulhar pedaços de melancia no feijão!
Usamos rotineiramente feijão carioca ou o que nos vem da roça temperado com bastante alho e orégano, que aprendi com uma amiga, e realmente dá um sabor especial ao feijão.
Uma outra amiga, um dia recordando de quando era criança e ia para a casa da dona Lourdes que fazia feijão de corda, colocava numa bacia com farinha e fazia bolinhas com a mão e ia colocando nas boquinhas famintas ali ao redor dela. Eram oito filhos em escadinha e mais a minha amiga.
Lembrando dessa história que ela contava, um dia na feira encontrei o feijão de corda, comprei, fiz conforme a história que ela me contou, mas confesso que não ficou gostoso. Acho que faltou o sabor da minha participação na história... Eu não vivi aquilo. O sabor nunca seria o mesmo.
E então, qual é, como é o seu feijão?
E por falar em melancia, experimentar novos sabores é sempre bom!
Foto instagram - @olivesundays
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Jovens e alcoolizados
imagens Google
Estas imagens estavam salvas no meu computador desde o final do ano passado. Eu tinha idealizado fazer uma postagem próximo ao Natal; acabei desanimando pela baixa interação da época e até mesmo pela falta de tempo que deve ter me envolvido.
A ideia era escrever exatamente de acordo com as imagens - espumante para crianças, o que você acha.
Hoje não quero escrever sobre crianças e espumantes, mas sobre jovens e o álcool ( ou, no fundo, é a mesma coisa? ).
Motivada pela triste notícia de um jovem de 20 anos encontrado morto em uma festa dentro do campus da Universidade de São Paulo. Especificamente, motivada pelas lágrimas do pai do garoto, antes de saber do ocorrido, com aquela esperança que intimamente já não se encontrava com ele.
Não se sabe ainda sobre a causa da morte e nem é momento para especulações.
Quero falar de números. Cinco mil jovens estavam no local da festa, que mediante pagamento de convite, tinham direito a bebida à vontade.
e foi este dado que me chamou a atenção: 40% desses jovens tiveram que ser atendidos na enfermaria do local; estavam passando mal de tanta bebida.
Não é preciso citar uma festa para ilustrar. Basta ver um grupo de jovens num mercado e observar o que eles compram. É clássico: um litro de vodca, energético e refrigerante. E sim, a funcionária do caixa segue rigorosamente a lei solicitando um documento de identificação, afinal é proibido vender bebida alcoólica para memores. E sim, é claro que num grupo de cinco ou seis, sempre há o habilitado a efetuar a compra.
Da onde vem o incentivo a beber tão cedo? Por que? O que se busca? O grupo, ser bacana, uma sensação?
Enquanto as perguntas se multiplicam, leio notícia de hoje ( 24/09 ) que o governo adia para 2015 o aumento de imposto para cervejas e refrigerantes. Não seria nada bom uma notícia dessas chegando a caminho da eleição. Não desceria redondo.
Você já viu uma propaganda mostrando um ( a ) jovem bêbado? No sentido literal, ou seja, vomitando, com baba na cara, no nariz, talvez as calças urinadas ou evacuadas, caído pelas ruas imundas?
Não, você não viu. O que você vê é idílico, é maravilhoso.
O dia é ensolarado e quente, piscina ou praia, garotos musculosos com um magricelas para fazer o papel do idiota que não bebe, e em abundância, garotas, muitas garotas com trajes diminutos.
É só alegria; é sinônimo de amigos, de festa, juventude.
Não se trata de não beber. Trata-se dos excessos.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
Dia Mundial Sem Carro
Será apenas uma data; nas capitais, uma faixa, alguns voluntários e esforçados defensores.
E é com lamento, que eu fui ao longo do tempo tendo que admitir, que a maior responsabilidade pelo caos na mobilidade urbana causado pelo excesso de carros não é exclusiva dos donos de automóveis.
Neste dia mundial sem carro, observe atentamente na sua tv, as propagandas, a publicidade. É esmagador o número de publicidade de carros, sejam modelos novos, novas marcas, descontos exclusivos, enfim, além do excesso nas ruas, excesso nas telas de tvs.
Transporte público, que seria a alternativa viável, aqui em São Paulo, afirmo que é inviável. Nos horários de "pico" então, é surreal.
Nossa economia gira em torno das indústrias automobilísticas e construção. Cidade cada vez mais verticalizada com os carros tentando encontrar seu horizonte.
Uma urbanista defende a ideia de mostrar o carro como um cigarro e todos os malefícios, melhorando antes disso o transporte público.
Para melhorar esse sufocante assunto cheio de stress, poluição, vamos celebrar, cuidando de nossas árvores, admirando a exuberância da Primavera que insiste em estar por todas as partes!
sábado, 20 de setembro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Colorido Concurso Cultural
Há um livro aqui em casa, surrado, manuseado, lido e relido, que o tempo se encarregou de lhe impingir cores, tons amarelados e também o perfumou, com o perfume que só os livros conhecem.
Sua história começa com um sopro frio de um vento e Dona Mãe pedindo ao filho que lhe traga um casaco verde. Ele lhe traz o azul. Sempre confundindo as cores, é levado ao médico que sentencia: esse menino apenas enxerga do branco ao preto, todos os matizes de cinza e de luz e de sombra. Cor nenhuma.
Dona Mãe fica sem cor e aí entra em cena a avó, Dona Olívia, que vai ensinar o neto a sentir as cores.
Quindim, buraco na terra com água, joaninha passeando na mão, brisa do mar salgando o rosto, sentar-se nas pedras num final de tarde para sentir o calor do pôr do sol e assim aprender o laranja...
É com toda essa poesia e dedicação que Jonas aprende as cores.
Esse livro, a cada reencontro, numa gaveta de um quarto ou de outro, ainda me encanta e foi por esse encantamento que fiz essa introdução para mostrar em cores e palavras os ganhadores do Colorido Concurso Cultural que a Tina e eu organizamos.
Foi uma semana deliciosa, inundada de cores, lindas fotos, poesia de todas as formas. Todos mereciam ganhar! Como não seria possível, três participações:
Sua história começa com um sopro frio de um vento e Dona Mãe pedindo ao filho que lhe traga um casaco verde. Ele lhe traz o azul. Sempre confundindo as cores, é levado ao médico que sentencia: esse menino apenas enxerga do branco ao preto, todos os matizes de cinza e de luz e de sombra. Cor nenhuma.
Dona Mãe fica sem cor e aí entra em cena a avó, Dona Olívia, que vai ensinar o neto a sentir as cores.
Quindim, buraco na terra com água, joaninha passeando na mão, brisa do mar salgando o rosto, sentar-se nas pedras num final de tarde para sentir o calor do pôr do sol e assim aprender o laranja...
É com toda essa poesia e dedicação que Jonas aprende as cores.
Esse livro, a cada reencontro, numa gaveta de um quarto ou de outro, ainda me encanta e foi por esse encantamento que fiz essa introdução para mostrar em cores e palavras os ganhadores do Colorido Concurso Cultural que a Tina e eu organizamos.
Foi uma semana deliciosa, inundada de cores, lindas fotos, poesia de todas as formas. Todos mereciam ganhar! Como não seria possível, três participações:
"Uma máquina de escrever, um papel, uma parede verde e, um pouco de inspiração" por Nina e suas letras.
"As sombras denotam a existência de algo verdadeiramente iluminado que está logo a frente" por Luís Fellipe.
"Estão vivos, na lembrança, meus tempos de criança, adolescência e juventude. Posso ver-me na varanda e sentir a brisa do vento, admirar o azul do firmamento" por Majoli.
Luz, cores, sombras, palavras... obrigada a todos os que participaram, divulgaram o concurso!
Já está dando saudade dessa semana cheia de cores e poesia.
E por falar em saudade...
- Vó... E o lilás?
Dona Olívia se virou para o neto e deu um suspiro.
- Ah, o lilás... essa é uma cor especial, Jonas. Alegre e triste, suave e forte, tudo ao mesmo tempo.
E com um sorriso que não era bem um sorriso acrescentou:
- Lilás é a cor da saudade.
E lá se foi Jonas de volta para casa, no banco de trás do carro, rodeado de sacolas e travesseiros, seu cachorro de pelúcia ( macio e marrom ) no colo.
E aquela explosão de lilás no peito.
* livro: Jonas e as cores, de Regina Berlim com ilustrações de Taisa Borges. Editora Peirópolis
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