quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Pareidolia

 


Vamos brincar com a Chica 6 lá no Sementes Diárias?!








A palavra da semana é pareidolia.


Minha participação com a frase de sete palavras:



Na sua infância, a pareidolia lhe aterrorizava.


Essa palavra já era de meu conhecimento porque encontrei no Instagram uma pessoa que só postava fotos que induzia à pareidolia.


E foi adulta que eu descobri que esse fenômeno psicológico foi o que me aterrorizava na infância.

Cortinas de tecido com estampas eram comuns àquela época e assim havia uma em meu quarto e… nem preciso dizer que, era só minha mãe virar as costas após o beijo de boa noite para que aqueles rostos assombrosos que estavam ali na cortina se manifestassem.


Incrível que durante o dia, a cortina parecia inofensiva! Era o dia se despedir que tudo surgia.

Como esse problema foi resolvido eu não faço ideia.

Só sei que os monstros da cortina não me levaram para um lugar misterioso!


Mas que fique registrado: nunca gostei de filmes de terror.

Será por conta da tal pareidolia?!


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Vamos brincar com a Chica 5

 


Vamos brincar?!


A palavra escolhida lá no blog Sementes da Chica é sanguessugas.

Minha frase:

Nunca precisou fazer nenhum tratamento com sanguessugas.


Já tomei muita injeção, mas só de pensar nessas bichinhas, nas tais sanguessugas, sinto até calafrios!



Bênção

 


“Como é possível cuidar de alguém doente que não vai melhorar? Como podemos continuar consolando aquele que está morrendo, quando sua morte nos trará tanta dor?

A resposta é que todos eles nos trazem uma bênção, a bênção que cada um de nós precisa receber.

Cuidar é, por fim, receber as bênçãos de Deus por meio de quem cuidamos.

O que é essa bênção?

É o vislumbre da face de Deus. E ver Deus é o significado do paraíso. Podemos ver a face de Deus em Jesus e podemos ver a face de Jesus em quem cuidamos.

Precisamos tanto dessa bênção. Aqueles de quem cuidamos estão esperando para nos abençoar”


  • Henry Nouwen, A Spirituality of Caregiving



Queria escrever hoje no blog e mesmo que a vontade fosse forte, a inspiração não a acompanhava.

Lembrei então que minha filha havia me enviado uma fotografia que eu achei linda de uma nuvem, de um céu, que ela tirou durante uns dias de férias em Minas Gerais.


A memória prontamente se manifestou sinalizando que havia numa agenda, uma anotação sobre olhar para o céu. Peguei a agenda e nela havia uma caneta esquecida a demarcar uma página, uma anotação.


Percorri as folhas com velocidade e como nada encontrei, refiz o percurso de maneira lenta. Não encontrando o que buscava, voltei a atenção para a página em que a caneta havia sido esquecida.


Li. Senti encanto no meu coração com as palavras de Nouwen.

Acredito que todos nós, um dia, vamos cuidar, estamos cuidando ou seremos cuidados. E enxergar tudo como bênção é extraordinário, talvez difícil.


A fotografia parece não se encaixar com o texto, mas escolhi deixá-la mesmo assim.

Há coisas que levam tempo para fazer sentido e se acomodarem no coração.


domingo, 29 de janeiro de 2023

Na academia

 


Meus filhos já vinham insistindo há algum tempo. Eu seguia firme na relutância até que, me deparei com um artigo do dr. Toba.


“… o trabalho pela longevidade tem que começar na infância, e não aos cinquenta anos”, diz o especialista.


Ao ler isso eu quase perdi a ternura para com o dr. Toba. Respirei e lembrei que elegi a palavra ternura para nortear meu ano.


Fiquei um tanto abalada com essa fala do dr. Toba porque a minha infância foi vivida com chocolate guarda-chuvinha e suco vendido na feira em embalagens plásticas em formato de carrinho, boneca, com cores bem vívidas, acho que tinha até azul. O que havia naquele suco ou no chocolate de guarda-chuva é melhor nem pesquisar…


Tomei então uma decisão: juntei a insistência dos filhos, mais a desesperança do dr. Toba, a minha alegria de infância com os guarda-chuvinhas achocolatados e me matriculei numa academia.


Nossa! Como eu pude demorar tanto tempo para fazer isso?! Descobri que eu adoro uma academia. Vou sempre que posso, só é uma pena que quase nunca posso ir. Mas vou, sempre que dá.


Os primeiros dias foram muito, mas muito difíceis. Cheguei mesmo a achar que nunca mais voltaria a por os pés naquele lugar.


“É dor no corpo mãe?” - perguntava aflito um dos filhos.


Não, não sinto dor no corpo. O problema é o cheiro. Cheiro de borracha que me faz sair de lá com muita náusea.


Eles me olhavam com cara de guarda-chuvinha.

“Mãe, não existe isso de cheiro de borracha.”


Claro que existe, eu revidava e provava - todas aquelas roldanas, aquelas esteiras girando o dia todo ali, aquilo exala e eu fico tonta e nauseada.


“E o corpo?” - eles insistiam em saber.


Não sinto nada no corpo.


Entre repousos, semanas sem ir, consegui vencer a questão do odor emborrachado e passei a frequentar com maior assiduidade.


Apanhei até certa intimidade com os outros frequentadores. Eu os chamo de “queridos”. Por causa do livro que li Humanos Exemplares, lá tem os queridos.


Os horários em que consigo ir para a academia estão sempre lotados de queridos. Eu mal me sento em uma daquelas máquinas de musculação e chega um querido perguntando - “tá terminando?”.


Eu respondo que sim e imediatamente vou me levantando para dar lugar ao querido. Vejo que os músculos dele têm mais urgência em manter aquele padrão todo do que os meus.


Encontrei duas coisas que realmente gosto de fazer na academia. Uma bicicleta que tem uma cadeirinha como banco. Então você se senta bem confortável naquela cadeira com pedais. Pode tornar os pedais duros e exigentes colocando uma intensidade neles. 

Eu prefiro mesmo ao natural, pedais bem soltinhos, sem esforço. Fico ali muito tempo e posso com tranquilidade olhar bem para a fisionomia dos queridos.


Olha, fico estarrecida. Eu que já trabalhei num centro obstétrico, não via caretas tão retorcidas durante os partos como vejo no rosto dos queridos durante sua musculação. Eles, os queridos, colocam tanto peso, mas tanto peso que todos os músculos da face de retorcem.


Um dia, eu estava ali serena na minha bike-conforto e uma querida disse para a outra:

“Tadinha, a minha mãe não me deixa pegar peso em casa, mal sabe ela o quanto de peso eu pego aqui na academia!”.


Ouvir isso me abala os nervos. Eu vou lá para ser saudável, mas fica difícil com esses queridos. Eles me estressam.

Toda vez me pego pensando: será que todos esses músculos tão fortes e desenvolvidos têm forças para pegar uma pia de louça e dizer “mamãe, pode deixar que eu lavo”.


Esses braços que mal cabem na manga da camiseta, seriam agéis com uma vassoura?


Fico tão estressada ao ouvir e ver essas injustiças musculares que não há outra maneira, largo tudo e me largo na cadeira massageadora que basta uma moedinha, cedida pela própria academia, e eu fecho os olhos e deixo os queridos para lá e tento relaxar um pouco.


Ao sair, um novo golpe: há duas caixas plásticas enormes próximo da entrada cheia, lotada de guarda-chuvas.


Estamos em época de chuvas de verão. Intensas, porém rápidas, passageiras. Os queridos chegam com seus guarda-chuvas, depositam ali na caixa plástica e depois de tanto tempo ali dentro, a chuva passou, o chão da rua já secou, o sol voltou a brilhar e eles nem lembram que choveu e muito menos lembram de pegar o guarda -chuva de volta.

Músculos tão trabalhados e a atenção… E olha que eu que comi um mundo de chocolate guarda-chuvinha na infância, não esqueço nunca meu guarda-chuva ali.


Volto para casa com a sensação de missão cumprida. Mas os olhares que recebo em meu próprio lar são ásperos: “mãe, como você consegue voltar da academia sem estar nem um pouco suada?”.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Pormenores

 Vamos brincar com a Chica 4





A palavra da semana é: pormenores


Minha frase:


Foi preciso aprender a enxergar os pormenores.


Achei tão especial a palavra escolhida pela Chica para esse brincar.

E antes de me concentrar para escrever, fui, como de hábito, ler logo pela manhã a “palavra do dia” disponibilizada no site de Gratidão.


Encontrei algo tão em sintonia com os “pormenores"!


“ Por muitos anos, a um grande custo, viajei por muitos países, vi as altas montanhas, os oceanos.

As únicas coisas que eu não vi foram as gotas de orvalho cintilantes na grama do lado de fora da minha porta.”


  • Rabindranath Tagore.  




Fiquei refletindo e acho realmente que é necessário um cultivo do olhar e do coração para que enxerguemos os pormenores da vida. Sejam minúcias da natureza, detalhes de um gesto, de uma fala.


Talvez alguns já cheguem a esse mundo abastecido de pormenores nos seus olhos. Os poetas, as poetizas acho que encontram esses pormenores com tamanha facilidade e os transbordam em versos.


Eu venho cultivando ao longo da minha vida colher esses pormenores que nos trazem tamanha beleza para nossos dias.


Já vivi muito no automático, na correria, por vezes caí na armadilha de olhar só para coisas ruins e difíceis, até que fui aprendendo com inúmeros “professores" na vida, na vizinhança, na feira, nos blogs… que os pormenores estão aí. É a generosidade da Vida em jeitos tão pequeninos.


Agora, quero saber como são os pormenores na tua vida?!



domingo, 22 de janeiro de 2023

Tristezas e belas delicadezas

 Domingo, dia 22 de janeiro.

Ainda é cedo, estou sozinha em casa com nosso cachorro. Levei-o para passear e sentei-me com o notebook para ler e escrever, antes de tomar café.


Encontro a notícia de que a AnaMi se foi, ela voou. Morreu ontem, 21, à noite. As homenagens seguem lindas e emocionam. Sem querer ser inspiração, ela inspirou muita gente.


Aqui no blog, recentemente eu escrevi sobre e para ela, na minha homenagem em vida.


Ainda haverá muita coisa linda que ela semeou e vai florescer!


Há um ano atrás, nesse exato 22 de janeiro, quem nos deixava era o mestre zen Thich Nhat Hanh, conhecido também por Thay.


Thay era imenso, oceânico, e definí-lo com palavras não faz sentido. Aliás, faz, se escolhermos palavras imensas como ele: paz, amor.


Foi algo incrível acompanhar a cerimônia fúnebre dele que foi transmitida e participada por milhões de pessoas ao redor do planeta.


E uma outra grande coisa que ele ensinou foi olhar para a morte como vida, como uma continuidade. Voltamos à terra e vivemos de tantas outras formas que não à física.


As monjas e monges e leigos de sua tradição, para homenageá-lo fizeram um documentário de beleza imensa. Tem tristeza, mas sabe aquela tristeza repleta de delicadeza, de beleza?



Vou colocar o vídeo, caso se interesse.

Thay também era um defensor e cultivador do diálogo inter-religioso. No documentário, é possível ver em um dos altares as imagens de Jesus e Buda juntos.

Thay sempre dizia: Jesus e Buda irmãos.






Finalizo com uma frase que diz tanto.

Finalizo com o coração cheio de gratidão por tudo o que AnaMi nos trouxe assim como Thich Nhat Hanh


“Se em nossa vida diária pudermos sorrir, se pudermos ser pacíficos e felizes, não só nós, mas todos lucraremos com isso. Este é o tipo mais básico de trabalho de paz.”


- Thich Nhat Hanh


Vamos brincar com a Chica 3

 A palavra escolhida para a nossa brincadeira com a Chica em seu blog Sementes Diárias é néscio.



MINHA FRASE:


NÉSCIO DA EMERGÊNCIA CLIMÁTICA, DESTRÓI SEU PLANETA.



FUTURAMENTE, QUERO TORNAR ESSA BRINCADEIRA COM A PALAVRA NÉSCIO ( A QUAL EU NÃO SABIA O SIGNIFICADO E FUI PROCURAR, E COMO É BOM APRENDER PARA NÃO FICAR NÉSCIO - DESPROVIDO DE CONHECIMENTO! ) ALGO SÉRIO A SER CONVERSADO AQUI NO BLOG - A EMERGÊNCIA CLIMÁTICA.