Essa não era a foto que eu queria colocar sobre a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que aconteceu no final de agosto.
Queria ter colocado a foto da fila para a Bienal, porém, ainda que tivesse recursos panorânicos na minha câmera, ainda não seria possível fotografar.
Um helicóptero seria necessário para que retratasse uma fila na qual levamos uns quinze minutos para alcançar-lhe o final e nos posicionarmos. Não acredita?!
Até procurei na internet alguma foto que mostrasse o tamanho da fila, mas acho que ninguém tinha helicóptero!
E por que estou falando tanto da fila?
Porque parece contraditório num país onde se repete "brasileiro não gosta de ler", filas tão gigantescas para um evento de livros e leitura.
"A frase parece até ensaiada, mas, felizmente está se tornando obsoleta"( Bianca Carvalho ).
Esta Bienal foi pensada e programada para o público jovem. Os eventos, os lançamentos, os autógrafos.
Sagas e trilogias seguem entre os mais vendidos e lidos por este público, o que na minha opinião é ótimo. Se antes éramos um país de não leitores, estamos sim lendo mais.
Muitos especialistas não consideram esses gêneros juvenis como literatura. Outros acreditam que sejam a porta de entrada para outros gêneros, inclusive os clássicos.
Já ouvi uma mãe numa "fila literária"dizendo que nunca antes a filha tinha lido um livro daquela grossura.
É uma boa reflexão: será que nós e nossos jovens estão lendo livros de "qualidade", ou toda leitura é válida?
Vou aproveitar esta postagem sobre livros e citar uma blogagem coletiva que está acontecendo sobre livros que marcaram a infância.
Foi no blog da Luma que eu vi; lá tem o link da blogueira organizadora para quem quiser participar. Achei a proposta muito legal, só não participarei pela dificuldade de interagir com os outros participantes e por isso não levarei meu link para lá, mas vou deixar meu depoimento!
Quando li a participação da Luma, imediatamente pensei "não me lembro, não tenho nenhum livro que me marcou".
Depois passei na participação da Pandora e foi lá que surgiram umas boas lembranças na minha memória.
Meus pais não eram leitores e eu tive pouquíssimos livros na infância. Não conseguia lembrar de nenhum livro, embora de alguma forma eu soubesse que tinha havido algum. Foi então que jorrou na minha mente a imagem de dois livrinhos da coleção "disquinho"- vinha um livrinho e o disco.
Ah! Até consegui ouvir o chiado da vitrola e o medo durante as pausas!
E a outra recordação foi a abertura de uma livraria no bairro vizinho ao nosso. Era uma "Ediouro" com livros apenas deste selo e foi surpreendente quando entrei lá pela primeira vez.
Diferente das livrarias mais escuras e abarrotadas de livros que ficavam no centro da cidade, esta era inovadora.
Clara, com portas de vidro e o chão era com carpete.
Minha mãe comprou a Branca de Neve. Poucas ilustrações e mais texto com os detalhes antes omitido pela coleção disquinho!
Tistu - o menino do de do verde foi marcante fazendo-me sonhar com um mundo melhor. Depois vieram os livros recomendados pela escola, a frequencia na biblioteca, livros emprestados, o primeiro salário, mais livros e não parei mais!
Em tempo: a fila da Bienal estava imensa, mas o encontro com amigas blogueiras de outros estados fez a fila andar como num passe de mágica!