terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Como você escolhe seus livros?

 “É preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão”- a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.” Rubem Alves



outro dia conto a história dos livros duplicados!


Gosto de ler. Os livros são para mim um momento de relaxamento, às vezes, estudo, aprimoramento. Momentos de leveza, pode ser também tristeza misturada à beleza, enfim, sempre gostei de ler.


Na minha infância não havia a disponibilidade de livros como há atualmente. Eu tinha alguns da coleção “disquinho”. Era um livro que vinha acompanhado de um disco pequeno de vinil com a história gravada. Minha mãe os comprava de vendedores que batiam à nossa porta.


Depois veio a escola e um maior acesso aos livros de leitura - tinha a biblioteca e os livros obrigatórios a cada bimestre e férias.


As livrarias se concentravam no centro da cidade. Não havia nos bairros e elas eram sisudas, escuras, assim como as capas dos livros.


Fui crescendo e pude acompanhar a mudança: livrarias sendo inauguradas nos bairros, o espaço infantil, o juvenil. Os livros ganhando capas mais bonitas, atrativas.


Depois as grandes livrarias, que encantavam pela decoração e a infinidade de livros disponíveis.


Comprei livros também por catálogos, frequentei sebos. A internet trouxe a possibilidade das compras online, do compartilhamento de resenhas, de clubes de livro.


E hoje, como escolho meus livros?


Embora eu goste e tenha o hábito de ler, não sou uma leitora exemplar. Não consigo ler muitos livros no mês, no ano. Muitas vezes eu me enrolo, demoro, deixo um livro de lado, pego outro e não termino…


Já tentei participar de desafios nas redes sociais e percebi que não é para mim. Não adianta eu me forçar e esforçar para isso porque parece que perco o prazer de ler.


Vejo meninas que o fazem com tanta fluidez, os desafios, as muitas leituras, livros recebidos das editoras, e eu admiro isso, mas aprendi a respeitar o meu próprio ritmo que é bem mais lento.


Hoje escolho meus livros por autores que aprecio, dicas de pessoas queridas, sugestões que chegam pelas newsletters, perfis que sigo no Instagram - porém tudo isso passa por um enorme filtro, afinal, como coloquei lá em cima, o pensamento de Rubem Alves, não tenho tempo para ler esse ‘tudo’ que é mostrado, lançado. Tenho aprendido a priorizar, a reler o que já me encantou no passado, a ler assuntos que no momento significam mais para mim.


Em postagens futuras quero trazer aqui o que eu for lendo durante este ano.


Mas, agora eu quero saber: como você escolhe seus livros?

Me conta nos comentários!


Ah e aproveitando o assunto dos livros, para quem é organizado com as leituras, ou as quer organizar, a Vanessa disponibilizou um planner lindo para imprimir. Passa lá no blog dela para conhecer!




domingo, 8 de janeiro de 2023

12 anos do blog!

 



Doze anos do blog! Vem celebrar comigo!


Hesitei, confesso. Celebrar o aniversário de um blog que ficou tanto tempo parado, inativo, que experimentou tantas páginas em branco de desânimo?


Escolhi uma fotografia que para mim é muito significativa: durante a pandemia eu senti a falta das cerejeiras floridas. Elas estavam florindo silenciosas lá no parque que se mantinha fechado e eu experienciei uma alegria tão vibrante quando pudemos voltar aos parques e lá estavam as cerejeiras em sua exuberância, carregadinha de flores!


Venci o desânimo quando comecei novamente a adentrar no mundo dos blogs e ver gente querida, gente nova mantendo sua escrita, seus registros, mantendo esse cantinho tão vívido e tão agradável de se estar!


Há uma dúzia de anos lá atrás, eu me sentei em frente a um computador de mesa e achava que nunca seria capaz de criar um blog. Foi num “de repente” que ele surgiu. Estava ali bem na minha frente, faltava apenas o nome.


Não conseguia escolher um nome para o blog. Foi então que me lembrei de uma fala da minha filha, ainda tão pequenina à época que me disse com sua voz pueril: “eu não gosto que as pessoas falam que me amam do fundo do coração; o fundo é muito escondido, eu gosto de amar do lado de fora do coração, assim todo o mundo pode ver!”


Pronto! Achei uma graça o questionamento dela e ali estava um nome que fazia sentido para mim - Lado de fora do Coração.


Durante muito tempo escrevi sobre a infância de meus filhos, Bernardo e Júlia, escrevi crônicas, participei de blogagens coletivas. Vi o declínio de muitos blogs com o advento do Facebook, depois com o Instagram. Porém muitos permaneceram, souberam como se integrar às outras redes sociais, ou apenas estão inteiramente aqui.


Olhando em retrospectiva, sinto um carinho ainda maior pelos blogs. Há uma entrega aqui, há um sossego ao escrever, ao ler, comentar.


Não faço promessas de que estarei aqui em constância. A vida muitas vezes nos laça e nos gira no ar! O amadurecimento que esses anos me trouxe, hoje me faz olhar com muita admiração para nós, verdadeiras blogueiras e blogueiros que mantém e partilham suas páginas embuídas no puro amor.


Obrigada por estar celebrando comigo!

Aceita um bolinho ?!




quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Vamos brincar?

 


Chica nos convida a brincar!

A palavra desta primeira brincadeira do ano é acredite.


"Bondade é nossa qualidade inata, revele, acredite".


Eu acredito que todos nós temos bondade em nossos corações, mesmo as pessoas difíceis, em algum momento, por alguém especial, elas manifestam essa bondade.

Que neste ano de 2023 a gente revele cada vez mais a nossa bondade para o outro. Acredite, é possível!




terça-feira, 3 de janeiro de 2023

eu, semivelha

 Queria mesmo ter escrito "eu, velha", mas já antevejo, já ouço antecipadamente falas carinhosas: não, imagina, você velha? que isso? tantos anos ainda pela frente; ah, vá, uma menina ainda.

Eu mesma teria dito todas essas frases a uma querida minha que ousasse mencionar esse outono da vida se aproximando. Acho mesmo que é um carinho, um afago.

Para evitar questionamentos, vou me valer desse adjetivo que colhi num livro ( aliás, ótimo livro que abordarei aqui em breve ) - semivelha. Eu semivelha.

É interessante notar que eu não me sentia semivelha aos 50. Agora, porém, aos cinquenta e um e meio, já me sinto.

A data exata em que deixei de usar o banquinho feito cume de montanha, não me recordo. Mas era assim: precisava alcançar algum utensílio na parte mais alta de um armário, banquinho. Limpar os vidros das janelas, banquinho.

Havia sim uma escada portátil com travas seguras, mas esta ficava mesmo para escaladas altíssimas - a troca de uma lâmpada. Para todo o resto, o banquinho.

Em dado momento, sem aviso nenhum o banquinho me recusou, ou talvez tenha sido meu joelho que entre um dobra e impulsiona, recusou-se a ir. Cabe-me bem o adjetivo agora de semivelha.

Mocinha, já não sou. Quarentona? Coisa do passado. O tal do semi, sério, caiu-me bem, muito bem.

Não vou me restringir ao episódio do banquinho, não. Há outros sinais, vários aliás.

Tenho me interessado por livros sobre envelhecer, séries e filmes sobre o envelhecimento, os perfis que sigo no instragram tratam do assunto longevidade, viver melhor na velhice... E ainda me peguei escrevendo uma carta onde aconselhava uma jovem de quarenta anos a começar a se informar sobre menopausa.

Não fica dúvidas. Os sinais falam por si.

Eu que já escrevi tanto sobre os meus fofos filhos quando eram pequeninos, agora quase não tenho muito assunto sobre eles, o primogênito prestes a completar 20 anos e a caçula prestando seus vestibulares.

Acho realmente que vocês terão que me aguentar com meus assuntos de semivelhice.

Afinal, esse blog completará 12 anos no próximo dia 09 de janeiro!

Tem coisa melhor que avançar no tempo, com uma dúzia de anos de um blog?! Isso é estar vivo minha gente!

E eu adoro viver!!!

domingo, 1 de janeiro de 2023

Um calendário e uma palavra

 A primeira coisa que fiz neste novo ano, claro, claro, tiveram tantas outras primeiras: acordar, espreguiçar, agradecer por estar vivo, lavar o rosto. Mas, a primeira, foi acomodar o calendário do novo ano.

Já escrevi anteriormente que há muitos anos que não ganho, não recebo um calendário ao comprar presentes de Natal. Lembram que sempre colocavam um enrolado dentro da sacola com o presente?

Comprei o meu. Ele é solidário, o dinheiro pago é revertido para apoiar alguma instituição, no caso do meu calendário, instituição ligada a área da saúde. Gostava especialmente de recebê-los de brinde, porém aprendi a apreciar esse novo jeito filantrópico dos calendários.

Então, nas primeiras horas do primeiro dia do novo ano, eu acomodava meu calendário na porta da geladeira.




Colorido, festivo e solar assim como queremos um novo ano inteirinho pela frente!

Enquanto o acomodava, fiquei pensando em uma palavra que pudesse definir o que quero me propor para atravessar todos esses 365 dias. Escolhi um adjetivo - terno.

Terno, de ternura. Quero ter um ouvido terno, silêncio terno, palavras ternas.
Mas vou me empenhar para ir além do lado bonito, fofo desta palavrinha, que poderia até ser representada por este emoji 😌.

Gostaria de ter essa qualidade do terno: que revela suavidade, brandura.
Explico o que me fez escolher esta palavra.

Embora não tenha escrito quase nada no meu blog nos anos anteriores, eu passava por aqui e lia postagens mesmo que não as comentasse.

Por vezes me deparei com as opiniões políticas das quais eu não compartilho e me peguei pensando na minha falta total de habilidade para escrever para quem pensa de maneira divergente de mim. E podem ter certeza que isso se estende também à familiares.

Eu não quero apagar pessoas, quero encontrar essa qualidade de terno dentro de mim para que eu possa expressar em palavras, num diálogo, num comentário escrito e de verdade não criar expectativas para reciprocidade.

Se vou conseguir o que me proponho, realmente não sei. Quero tentar.

E meu primeiro compromisso inaugural do calendário da geladeira é assistir à posse do presidente eleito.
Bom, para quem não sabia, votei nele.

Possamos ter bons dias, bons relacionamentos para além das divergências.

Feliz Novo Ano!




sábado, 31 de dezembro de 2022

Feliz 2023!

 


É final de tarde. E não, o céu não está como o da fotografia que era um céu de inverno.
O céu deste último dia do ano, está chuvoso, a tarde abafada e as chuvas de verão.
Para simbolizar essa passagem, esse rito de finalizar um ano e adentrar no outro, escolhi a foto acima.
Ela encerra, fecha, recolhe, guarda.


Como amanhecerá o dia de amanhã, o primeiro dia do ano, não sei. Também é simbólico inaugurar um novo ano, o qual se abre feito o sol rompendo a escuridão.

Queridos amigos, quero deixar meu abraço sincero, quero desejar um novo ano cheio de luz porque não me iludo mais: ele, o novo ano, não será só luz; teremos dias nublados, teremos tempestades. E que a gente possa atravessar por tudo sempre lembrando da Luz.
E que sejam muitos os dias iluminados!



segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Inspiração

 Coloquei uma xícara com chá no braço do sofá enquanto eu abaixava uma das persianas da sala, a luminosidade interior trouxe-me um aconchego. Minha pretensão era aconchegar a escrita.
Mais cedo eu havia lido um longo texto que chegara pelo meu e-mail e ali dizia: pegue uma xícara de café, de chá, um vinho, um kombuchá,  "pegue a sua bebida favorita e sente-se confortável para adentrar essa leitura, aqui é um ambiente sereno, estamos longe do barulho, dos ruídos das redes sociais, desfrute."

Achei tão bonito, tão apropriado entregar-se desta maneira para uma leitura.
E assim quis reproduzir esse clima de serenidade agora para a escrita.

Tenho andado um tanto desanimada para escrever. O olhar ao redor não tem trazido, num primeiro momento, boas inspirações...
Mas quero seguir, quero estar aqui no blog. E em momentos assim, para mim, a disciplina, o esforço se mostram necessários.

E buscando algo que inspirasse meu dia, deparei-me com Rubem Alves, um escritor que nos deixou um legado incrível.

"Os Trinta e Três Nomes de Deus"

Deixarei o pequeno aqui e, se você se inspirar em trazer mais nomes, vou gostar imenso de saber!

Os Trinta e Três Nomes de Deus
Por Rubem Alves

“De vez em quando perguntam-me se acredito em Deus. Mas é claro. Acredito mais que a maioria das pessoas. Tenho até trinta e três nomes para ele. Esses nomes foi a Margueritte Yourcenar que me contou. Ela foi uma escritora maravilhosa, autora do livro Memórias de Adriano, quem lê nunca mais esquece, quer ler de novo. Pois esses são os trinta e três nomes de Deus que ela me ensinou. É só falar o nome, ver na imaginação o que o nome diz, para que a alma se encha de uma alegria que só pode ser um pedaço de Deus… Mas é preciso ler bem devagarinho…

1.Mar da manhã. 2.Barulho da fonte nos rochedos sobre as paredes de pedra. 3.Vento do mar de noite, numa ilha… 4.Abelha. 5.Vôo triangular dos cisnes. 6.Cordeirinho recém-nascido…. 7.Mugido doce da vaca, mugido selvagem do touro. 8.Mugido paciente do boi. 9. Fogo vermelho no fogão. 10.Capim. 11.Perfume do capim. 12.Passarinho no céu. 13.Terra boa… 14.Garça que esperou toda a noite, meio gelada, e que vai matar sua fome no nascer do sol. 15.Peixinho que agoniza no papo da garça. 16. Mão que entra em contato com as coisas. 17.A pele, toda a superfície do corpo 18. O olhar e tudo o que ele olha. 19.As nove portas da percepção. 20.O Dorso humano. 21.O som de uma viola e de uma flauta indígena. 22.Um gole de uma bebida fria ou quente. 23.Pão. 24.As flores que saem da terra na primavera. 25.Sono na cama. 26. Um cego que canta e uma criança enferma. 27.Cavalo correndo livre. 28.A cadela e os cãezinhos. 29.Sol nascente sobre um lago gelado. 30.O relâmpago silencioso. 31.O trovão que estronda. 32.O silêncio entre dois amigos. 33.A voz que vem do leste, entra pela orelha direita e ensina uma canção…