segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Diário

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Querido diário,

Desaprendi as palavras. As que me eram conhecidas, usuais, familiares, agora neste ano, envolveram-se em novo significado, tantas sumiram e outras tantas passam a fazer parte do cotidiano.
Diário, este que me desejei aqui escrever e que deveria ser diariamente, ficou assim tão espaçado. Meses, semanas tantas sem vontade de escrever.

Novo normal, distanciamento social, sanitização, pandemia, imunidade de rebanho... tudo o que passou a nos rodear, a conectar nossos neurônios numa nova lógica.

Quarentena, de dias infindáveis e hoje eu passei a caixa com o presépio para uma prateleira mais baixa, afinal já tem panetone no mercado.

No celular fotos tiradas no início da quarentena, quando eu me sentia estranha ao sair na rua vazia e mais estranha ainda em fotografar. Mesmo assim o fiz. Queria trazer um pouquinho de beleza para toda aquela estranheza.

Tudo parece meio desconexo. Fiquei sem jeito com as palavras, me deparei com mudanças no painel do blogger depois de tanto tempo sem vir aqui.

Receba o meu desejo de que vocês estejam bem, saudáveis de corpo, de emoções. Desculpem o mal jeito da postagem, queria mesmo voltar a encontrá-los.

domingo, 17 de maio de 2020

O cachorro Toninho

Mas não é sobre o cachorro Toninho que quero falar. É sobre o que estamos a aprender com o vírus da pandemia.

Logo que tudo isso começou, começaram também as reflexões - o que esse vírus quer nos ensinar, o que ele quer nos mostrar.

E não demorou para que surgissem inúmeras interpretações. E fui, inicialmente, lendo algumas, refletindo junto.
Família... estávamos desconectados de nossas famílias dentro da mesma casa? Trabalho? Tudo excessivo? Manipulação política? E quando me dei conta, já não conseguia mais refletir sobre nada, não conseguia ouvir o que o vírus gritava.

Tudo questão ambiental. Políticos de olho não nas vidas mas nas próximas eleições. Homescholling, como assim, com crianças pequenas que deviam passar longe de celulares e tablets? A indústria da vacina, a farmacêutica? Os muitos testes para covil-19 que mais confundem do que elucidam. A subnotificação?

Se eu achava, lá no início que sabia qual era o recado do vírus, fiquei imersa em confusão, atordoamento, coisa demais para pensar, para ouvir, muita matéria para aprender.

Então agora eu quero falar sobre o cachorro Toninho.

O cachorro Toninho, eu o conheci antes dessa pandemia, na verdade logo que me mudei. Ele estava deitado debaixo da carroça, com seu dono a aparar-lhe os pêlos. Estavam na esquina duas grandes e movimentadas ruas e de tão interessante observá-los ali, em meio àquela multidão passando apressada entre entrar e sair de academias, bancos, eu, voltando do mercado, o comércio de rua ali todo concorrido, eu parei entre os semáforos piscando e perguntei o nome do cachorro.

Toninho. E eu sou o Renato.

Voltei para casa já contando: conheci o cachorro Toninho!

Dia desses na pandemia, eles estavam lá, no mesmo cruzamento, os semáforos trabalhando incessante entre verde, amarelo, vermelho. Desnecessário. Poucos carros na rua, quase nenhum pedestre para atravessar. Tudo deserto, tudo estranho. Homem e cachorro e carroça ali, estacionados. Comércio fechado. Eu que ia a passos rápidos e só com os olhos descobertos, parei. Nem sei ao certo se queria parar, o que me fez parar, mas parei.

"Seu Roberto, eu vou ao mercado, o senhor quer que eu traga alguma coisa?"

"É Renato. Eu sou o Renato e ele é o Toninho. 
O homem virou-se para a sua carroça e com uma das mãos ( depois percebi que o outro braço é paralisado ) levantou um pedaço de lona e disse-me: pão eu tenho, tenho arroz com carne, tem um pouco de leite. Obrigado, não preciso de nada não.

Eu não queria chorar, eu tentei segurar uma ou outra lágrima, usei como argumento que é ruim chorar de máscara, mas meu coração não atendeu.

Um homem, o cachorro Toninho, a carroça. Simplicidade.


* Peço desculpas por não estar conseguindo interagir nesse tempo em que temos tempo de sobra. Porém com as aulas online das crianças, o computador é utilizado o dia todo e eu realmente ainda não consigo fazer pelo celular. Sempre que der apareço! Fiquem bem, cuidem-se e fiquem em casa. Beijo!

domingo, 10 de maio de 2020

Mãe




Tivemos ou temos, todos nós uma mãe.
Mães maravilhosas, ou se não tanto assim,
através da mãe chegamos ao mundo.
Nosso corpo, nossa vida hoje nos foi dada por ela.

Minha homenagem às mães.
Que não se perca nunca a virtude de acolher,
Ouvir, ninar, alimentar, compreender.

Um dia das mães em meio à pandemia
certamente será diferente.
Talvez tenha mais essência 
Seja verdadeiramente mais amor.

Um feliz dia das mães!

terça-feira, 14 de abril de 2020

Diário página 4

Quando meus filhos eram pequenos, numa daquelas cirandas literárias das escolinhas de educação infantil, trouxeram para casa o livro Quando as cores foram proibidas.
Lembro-me muito pouco da história. Havia um rei malvado que proibiu as cores no seu reino, que ficou cinza e triste.

Acho que estamos um pouco assim num mundo em que estamos perdendo o colorido.
E por isso é preciso não deixar que as cores se desbotem, ou deixem de existir!



Nesses dias em que o olhar se debruça nas janelas, vi um homem que parecia cuidar de umas árvores.
Aqui do nono andar não era possível ver com clareza. Num outro dia, quando saí para o mercado, passei pelas árvores.
O que o homem fazia e eu não identificava era pintar flores nos troncos!






Era a sua maneira de trazer um pouco de cor para esses dias tão difíceis!

E para nos acalentar, como uma bênção descida dos céus, as cores do final de mais um dia assim se derramou sobre nós!




sábado, 11 de abril de 2020

Feliz Páscoa


Uma abençoada Páscoa para todos!
Todo o significado,
todo o ensinamento
nos dado através do Renascimento
nos dê força, resiliência
para passarmos por esse período.
Saúde e paz a todos!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Feliz aniversário Júlia!

Hoje minha filha faz 15 anos!
É uma alegria celebrar sua vida.
Saúde, vida longa, sorrisos... e aquele lembrete de que, tudo passa.
Viva intensamente!







quarta-feira, 1 de abril de 2020

Diário página 3




Querido diário,

Três ou quatro árvores à frente de onde moramos, há uma " árvore dos desejos".

A pressa dos dias corriqueiros nunca me fez parar e ficar defronte para algum dos desejos.
Mas agora, diário, os dias não são os mesmos. Um minúsculo ser, um vírus, nos pede para olharmos para os nossos dias corridos, nossa pressa, nossa ânsia em fazer, em chegar.

O mundo desapressou-se, o corriqueiro tornou-se extraordinário e nesse novo mundo,nessa nova maneira de viver, eu parei.

Parei, ainda distante e olhei para a árvore.




E depois, toquei um dos desejos. Com os dedos,com os olhos, com o coração.
Senti a lágrima nascendo na garganta e depois banhando o olhar.


O desejo enlaçado junto ao galho em fita de cor de esperança , diz assim:

" Eu desejo que não tenha mais brigas entre eu e minha mãe ❤️. Ale

Ah diário... estamos todos, praticamente o planeta inteiro, em isolamento social, restrição,confinamento, ou seja lá o nome que queiram usar para definir esse grande ensinamento.
Estamos dentro de nossas casas, sejam elas amplas com horta, apartamentos, favelas, quartos. Estamos,  diário, enlaçados com pessoas e sabe, por uma semana estava tudo muito bonito, as pessoas  até que estavam mantendo certa felicidade, mas agora que a gente nem sabe para onde tudo isso vai dar, começamos a nos dar conta que existem pessoas que estão a viver dias mais difíceis ainda do que podemos imaginar.

Diário, eu queria poder falar para o Ale, ou, a Ale e para sua mãe que, a vida é frágil, a vida é preciosa e é tão maravilhoso amar e exercitar o amor através do cuidar.

Hoje estamos juntos, façamos o nosso melhor. Amanhã não o sabemos.

Que a árvore dos desejos floresça e frutifique amor em todos os corações!