domingo, 27 de maio de 2012

Tiana, 87

E teve festa de aniversário para a Tiana!
87 anos!
Eu e as crianças não pudemos ir. Daqui nosso carinho para a "Madrinha"como ela gosta de ser chamada pelos netos!
Marido trouxe as fotos e a promessa de escrever bonito aqui no blog para a sua Tiana.
Vou esperar e cobrar!!!
Alguns momentos de alegria:

O casal Tiana e Antônio com os 10 filhos. Faltaram dois.
( e eu sem nenhum irmão!!! )

Cozinha de mineiro tem que ser grande!




Marido com a mãe, irmãos e pai.





Passos - MG

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O pesadelo da chuva

Era madrugada quando eu despertei. Embora os olhos ainda estivessem revestidos com aquele sono que os deixa pesados, mexi e remexi o corpo, os cobertores e só então ouvi a chuva.
Como me incomodou aquela chuva. Era aquela chuva com barulhinho gostoso que lhe faz virar para o lado, afinal ela cancela a caminhada.
Eu que gosto dessas chuvas mansas que limpam os telhados, os poluentes do ar, fazem a alegria das árvores, goteja com uma cadência que embala os olhos, continuem incomodada.
Uma só imagem me tomava. Um pesadelo.
Pesadelo que não era o avesso de sonho bom. Era avesso da vida.


Um especial no Jornal da Cultura mostrou e mostrará durante esta semana, a seca que está afetando do Cariri.
Nenhuma novidade. Poderiam pegar até imagens de anos anteriores e editarem a data. Ninguém perceberia. As cenas são as mesmas: terra seca, o gado morrendo, água barrenta para se beber.
A inteligência, a tecnologia ergueu cidades sobre desertos. Pomares suculentos fixaram morada no sertão.
Fazer campanha para arrecadar garrafas de água mineral e alimentos básicos... sim poderíamos fazer, usaríamos a internet e em pouco tempo teríamos toneladas.
Toneladas de ilusão. Porque embora fosse muito bem vindo essa ajuda, eles têm direito a mais do que uma campanha de algumas semanas. Existe verba, existe muito dinheiro para ser aplicado nestas regiões. O dinheiro evapora tal a água dos açudes.
Já sabemos que a seca não é tão somente um boletim meteorológico. É um descaso político vergonhoso. É um crime contra a humanidade. Uma humanidade que está dentro do país que eu vivo.

Da chuva da madrugada restou uma sombra cinza no céu e água empoçada pelo quintal.
Levanto-me e como já disse Roseana Murray, mais ou menos assim "A primeira água para o café, a segunda para o rosto".
Teve a água da torneira da pia, do vaso sanitário, do tanque, do banho, a que empoçou na rua, a da tigela do cachorro.
Posso sim fazer tudo isto economizando água: vou fechar a torneira enquanto escovo os dentes, usarei a água da máquina de lavar para jogar no quintal. Mas continuarei indignada porque não posso mandar a minha economia para uma dona qualquer que está bebendo água barrenta mesmo porque o caminhão-pipa vai passar sabe lá quando.
Continuarei incomodada porque hoje é dia que a minha filha pode levar um brinquedo para escola e eu não sei que brincadeira aqueles meninos vão inventar entre os sulcos da terra.


 Eu não sei que silêncio sai das entranhas daqueles contornos de dor. Será que é o mesmo silêncio de um Cachoeira.
E aquele lugar nem precisava de uma cachoeira imensa de recursos. Bastava alguns e bem aplicados.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Bugalhos e alhos

Definitivamente esta semana eu num tô boa.
Tô trocando tudo as palavras.
Hoje num blog de uma amiga eu teci o comentário elogiando o presente que a mãe lhe havia dado. Que a mãe devia ser tão fofa quanto o presente. Foi a mana que a presenteou.
Troquei mana por mãe e aproveitando o eme, foi um mico.
Noutro dia, lia que uma amiga falaria pelo skol. Outro mico, era skype. Mas neste caso a culpa era dela mesma. Sempre tem cerveja lá naquele blog. Fui induzida ao erro.
E como ando trocando tanto alho por bugalho, fui pesquisar o que era o tal bugalho ( só para ter o que postar ) e fui parar nos tempos da escrita a pena. Não deixa de ser interessante, mas não era exatamente o que eu procurava.
Definitivamente nem os bugalhos estão a meu favor...
Então o melhor que tenho a fazer é postar fotos do cachorro, assim não corro nenhum risco gramatical, ou outro mico qualquer.







sexta-feira, 18 de maio de 2012

Protetor solar ou pega-pega

Eu não uso protetor solar para praticar atividades físicas ao ar livre. E outras oito ou nove pessoas que praticam comigo, também não.
É que nós começamos às dez para cinco da madrugada. Está tudo escuro. Ninguém precisa disto!
Eu sou novata na turma.
Comecei no dia das mães. Não que eu tenha ganhado alguma roupa esportiva, ou um tênis bacana. Não, nada disso.
Na véspera do dia das mães, houve a tradicional festinha na escola. E eu participei com a Júlia, minha filha, do pega-pega.
Fui pega aos dois segundos do início da brincadeira. Minha filha ficou muito decepcionada comigo. Eu ainda tentei descontrair dizendo que isso era um recorde, mas ela pareceu não se convencer.
Acordei arrasada no dia seguinte, o domingo das mães. Não propriamente pela Júlia, mas sim porque me doía o corpo todo. Aqueles míseros dois segundos me deixaram toda dolorida. Um trapo.
Um belo dia resolvi mudar. E foi naquele dia mesmo que comecei a caminhar. Domingo à tarde.
Porém durante a semana, o único horário possível é às dez para cinco da matina.
O silêncio e a escuridão são incríveis.
Não é preciso se preocupar com o tênis. Ninguém enxerga marca, modelo, nada disso.
A moda é bastante misturada. As poucas pessoas que lá estão, estão vestidas de tudo: cachecol inclusive. Inclusive eu vou de cachecol. Faz bastante frio de madrugada.
Há dois caminhos: o estreito de terra, que é para os profissionais do pega-pega. Eles correm bastante. E há o caminho mais largo, para aqueles que vão mal no pega-pega, tiram nota baixa ou mesmo são expulsos, que é o meu caso.
Por alguns segundos ficamos lado a lado: a turma que corre e a que caminha. Saudamo-nos gentilmente. Um aceno de mão ou de cabeça.
Por falar em cabeça, eu caminho de chapéu, não por eu ser princesa, é que sempre me lembro de papai falando "pegar sereno na cabeça faz um mal danado".
E por falar em sereno, hoje eu comecei a caminhada e já me deu calor, tive que tirar o cachecol e amarrar na cintura. De repente comecei a sentir delicadas gotinhas tocando o meu rosto. Sereno, porém prefiro orvalho. O orvalho a me beijar a face. Que poético, pensei.
Também pensei que a escuridão e o silêncio trouxessem muita inspiração poética. Trazem sabe o quê? O seu lado mais sombrio.
Primeiro a gente inveja daquela turma do pega-pega profissional. Dão umas vinte voltas, enquanto eu nem completei a primeira.
Depois veio a maledicência em mim. Vi uma mulher na minha frente caminhando de guarda-chuva aberto por causa do orvalho. Pensei: que falta de poesia, ao invés de deixar que o orvalho lhe beije a face, abre essa coisa enorme durante a caminhada.
E segui sendo acariciada pelo orvalho, só que não sei o que aconteceu que o orvalho ficou tão forte, mas tão forte, que eu despertei daquele transe poético e percebi que estava chovendo. E percebi que aquela mulher de guarda-chuva à minha frente era feliz. Eu não devia ter tido pensamentos maldosos em relação a ela.
O guarda-chuva era tão grande, que ela abrigou uma amiga e seguiram a caminhada. Eu também segui. Usei o cachecol da cintura para enxugar o rosto que escorria. Mas não desisti.

Sabe, quando me vem a soberba e eu acho que estou arrasando na caminhada, ultrapassando e acenando com um bom dia ( deveria ser boa madrugada ) e deixando gente para trás, surge uma senhora japonesa que passa por mim com tanta tranquilidade e agilidade que eu penso que ela ter patins invisíveis que a torna tão rápida.
Por mais que eu me esforce, fique ofegante, não consigo ultrapassá-la.
E com toda aquela orvalhada caindo, esta senhora se ausentou da pista de caminhada, foi até o seu carro e voltou de guarda-chuva e ainda por cima em dois segundos me ultrapassou.
Segui arrasada e ensopada. Mas, segui.
No caminho, quando o orvalho era só orvalho, um senhor à minha frente parou perante um arbusto, arrancou um pequeno galhinho com umas três ou quatro folhinhas, colocou no bolso e arrancou numa corrida surpreendente. Devia ser mágico aquele arbusto. Com inveja, pensei em arrancar também umas folhinhas, mas naquela escuridão fiquei com medo de confundir os arbustos. Vai que eu arrancasse um com efeito tartaruga.
Já na hora de ir embora, o céu limpou, clareou e fiquei com aquela sensação de feriado prolongado que só chove e no dia que você volta para trabalhar, sai aquele solzão.
Enquanto tudo isso ocorria, dormiam meus rebentos e sonhavam com pega-pega. E eu ali, me esforçando para aumentar os segundos no próximo dia das mães.


Na verdade, eu nem sei por quanto tempo vai durar essa determinação pela caminhada. Vamos caminhando e veremos.
Agora vou confessar uma coisa: quando estou na volta final, eu sinto uma vontade enorme de encontrar um pipoqueiro. Que fome de pipoca.
Mas não deve ter. Milho não deve gostar de pular de madrugada.
Confesso também que estou prestes a seguir a sabedoria de Mario Quintana:

As pessoas sem imaginação
podem ter tido as mais imprevistas aventuras,
podem ter visitado as terras mais estranhas.
Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou.
Uma vida não basta apenas ser vivida:
também precisa ser sonhada.

Estou pensando em sonhar mais tempo na minha cama, comprar um protetor solar e ir caminhar no sol a pino!
Agora, uma opinião: que título fica melhor neste post, pega-pega ou protetor solar?
Beijo

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Acender

Vamos acender palavras em nossos lábios
que provoquem o riso fácil, a surpresa?
Um elogio, um adjetivo
para fazer brilhar
o olhar alheio?
Vamos acender aquele brilho
que contagia?
Vamos acender amores?
Um projeto, uma viagem
uma visita há tanto aguardada
Amores românticos
amores literários
de flores
e cores
versos
sabores
e mais amores
Vamos acender nossa fé
que não necessita de respostas
apenas segue serena
em meio a tantas dúvidas terrenas
Vamos acender nossos caminhos
para que as soluções se aclarem
Vamos acender abraços
assovios
Vamos acender
dons adormecidos
Vamos acender?
Riscar
arriscar
lumiar
a alegria
ainda que o momento esteja difícil
Arrisque
Rabisque
Simplifique
Vamos acender o nosso presente!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Sem título

Você quer se sentar aqui ao meu lado para ouvir uma história?
Não olharei nos teus olhos. Também não sei onde meu olhar estará. Não importa. Eu apreciarei tua presença ao meu lado.


Sabe, às vezes eu acho que nós conhecemos todas as histórias do mundo. Tudo já foi falado, escrito, filmado, fotografado, postado... de alguma forma, tudo já foi ouvido. Acabou a originalidade. Vivemos uma repetição.
Vivemos uma repetição quando nossa alma se ausenta.
Quando você ouve uma história desabitado de si mesmo, da sua alma.


Numa estação do ano, que eu não me lembro qual, eu habitei uma história.
Vou colocar após os dois pontos algumas palavras deste contexto: uma garota de 14 anos, o caminho da escola, um estupro, uma gravidez, gente rica.
Ela chegou na maternidade pela manhã, trazendo numa linda maleta o enxoval do bebê menino e aquelas palavras do parágrafo acima.
Eu vi quando a garota abriu a maleta a pedido da mãe para me mostrar as peças bordadas e entregar a primeira roupinha a ser vestida pelo bebê.
Não me lembro se as palavras estavam misturadas às roupinhas ou se estavam guardadas num cantinho.
O sorriso da garota era frio. Talvez fosse o momento da cesariana se aproximando.
A decisão da justiça saiu no quinto mês e meio de gestação. Decidiram ter o bebê. Um bebê sem pai, frisou fortemente a avó. E a partir dessa decisão seria um bebê amado, muito amado - mãe, avó e avô eram o núcleo mais próximo. O estuprador estava preso. E eles trancafiaram também o passado até o tamanho da barriga de cinco meses.
Nunca, eu saberei qual tempo de espera foi maior. Antes da sentença ou depois dela?
Desejei um fique tranquila e segui pelos corredores carregando num dos braços uma pequenina peça de roupa, no outro, a maleta. Também não me lembro se estava mais leve ou não do que quando chegou.
Por favor, ali onde eu disse "após os dois pontos algumas palavras",  acrescente a palavra esperança.


Este texto faz parte da blogagem coletiva  Amor aos Pedaços.


domingo, 13 de maio de 2012

Amor aos pedaços


Terça-feira, dia 15/05, uma blogagem coletiva que eu achei interessante e estarei participando da terceira fase.
Não sei muito a respeito, estou me inteirando mais a partir de agora.
Quem não participou das anteriores - encanto e desencanto, pode sim participar desta, esperança.
Já preparei o meu texto.
Interessou? Prepare o seu também!
Passa lá no blog da Luma, dá uma olhada, deixa nos comentários que irá participar e vamos compartilhar histórias.
Beijo, até terça.