segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dia Mundial da Fotografia


Dia 19 de agosto comemorou-se o Dia Mundial da Fotografia.
E foi um dia bastante celebrado, seja com exposições, selfies, debates, reflexões.
Vivemos na era da imagem. De certa forma, somos todos fotógrafos, o que é muito bom!
Mas será que basta fotografar?

Você sabe, faz ideia, de quantas fotos são tiradas no mundo por dia?
Em dois dias o número de fotos tiradas ultrapassa a população do planeta Terra.
Em dois dias são 8 bilhões de fotografias.
4 bilhões de fotos diárias.

"Nunca se fotografou tanto. Nunca se viu tão pouco" ( Simonetta Persichetti )

É indiscutível o ganho que tivemos com a fotografia digital. Os mais jovens talvez não façam ideia do quão difícil foram os tempos analógicos na fotografia. Desde os custos com filme, revelação até o mais comum deles que era o pouco aproveitamento das fotos. Quantas tremidas, de olhos fechados, vermelhos ou as que não alcançavam o momento exato.
A câmera digital trouxe facilidades, mas também nos levou a exageros, a um turbilhão de imagens.

Numa outra reflexão que não relacionada ao dada fotografia, o prof. Leandro Karnal diz o seguinte:

"Alfabetizamos para a leitura dos textos e raramente educamos para a leitura de imagens. Vivemos imersos num mundo visual e não nos adaptamos a isto.
O desafio do olhar é intenso e o jovem quase nunca tem habilidade e repertório para julgar esse mundo de fotos e desenhos que flui pela rede. Somos quase todos analfabetos visuais"

O prof. Karnal sugere maior ênfase para as artes plásticas e visitas a museus; tudo para educar o olhar.

Um outro fotógrafo sugeriu no dia da fotografia que as pessoas se reunissem para olhar álbuns de fotografia.

E você, o que acha da fotografia atual? Estamos fotografando demais? Qual o significado que você dá para suas fotos? Estamos gerando memórias ou algo vazio?
O que você sugere para "olharmos" melhor?

E se você ajeitar aí na sua agenda um tempo de 27 minutos, deixo a sugestão do excelente programa JC Debate sobre o assunto.

Sorria, diga xis, click, click!


domingo, 14 de agosto de 2016

Colher de pai

Abri a gaveta dos talheres e demorei uns instantes o olhar naquela colher que eu nunca tinha visto.
Como fora parar ali?
Lembrei de uma confusão festiva num Natal, onde no lavar de louças, as peças iam sendo separadas - esse daqui é da Corina; não tenho certeza, mas deve ser da Teresa.
E depois era um tal de telefonar a saber se uma tigela assim, com flores em amarelo tinha ido por engano, ou então era o conjunto de colheres para sobremesa, em casa de quem estaria?

Marido foi quem esclareceu, não com uma resposta afirmativa ou negativa.
Contou-me a seguinte história:
"Lá na roça tem-se o hábito de, antes de dormir, comer leite com farinha.
Meu pai me chamava para um canto da cozinha já silenciosa, pegava um caneco cheio de leite, acrescentava a farinha de milho e então se dava - metia a mão num esconderijo e de lá tirava a colher."
Dizia que aquela colher sim era boa para comer o tal leite enfarinhado. Era mais funda que as outras colheres que haviam na gaveta. Era rara. Habitava um esconderijo na cozinha. Agora habita nossa gaveta.

Aos pais, que contam, que deixam histórias.
Que em seus dias comuns, imprimem marcas que nos ficam.

sábado, 9 de julho de 2016

As coisas que deixamos

Mudei de casa várias vezes.
Antes de sair, muitas vezes com a mudança lá no caminhão, andava pelos cômodos vazios, agradecia por ali ter vivido dias bons e outros nem tanto e vasculhava também se não havíamos esquecido algo.
Nas várias casas, apartamentos, que chegamos, muitas vezes encontramos "coisas" ali deixadas. Coisas por vezes impossíveis de se levar. Adesivos grudados nos vidros das janelas. Figurinhas de álbuns coladas na parte interna da porta de guarda-roupas.
Na casa mais recente de nossas vidas, encontrei um regador.
E ele me fez uma alegria no peito de um dia de céu bem azul cheio de sol!


Eu nunca havia tido um regador. E não nego a minha ausência de intimidade com plantas e flores - talvez seja esse o motivo.
Se tive algum de levar à praia, não recordo.
Recordo de figurinhas e álbuns e papéis de carta com lindas meninas de cabelos longos, vestidos esvoaçantes segurando um regador.
Penso ser poético tal objeto.
Uma mangueira bem faz suas vezes, ou como via uma senhora íntima das flores, um balde e a própria mãos a fazer chover.

Assim como temos vontade, secreta, tímida, ou transparente, de carimbar, pular corda, comer algodão doce, acho que temos de regar!

Lá na Praça Belo Horizonte em Salvador ( não confunda a geografia, a coisa é mesmo na Bahia! ) há um projeto para incentivar o cuidado com mudas e árvores nativa da Mata Atlântica com o projeto "Vem me regar".
Desconfio que faz o maior sucesso. Mas sejamos sinceros, entes mesmo do cuidar está aquela vontade de usar regador!


Quem tem, quem usa, quem ficou com vontade?

Quando nos mudamos daquela casa, ficou lá regador. Seria inútil trazê-lo para um apartamento sem plantas.
Há algum tempo passamos de carro pela antiga casa. Parecia mágica! Vasos, flores plantadas, um árvore crescendo. Quero acreditar poeticamente que a nova moradora faz um bom uso daquele regador!


terça-feira, 5 de julho de 2016

O nó da gravata

Na primavera do ano passado, escrevi o texto "O terno do Menino", numa deliciosa costura de um livro infantil e o desejo do meu filho usar um terno.
Ali cometi um equívoco, o qual só fui ter consciência tempos depois.
Não era completamente feliz meu menino em seu terno.
Sentia-se muito bem dentro de seu terno; o incômodo todavia, vinha da gravata.
A gravata era de um modelo com o nó já feito, bastando ajustar. Sem delongas.
Para ser completamente feliz em seu terno, o menino queria uma gravata para ele fazer o próprio nó.
Em alguma festividade, fora-lhe presenteado uma gravata. Duas, na verdade (#estavaempromoção).
Sorriu um sorriso de iluminar o olhar e guardou-as enrodilhadas feito gato.
Até que chegou a semana na qual ele usaria novamente seu terno.
Mas, e o nó?
Eu, a mãe sou inapta para tal tarefa.
O pai, é um sujeito contraditório: faz diversos tipos de nós em barrigas abertas, mas nem chega perto de gravata.
E agora Bernardo?
Amigos distantes tentaram ajudar enviando links de vídeos que ensinavam tal feito. O menino gastou duas cargas inteiras de bateria e encontrou-se na mesma situação de antes - sem saber fazer o nó.
O tempo passava e já estávamos às vésperas do evento.

Nosso vizinho ( de oito andares abaixo! ).

Mas antes de dizer que foi o Leonardo quem ensinou o nó da gravata, é preciso falar do Leonardo.
Comecemos então pelo caminhão.
Sim, um caminhão de mudança estacionado em frente ao nosso prédio, num dia que não choveu.
Vi os rapazes da mudança nas vezes que saí com o cachorro. Muito cuidadosos.
E dias depois, no elevador, um moço descendo com caixas a reciclar. Conversa de elevador ( adoro! ) - mudei a pouco; sim, eu vi o caminhão o mesmo logo das caixas...
Tempos depois, estávamos, marido, eu, as crianças, o pai dele, ele falando de pão de queijo. Mineiro, como marido! Ê trem bão!
Nunca vi Leonardo de gravata mas de alguma maneira eu sabia que ele sabia fazer um nó!
Faltando doze horas para o evento, interfonei para o apartamento dele, solicitei o favor e lá se foi o Bernardo.

Voltou outro.
Domínio total, preciso do nó. Uma confiança que se refletia no pescoço empertigado.


Naquela noite, fez o nó mais de vinte vezes.
Senti até medo que a gravata não aguentasse o tranco. Era das boas, resistiu.

E esse texto é um agradecimento ao nosso vizinho, porque eu soube que sua mudança continha em grande parte coisas de cozinha. Leonardo ama cozinhar. Então, imediatamente soube que eu não poderia lhe agradecer com prato de  comida, afinal eu corto cebolas com faca de pão. Melhor não arriscar!
Então, vamos de gratidão com palavras.
Nosso muito obrigado, a cada vez que Bernardo der um nó na gravata, a cada vez que o vir empertigado e com a gravata impecável, lembraremos que foi você Leonardo, com seu coração imenso que fez meu filho mais feliz!


sábado, 2 de julho de 2016

Eu, envergonhada

Senti vergonha perante o moço dos Correios.
Escrevi uma carta e carimbei no envelope com carimbo de corações.
Quando estava lá na agência com a senha em mãos, H1642 ( não devem mais existir senhas simples 1, 2, 3, 4 ) percebi que apenas um atendente chamava as senhas iniciadas pela letra H. Eu tinha alguma esperança de ser chamada pela mocinha da outra ponta, mas logo dei por mim que seria ele mesmo a pressionar o botão que me chamaria.
Olhei o envelope carimbado e fui tomada de vergonha. O que pensaria o moço dos Correios ( moço, modo de dizer, que ele bem devia ter a mesma idade que eu ) pensaria de mim? Uma velha com envelopes carimbados de corações. Parece criança. Que infantil.
Eu já estava ouvindo os seus pensamentos quando minha senha piscou no painel.


Se ao menos eu tivesse mais cartas para postar, poderia enfiar o envelope de corações por entre as outras. Mas não. Era mesmo somente aquele.
Com passos lentos me dirigi ao guichê e entreguei-lhe o envelope virado para baixo.
 - Carta simples, por favor.
Ele imediatamente virou o envelope dando de cara com o carimbo. Era preciso verificar o cep.
Ai, que vergonha.
Então, bruscamente ele me olhou e fez um gesto e disse com voz baixa "só um minuto".
Pareceu-me constrangido. Mesmo assim fez outro gesto pedindo que alguém se aproximasse.

Oh céus! Mais espera, mais demora para minha vergonha. Para piorar, um sujeito se aproximava. Certamente enxergaria a carta ali exposta aguardando o selo e o carimbo oficial.

O rapaz que se aproximou trazia uma grande caixa de isopor a tiracolo.
Tirou lá de dentro uma embalagem transparente redonda com um polpudo brigadeiro lá dentro.

O moço dos Correios pegou a embalagem, pousou-a ao lado dos coraçõezinhos, esboçou um sorriso e tirou uma nota de dois reais do bolso e pagou o sujeito que se foi.

Ficamos ali, eu, agora sem vergonha, o envelope de coração, o brigadeiro polpudo e o moço que estava visivelmente envergonhado!

Guardou o brigadeiro numa gaveta. Certamente dali a pouco iria pegar um papel para disfarçar, iria para os fundos e comeria seu brigadeiro, lambendo os dedos!

Parece criança carimbando envelopes.
Parece criança se lambuzando com brigadeiros!



sexta-feira, 17 de junho de 2016

A paciência na espera

Há um ano exatamente, minha filha fazia uma apresentação de um projeto escolar num parque aqui da nossa cidade.
Eu tinha acabado de ser presenteada com uma máquina fotográfica e todos aqueles botões pareciam um novelo de lã emaranhado!
Entre fotos ruins da apresentação da menina, aproveitamos para andar pelo parque e encontramos uma jabuticabeira em flor.
Tive um alumbramento!
Já havia visto a árvore salpicada dos frutos negros.
Ah, mas em flor...
E o perfume?
Com a dificuldade oferecida pelo novo equipamento, fotografei.
E não ficou lá aquelas coisas.
Pus pensamento firme que aprenderia um pouco mais da máquina e voltaria lá para tirar fotos melhores.
Bem, um ano se passou.
Quando eu tinha melhorado um pouquinho nos controles manuais, havia um silêncio pelos troncos das árvores. Um ou outra formiga a subir ou descer.
Essa semana lembrei do meu desejo das flores de jabuticaba. Aproveitei uma ocasião e adentrei numa segunda-feira no parque.
Tranquilidade, poucas pessoas, uma luz solar só para fazer bonito no dia que amanheceu com apenas um grau.
Estavam lá. Belíssimas.
Mesmo sem ainda desembaraçar todos aqueles botões, arrisquei.

Aproveito para pedir um pouquinho de paciência ( não precisará ser de um ano! ) que logo farei visitas aos blogs amigos. Ando ausente, eu sei.

Deixo então as flores perfumadas para desejar um excelente final de semana!