sexta-feira, 19 de maio de 2017

Jardins que falam

Há tempos que queríamos fazer esse passeio!
Conhecer o parque Amantikir que fica em Campos do Jordão.
Foi numa segunda-feira que as condições ficaram favoráveis e pudemos apreciar lindos jardins, bela natureza!
Um pouquinho em fotos para vocês!


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Inocência

A mulher estava no portão. No seu colo, uma alegre menininha.
O homem saiu lentamente, sentado na moto ainda desligada. Desceu, fez com seu polegar um pequeno sinal da cruz na testa da mulher. Beijou-a depois. Repetiu o gesto na testa da criança, o pequeno sinal, o beijo por fim.
Sentado novamente na moto, disse com voz alta e doce: "um bom dia minha sogra".
Mulher e filha acenaram e sorriram até a moto deixar de ser vista no final da rua.

Eu agradeci silenciosamente por poder apreciar este pequeno ritual imenso de amor e inocência.
Nutriu-me presenciar tudo aquilo enquanto passeava com o cachorro na fria manhã.

Inocência...
Ah! Como eu achava ruim, quando criança, ouvir dos adultos a inocência das crianças. Soava-me como um sinônimo de coisa boba.
Que boba era eu!

Falo por mim, mas sinto que é um desejo coletivo, um desejo de muitas pessoas vivermos tempos de inocência.
Quanto cansaço, quanta exaustão o tempo todo termos que olhar para algo e buscar o que está por trás daquilo. Nada mais é o que parece ser. Tudo com uma segunda intenção. Sempre esperando por algo que ainda está por vir. E claro, que este algo, é sempre pior.

A cena que apreciei, era toda inocência. Não era para ser vista. Era um ritual intimista.
O acaso me pôs ali do outro lado da rua, um pouco distante para presenciar a inocência tão escassa e que tanta falta nos faz.




terça-feira, 9 de maio de 2017

Como não dar uma notícia

Ontem, meu filho chegou bem adiantado de seu horário habitual.
Expressei meu espanto, indagando-o ainda na porta: "Nossa, o que aconteceu que você chegou tão cedo?"
"Um colega nosso convulsionou na sala de aula e aí não teve mais clima; depois que a ambulância chegou, fomos dispensados. Ele recebeu no whatsapp que o tio dele tinha morrido".

A notícia da morte do tio ter chegado via whatsapp não me surpreendeu nem um pouco. Há dois anos, enquanto meu marido me dava a notícia com a voz embargada que seu pai havia morrido, "alguém"mandava um whats para meus filhos: "Oi! Sabia que teu avô morreu?"

Conversando com meu filho a respeito desse triste ocorrido, ele me perguntou como era na época dos telegramas, questionou-me se não era a mesma coisa - uma notícia triste dada via papel.



A fotografia está bem ruim. É um telegrama datado de 1945. Fotografei-o semana passada quando fui a uma exposição num parque daqui. Exposição de correspondências antigas de moradores da cidade.
Esse telegrama, trazia uma notícia boa: CHEGOU PIANO MENINAS CONTENTES ABRAÇOS
Haviam outros expressando profunda tristeza. Aqui na cidade funcionou um sanatório para tratamento de tuberculose, e muitas vezes, acho que na maior parte das vezes, as notícias não eram nada boas.

Expliquei para meu filho a diferença entre um whatsapp e um telegrama dando a mesma notícia.
Na época dos telegramas... sabíamos que geralmente eles não traziam notícias boas. Entre o carteiro bater palmas em frente ao portão e anunciar em voz bem alta "Telegrama", o coração já mudava o compasso. 
Havia um caminho a ser percorrido entre o anúncio com palmas lá no portão e a a abertura do envelope pardo já dentro de casa.
Cumprimentava-se o carteiro, que após breve meneio de cabeça, perguntava pelo nome que estava no destinatário - podia ser a própria pessoa, o marido, o filho, a tia já velhinha.
Era preciso assinar, colocar número de documento e só então segurávamos em nossa mão o telegrama.
A boca já tinha se acostumado com o amargo que lhe tomou desde o grito do entregador.
Então quando o telegrama era aberto, de alguma forma ( pressentimento, intuição? ) esperávamos por uma notícia ruim.

Diferente de você estar no whatsapp, rindo de memes, piadas, emojis mil, besteiras ( especialmente e principalmente no caso dos jovens :) ) e se deparar com uma notícia terrível assim no meio de toda aquela algazarra virtual.

Claro que um telegrama também não era a melhor forma de dar uma notícia, especialmente as ruins, mas eram, muitas vezes, a única maneira de fazê-lo.

Acho que não podemos perder a sensibilidade para um momento difícil. Sabemos da facilidade de uma mensagem instantânea, mas muitas vezes ouvir a voz é muito mais adequado. Olhar nos olhos e depois poder abraçar, seria ainda melhor.

Estamos avançando tanto em nossos aparelhos, a cada ano, uma nova geração surge - " esse com reconhecimento de íris; o outro pela sua digital".
E o reconhecimento humano, estaríamos perdendo?

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A carta maldita

Eu era uma criança. Oito pra nove anos quando peguei e li aquela carta.
Não tínhamos caixinha de correspondências; eram deixadas no portão.
Estranhei aquela carta, eu era familiarizada com cartas, e aquela não continha selo, nem o carimbo dos correios, não havia remetente e no destinatário estava escrito: PARA VOCÊ.
Sim, era para mim.
Abri-a ali mesmo sentada nos degraus próximo ao portão.
Fiquei paralisada e os sentimentos que se sucederam, hoje já não sei descrever.
Por vários dias, convivi com aquela sensação horrorosa.
A carta era descrita como uma corrente e quem a quebrasse, ah... quem a quebrasse...
Houve sim pessoas que romperam a corrente e ali na carta estava descrito tudo o que de ruim lhes aconteceram.
Acidentes automobilísticos, casas incendiadas, perda de emprego e empobrecimento estarrecedor e o pior de todos na minha opinião de oito pra nove anos - a mãe daquele que quebrou a corrente, em menos de três meses, morreu.
Não quebrar a corrente significava escrever, ou melhor, copiar dez cartas iguais àquela e enviar para dez pessoas diferentes.

Comecei desesperadamente a fazer as cópias, angustiada com as desgraças ali descritas, angustiada com e como eu iria distribuir aqueles envelopes anônimos. E fui salva pelo flagrante de minha mãe.
Caí no choro com medo de que ela morresse em menos de três meses.
Ela entendeu o tamanho do sofrimento para tão poucos anos de vida e disse-me que aquilo era coisa de gente que não tinha o que fazer e que não deveria acreditar naquelas coisas. Ao invés de escrever cartas daquele tipo, apenas reze e tudo ficará bem, ela me disse.
Eu me acalmei, rasguei tudo e ela não morreu em três meses, nem houve incêndio, ou qualquer outra tragédia.
Encontrei outras cartas daquele mesmo tipo, apenas com desgraças diferentes descritas, na minha infância e depois nunca mais.
Achei, depois de adulta, que tínhamos evoluído o pensamento e por isso aquelas correntes desapareceram.
Que engano!
Ganharam apenas novas roupas.

Estão nas redes sociais, exigindo que você diga amém, que você compartilhe em vinte e quatro horas, que você repasse a dez amigos. Continuamos a querer obrigar o outro. Continuamos a ter medo e por isso repassamos, abaixamos a cabeça mesmo sem querer, sem acreditar que aquilo sirva para algo.

Agora, em tempos políticos somos desafiados, ameaçados - "agora é pra valer Quem não responder com um fora temer... Estará fora do meu twitter, do meu face, do meu snap, do meu instagram... prazo Até sexta feira 28/04."

Sério, acho incoerente esses tempos. Lutamos por igualdade, lutamos para acabar com o racismo, com a xenofobia, lutamos por inclusão, mas somos incapazes de aceitar quem pensa diferente da nossa ideologia? Boas amizades são desfeitas porque não se coloca um fora temer, fora dilma, fora sei lá quem?
Vamos construindo relações agradáveis pelas redes sociais e de repente, fulano já não serve porque é isso ou aquilo?

As cartas malditas estão por todos os lados... fazendo ainda enormes estragos.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Aprecie a luz

"Vá para fora e veja mais o céu. Vá para fora, olhe para o céu e veja mais a luz. Eu recomendo que você vá lá fora, olhe o céu, se conecte com o céu. Este é o espaço sagrado externo.
Olhe a luz no céu no por do sol, no sol nascendo, no sol nas montanhas, no lago, nas construções, nas flores... Essas luzes são a manifestação externa, a luz externa.
Quando você se conecta com o céu externo, isto ajuda você a se conectar com o céu interno."

Tenzin Wangyal Rinpoche

Há maneiras agradáveis de começar bem o dia.
Vá para fora e olhe o céu.
Há muitas maneiras de se conectar com essa fabulosa paleta de cores e o blog da Chica, Céu e Palavras, há muitos anos nos presenteia a cada manhã com um lindo céu, nos ensina a olhar para o Alto e ver a Luz.
Por vezes a Luz pode até estar obscurecida por uma nuvem, por um dia chuvoso, mas está lá!

Minha gratidão a esse lindo trabalho que Chica realiza fotografando, garimpando céus e nos trazendo boas palavras para um bom dia, ou para uma ótima noite.

Aprecie a luz!




sábado, 22 de abril de 2017

Diário

Ontem li num blog sobre escrever diários. O quanto a garota se tornou melhor e mais feliz escrevendo e relendo seus diários.
Tomo a decisão. Vou escrever também. Ainda que virtualmente. Isso aqui é um diário também.

Sábado, 22 de abril de 2017.

Acordo às 05h46min.
Filho tem aula.
É emenda de feriado, é feriado prolongado de Tiradentes que a gente lembra, mas eu tinha me esquecido que hoje é "descobrimento do Brasil".
18˚ é a temperatura lá fora. O céu está muito limpo e bonito. Promete ser dia de sol ( previsão minha mesmo).
Tenho que ser ágil. Café preto, duas castanhas do Pará e metade de uma maçã. Perguntei ao filho ontem antes de ir dormir.
Mando-o colocar blusa. Ele resmunga mas obedece.
Descemos: eu, o cachorro e o filho.
Seu amigo José já o espera; vão pegar um Uber. José veio só para esta cidade. Seus pais ficaram. José está sem blusa nesses 18˚. Um dia ainda arrumo um jeito de falar isso pra mãe dele.

Na minha volta, tomo o meu café, que na verdade é chá. GUEM MAI CHA. Assim que está escrito no pacote. É chá verde com arroz integral tostado. Aprecio demasiado.

No apartamento agora, só eu e o cão. Filha e marido têm casamento para ir à noite em outra cidade.
Achei cruel deixar o menino aos cuidados dele mesmo e ir também ao casamento. Fico. Ele tem aulas durante todo o feriado ( e agora tenho certeza Chica, que a melhor idade é a da Marina ).

Vou comprar jornal. São 9h da manhã e sol já aquece o ar frio. 15 min de caminhada até a banca.
Levo o cão. Compro o jornal e uma bala de hortelã.
Acho que a bala é saudade da filha.O jornal não é para ler; é para forrar o cestinho dos banheiros. Toda vez que ela vai comigo comprar o jornal aos sábados, pede bala de hortelã.
Volto chupando a bala e pensando nela e no casamento.

Ela me perguntou todo o protocolo da cerimônia. A gente fica sentado? Que horas levanta? Vai tocar música?

A menina tem doze anos e nunca foi a um casamento. No meu tempo acho que casavam mais porque nessa idade eu já sabia até as falas do padre.

Explico tudo com delicadeza e ela me devolve: "Obrigada, novelas, vocês me ensinaram tudo sobre casamento". "Ah mãe, sempre tem casamento no último capítulo".

Houve uma evolução muito grande nos casamentos.
Vou contar.
No convite que recebemos constava um site. Tudo deveria ser visto e resolvido por lá. Horários, trajes, endereços, lista de casamento virtual, fotos dos noivos e padrinhos.

Adorei a lista de presentes virtual. Fiquei um bom tempo olhando cada item e quando me decidi, ocorreu-me uma dúvida em relação a cor. Chamei marido, mostrei-lhe os outros itens, disse estar apreensiva em relação a cor porque de repente, nada naquela lista, nada parecia combinar e assim ele ligou para a mãe da noiva, que no caso, é sua própria irmã.

Expos com delicadeza minha dúvida sobre o ornamento das cores, que foi imediatamente sanada. "Mano, preocupa não com a lista,  qualquer coisa, porque aquilo é só pra dizer. Num vai os presentes para ela, só o dinheiro".

Odiei a lista de presentes virtual.

Não tive como conter as lembranças dos casamentos da minha infância. A mãe da noiva era a que mais sofria. A cada visita que ia à sua casa, ela os conduzia até a casa da noiva e lá acomodava os presentes em cima da cama.
Nos dias que antecediam o casório, já tinha presente no chão.
Como era gostoso olhar aquilo. Cinco panelas de pressão, quatro ferros de não vapor, jogos de prato duralex.

Decido que não gosto das listas de casamento virtuais e também que não vou mais escrever diários.
Tenho muito passado agora e esse passado se mistura com a bala de hortelã que eu volto chupando e assim o diário perde a característica de diário, enfim. 

Mas, antes de encerrar, só mais uma coisinha.
Ontem ( tá desculpa, o diário era pra ser sobre hoje ) eu peguei elevador com um pai e um garotinho.
O pai falou para o menininho me oferecer a bolacha. Ele virou o pacote em minha direção e eu agradeci recusando.
Fiz errado, devia ter pego, pois assim o garotinho já aprende que tem mesmo uma finalidade oferecer.
O pai se desculpou por ser bolacha de maisena. Eu disse que gosto de maisena e água e sal também.
Ele lembrou de "umas redondinhas que tinham pedrinhas de sal".

Claro que eu lembro, exclamei. Levei muito de lanche!
Eu ficava lambendo o sal, el econfessou. Acho que nem existem mais, pois agora fazem mal, concluiu.

Concluo assim que escrever diários é para os bons. Eu tô mais é para cadernos de memórias!

Feliz Dia do Descobrimento ( via Odebrecht ) do Brasil.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Mistérios

Cecília, a responsável pela faxina no prédio onde moramos, dirigiu-se a mim na entrada do elevador:
"Você se incomoda se eu subir com você?"
"Larga de frescura Cecília"
Subimos sorrindo.
Enquanto deslizava o pano na parede de aço inoxidável, relatou:
"Ana Paula, você se lembra daquele cheiro horrível que estava aqui no elevador? Eu limpava, limpava, morador reclamando e o cheiro não passava? Então, tiveram que chamar os técnicos e eles descobriram que o cheiro vinha do fosso do elevador. Fizeram uma limpeza e tanto lá. E você nem vai acreditar o que eles encontraram por lá..."

Comecei a passar mal. Visivelmente.
Cecília, percebeu.
"Nossa, você está pálida, suando. Será que é o cheiro do produto? Calor?"

Cecília tem aquela prosa agradável; um bom dia que faz melhor mesmo o nosso dia.
Mas naquele momento, tudo o que eu queria era ser rapidamente içada para o meu andar o mais rápido possível. Ainda bem que não houve tempo para ela concluir o relato do que foi encontrado lá no fosso do elevador que exalava horrendo aroma.

Já em casa, tomei um gole de água e joguei-me no sofá para me recuperar.

Não tive coragem de falar para Cecília.
Farei a confissão aqui no blog:

Eu perdi meu espremedor de alho no dia internacional da mulher.

Porque só agora estou escrevendo?
Bem, minha filha alertou que não seria nada bom falar de espremedor de alhos no dia da mulher.
Eu, apesar de discordar, afinal, feminismo a parte, mas comida bem temperada todo o mundo gosta, acabei acatando a recomendação da menina.

Ia escrever na Páscoa, mas fui novamente alertada por ela, que chocolate não cai bem com alho. Insisti no bacalhau, mas acabei cedendo e me calando.

Se eu demorar mais, será dia das mães e aí não pega bem, mesmo que as mães utilizem alho o ano inteiro. Dia dos namorados então... falar em alho deve dar separação.

Então agora é a hora. Repito, perdi meu espremedor de alho.
Vou descrever o modelo: ele é do tipo andarilho. Após exercer sua função, é devidamente higienizado, precisando algumas vezes ser utilizado um palito de dentes Gina e após isso ele vai para o sol antes de repousar na gaveta dos talheres e utensílios grandes ( a segunda gaveta ).

Não, não adianta que já tentei usar aqueles potes com uma massa de alho mas eu não gostei nem do gosto nem do cheiro que ficou na geladeira, no armário, enfim, gosto mesmo é da cabeça do alho, de descascar, e amassar no sumido espremedor. Acho que esse gosto herdei de papai, que era obrigado a andar com um colarzinho com alho no pescoço por causa do saci-pererê. E eu não estou brincando.

Mas, voltemos ao sumiço.
Desapareceu mesmo e isso me desesperou. Já imaginou se ele foi parar lá no fosso do elevador?
Porque já revirei gavetas, armários, debaixos, cantos e nada.

Até hoje não consegui comprar outro. Sei lá, talvez seja a esperança dele aparecer repentinamente, um certo apego talvez.

Um pouquinho mais da descrição dele: era daqueles completos, que só depois da internet eu aprendi que ele tinha muitas utilidades como por exemplo, tirar caroço de azeitona. Quando descobri isso, corri comprar um vidro, só para testar a novidade recém descorberta. Depois de umas dez azeitonas, aquela "perninha" quebrou, mas tudo bem, ele continuava a exercer a função de espremer perfeitamente.

Durante todo esse tempo, tenho feito o trabalho de picar o alho manualmente. Descasco, corto ao meio, depois em tiras no sentido do cumprimento bem finas. Venho então com a faca no outro sentido cortando cubinhos ínfimos e depois faço uma espécie de passeio com faca em todas as direções para torná-lo ainda menor. Declaro que esse é o motivo de eu estar tão ausente dos blogs...
É bastante demorado esse processo.

O dedo indicador e o polegar, depois de uns dois minutos nesse procedimento começam a arder e latejar. Mas, até a próxima refeição, passa.

Ah! Você quer saber se minhas mãos ficam cheirando a alho?
Claro que não.
Eu assisti ao episódio que a Rita Lobo ensinou um truque: nada de leite ou limão. Basta esfregar as mãos na pia de inox que o cheiro sai feito mágica.

Sigo assim meus dias. Evitando falar com a Cecília sobre o que foi que encontraram nas profundezas do elevador, esfregando as mãos na pia e lembrando de papai sendo salvo daquele encontro com o saci por causa do colarzinho de alho.

Inté.

domingo, 9 de abril de 2017

Composição, produção de texto, redação

Ou,
Estão destruindo a criatividade de nossas crianças

Faz tempo que quero abordar esse assunto. Precisamente, dois anos.
Mas eu não encontrava um fio condutor, parecia-me inconsistente escrever sobre redações escolares, podia mesmo ser coisa da minha cabeça apenas...
Porém, semana passada, chegou-me a linha que faltava para eu costurar todas as ideias que foram ficando aos pedaços por aí.


Foto da folha de uma das redações que meu filho fez no último mês.
Transcreverei mais abaixo o comentário do corretor.
Antes disso, quero convidá-los a voltar aos bancos de escola. Muitos ( os como eu, mais antiguinhos! ) se lembrarão!

Composição foi o primeiro nome que eu tive contato para indicar a escrita de um texto.
E já no segundo ano primário, tínhamos vocabulário suficiente para produzir um texto curto e bom.
A lembrança que tenho dessa época foi uma composição nota cem que eu fiz já no final desse segundo ano escolar e foi escolhida para ser lida em voz alta para toda a sala.
Minha nota cem provocou risos e ao final da leitura, aplausos entusiasmados.
Acho que percebi a professora, tia Eliana ( sim, podíamos chamá-la assim ) orgulhosa.
Escrevi sobre circo. Das vagas lembranças do texto propriamente dito, a definição de um dos palhaços, magro feito uma lâmina de gillete ( meu pai era barbeiro e eu conhecia bem o fio da navalha! ) que parecia uma folha de papel quando estava de lado e o outro para contrastar, era gordo ( adorava assistir em preto e branco com papai O Gordo e o Magro ).

Nos bancos escolares daquela época, a coisa era relativamente simples no que se referia à composição, que depois teve por sinômino, produção de texto, mais para frente, redação.
Começo, meio e fim; a questão de parágrafos bem distribuídos, ideias coerentes, ortografia, pontuação. Tudo isso embasado em muita criatividade e para isso, no decorrer dos anos, várias técnicas foram-nos ensinadas. Recordo-me da chuva de ideias: anotar num rascunho todas as palavras que nos vinham ao pensar no título do texto. 

Aprendi a gostar de produzir textos na escola; era um desafio agradável.

Voltemos agora para a folha de redação de meu filho.
O que o corretor comentou, transcrevo a seguir:

Bernardo,

O uso impreciso de vocábulos e a incoerência de ideias no interior de alguns parágrafos comprometeram a fluidez do texto e a exposição das ideias.
Aplicar, sugerir uma intervenção para a resolução da problemática ( final do último parágrafo ) não é necessário para as redações dessa prova de vestibular.

Por gostar das redações, sempre que possível dou uma espiada nos textos dos meus filhos e claro, adoro palpitar!
Mas comecei a ser repreendida em meus palpites, principalmente pelo mais velho - "mãe, esse tipo de colocação não cabe para este texto; mãe, você não pode escrever isso nessa redação aqui."

Fui percebendo, entre repreensões, sugestões e explicações, que agora, especificamente no ensino médio, há um padrão politicamente correto que deve ser cumprido.

Para este tipo de vestibular, cite a revista Carta Capital; neste, Veja. Aqui seja neutro. Acolá proponha uma intervenção. Jamais vá contra o Governo naquela ali.

E dessa forma, assim que recebem um tema, precisam pensar primeiramente a que instituição se destina e moldar todas as ideias para que sejam encaixotadas ali.
Até o ano passado meu filho era bom nisso. Nesse ano ele e "caixa" não estão se encaixando.

Penso em todos os livros que lemos juntos, que leu sozinho. Todas as contações de histórias em parques, livrarias. Todas as peças de teatro infantil que os levei, as bibliotecas que frequentamos e sabe com que sensação fico? De que foi tudo em vão. Toda aquela criatividade, imaginação despertada pela leitura, pela cultura agora não serve de nada. É preciso acertar, devolver exatamente o que já é esperado.

Só eu que tenho essa sensação?
Quem mais já passou pelas redações atuais e sentiu isso?
Quem, com um adolescente em casa teve essa percepção?

Eu gostaria de estar vendo chifre em cabeça de cavalo...

Agora meu pedido de desculpas: nada foi em vão. Nenhuma leitura infantil, teatro, biblioteca.
Parabéns aos educadores, aos blogs de literatura infantil nos quais eu tanto me inspirei e me inspiro.
Paula Belmino, Jaci Pandora, Gato de Sofá, só para citar alguns.

Querem nos encaixotar, mas é a literatura, a imaginação solta, que nos faz voar.

Deixo uma animação, um vídeo de 8 minutos que bem exemplifica e também nos traz um sopro de ânimo.



terça-feira, 28 de março de 2017

Espanto

A todo o momento temos que aprender palavras novas. Não palavras que já existiam nos dicionários, são palavras novas realmente, que antes não existiam e passaram a existir por conta dos novos tempos, novas tecnologias, maneiras de pensar e se expressar.
Pós-verdade é uma dessas novas palavras. Já absorvemos blogs, face, insta, selfie.
Muitas vezes porém, vamos nos esquecendo de algumas palavras ou lembrando só parte do seu significado.
E é aí que entra a palavra que dá o título a esse texto.
Espanto.
Medo, sobressalto, terror, susto.
Indignação ( inclinada para um certo negativismo ).
A parte esquecida, talvez, seja o maravilhar-se.
Espanto é sinônimo também de maravilhar-se.

Então quero lhes contar uma história de espanto.
Começo a história pelo seu final, pela cena final.

Na rua, na calçada, no passeio público, duas malas escolares esquecidas ( possuem alça e rodinhas ).
Vários metros à frente, um carro freia bruscamente. É uma via de mão única, e no horário escolar, muito movimentada o que impediu uma marcha a ré. Pisca-alerta acionado, a motorista sai em disparada. Posiciona as malas, faz um giro com seu corpo, puxa as alças suspendendo-as e volta em direção ao carro. Corre um tanto descompassada pelo incômodo de puxar ambas malas ao mesmo tempo. Abre o porta-malas e logo sai apressada. É preciso compensar os minutos deixados ali em toda essa manobra.

Começo da história:

No ano passado, durante as saídas matinais com meu cachorro, uma alegre mãe com seu filho, interrompiam por alguns segundos os passos ligeiros para um aceno, uma palavra de carinho dirigida ao peludo.
Não demorou muito para eu saber que ela vinha a pé de outro bairro para levar o filho à escola.
Fiquei indignada com a distância e ela, bem humorada me disse fazer bem caminhar e que gostava.
Tempos depois anunciou-me que se mudaria ali, para bem perto.
Mostrei-lhe o prédio no qual moramos.
Seremos vizinhas de prédio então - ela disse sorridente - e você vai conhecer meu coelho!

Nesses rápidos encontros não era possível se estender. Muitas frases eram ditas já com as pernas em caminhada.
Vieram as férias escolares e nunca mais encontramos a simpática mulher que nem o nome eu sabia.

Certa manhã, eu saí do prédio com o cachorro e dei de cara com ela parada ali rodeada de crianças. Segurava um coelho no colo.
Apenas acenei, pois meu cão começou a latir, sinalizando não ter muita afinidade com coelhos.

Bem, não era um coelho comum, pelo menos dos que eu conheço, de pelo curtinho. Era um coelho parecido com um gato angorá, muito, muito peludo. Uma mescla de cinza e branco que se destacava ainda mais perante o vermelho da coleira. Sim, é um coelho que anda de coleira!

Fiz a volta habitual com meu cachorro e já retornando, mas ainda distante pude vê-la no mesmo lugar, agora com apenas duas crianças a rodear-lhe.

Demorei-me pois o cão vai e volta se enfronhando, parando a cada passo para cheirar.
Nessa demora, vi a cena final acontecendo: as crianças aguardavam a carona ali na calçada.
A mulher com o coelho parecido com uma nuvem fofinha a sestear, causou espanto nas crianças. Ficaram ali a perguntar, a acariciar o animalzinho.
Espanto faz isso mesmo, um encantamento tão arrebatador que malas, mochilas são facilmente esquecidos.

Vi as crianças entrando no carro, o coelho a saltitar de volta para a casa, as malas ficando ali esquecidas.

Sorri. Pensei em recolher as malas e pedir ao porteiro que as guardasse.
Nem foi preciso. Vi o carro parando bruscamente, o pisca-alerta acionado...

Voltei daquela manhã lembrando-me da bela fala, do ensinamento, do sonho de Rubem Alves de que precisamos, sempre vamos precisar, de professores de espanto.

E então, vamos nos espantar mais?!

domingo, 12 de março de 2017

Tag: Apaixonada por fotografia

Vi essa tag lá no blog Fotografei do Lukas e me inspirei a responder também! Assim, dá para contar um pouquinho da minha relação com a fotografia.

1. Com quantos anos você ganhou sua primeira câmera fotográfica?
Uma câmera fotográfica não era um presente que se dava para uma criança ou adolescente da minha época. Tenho 45 anos. Câmeras eram caras e ainda tinha-se que pensar nos custos do filme e da revelação. Muitas vezes um filme ficava por meses dentro da máquina por não haver recursos para mandá-lo ser revelado. Mas isso também gerava agradáveis surpresas - depois de tanto tempo nem se lembrava mais do que poderia haver lá dentro. Então, ir buscar o envelope com as fotografias reveladas era pra lá de especial!

Comprei a minha primeira câmera poucos meses antes do meu filho nascer. Há quinze anos. E não economizei - comprei o modelo mais avançado exposto nas vitrines das lojas de fotografia, geralmente de propriedade dos japoneses. Ah, os japoneses e a fotografia... São os melhores!
Minha câmera de última geração rebobinava automaticamente o filme. Vocês conseguem imaginar o que isto significava? Era o máximo não ter mais que girar uma manivela.

2. Prefere fotografar ou ser fotografado?
Fotografar. Não acho que eu fique bem em fotos, não gosto muito de ser fotografada.
Mas, quero mudar isso.
Há um tempo recebi uma carta ( eu troco correspodências ) em que a garota me contou que não gostava de ser fotografada. Alguém com um projeto fotográfico que visava melhorar a auto-estima, convidou-o para um ensaio e ela amou ser fotografada!
Também guardo na memória uma crônica que li relatando a conversa de um cliente com o motorista de táxi que acabara de perder a esposa e ele mostrou ao cliente uma foto dela dizendo não ser ela. Uma foto da esposa toda produzida, arrumada para uma formatura. E o que ele queria mesmo era um retrato dela no cotidiano, ali no tanque abrindo aquele sorriso ao vê-lo chegando em casa.
É, fotos são mesmo especiais!

3.Você tem uma boa câmera para fotografar?
Sim e não.
Sempre haverá um último modelo lançado, a câmera mais top do mundo e a sua fica parecendo uma formiguinha diante do gigante.
Comparando com o passado, qualquer câmera de hoje é o máximo, principalmente pelo fato de você ver o que fotografou. As nossas pretinhas de antigamente eram pura incógnita; nas mãos de amadores então, o que era o caso da minha família inteira, podemos dizer que de 24 poses, três ou quatro se salvavam.
A tecnologia atual colocou câmeras excelentes nos nossos celulares. O olhar, o exercício do olhar, do reparar é, na minha opinião o que vem primeiro e sim, o equipamento ajuda, principalmente para fotos que requerem algo a mais, por exemplo, a lua, que tem se mostrado exuberante nesses dias, e eu não consigo fotografá-la!
Minha câmera é uma canon rebel T5i. Queria uma câmera com a possibildade de trocar as lentes. Agora a tenho. Só falta ter as lentes!!!

4. Tumblr, We Heart It ou Instagram?
Confesso que só visitei o tumbrl e apesar de ter gostado do visual, não sei usá-lo. Gosto mesmo é do instagram. Prático, visual agradável, interação gostosa entre as pessoas e eu gosto especialmente de ter encontrado blogueiros por lá. É uma extensão dos blogs, boas surpresas!

5. Cite uma pessoa que você se inspira para tirar fotos.
Não tenho uma pessoa. Os blogs com fotografias foram me inspirando, depois veio o instagram, onde há várias pessoas que eu admiro.
Também aprecio o trabalho profissional de dois fotógrafos: Sebastião Salgado - foi numa biblioteca pública que eu encontrei um de seus livros que relatava escolas do mundo. Escolas debaixo de árvores, ocas, esconderijos.
Depois numa livraria encontrei e folheei um livro de fotografia da natureza, com imagens da nossa biodiversidade. Luiz Cláudio Marigo, o autor das fotos. Lembro-me que na época mandei-lhe um e-mail perguntando a dúvida de meus filhos ainda pequenos, como ele tirava fotos de onças tão de pertinho? Recebi uma resposta entusiasmada explicando todo o processo. E tempos depois, diante da televisão, vejo noticiada a sua morte num telejornal. Ele estava num ônibus, nas ruas do Rio de Janeiro, quando sofreu uma parada cardíaca. Com carinho guardo o livro dele que comprei e o e-mail.

6. Você edita suas fotos ou prefere que elas fiquem no modo original? Se sim, qual app, programa você usa?
Não edito. Gosto de fotos sem filtros, sem edições, no original, mas reconheço que por vezes, é sim necessário uma edição e por isso quero aprender.

7. Qual a última foto que você tirou? E a última vez que você foi fotografado por alguém?
Minha filha me filmou num entrevista para a escola semana passada.
E minha última foto foi feita ontem.
Passando pela rua, colhi com o olhar a fotografia e depois voltei lá levando a câmera.
É essa aqui que logo irá para o meu instagram @retrateria



8.Você é daqueles que quer sempre registrar os momentos e o que está ao seu redor, sai sempre com a câmera nas mãos?
Não.
Tenho momentos que saio para fotografar, com essa intenção. E também há ocasiões que não levo a câmera, nem registro pelo celular.
Estou sempre a refletir se é realmente necessário fotografar tudo, se não deixamos passar um olhar, um sorriso, uma ponta de tristeza querendo se mostrar quando nossa preocupação é simplesmente clicar.

9. Uma foto que você tenha tirado e que goste muito.


Anime-se também a responder! Eu vou adorar saber mais da sua relação com as fotos, com as câmeras, as boas histórias, como certa vez, li e me emocionei com uma foto tirada pelo painho de Pandora. Um luxo como ela disse!
E, se responder, vem aqui deixar o link para que mais pessoas conheçam essa história!

Ah! E eu não posso deixar de colocar uma fotografia feita há uns quarenta anos atrás. Espia só e me conta se você já teve uma Mônica de plástico dessas!





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Blogs e leituras

Amigos blogueiros, obrigada pela tua presença aqui em meu blog!
É carnaval, e embora eu tenha pendurado as sandálias prateadas há quatro décadas... vide abaixo:



Estarei com dificuldades para usar o computador. Filho terá aulas neste carnaval, é isso mesmo o que você leu, e precisará do mesmo.
Fiz então uma prática que não é usual por aqui e sei que muitos blogueiros não gostam. Deixo três postagens para leitura e interação. Nesta daqui não haverá comentários.
Meu convite é que você vá e volte!
Tem postagens sobre:

meu encontro com uma amiga blogueria - aqui em conexão abraço

Um certo passarinho que me visitou - aqui em eu vi o passarinho verde

Memórias sobre material escolar - aqui em sobre etiquetas e plásticos para encapar

Aproveitarei esses dias para visitar e me atualizar nos blogues. Relevem os erros nos comentários pois estarei usando teclado de celular que são completamente inadequados aos  meus polegares.

Aproveitem a folia ou o descanso!

Sobre etiquetas e plásticos para encapar

Ou memórias afetivas dos tempos de escola.

A arrumação de armários, gavetas, escrivaninhas, deveria ter sido feita no final do ano.
Quando os novos livros escolares de 2017 chegaram, não houve jeito; houve corre-corre para abrir espaço e acomodar tudo aquilo.
Tarefa cumprida, livros, objetos acomodados, outros doados, reciclados, pude então olhar uns poucos itens que eu separei rapidamente e voltar a eles com ternura.

Um rolo de plástico transparente para encapar
Três etiquetas sem uso - bordas e linhas vermelhas
Uma etiqueta artesanal

Segurei firme diante dos olhos a etiqueta artesanal. Esta aqui:


A primeira escola, o primeiro caderno de meu filho. Ele tinha três anos de idade.
A memória, que muitas vezes tem vida própria, conduziu-me direto para a minha escola, minha lista de material, a professora Sônia da primeira série, a cartilha de alfabetização.
Os cadernos de brochura que a mãe cuidadosamente encapava com plástico xadrez e depois colocada a etiqueta de bordas e linhas vermelhas já com meu nome e o da professora escritos.  Para cada ano escolar, uma cor era designada. Xadrez amarelo era o nosso. Mas claro, o vermelho, do segundo ano, parecia-nos muito melhor.
Foi quando passei para o importante ginásio, quinta série, é que soube de um tal papel contact.
Nossa, o livro da amiga era uma perfeição envolto rigorosamente naquela novidade.
O pai achou caro mas mesmo assim comprou.
Pedimos explicação para a vendedora que resumidamente mostrou-nos a parte a ser puxada.
Papai puxou tudo de uma vez e mergulhou o livro ali com tudo. Bah... uma porção de bolhas de ar que foram resolvidas na ponta da agulha e meu livro não ficou como o da amiga. Parecia mais um ralador de queijo.
Aperfeiçoamos a técnica e a melhor delas se valia de uma régua que pressionava e deslizava, mas tudo, claro, feito a quatro mãos.

Já moça e saída dos bancos escolares, conheci certa vez uma pequena papelaria que oferecia um serviço exclusivo: toda a lista de material devidamente encapada e etiquetada com letra bonita. Para os cadernos, tecido seguido de plástico transparente.
Sucesso absoluto.
Desejei fazer aquilo para meus filhos, se um dia os tivesse.

Então quando eu estava com a lista escolar de meu filho em mãos, eu não tinha tempo, talento, habilidade. Entre uma criança pequena e um bebê sendo amamentado, tudo o que consegui foi fazer essa pequena etiqueta, que parece ter compensado todo o resto que eu não fiz no material dele!

As coisas foram acontecendo assim, meio que sem a gente perceber. Num ano encapávamos tudo, no seguinte só alguns e agora me dou conta que há etiquetas sobrando por aqui, ainda há um rolo de plástico transparente e a pequena etiqueta feita com tanto esmero, resiste.

"Mãe, ninguém mais encapa livro...
"Imagina colocar etiqueta, haha que mico"


Às vezes, a maneira da gente se dar conta de que eles crescem, nem é pelo tamanho do pé, calças que encurtam, mas esses pequenos detalhes que transbordam recordações.




Eu vi o passarinho verde!

Um passarinho me contou que, há um passarinho verde voando por aí e, repentinamente ele pousa fazendo surpresa!

Ah! Que eu fiquei a desejar que ele pousasse aqui na minha varanda.
E sabe o que eu fiz?
Ninhos, ninhos fofinhos a esperá-lo! Quem sabe ele vendo assim um ninho bem ajeitadinho, ele não pousaria por cá?!






E funcionou!!! O passarinho verde por cá pousou!
Chegou já no anoitecer. Veio, todo faceiro, dentro desta caixinha





Passarinho verde ou "Por onde voas, Passarinho?" é uma iniciativa da Calu do blog fractais de calu, com a nobre intenção de voltarmos a ter interação entre os blogs que andam tão paradinhos...
E eu quero dizer que assim que o passarinho chegou e comecei a pensar no que poderia escrever nesse diário do voo dele, lembrei-me da expressão - viu passarinho verde hoje?!
Acho que todos nós ou já ouvimos ou já falamos esta frase que sai com sonoridade marota, um leve toque de segundas intenções relacionado ao estar apaixonado.
Precisamos ver o passarinho verde em nossos blogs. Precisamos nos apaixonar novamente pelos nossos blogs, pela arte de blogar. Ainda que o tempo esteja reduzido, ou dividido com outras redes. Ainda que recebamos somente um ou dois comentários, temos que trazer a sensação do passarinho verde!

Então, apaixone-se pelo seu blog, não desista dele.
Isso é o que registro no diário de viagem desse querido passarinho.

Passarinho verde pede para avisar que devido à cansativa viagem que fez, vai ficar por aqui uns dias e alça voo depois do carnaval. Para onde será que voará?!










Conexão abraço


No lugar desta foto deveria haver uma selfie nossa. Até fizemos, mas vou confessar, acho que não somos suficientemente boas em selfies!
Boa mesmo foi a nossa conversa, o nosso encontro. Duas blogueiras, duas amigas virtuais que tanto desejaram, e um dia o abraço se concretizou!
Marcamos um café e simplesmente perdemos a noção do tempo. Foi uma tarde inteira maravilhosa!
A Grazi veio lá do Paraná; eu, do interior de São Paulo e nos encontramos na capital paulistana.
O blog dela tem mais de dez anos. Rimos ao lembrar que é do tempo da internet discada! Eu conheci seu blog bem depois, mas gostei tanto que fui lendo feito um livro. E ela me conhecia, conhecia meus filhos pelo que eu escrevia deles no blog e assim a conversa fluiu com tanta naturalidade, com tanta intimidade, com aquele desejo de "queremos mais".
Rimos, choramos, nos emocionamos.
Falamos de assuntos, de emoções, dos nossos filhos, de nós mesmas e até de escritos nas entrelinhas.
Falamos dos blogs. Foi inevitável a pergunta: e os blogs, andam tão parados, parece que muitos estão deixando de blogar, e agora?
E foi nessa conversa franca que a Grazi me fez ver a importância, a leveza que os blogs podem trazer.

Há redes sociais ( leia-se facebook ) onde impera o ódio, explícito ou mascarado, por tudo, pela política especialmente. 
O instagram é prático, rápido, mas textos por lá são raros os que leem. Afinal foi feito para fotos e legendas curtas.
O noticiário é e sempre será pesado, taciturno. Tragédias vendem mais.
Então os blogs podem ser a leveza, delicadeza, o ouvir que procuramos.
Percebi tudo isso na nossa conversa. Mesmo que por vezes eu fique distante, não poste com a frequência que gostaria, esse é um cantinho especial.
Gratidão Grazi, pela sua companhia, pelo seu abraço, por me fazer ver que podemos usar a internet, os blogs como uma ferramenta de união, de transbordar coisas boas!
E vamos treinar nas selfies porque quem sabe, dia desses qualquer, a gente marca um café, uma pizza, um outro abraço!


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Comi a gentileza

Gentileza é daquelas palavras boas que deveriam ser escritas como se fosse uma boquinha sorrindo :)
O que muita gente fazia antes quietinho, no anonimato, em tempos de web ficou ainda melhor porque é um fazendo e incentivando e vamos sendo contagiados em espalhar gentilezas.
Isso é maravilhoso!
A gente vai de bom dia sorridente ao porteiro, ao professor ao desconhecido na rua.
A gente carrega sacola pesada para a senhorinha.
Ajuda a mãe a acudir um esfolado no joelho de criança.
E, de repente, é a gente mesmo que está recebendo as gentilezas espalhadas de volta!

Foi assim que o interfone tocou por aqui. Desliguei o fogo da panela e atendi.
"Oi, aqui é a Sabrina mãe do Caio eu queria falar com a Ana Paula mãe do Bernardo.
Oi, sou eu.
Então... sabe, o Caio...
Ah claro, aceito sim. Nossa que coisa boa! Muito obrigada mesmo!"

Sabrina perguntou se eu aceitaria uniforme escolar que não servia mais no filho dela para os meus. Claro que aceitei e também disse que viriam uns livros de leitura dos anos anteriores do filho e poderiam ser usados pela Júlia. Melhor impossível!
Eu sinto falta dessa rede de passa e repassa entre primos, irmãos mais velhos para os mais novos, vizinhos, enfim, a Sabrina trouxe a alegria dessa rede!

Não demorou muito e duas sacolas imensas estavam aqui no meio da sala.
Tinha muito mais do que ela havia dito. Muitos livros infantis, juvenis, os uniformes. Quanta gentileza que ela nos fez feliz!

Voltei à minha panela, que eu havia desligado o fogo quando o interfone tocou e por sorte já estava pronto meu arroz-doce. Remexi e ao desprender aquele gostoso aroma, ocorreu-me a ideia: vou retribuir a gentileza levando arroz-doce para a Sabrina!



Não se iludam, vamos à realidade: eu não sou essa pessoa linda cheia de potinhos fofos.
Por acaso eu tinha guardado um potinho que comprei com cogumelos. Por acaso eu tinha comprado um potão de doce de nata suíça que custa tão caro que eles puseram um chapeuzinho xadrez para amenizar a coisa.
Então o que eu fiz foi somente ferver o potinho, arrancar a touca do potão, pegar um papelzinho recortado pela filha e escrever, porque adoro escrever cardamomo: Arroz-doce perfumado com cardamomo!

Chamei a minha filha e descemos para o apartamento da Sabrina. Ninguém atendeu.
Achei melhor assim, pois o arroz-doce ainda estava quente e eu, não sei ela, mas eu prefiro geladinho.
Pus na geladeira.
Dia seguinte, pela desci, bati novamente na porta dela. Em vão.
Tirei a touca e o papel e pus na geladeira de volta.
Tentei de tarde. Nada.
Perguntei para a filha que estava apressada já na porta do elevador como eu fazia para interfonar para lá, cada torre tem um número na frente, uma confusão, enfim.

Ao cair da tarde, já quase noitinha, interfonei.
Foi uma mulher que atendeu e ficou com voz estranha. Ela me disse que a Sabrina não estava ( ou foi isso que eu ouvi ) e eu pedi-lhe um favor - deixaria o pote com ela e ela entregaria para a Sabrina. Com uma voz enfraquecida ela concordou.

Desci lá com o pote de touca, toquei e nada.
Subi e contei para a filha a minha estranheza.

"Poxa, tá estranho isso, eu interfonei quem atendeu foi uma tal de Adriana e eu pedi o favor de...

Mãe do céu que número você ligou?
Que mico mãe. Você ligou pro apartamento errado. Você falou com a mãe da Marianinha. E agora, elas me conhecem, elas vão achar estranho toda essa história de potinho...

Calma, calma, eu não disse meu nome, muito menos o seu. Quer que eu arrume essa situação? A gente vai lá no apartamento da Marianinha pede desculpa pra mãe dela, diz que eu me confundi e damos o arroz-doce pra ela; a mãe dela me pareceu fraquinha...

Nem pensar, que vergonha, que mico."

Fiquei triste segurando minha gentileza na mão.
Gentileza na geladeira por mais de três dias não é bom.
Tirei a touca, abri o pote e comi a gentileza.

Nossa gente, como faz bem comer uma gentileza!
Fiquei tão feliz!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Uma história boa pra cachorro

Era uma vez, um pai, seus filhos, o cachorro deles e uma personagem secreta que fotografava tudo e por isso não quer sua identidade revelada.
Eles adoravam morar na cidade e também adoravam estar com uma doce avó que morava bem, bem longe.



A doce avó os esperava cheia de mimos, quitandas e comida saborosa feita no fogão à lenha.


Lá o menino que subia em árvore


Era uma casinha muito aconchegante, cheia de janelas e cor de bochecha de boneca ( né Angela?! )


Num dia belo, cheio de sol, o pai, que um dia já foi menino ( e dos mais arteiros ) saiu a passear com o cachorro e os filhos. Ele não disse nada, mas iriam para um lugar misterioso...


O cachorrinho urbano estava adorando a liberdade!
Andava solto, livre.
Havia trocado o concreto por um mundão cheio de verde!


Já nem sabia mais, o cão, o que era asfalto.
Tudo para ele era terra, grama, liberdade.

Andava feliz pelas ruas de café sob um céu esplendoroso





Até que se embrenhando por estradinhas, passagens secretas eles chegaram ao lugar misterioso que só o pai, por ter sido menino arteiro, conhecia


Subiram, desceram, arranharam os braços e chegaram. Uma linda represa escondida!

E então aconteceu: o cãozinho que já havia se esquecido do asfalto, vendo a represa verdinha, verdinha, pensou ser o seu tapete de grama e tchbummmm.

A personagem secreta que tudo fotografava, ficou paralisada e quase entrou na represa com máquina fotográfica e tudo. Ainda bem que ela lembrou a tempo que os cães nascem com um acessório muito útil em caso de confusão de grama com água: eles nadam cachorrinho!

E então o cãozinho voltou nadando para a terra firme.
Já não era o mesmo, parecia um cachorrinho marciano - todo verde coitadinho.

Foi direto para o petshop, ops, direto para o tanque com água da bica.
E depois foi se secar em seu local favorito - a janela.




Apreciou as vacas que chegavam para beber água


E apreciou também o céu se tingir de laranja antes de anoitecer.


E depois de toda essa aventura, nosso cãozinho recebeu uma demorada massagem para tirar o susto de um dia cheio de novidades.
Mas isso você poderá ver lá no instagram!

@retrateria