segunda-feira, 13 de junho de 2016

Lívio Lavanda

Acho que foi o meu amor por varais que me levou a esse livro.

"Lívio Lavanda tem um varal. Nele, pendura coisas para se lembrar dos pequenos e grandes acontecimentos. Todos os dias, ele põe alguma coisa nova ali...".

Li no jornal a despedida de uma colunista que escrevia para crianças onde ela falava desse livro, falava de recordações.


Já pendurei muita roupa em varal ao sol, vento. Esqueci de recolher e molhou com a chuva.
Já penduramos poesia, fotos, frases um varal coletivo estendido aqui na blogosfera!
E esse varal do Lívio Lavanda, pendura-se todos os dias algo para se lembrar, recordar.
Lívio se maravilha com o mar. E pendura essa recordação no seu varal.

Temos muitos motivos para deixar de nos maravilhar...
Mas, há tantos outros, pequeninos ou grandiosos, que nessa correria, nessa avalanche de informações, no tumulto das redes sociais deixamos de perceber, de lembrar.

O cheiro de bolo assando, um por do sol, uma carta que chega.

" - Onde você começa? - pergunta Lívio Lavanda.
 - Dentro de você - responde a felicidade".


Dizem que os varais estão em desuso; desvalorizam uma casa.
Lençóis ao vento nem pensar...
Que não fique em desuso o nosso deslumbramento com o que de especial nos acontece diariamente!


10 comentários:

✿ chica disse...

Que coisa legal isso,Ana e vem de encontro exatamente com o que penso...Temos tanto de pequenas coisas que nos deslumbram...Temos que pendurar no varal da vida e ir lá recolher de vez em quando...Adorei a dica! bjs praianos,chica

Toninho disse...

Gostei de pendurar emoções nestas coisas simples da vida, mas que fazem toda diferença na arte de bem viver.
Eu lembro os quintais embandeirados de minha infância, da briga com a bola que cismava de enroscar nos lençóis alvos com as nuvens do céu.
Ah, eu lembro com saudades também do grito da mãe para correr a tirar as roupas, quando São Pedro brincava de atrapalhar toda aquela trabalheira de lavar e secar as roupas.
Que bom, que bela saudade.

Meu abraço

Carmem Grinheiro disse...

Eu adoro um varal de roupa esvoaçando.
E adoro essa ideia de a gente se deslumbrar com os detalhes do dia-a-dia - passo a vida falando isso: aí reside a verdadeira felicidade, pois que a nossa vida não é feita apenas de grandes acontecimentos, mas sim de pequenos, como você diz: deslumbramentos.
Quanto ao varal de roupa...
Há anos, morei numa aldeia pequenina, num apartamento de frente para a praia - era só atravessar a rua. O apartamento era muito bom, mas pecava pela área da lavandaria, que no meu ponto de vista e na realidade da vida prática, não podia ter esse nome, pois limitava-se a um espaço apenas suficiente para a máquina de lavar, nem um estendal maior cabia. Eram apartamentos construídos a pensar em férias de turista, que levam a roupa suja de volta, com certeza, sei lá!
Ora, à frente, havia as dunas de areia, com um moinho antigo desactivado e uma cerca de madeira. Estás adivinhando? Pois é: muni-me de corda e "lá vai ela na disposição": estendi a corda, com a ajuda de um pau de eucalipto, que um pescador que passava na altura e, me vendo em trabalhos, ofereceu, dizendo que segurava melhor a corda (na hora H aparece sempre gente boa) e pronto!
Era uma maravilha: estendia a roupa de manhã, saía para a cidade, voltava à noite e a roupa estava lá à minha espera. Ninguém mexia em nada.Era lindo ver a roupa ali, no alto da duna a dançar ao vento. Cheguei a ver turistas a tirar fotografia =)
Pena que eu não tenho nenhuma.
Mas estou te enviando um link que mostra um pedacinho dessa praia, com os tais moinhos. Na altura, que lá vivi, ainda não havia esse caminho de madeira (que aqui chamamos passadiço).
Dos lugares mais lindos que há aqui, em Portugal. Ali o progresso ainda não interferiu muito na praia, e a gente pode ver peixinhos e estrelas do mar, búzios caminhantes... é maravilhoso.

bjn amg

Carmem Grinheiro disse...

Esquecia o link:


http://www.apuliapraia-hotel.com/regiao.php?lang=pt


=)
bjn amg

Poesia do Bem disse...

Que belo é ver esvoaçando no varal as belas lembranças, a infância, os sonhos, as brincadeiras, o sorriso. E que os varais estendam poesia e delicadezas, não apenas a roupa suja que tanto se te visto pela corrupção, mas que a beleza das pequenas coisas que se fazem grandes em nós fluam. Amei o livro, já queria ler

Bell disse...

Gostei =)

lis disse...

Que coisa linda são os varais que aprendi a gostar também porque é o cotidiano das nossas vidas.
Onde pendurar nossas emoções do dia a dia? o nosso coração é um varal que esvoaça como pássaros indo e vindo trazendo outros ...
Adorei Ana
_ e aquela flor que pode ser um vestido a dançar está esse deslumbramento que falas.
beijinhos e bravo poeta _suas crônicas me enchem de emoções.

Cristiane Marino - Mulheres em Círculo disse...

Oi Ana Paula, que post mais poético!
Amei o livro...Eu também sou louca por varais, atualmente meu sonho de consumo é ter uma casa onde eu possa secar meus lençóis ao sol!
Bjs

Calu B. disse...

Já estou em cócegas pra reter a doçura de Lívio Lavanda.Pode parecer imitação, mas eu faço parte desse time que " ama varais". Em minha sala de aula nunca faltou ao menos um e no máximo três varais, entre permanentes e ocasionais. Trabalhos escritos, parágrafos, pinturas, ilustrações e o que mais a garotada produzisse.Criatividade eh pra ser vista e curtida.

Adorei a dica, Nana.Por falar em dica, vcs conhecem o Felpo Filva?Vale a pena.
Bjkas,
Calu

Tina Bau Couto disse...

Amo varais
Vazios
Com pregadores dependuradas
De preferência de madeira
Roupas esvoaçantes
De nilon
Corda
Até desses de ferro de pé

Amei a dica do livro
E o nome do moço

Inté comadre