sábado, 9 de julho de 2016

As coisas que deixamos

Mudei de casa várias vezes.
Antes de sair, muitas vezes com a mudança lá no caminhão, andava pelos cômodos vazios, agradecia por ali ter vivido dias bons e outros nem tanto e vasculhava também se não havíamos esquecido algo.
Nas várias casas, apartamentos, que chegamos, muitas vezes encontramos "coisas" ali deixadas. Coisas por vezes impossíveis de se levar. Adesivos grudados nos vidros das janelas. Figurinhas de álbuns coladas na parte interna da porta de guarda-roupas.
Na casa mais recente de nossas vidas, encontrei um regador.
E ele me fez uma alegria no peito de um dia de céu bem azul cheio de sol!


Eu nunca havia tido um regador. E não nego a minha ausência de intimidade com plantas e flores - talvez seja esse o motivo.
Se tive algum de levar à praia, não recordo.
Recordo de figurinhas e álbuns e papéis de carta com lindas meninas de cabelos longos, vestidos esvoaçantes segurando um regador.
Penso ser poético tal objeto.
Uma mangueira bem faz suas vezes, ou como via uma senhora íntima das flores, um balde e a própria mãos a fazer chover.

Assim como temos vontade, secreta, tímida, ou transparente, de carimbar, pular corda, comer algodão doce, acho que temos de regar!

Lá na Praça Belo Horizonte em Salvador ( não confunda a geografia, a coisa é mesmo na Bahia! ) há um projeto para incentivar o cuidado com mudas e árvores nativa da Mata Atlântica com o projeto "Vem me regar".
Desconfio que faz o maior sucesso. Mas sejamos sinceros, entes mesmo do cuidar está aquela vontade de usar regador!


Quem tem, quem usa, quem ficou com vontade?

Quando nos mudamos daquela casa, ficou lá regador. Seria inútil trazê-lo para um apartamento sem plantas.
Há algum tempo passamos de carro pela antiga casa. Parecia mágica! Vasos, flores plantadas, um árvore crescendo. Quero acreditar poeticamente que a nova moradora faz um bom uso daquele regador!


22 comentários:

✿ chica disse...

Uma poesia te ler,Ana Paula!Um regador me remete à uma tia avó e por vezes a uma das avós.
Haviam os quaradores de roupas e de tempo em tempo devíamos com o regador regá-las pra que não secassem muito. E depois mais tarde, na nossa casa usei muitos regadores.Mais de um, pois em casa de 4 pestinhas podes imaginar o que faziam com eles:Literalmente faziam chover,rs...

E que bom que a nova moradora da tua casa está usando o teu deixado lá!

Aqui em casa quando entramos, encontrei algo maravilhoso:um preguinho atrás da porta da sala com uma fitinha e o espírito santo dourado! Bela proteção!

beijos, tudo de bom e aqui ao meu lado uma pestinha pequeninha voando de "moto" e que nem de regador precisa pra regar amor e carinho:Marina!

bjs, chica

Clara Lucia disse...

Ana, também não tenho o dom de cultivar flores, apesar de gostar muito delas. Vc dizendo isso que me dei conta do quanto elas precisam ser regadas. Já aconteceu de encontrar alguma plantinha esturricada por falta de uma boa regada. Nunca tive regador, mas acho um encanto ele! Aqui em casa tenho alguns vasinhos que cuido com carinho, mas acho tão mais prático flor artificial! Ixi, que falta de poesia, né? Mas gosto de flor sim,de jardins bem cuidados, enfim, natureza é tudo de bom!
Beijos!

Poesia do Bem disse...

Ana como eu amo te ler, sabe porque, pq sempre dizes oq ue nosso coração quer falar. Pois eu acho memso o regador um instrumento poético, que mais que um pedaçõ de plástico, é acessório que gera vida, eu sempre sonhei também. Aqui mais ainda onde nossa infância com escassez de água usávamos uma cuia para banhar, imagina desperdiçar água , as plantas eram poucas pq pela falta d' água morreriam. Então quando a Alice nasceu e cresceu logo comprei um ela usava para regar as plantas do jardim em nosso condomínio, pois eu morava no térreo e em todo derredor haviam plantas. Aqui hoje a casa anda cheia de plantas e eu tenho um mágico daqueles enfeitadinhos que até dó tenho de usar hehe, fica cheio de lápis e flores de artesanato, vez ou outra anda conosco nas nossas fotos.

Bia Hain disse...

Ana, que texto sensível! Sabe que sempre achei poético regador também? Porém minha mãe nunca teve em casa, não gostava por achar que não sai água em abundância, rsrsrs.
Deixa eu lhe contar, comprei meu primeiro regador esse ano, para regar meus bonsais (ótima dica para ter em apartamento!!!), pois a suavidade com que cai a água pelos furos é ideal para molhar a planta sem remover o substrato, o que pode enfraquecê-la. Coloco os bonsais sobre a pia, enfileirados, e me perco no tempo regando.... minha filha diz que gosta de observar por ser uma cena doce, rsrsrsr.
Espiei o projeto indicado, bem bacana, ainda mais nos tempos de verão, poderia ser adotado em todo o Brasil! Certeza que eu seria uma a parar e regar as plantas, kkk!
Adorei o post! Ah, citei você no meu post de hoje, espero que goste, rsrsrs.
Abraços!

Maria Luiza disse...

E eu ganhei um regador, meio exagerado, mas como meu sobrinho é mesmo um exagerado no tamanho de sua altura, comecei a usá-lo. Imagine um regador enorme lotado de água, como eu o levantaria? Fica lá, no jardim. Às vezes eu recolho água da chuva, outras eu mesmo coloco, porém nem cheio assim! Texto lindo demais o seu! Abração e semana linda!

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Ana Paula!
As únicas coisas que já encontrei em dois aptos. que morei foram uma imagem de Nossa Senhora que entendi perfeitamente serem uma pista divina para minha vida naquele momento... estou no segundo apto. da imagem encontrada.... a-do-rei!
Bjm muito fraterno

Graça Pires disse...

Nas casas que deixamos deixamos sempre a memória dos dias que por lá passámos, porque essas colaram-se às paredes com certeza...
Um texto muito bom e poético. Eu adoro plantas. Nunca iria deixar para trás o regador...
Um beijo.

As Mulheres 4estacoes disse...

Olá Ana Paula,
Também eu nunca tive um regador, embora eu goste muito de plantas, não sou muito boa com os cuidados que elas necessitam.
Belo texto.
Abraço,
Sônia

Pitanga Doce disse...

Tenho um regador verde. É meio grande e mal feito. A abertura fica na direção da alça e para encher de água tenho que pô-lo de lado. Não é bonito mais salvou minha bouganville, que eu pensava perdida. Uma reguinha e ela floriu com tua sua cor rosa quase magenta.

Bom que não deixou de escrever, Ana Paula. Já tentei voltar várias vezes mas sempre engasgo num único texto, a cada temporada "lírica".

beijos ainda pitangueiros

Zilani Célia disse...

OI ANA PAULA!
QUE BONITO TEU TEXTO, HÁ OBJETOS QUE NOS FAZEM VIAJAR MESMO, PARA O PASSADO OU PARA O FUTURO MAS, NOS MARCARAM DE ALGUMA FORMA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Filha de José disse...


Ana...
Regador é mesmo poético.
Nos remete a tantas situações em que pensamos "regar".
Na minha casa tem muitas plantas por causa da minha mãe.
Mas não temos regador. Ela usa uma mangueira para molhar as plantas.
Eu lembro de ter regado plantas com um regador. Agora não consigo lembrar o local exato... mas foi uma boa lembrança.
Abraço querida.

A Menina das Ideias disse...

Aqui a gente usa burrifador. Tenho esse sentimento com livros, sabe? Peguei um livro emprestado para meu professor e ele não devolveu para minha amiga, mas como ela precisou de um livro que eu tinha emprestei e nem cobrei de volta. Foi como se eu tivesse resolvido o problema para o universo kkkkk

Tina Bau Couto disse...

Comentei tipo balde cheio para regar pegando com vasilha de margarina em vais e vens de chuás
E sumiu
Evaporou

Volto depois

Tina Bau Couto disse...

As folhas de flores dizem os poetas pensam que é chuva
Fazer de conta pra elas fiz muitas vezes com mangueira, com canecos d'água pegos em baldes, regadores e eu não temos histórias e para falar a verdade não me representam com o gotejar a miúdo
Sou de chover aguaceiro

Juliara Rodrigues disse...

Regador sempre me lembra do meu avô que quando pequena observava ele regando as flores próximo a casa.

Felisberto N. Junior disse...

Olá,Ana Paula, boa noite...
(passei antes na postagem seguinte, e li seu aviso de pausa, que esteja aproveitando muito bem!)
Eu , ao contrário,quase não me mudei,mas, quando ocorreu , foi uma bem brusca, saí de uma cidade do interior do Paraná, Maringá para essa Paulicéia Desvairada. Não me lembro bem,porque era pequeno demais, mas, devo ter vasculhado bem e nem esquecido nada. Pois, até um campinho de futebol de botão, que, na verdade, era uma mesa velha improvisada, eu trouxe. Bem, lá,pelo tamanho do quintal e da variedade de "verde" , tinha sim, regador . Em Sampa nunca tive, pela mesma razão,apartamento sem plantas. Mas, agora,em Santos, tenho sim, mangueira, plantas,baldes,regadores, flores plantadas, uma árvore crescendo e isso faz parecer que o céu está sempre bem azul cheio de sol . Assim, a minha intimidade com o regador parece que está cada vez melhor.
Futucarei melhor o projeto...
Obrigado pelo valioso comments, boa continuação da pausa , pelo carinho, feliz finde, belos dias, beijos!

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Ana Paula.
Um doce de crónica, viajando pelos espaços deixados para trás...
Interessante você encontrar um regador - eu fico logo imaginando a história por detrás desse regador, talvez o desânimo o tenha deixado para trás, pois quem tem amor por plantas e deixa o seu regador, será por saber da impossibilidade de manter o cultivo desse amor... ou, talvez apenas um esquecimento, ou, quem sabe, na compra de um novo, tenha deixado esse de oferta ao novo habitante ;) Tanta coisa, nenhuma certeza. A certeza que fica é que quem chegou depois de sua partida dá uso ao regador.
Tão bom viajar pela sua escrita, Ana Paula.
bj amg

Gisley Scott disse...

Olha que essa história de regador me deixou saudosa!!! Saudosa dos amigos que "reguei", que nutri, que amei. Saudades das florzinhas que deixei no meu Brasil.
Beijos!

www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

Cris Zanf disse...

Ana!!
Que gostoso seu blog! E essa história do regador me tocou, achei de uma ternura tão grande!
Voltarei aqui com frequência!!
Bjs
P.S.: Não encontrei o seu perfil do Instagram aqui no blog. Gostaria de te seguir lá também. :)

Cris Zanf disse...

Ahhh, me esqueci de dizer que sou a Cris do Mania de Citação!

Cris Zanf disse...

Ahhh, me esqueci de dizer que sou a Cris do Mania de Citação!

Cris Zanf disse...

Ana!!
Que gostoso seu blog! E essa história do regador me tocou, achei de uma ternura tão grande!
Voltarei aqui com frequência!!
Bjs
P.S.: Não encontrei o seu perfil do Instagram aqui no blog. Gostaria de te seguir lá também. :)