terça-feira, 9 de maio de 2017

Como não dar uma notícia

Ontem, meu filho chegou bem adiantado de seu horário habitual.
Expressei meu espanto, indagando-o ainda na porta: "Nossa, o que aconteceu que você chegou tão cedo?"
"Um colega nosso convulsionou na sala de aula e aí não teve mais clima; depois que a ambulância chegou, fomos dispensados. Ele recebeu no whatsapp que o tio dele tinha morrido".

A notícia da morte do tio ter chegado via whatsapp não me surpreendeu nem um pouco. Há dois anos, enquanto meu marido me dava a notícia com a voz embargada que seu pai havia morrido, "alguém"mandava um whats para meus filhos: "Oi! Sabia que teu avô morreu?"

Conversando com meu filho a respeito desse triste ocorrido, ele me perguntou como era na época dos telegramas, questionou-me se não era a mesma coisa - uma notícia triste dada via papel.



A fotografia está bem ruim. É um telegrama datado de 1945. Fotografei-o semana passada quando fui a uma exposição num parque daqui. Exposição de correspondências antigas de moradores da cidade.
Esse telegrama, trazia uma notícia boa: CHEGOU PIANO MENINAS CONTENTES ABRAÇOS
Haviam outros expressando profunda tristeza. Aqui na cidade funcionou um sanatório para tratamento de tuberculose, e muitas vezes, acho que na maior parte das vezes, as notícias não eram nada boas.

Expliquei para meu filho a diferença entre um whatsapp e um telegrama dando a mesma notícia.
Na época dos telegramas... sabíamos que geralmente eles não traziam notícias boas. Entre o carteiro bater palmas em frente ao portão e anunciar em voz bem alta "Telegrama", o coração já mudava o compasso. 
Havia um caminho a ser percorrido entre o anúncio com palmas lá no portão e a a abertura do envelope pardo já dentro de casa.
Cumprimentava-se o carteiro, que após breve meneio de cabeça, perguntava pelo nome que estava no destinatário - podia ser a própria pessoa, o marido, o filho, a tia já velhinha.
Era preciso assinar, colocar número de documento e só então segurávamos em nossa mão o telegrama.
A boca já tinha se acostumado com o amargo que lhe tomou desde o grito do entregador.
Então quando o telegrama era aberto, de alguma forma ( pressentimento, intuição? ) esperávamos por uma notícia ruim.

Diferente de você estar no whatsapp, rindo de memes, piadas, emojis mil, besteiras ( especialmente e principalmente no caso dos jovens :) ) e se deparar com uma notícia terrível assim no meio de toda aquela algazarra virtual.

Claro que um telegrama também não era a melhor forma de dar uma notícia, especialmente as ruins, mas eram, muitas vezes, a única maneira de fazê-lo.

Acho que não podemos perder a sensibilidade para um momento difícil. Sabemos da facilidade de uma mensagem instantânea, mas muitas vezes ouvir a voz é muito mais adequado. Olhar nos olhos e depois poder abraçar, seria ainda melhor.

Estamos avançando tanto em nossos aparelhos, a cada ano, uma nova geração surge - " esse com reconhecimento de íris; o outro pela sua digital".
E o reconhecimento humano, estaríamos perdendo?

10 comentários:

Ana Bailune disse...

Olá, Ana Paula.
Que triste isso... fiquei sabendo de uma conhecida minha, cuja filha ficou sabendo da doença do pai através de um post no Face - antes que alguém tivesse tido tempo de conversar com ela, tudo porque uma tia insensível, ao saber, foi postar lá na linha do tempo dela. Mau gosto às vezes não tem limites.

✿ chica disse...

Pu8xa,Ana Paula! Que notícia pra ser dada e/ou recebida assim!

E lembro bem do tempo dos telegramas. Eram mesmo presságios de notícias más, a cada chamada do carteiro. Dia desses estava comentando om Neno sobre isso. Quantas coisas eles nem imaginam ter existido.

Mas as pessoas estão mesmo perdendo a sensibilidade e me parece que a educação também anda fazendo falta. Tudo é imediato, tudo tem que ser rapidamente dito, pois o tempo pra nos ouvir é pouco...

Adorei teu comentário lá na Ana sobre as casas e as senhas de wifi...Imagina que ninguém mais vive sem elas...Esquecem de quem está ao lado,não? Pena! Acredito que terá uma reviravolta e as coisas pouco a pouco deixarão de assim ser...Tomara!

Obrigadão pelo carinho com a Ornela que ainda não apareceu! Estamos acreditando que a pegaram...Zezo está arrasado. E acho que quando alguém se perde, fica sempre a sensação de que voltará.Isso não é legal! Quando a Cuca se foi, muito triste ficamos e até hoje saudades enormes dela, mas sabíamos que ela tinha passado pela nossa vida e era o fim...

Com Ornela, a busca em cada esquina, em cada portão...


bj, tudo e bom, chica

A Menina das Ideias disse...

Oi Ana! Fiquei muito feliz com a sua visitinha ^_^ precisava de gente comentando meus posts kkkk estava meio forever alone. Nossa cruz credo dar noticia de morte via wattsapp! E o menino ainda estava na escola... quanta falta de sensibilidade!

Cristiane Marino - Mulheres em Círculo® disse...

Nossa Ana Paula, fiquei passada...
Como assim, dar notícias ruins via whatsapp? As pessoas perderam a noção!
Que mundo louco....Onde está a empatia? Ninguém pensa que um dia será sua vez?
Bjs

Bell disse...

Acho que a sensibilidade das pessoas andam zeradas.
Diante de uma notícia ruim ou fato ruim tem gente até tirando foto.
Vejo acidentes na rua e várias pessoas tirando fotos, me questiono pra que?
Eu tenho cuidado em dar qualquer tipo de notícia mais forte, nunca sabemos como o outro vai reagir.

bjokas =)

Mãe Maria disse...

pois é, tudo mudou nesse sentido. A espera ansiosa do carteiro, caiu mesmo em desuso. Mas era tão bom.

VITORIO NANI disse...

Olá, Ana Paula!
Hoje vivemos no tempo do "fast tudo". Tudo é de consumo rápido, até as notícias. Às vezes achamos que pessoas ainda vivas, já estão mortas, principalmente artistas...Aquelas que já se foram, quando damos por si, já lá se vão cinco, dez anos, e por aí vai, não é mesmo?
Parece que o mundo está girando cada vez mais rápido! Mal o ano começou e já estamos no meio do mês de Maio.
Abraços e Feliz Dia das Mães!

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...

Olá Ana Paula, a pouco tempo vivenciei essa situação que descreves na mensagem. Não é fácil, mas temos que dar a noticia.Mas a noticia deve ser dada ao vivo e jamais nas redes sociais, Acho que o choque é maior, sei lá!
Amiga, estou seguindo seu blog, lhe convido a conhecer os meus , se gostar siga, ficarei grata.
O Dia das Mães é uma data comemorativa em vários países do mundo. A festa não tem a mesma data em todos os países. Aqui no Brasil, o segundo domingo de maio é dedicado as mães. Na verdade, todos os dias são dedicados as mães. Todos os dias e todas as horas, depois que os filhos nascem, as mães vivem para eles.
Ser mãe é se deixar ser tocada pela mão de Deus. Para quem é mãe ou para sua mãe, desejo que amanhã, dia dedicado as mães, o verdadeiro presente seja o amor! O amor verdadeiro que dure a vida toda.
Abraços da amiga, Lourdes Duarte.
http://professoralourdesduarte.blogesus as abençoe sempre.spot.com.br/
http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/

Graça Pires disse...

Se mudaram as coisas... E de que maneira. O seu filho ficou abalado com o que se passou na aula, mas não com a forma como o amigo soube da notícia porque ele está a crescer com todas estas mudanças. Oxalá sejam todas para melhor!
Uma boa semana.
Beijos.

Pandora disse...

Acho que estamos esquecendo que por mais conectados e cheios de aparelhos que possamos está não somos robôs... A gente não digere, mesmo querendo, as noticias na mesma velocidade que elas são capazes de chegar e mesmo assim as noticias chegam e chegam... E as vezes tenho a impressão que estou entre pessoas com problemas de indigestão e eu também me sinto assim as vezes. Horrível para a criança ter uma noticia dessas dadas via aplicativo, indigesto isso.