"Eu comi a tua mãe".
No sentido mais chulo, baixo, pejorativo, desrespeitoso, depreciativo que esta frase tem.
Meu filho entrou em casa, chegando da escola, com o rosto transparente de quem havia chorado e muito.
Carreguei na entonação do meu "tudo bem?"na intenção de que ele me falasse o que havia ocorrido. Estava nítido que algo havia ocorrido.
"Vou procurar outras pessoas para tomar lanche, mesmo que eu fique com a Júlia e com os amigos dela".
Respirei fundo para encontrar calma. Não seria fácil conduzir aquela situação; mas seria extremamente necessário.
Há algum tempo ele vinha se esquivando de participar de enfrentamentos de rima com os colegas de sua sala.
Até que o intimidaram e ele foi parar no centro de um grupo.
Até aí, eu para amenizar o clima de tensão, tentei uma brincadeira dizendo que ele que não ligasse ser ruim em rimas, eu também sou, rimar não é para mim, concluí sorrindo.
Ele então me explicou: tratava-se de rimas e jogo de palavras do mais baixo calão, onde os adolescentes desafiam o seu oponente dizendo que "comeu a mãe" e a partir daí, o nível despenca entre um falar o pior possível da mãe do outro.
Meu filho começou a chorar lá no centro da roda porque disse que não conseguia ouvir aquilo e nem retrucar no nível esperado.
Saiu sob risadas irônicas e gritos de neném, maricas, filhinho da mamãe e outros.
Ponderei muito em trazer para cá assunto que nauseia. Assunto que enfeia o blog. Mas achei importante.
Muitos de nós, eu diria até que a grande maioria, não tem ideia do que está se passando nas escolas. É um submundo, um mundo das trevas em relação ao que a gente acha que é , que deveria ser, o que a gente ensina.
E aqui não cabe a distinção pública/particular. É generalizado.
Nós nos espantamos quando vemos no noticiário que um jovem professor morreu após ser espancado; briga de faca entre duas garotas; vídeos, fotos e difamações que um colega faz sobre o outro.
E achamos que tudo isso está longe de nós, de nossas famílias.
Eu não sei onde estamos errando, mas está ocorrendo uma banalização de tudo, dos sentimentos das pessoas, do respeito que deveria haver e tudo isso ocorre antes ou depois das aulas de Filosofia, Ética e cidadania, só para citar as que mais têm facilidade de abordar esses assuntos.
Por algum momento, eu hesitei. Será que não falam isso sem maldade, sem pensar; será que eu estou dando muita importância a uma "travessura" de adolescentes?
Levei minha indagação até meu marido que assim me respondeu:
"Quando éramos moleques e fazíamos as travessuras, as nossas brigas, havia um código que nunca precisou ser lembrado ou falado - família e especialmente a mãe, a mãe era território sagrado.
Apreciei a confiança que meu filho tem na sua família ao nos trazer esse acontecido. Os valores que sempre procuramos transmitir ( que na adolescência a gente questiona se fez bem feito, ou acha mesmo que eles ouvem por um lado e já sai pelo outro ouvido ) mostrou-se que amor, diálogo e respeito ainda cabem.
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
domingo, 25 de janeiro de 2015
Ginasial
Ela quer acelerar as horas para que não se demore o amanhã.
Eu, para alcança-la, peço ao tempo que corra de marcha à ré.
Nosso encontro se dá entre nomes, nomenclaturas, denominações diferentes.
Amanhã cedo, minha filha inicia o ensino fundamental II; em alguma manhã do passado eu fui para o ginásio.
Quinta série, sexto ano. Numerais diferentes para épocas diferentes e uma certeza: mãe e filha com a mesma emoção!
Uma das marcas, que não se sabe de onde saiu, quem inventou e isso não importa, era levar os cadernos universitários no braço, à frente do corpo.
Ah! Para trás, eu e minha geração, deixávamos os caderninhos brochuras encapados com esmero pela mãe com plástico xadrez. Minha menina levará nos braços, à frente do corpo um fichário.
Ela põe e tira lápis, caneta, estojo da mochila. Eu fazia o mesmo.
Eu rolei na cama com o sono que não vinha e ela já avisou que está tão ansiosa que vai demorar a dormir.
Não usará meias 3/4, mas serão brancas suas meias.
Talvez sinta como eu que não é mais uma criancinha do primário.
A cada professor ou professora que entrar na sala no primeiro dia de aula, seu coração vai disparar. Aconteceu com o meu.
Algo mágico acontecerá dentro de sua cabecinha a cada sinal soado do lado de fora. Troca o professor? Ou será uma aula "dobradinha"?
Justamente o mais chato tem aulas todos os dias? E aquela super legal só uma vez na semana?
Muitas vezes eu me pego dizendo "no meu tempo era tão melhor", só que olhando naqueles grandes olhos negros, tudo acontece igual, igualzinho!
A diferença é que eu cheguei em casa e anotei tudo numa agenda-diário e devo ter desenhado flores com canetinha na borda da folha. Ela chegará e usará alguma plataforma digital para registrar que é uma ginasial. E não é que rimou?!
Eu, para alcança-la, peço ao tempo que corra de marcha à ré.
Nosso encontro se dá entre nomes, nomenclaturas, denominações diferentes.
Amanhã cedo, minha filha inicia o ensino fundamental II; em alguma manhã do passado eu fui para o ginásio.
Quinta série, sexto ano. Numerais diferentes para épocas diferentes e uma certeza: mãe e filha com a mesma emoção!
Uma das marcas, que não se sabe de onde saiu, quem inventou e isso não importa, era levar os cadernos universitários no braço, à frente do corpo.
Ah! Para trás, eu e minha geração, deixávamos os caderninhos brochuras encapados com esmero pela mãe com plástico xadrez. Minha menina levará nos braços, à frente do corpo um fichário.
Ela põe e tira lápis, caneta, estojo da mochila. Eu fazia o mesmo.
Eu rolei na cama com o sono que não vinha e ela já avisou que está tão ansiosa que vai demorar a dormir.
Não usará meias 3/4, mas serão brancas suas meias.
Talvez sinta como eu que não é mais uma criancinha do primário.
A cada professor ou professora que entrar na sala no primeiro dia de aula, seu coração vai disparar. Aconteceu com o meu.
Algo mágico acontecerá dentro de sua cabecinha a cada sinal soado do lado de fora. Troca o professor? Ou será uma aula "dobradinha"?
Justamente o mais chato tem aulas todos os dias? E aquela super legal só uma vez na semana?
Muitas vezes eu me pego dizendo "no meu tempo era tão melhor", só que olhando naqueles grandes olhos negros, tudo acontece igual, igualzinho!
A diferença é que eu cheguei em casa e anotei tudo numa agenda-diário e devo ter desenhado flores com canetinha na borda da folha. Ela chegará e usará alguma plataforma digital para registrar que é uma ginasial. E não é que rimou?!
Júlia, minha filha, desejo que seja especial essa nova etapa em tua vida!
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Medicalização da Educação e da Vida
11 de Novembro - Dia dedicado à luta contra a Medicalização da Educação e da Vida.
Soube somente hoje da existência desta data para São Paulo, que foi sancionada pela lei 15.554/2012 de autoria do vereador Eliseu Gabriel.
O ritmo vertiginoso de diagnósticos para comportamentos que antes eram características de personalidade apenas, embuti algo suspeito. E datas como esta para que se reflita, questione é de enorme importância.
Para se ter uma ideia, em 2005 foram pesquisados em alguns municípios quantos comprimidos da chamada "droga da obediência" foram vendidos - 40.000 comprimidos.
Nos mesmos municípios, em 2012 o levantamento apontava para 1.400.000 comprimidos.
Rosely Sayão escreveu hoje na Folha um excelente texto entitulado Menino Maluquinho.
Para ler clique aqui.
Um alerta, um convite à reflexão ao que está sendo difundido: nossas crianças estão deixando de ser crianças saudáveis, arteiras, sapecas, para se tornarem crianças portadoras de síndromes, transtornos, crianças doentes que precisam de medicação.
Deixo também um convite, especialmente aos pais de filhos pequenos e educadores para assistirem a este vídeo com duração de 25 min sobre os excessos que estão acontecendo nas escolas.
Pandora, nossa menina-educadora-blogueira que celebra 10 anos de educadora, parabéns pela sua escolha e dedicação!
Soube somente hoje da existência desta data para São Paulo, que foi sancionada pela lei 15.554/2012 de autoria do vereador Eliseu Gabriel.
O ritmo vertiginoso de diagnósticos para comportamentos que antes eram características de personalidade apenas, embuti algo suspeito. E datas como esta para que se reflita, questione é de enorme importância.
Para se ter uma ideia, em 2005 foram pesquisados em alguns municípios quantos comprimidos da chamada "droga da obediência" foram vendidos - 40.000 comprimidos.
Nos mesmos municípios, em 2012 o levantamento apontava para 1.400.000 comprimidos.
Rosely Sayão escreveu hoje na Folha um excelente texto entitulado Menino Maluquinho.
Para ler clique aqui.
Um alerta, um convite à reflexão ao que está sendo difundido: nossas crianças estão deixando de ser crianças saudáveis, arteiras, sapecas, para se tornarem crianças portadoras de síndromes, transtornos, crianças doentes que precisam de medicação.
Deixo também um convite, especialmente aos pais de filhos pequenos e educadores para assistirem a este vídeo com duração de 25 min sobre os excessos que estão acontecendo nas escolas.
Pandora, nossa menina-educadora-blogueira que celebra 10 anos de educadora, parabéns pela sua escolha e dedicação!
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Escolas e árvores
Porque toda escola deveria ter uma jabuticabeira.
O sinal bate ( na verdade é uma música suave que toca ).
São 18h30 de uma sexta-feira.
Mas no caminho tem amigos, horário de verão e jabuticabeira.
Ninguém quer ir embora da escola.
Nem os alunos e nem os pais!
Escolhe aqui, estica o braço acolá.
E quando se dá conta já são oito horas da noite!
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