quarta-feira, 11 de março de 2015

Homens, mulheres e filhos

Queria ter falado deste filme já há algum tempo, à época em que o assisti, mas que coincidiu com a nossa mudança de cidade e ficou esquecido, até que ontem, encontrei o ticket na minha bolsa.
Não sou de me influenciar com a crítica, só que dessa vez, confesso que titubeei.
Numa revista semanal de grande circulação, eram muitas as estrelas atribuídas ao filme; já no jornal de também grande circulação, a estrela nem luz tinha. O filme era dado como um fiasco.
Só que eu me interessei pelo tema que seria abordado e decidi que iria assistí-lo. Foi difícil. Uma única sala o exibia.
Fui e gostei, com algumas ressalvas. O filme é uma adaptação do livro com o mesmo título, que eu não li.
São várias histórias que de alguma forma têm um entrelaçamento.
Achei que algumas histórias poderiam e mereciam uma maior exploração e destaque, por exemplo a questão da anorexia.
O enfoque principal no filme é sobre a internet na vida de adolescentes e adultos. Como se lida com esse mundo virtual, os impactos, as incertezas, os comportamentos.
Duas histórias ganharam maior destaque no filme: a mãe superprotetora que vigia a filha adolescente em tudo o que ela faz na web. Pede para ver o histórico dos sites, inspeciona o celular, mas, adolescentes são espertos e a filha tem um outro chip para o celular e assim consegue falar o garoto que gosta e também cria uma conta secreta para um tipo de blog sem que a mãe saiba. Mas essa mãe é mais esperta ainda que a adolescente e ela instala um dispositivo em casa que mapeia cada passo virtual da filha e a cada semana imprime páginas e páginas e vive em função disso.
Já o jovem que gosta dessa menina, vive com o conflito da mãe que os abandonou ( pai e filho ) e ele vê o facebook dela com todas as atualizações de plena felicidade com um novo namorado e ela não manda nem uma mensagem para o filho. E eles se encontram nesse mundo, um com uma mã
e superprotetora e outro com mãe ausente.
A filha com anorexia poderia ter tido mais ênfase: uma adolescente que chega em casa e vai direto para seu quarto "a portas fechadas " dizendo que tem prova e precisa estudar. O pai ou a mãe leva o prato de comida, que vai parar no vaso sanitário enquanto ela conversa on line com outras meninas que também não comem e trocam dicas do tipo "se estiver com muita fome, inspire profundamente o cheiro da tua comida, jogue tudo no banheiro e coma um pedaço de aipo". A garota está magérrima e desnutrida.
São várias situações para se refletir. Até que ponto conseguimos e devemos rastrear nossos filhos? Deixá-los à deriva? Como se aproximar numa fase tão complexa como é a adolescência? Será que eles sabem mesmo tudo de internet? 
Um dos pontos é que eles sabem mexer na parte técnica, física. Comandos, programas, salvar, travar, destravar. E talvez lhes faltem saber salvar os próprios sentimentos ali dentro.
Mas há também um outro viés que deixo para um próximo post.
Beijo.

6 comentários:

✿ chica disse...

Não assisti esse file e o tema me interessa! Podemos estra fazendo muito mal, ainda que o contrário pretendemos fazer, ao querer ser os donos das vidas dos filhos. O temor que algo aconteça, pode piorar até, pois de tanto querer vigiar, podemos fazer deles sabotadores da verdade! beijos, tudo de bom,chica

Poesia do Bem disse...

Também nãoa ssisti, e me sinto cheia d emedos de como educar, sem vigiar, mas confiar, porém num mundo em que vivemos, os pais precisam sempre estar alertas a tudo né? Boa dica. bjs

Dra. Cristiane Marino - Mulheres em Círculo disse...

Puxa Ana Paula, esse filme vai para minha lista, tem tudo a ver com os temas que trabalhamos nos grupos. Vou aguardar ansiosa pelo próximo post.
Bjs

Carmem Grinheiro disse...

Olá Ana Paula,
Não conheço o filme, mas o tema que você traz é super importante e, pelo que vejo por aqui, é razão de discórdia entre psicólogos e educadores. Há um grupo de psicólogos que defende que, às custas da liberdade e afirmação os jovens, os pais não devem se intrometer nas redes sociais nem aceder às mensagens dos celulares. Outro grupo defende o contrário, principalmente diante das situações escabrosas que acontecem na sociedade, e que deve haver uma atenção para evitar situações desagradáveis e até crimes ou suicídios.
Eu, pessoalmente, embora adore Psicologia, como estudo do comportamento - e não só - humano, não concordo com muitas teorias, e às custas de experiências passadas, deixei de concordar com outras tantas.
Isto de "respeitar o espaço" é necessário para uma autonomia do indivíduo, mas tem que ser gerido com peso e medida. Um pai responsável não se deve alhear das amizades que o filho tem numa rede social, por exemplo, que ali crescem como cogumelos: em busca de ter um número de amigos que inspire respeito, fazem amizade com autênticos desconhecidos - ora, se, ter discernimento na escolha de amizades no mundo real já é obra - e muitos pais sabem bem o que isso significa - imagine-se neste mundo em que basta carregar numa tecla e um indivíduo lá dos confins fica a saber absolutamente tudo sobre o nosso filho, até a cor da roupa interior, sabe até mais do que nós mesmos, porque a nós, não abrem tudo - desengane-se o pai que diz: meu filho abre-se completamente comigo, somos amigos, somos confidentes: treta! Filho só abre o que quer, e tem uma sabedoria tal que leva-nos realmente a crer que está sendo sincero.
Claro que, nem de longe, falo de paranóias como a que apresenta o filme, mas uma atenção aos amigos, não é demais. Uma atenção às mensagens de celular(telemóvel) não é demais - aliás, o grosso dos jovens não larga o dito nem para ir ao WC, nem para estudar, nem dormir - e há pais que nem se apercebem do absurdo da dependência. E só este fator é super difícil de contrariar, porque todos os amigos agem assim, e eles têm que "entrar no esquema". Enfim, isto não dá para falar num comentário, teria que ser um tratado de várias páginas, porque o assunto é extenso e assustador, se pensarmos nele com cuidado e soubermos ler os sinais.
bj amg

Tina Bau Couto disse...

Eu não disfarço, nem faço voltas , desde os tempos de papel no bolso e anotações de meu irmão
Olho, pergunto, questiono
Objetos diferentes, comportamentos diferentes nada passa sem explicação, conferência e solução
Assim, na lata e por fora, com livros, filmes, papo com os amigos, visita surpresa na Escola
Com meu filho o mesmo
Tenho a senha de td e não admito ñ ter e sei mais artimanhas que ele
Ponto p mim
Para quem ñ sabe o respeito e até o medo pode valer, amizade são chaves
Ah
Meu argumento
Esqueça isso de privacidade como escudo
Comigo a psicologia é de Lampião
Sou mais velha, quero seu bem, sou mais expegente, aqui ñ há segredos e outros
O bom e velho qd vc crescer e pagar suas contas e tiver sua casa tb uso
Com ressalva mais a frente de fazer o que quer se ñ for nenhuma grande besteira, se for, colo e me meto
Se ñ gostar é só andar na linha
Td é mais fácil e sem vigilia para quem ñ deve e faz por onde
Anotada a dica do filme
E que Deus nos dê paciência com essa geração

thalento arnônimo disse...

Eu assisti ao filme e gostei. Minha esposa adorou. É muito difícil para os pais ficarem indiferentes a essas histórias. Todos nós estamos sujeitos a esse tipo de situação.