terça-feira, 5 de maio de 2015

Um livro, um espanto

Uma das definições no dicionário para a palavra espanto, é admiração extrema.
Poetas, escritores já falaram sobre esse espanto, sobre olhar com espanto para a vida, com essa admiração, com esse descobrir e encantar-se.
Com esse espanto que me deparei num cantinho da página infantil de um jornal com esse livro:


Imediatamente voltou à minha mente um comentário deixado aqui no blog onde se dizia "usei muito dessas folhas para minhas comidinhas de terra no quintal da minha infância".
E, de repente, uma gavetinha se abriu e lá estava eu, criança, de mão dada com minha mãe, a caminho da feira quando ela parou em frente a um muro alto, sendo possível avistar somente uma árvore e ela me disse com espanto no olhar: era aqui que eu e minhas irmãs brincávamos de casinha; a gente pegava escondindo um lençol branquinho da vovó e fazia uma cabana usando os galhos dessa árvore e ali embaixo tínhamos o fogão, feito com dois tijolos e a comida era barro enfeitado com sementes e flores".
Imaginar minha mãe sendo criança e brincando ali com barro, cabana, foi mágico!
E também mágico a ideia do livro, especialmente para as mãos infantis tão hábeis sobre as telas brilhantes, nas ausências de quintais, no medo do "sujo", no espanto ( terror ) que me causa saber de uma linha de educação que repudia qualquer brincadeira para as meninas que envolva afazeres domésticos.
Quintal com terra, cada vez mais escasso em grandes cidades, mas lá mesmo nas grandes cidades, parques existem e esperam com alegria por pés descalços e unhas das mãos pretinhas de sujeira!





10 comentários:

✿ chica disse...

Quanta ternura ao te ler e relembrar aqueles belos momentos. Lembrar ainda das unhas imundas, roupas, joelhos ,sapatos e carinhas embarrados das comidinhas. Por vezes, levavam tão à sério que faziam os outros provar,rs Adorei! Valeu! Pena que cada vez menos vemos essas cenas hoje! Belos momentos aqui! bjs, chica

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Ana Paula
Saudade de passar por aqui... entre netinhos e bisa tudo fica muito difícil...
no Sábado, na Pracinha, disse pros netinhos: podem se sujar à vontade e eles adoraram... vovó lava a roupa... disse-lhes... foi uma farra boa!!!
Seja feliz e abençoada!!!
Bjm fraternal

Kellen Bittencourt ( Trilhamarupiara) disse...

Olá Ana, é sempre uma alegria passar por aqui, adorei! Bjosss

Luma Rosa disse...

Oi, Ana Paula!
A nostalgia é sentimento de aconchego. O feminino viajando entre gerações e se unindo através das lembranças.
Ao ler seu texto, cada uma de nós se lembrará da própria infância.
Atualmente a infância parece engaiolada e as crianças vivem entre cursos e mais cursos.
Não fiz comidinha de barro, mas tive meu fogãozinho de barro com fogo de verdade. Fazíamos um grude de arroz e todas comíamos. Barro fiz para rebocar a casinha do cachorro no quintal. A gente se sujava e minha mãe nem tinha máquina de lavar roupas. As mães atuais não podem reclamar desse mundo asséptico crado por elas. Que graça tem?
Beijus,

Poesia do Bem disse...

Ah! eu bem lembro de nossas brincadeiras de casinha com panelinhas de barro d everdade em miniatura, alguns legumes a cozer no fogo de lenha no quital, e nem nos queimávamos hehe, hoje claro precisamos ter smepre a segurança na cozinha, mas cuidamos tanto de nossos filhos que os impedimos que cresçam e que aprendam brincando como bem disseste, sem se sujar, sme pegar algo quente, fora da cozinha, fora do quintal e crescem sem aproveitar os melhores momentos da vida. Por aqui há muitas panelinhas, mesmo sem ser de barro e comidinhas divertidas inventadas, mas a Alice não brinca com areia, não gosta de se sujar, eu tenho a culpa com certeza, pq em SP não podia nada, nema ndar descalça, olha a rinite, a sinusite etc... Aos poucos aqui vai se liberando. Tem novidades no blog

Tina Bau Couto disse...

Tão eu unhas cheias de terra, de massa de modelar, de papel machê. E joelhos esfolados, cabelos sujos, suados, folhas picadinhas nos bolsos, dentro das panelinhas.
Os lençóis faziam as vezes de casa estendidos do beliche abaixo ou entre cadeiras.
Mangas de camisas velhas eram cortadas para paninhos de cozinha e de limpeza.

Nada de fogo, poucas panelinhas e muita imaginação e criatividade. Qd o lanche não ia para a brincadeira ele era de faz de conta para alimentar as bonecas, para chá com as minhas primas e irmãs, para bater papo com amigas imaginárias.

Chá de pedra, chá de areia da obra na pracinha, água sempre a vontade, mãos passadas com gosto no short ou saia e jamais levadas na boca ou olhos que eu era bem esperta.

Pobres crianças conectadas pobres e ricas!
Rica minha infância pobre e desconectada!

Espanto-me até hoje com miudezas, abaixo e pego folhas, pedrinhas...Sou caçadora e admiradora de desperdícios e espantos tantos.

AMEEEEI O POST :)

Tina Bau Couto disse...

Esqueci de dizer que me encantei com o livro

A Menina das Ideias disse...

Eu morava numa vila que tinha uma pracinha. Brinquei de fazer bolos de lama até uma aranha entrar na minha blusa kkk depois tomei pavor. Só pro curiosidade, Platão escreveu certa vez, que a Filosofia nasce do espanto. Parece que o espanto dá sempre grandes ideias. Beijos!

Carmem Grinheiro disse...

O espantar, encantar com a vida e com as descobertas e constatações.
Pois é: nossos pais foram crianças, como nós, hoje mulheres cheias de responsabilidade, também fomos crianças. Noutro dia, minha filha dizia que "era estranho imaginar-me criança pequenina".
Eu fui criança com comidinha de faz-de-conta, como a "sopa" de terra, pedacinhos de ervas e pedrinhas, com bolinhos de terra molhada, com pé no chão e pulando muro e trepando na árvore.
Minhas filhas foram criadas no mesmo sistema, exceto o pé no chão, que aqui é frio que se farta! E esse prazer, poucas vezes tiveram.
Mas muitas crianças já não sabem o que é isso, julgam que brincar "é ver televisão" e "jogar no computador". Depois há quem se espante com a obesidade...

um bjn amg

bas ketball disse...

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