domingo, 3 de maio de 2015

No açúcar, café.

Estávamos, eu e marido, encostados em um balcão de padaria e a presença do açucareiro ali à nossa frente, trouxe um doce recordar vivido por ele na infância.
Não havia açúcar refinado, branquinho na fazenda. O adoçar era tarefa da rapadura.
Até que um dia, os doze filhos de Antônio e Sebastiana se deparam na cozinha com um saco de cinco quilos de açúcar União.
Dentro daquele pardo papel,o açúcar era ainda mais alvo.
A princípio veio a admiração: minúsculos pedacinhos perante a rapadura grande, escura e também não tão abundante.
Em dose homeopática, uma pitada na boca de cada um.
Marido disse que era algo indescritível aquela novidade.
Mas aquela alegria não durou muito.
O alvo açúcar dentro de um saco pardo de papel grosso e costura reforçada começou a ser alvo daquelas mãozinhas que aos punhadinhos fizeram Tiana estranhar o rápido esvaziamento de tal preciosidade.
E não durou o saco de açúcar até o mês seguinte na ida à venda, à cavalo.

A mãe, Tiana, precisou pensar rápido. Guardar no alto afastaria os menores, os já grandinhos bem poderiam subir em cadeiras; ficar de sentinela e espantar cada mãozinha com seu punhadinho de açúcar bem fechadinho ali entre os dedos, tomaria muito tempo e eles eram sorrateiros e havia tantos outros afazeres.
Não teve dúvida a matriarca, misturou pó de café no açúcar. 
Acabou a disneylândia bucólica!
Nenhuma mãozinha ousou colocar um punhadinho da mistura na boca.
Ou se algum deles o fez, não revelou até hoje o que sucedeu!

5 comentários:

Pandora disse...

kkkkkkk Oh Jesus! Que história boa de se ouvir... Que reminiscencia preciosa!

✿ chica disse...

Noooooooooossa! Que danadinhos e que esperta ela foi! Adorei as recordações. Muito bom te ler, cedinho assim e com essas coisas tão boas. Aliás, adorei também tua ideia a fazer com a tesoura, aqueles bonequinhos são mesmo um amor e precisamos paciência pra fazê-los! Adorei! bjs, linda semana,chica

Tina Bau Couto disse...

Adorei
A história
O seu contar
A lembrança
A idéia da Tiana
...

Estela Vidal Ribeiro disse...

Que dó das mãozinhas (e boquinhas)! Hahaha! Que história boa de ler!
Beijo e boa semana!

querendoserblogueira.blogspot.com.br

Carmem Grinheiro disse...

Diabruras de mãe...
Gostosa crónica de reminiscências.
bjn amg