quarta-feira, 2 de maio de 2012

Blogagem coletiva


A primeira água

Éramos somente nós dois naquela manhã. Eu, com o corpo ainda fatigado pelo parto. Você com o corpo encolhido, tão pequenino.
Enchi o recipiente plástico com água e ali emergi seu corpinho.
Um misto de penumbra no interior do quarto e a luminosidade que espiava pela vidraça fechada, recoberta de fino cortinado, envolvia-nos naquele nosso momento.
Minha mão, firme e insegura, aparava tua pele macia; a outra, em concha, mergulhava naquela primeira água e escorria delicadeza e doçura.
A mesma mão que com intensidade e paixão toca o corpo de teu pai, a mesma mão que agora se traduz em poesia e acalanto para tocar teu corpo tão pequenino.
Decerto você fora banhado no hospital, mas era a nossa primeira água...
Enchi cântaros com água cristalina jorrando do seio da terra; um cântaro com o mel mais doce. Colhi os raios mais macios do sol, aqueles do alvorecer que colorem as nuvens, aqueles do crepúsculo que adormecem o céu.
Percorri jardins buscando as mais perfumadas flores e pedi permissão à noite para despregar as estrelas penduradas por alfinetes no manto azul aos pés da lua.
Trouxe ainda boas palavras, olhar sereno, melodias de ninar.
Restou um pouco desta primeira água no fundo de um cântaro, acomodado em algum canto do meu coração.
Quando minhas palavras ficam rudes...
Quando minhas mãos deixam de acarinhar. Quando não vejo os alfinetes que penduram as estrelas, quando a paciência enfraquece... mergulho naquela primeira água.
Reencontro a poesia em minhas mãos, o mel nas palavras e me faço ninho para que deite encolhido com teu corpo crescido.


Crianças, vocês dois tiveram "a primeira água".
Escrevi para lembrá-los e  para me lembrar, principalmente naqueles momentos em que eu me destempero e tudo fica difícil, que existe doçura em nossas vidas, estrelas em nossas noites e sonhos.
E que é maravilhoso compartilhar a vida ao lado de vocês, meus filhos pequeninos, queridos e amados!
E que a maternidade tem o gosto desta primeira água de mel, sonhos, estrelas, perfumes.


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Vamos trocar intensas emoções!

18 comentários:

✿ chica disse...

Nooooooooossa.que coisqa mais linda!Um arraso!Adorei!!
É amor, carinho, sensibilidade escorrendo pela telinha ao te ler...


Te adiantaste? A minha entrará amanhã !


Adorei te ler!Linda declaração! beijos,chica

Vítor Fernandes disse...

Um texto de uma ternura que comove. Amei.

Li disse...

Ana Paula, amei!!! Ficou lindo e não tive como segurar as lágrimas...
Muito obrigada por participar da blogagem!!!

Lindas as linhas que acabei de ler em seu post. Sem mais palavras....

Beijos!

Lívia.

Imac by Artes disse...

Ana Paula querida!
Escreves de uma forma belíssima!
Estou aqui encantada e emocionada com esse texto. Parabéns!
Boa noite e um amanhã abençoado pra ti.

Laiz disse...

Que lindo. Sinto verdade, sinto o aroma, as cores. Emoção. Adorei cada parte desse texto tão bem escrito. Estava com saudades! Bjooo

Ivani disse...

Sinceramente não tenho palavras...as lágrimas rolam, voce conseguiu me derrubar.
Poesia pura, amor incondicional, emoção que transcende.
Beijos, lindo!

lis disse...

Muitíssimo lindo AnaPaula
Delicado como a pele do bebê que acalentamos e o lavamos na "primeira água".
Uma crônica especial, redondinha,gostosa,um amor sem igual.
Ah as mães poetas! como sabem bem descrever o coração!
Parabéns
meu abraço e admiração

Aleska disse...

Pena eu ainda ser solteira! Fiquei com inveja dessa maternidade toda rss. Parabéns Ana foi muito lindo!

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, lindo! Nem dá para comentar. O meu comentário se resume em ficar em pé e bater muitas palmas por esse sentimento que mora no seu coração.
Beijo
Manoel.

Ivani disse...

Voltei para ler novamente, e me emocionar novamente.
Mandei por e-mail para minha Juliana, e ela respondeu que foi dificil segurar as lágrimas, mas teve que ficar firme, porque está no trabalho.
Ela também é mãe amorosa de duas crianças queridas, e isso causa mesmo emoção em quem lê.
Parabéns amiga, beijos, bom fim de semana.

Coisas da Vida disse...

Que lindo Ana!
Fui lendo e lembrando da primeira água das minhas filhas.
Lembrei também dos dias agitados e da dureza da voz!
Nesses momentos que paciência fica longe, mergulho nas lembranças mais ternas que já vivi com elas.
E foram muitas!
Foi muito bom ter vindo aqui hoje, estava precisando desse “mergulho”.
Já copiei e guardei.
Li e reli. Perfeito!!

mfc disse...

Este texto é um poema autêntico que nos fala de águas, de ternuras, de encantamentos, de toques de pele com pele...
Que maravilha!!
Beijinhos, Ana Paula... que linda que é!

Su disse...

Moça querida, vim várias vezes aqui esses dias... e "li você"... senti a emoção de cada instante... e os olhos aqui viraram mar... lembrei do momento em que meu Rafael nasceu... meu anjo...

lindo isso, quanta emoção.

amo a doçura das palavras que você escolhe ou melhor "colhe" para nós...


lindo domingo pra ti!

Su.

Tina disse...

Lindo!
Tem gosto de estrelas, sol e lua, mar e rio, doçura e sal, gosto de tds os gostos já experimentados e de outros que nem sabemos descrever exatamente e jamais saberemos, pois a definição muda a cada dia, cada água, cada gota, cada ir e vir.

Sandes disse...

Lindo, lindo, lindo! Só amor, carinho e ternura!

Anne Lieri disse...

Ana Paula,que lindo seu texto!O primeiro banho, a primeira água, a primeira emoção, o primeiro carinho...ficou maravilhosa sua participação!bjs e boa semana!

Cris Martins disse...

ain minha vontade de ser mae só aumenta!!
sonhei q estava gravida acredita!
ki deliiiiiiiiiiicia!! rss

Bjos amore!

Rafaela disse...

Lindo demais!
Parabéns.
Beijos