segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dedo mindinho

Meu dedo mindinho foi especialmente cuidado.
E não me refiro à minha mãe, não. Porque soaria óbvio: a quase totalidade das mães sentem um encantamento pelo dedo mindinho de seus filhos recém-nascidos. Aquela "coisinha"enrodilhada na palma da mão, que se for gorducho, enche a mãe de adjetivos fofinhos, se for delgado e longo, suscita sonhos de um filho pianista. Assim são as mães e os mindinhos.
Também não foi um ortopedista quem mimou meu dedinho.
Foi a professora de datilografia.

As brumas do tempo, ingratamente encobriram o seu nome na minha memória. Mas eu me lembro de seus vestidos e a sua voz doce com aquela capacidade de nos fazer tentar, insistir, perseverar.
As aulas eram dadas num salão paroquial e naquela primeira semana de aula desejei desistir. Não tinha controle, não tinha força no dedo mindinho.
Foi então que as experientes mãos da professora de datilografia se aproximaram da minha assustada e desmotivada mão esquerda de adolescente.
Com uma de suas mãos apoiou a minha, com a outra acariciou meu dedo mindinho, como uma mãe, e proferiu algumas palavras que diziam da capacidade daquele dedo adormecido que guardava em si a vontade explosiva de cooperar com os outros, de fazer a sua parte no trabalho e ser reconhecido. Havia força e determinação guardados ali naquele dedo mindinho. Havia força e determinação na voz daquela senhora.
Em algum momento a tecla redonda de metal foi ganhando vida e logo o dedo mindinho subia e descia com desenvoltura.
Tirei o diploma de datilografia. Tive o primeiro emprego aos quatorze anos que exigia a datilografia. Aprendi a não desanimar. Aprendi a força de um dedo mindinho!
E para recordar o som das antigas máquinas de escrever, música!


13 comentários:

Anne Lieri disse...

Ana,até o dedo mindinho deu um belo texto!Confesso que sou catadora de milho na digitação até do PC, na máquina então...nem me fale!....rss...bjs e boa semana!

✿ chica disse...

Que coisa linda,Ana Paula!!Adorei a descoberta dessa força no mindinho.

E que lindo vídeo. Nos divertimos por aqui...Adorei! beijos,boa noite,chica

✿ chica disse...

Eu também aprendi datilografia e o barulhinho me levou laaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá pra trás... beijos

Li disse...

Já tinha ouvido essa música há alguns anos (em minha lua de mel!) e amado!!! Adorei!
Adorei também o poema: sim, é verdade, ainda me apaixono todas as vezes que olho para o mindinho de meu filho e sonho mesmo com as mãos de pianista que ele tem... Será um pianista algum dia?!
Adorei a sua professora de datilografia, parecia alguém com vocação e delicadeza para ensinar...

Beijos!!!

Lívia.

Ivani disse...

Ana querida, o video não abriu para mim, mas o texto está delicioso.
Com uma professora dessas deve ter sido deliciosos aprender.
São raras as pessoas carinhosas e atentas com adolescentes.
Quando aprendi datilografia, isso nos anos 60, colocavam uma espécie de banquinho sobre as teclas, para a gente aprender a teclar sem olhar.
Com voce também foi assim?
Trabalhei anos como datilografa e adorava.
Ainda teclo bem, confesso, e gosto muito.
Esse assunto me levou a lembrar tantas coisas, que delicia isso de voltar no tempo!
Beijos querida, adorei!

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, que analogia bem bolada. O seu dedo mindinho nos ensina o "nunca desanimar".
Adorei a postagem.
Beijo
Manoel

Tina disse...

Também fiz aula de datilografia, que boa lembrança :)

Aleska disse...

Esse texto foi uma crônica muito boa. Eu também aprendi a usar todos os dedinhos para digitar, só que na minha época já era em computador rss. Meus dedos desde bebê eram longos, mas nem nos sonhos mais lindos de minha mãe eu poderia ser pianista rsss. Acho que talvez escritora eu possa ser. Beijos!

Antonia Ivani disse...

Oi Ana, voltei! voce me enviou o video e eu vi. Coisa mais linda!
Voce tem razão, é um video delicioso.
Não respondi por e-mail porque meu Outlook resolveu que não vai mais enviar mensagens.
Minha caixa de saída está cheia, toda parada, porque simplesmente não sai mais nada daqui. Não é legal?
Nem imagino o que aconteceu. Vou dar um tempo para ver o que acontece, senão terei que consultar os universitários kkkkk!
beijos querida, obrigada por mandar o video para mim.

Carolina Lima disse...

Não fiz aula de datilografia mas adorava passar tempo datilografando textos na enorme máquina cinza que tinha lá em casa.
(Que forma estranha de passar o tempo!)

Beijinhos :**
Carol
www.umblogsimples.com

Tina disse...

Meu dedinho indicador que anda esquecido do que as aulas de datilografia ensinaram e o rei aqui do teclado, mandaram um e-mail pra vc-Julinha :)

mfc disse...

Um incentivo dado com ternura produz milagres!
E foi este o caso.
A tua professora era uma professora a sério...!
Beijinhos,

Bia Hain disse...

hahaha, Que legal, Ana! Ler seu texto me fez pensar que a professora deveria ser algum tipo de fadinha dos dedos mindinhos adormecidos, hahaha. Eu sou apaixonada por dedos de nenéns, todos, nem precisa ser o mindinho! Adorei a partilha e estou acrescentando seu link no meu texto. Um abraço!