segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bibliotecas

Biblioteca. Você utiliza? Você frequenta?
A Tina fez uma postagem excelente há alguns dias, entitulada "Em defesa das bibliotecas" e nessas coincidências do viver, tenho me deparado por várias vezes com este assunto: as bibliotecas.
O primeiro contato que eu tive com uma, foi dentro do colégio onde eu estudava.
Era uma grande sala de móveis escuros, tapetes e dona Jovina, a bibliotecária que não admitia um ruído sequer, fosse mesmo da respiração. Não me sentia à vontade ali. Era uma biblioteca austera demais.
Conseguia não fazer uso dela, graças à minha vizinha que comprou do vendedor que passou em sua porta a "Barça". Comprou estante nova para a sala e era lindo de ver aquela coleção vermelha que até brilhava. Ali eu me socorria para os trabalhos escolares e também me diria a uma pequeníssima lojinha "bazar e papelaria"para comprar os decalques que enfeitavam as páginas de papel pautado ou mesmo cartolinas. Adorava passar o decalque para o papel: mergulhava-o em água até a figura soltar-se. Às vezes não dava certo...
Por este mesmo tempo, onde eu já podia dar uns passos sozinha, ensinaram-me uma biblioteca que ficava na rua do colégio, duas quadras distantes. 
Fui conhecer e me encantei. Não havia a rigidez de dona Jovina. O ambiente parecia respirar; amplo, claro. Ainda assim para se pegar um livro era preciso recorrer ao enorme fichário metálico com suas fichas verdes que continham o número do livro. Nada fora do lugar, nada de fuçar prateleiras.
Tive a sorte de morar, assim que meu filho nasceu, ao lado de um centro cultural, que fora inaugurado uma semana após minha mudança. Fui conhecer o que era, o que tinha neste espaço e me surpreendi com a biblioteca imensa, entre poltronas confortáveis, espaço infantil, colorido e a liberdade de fuçar qualquer estante, pegar o livro e deixa-lo sobre um carrinho. O silêncio é um elemento que faz parte deste contexto.
Assim que meu filho completou um ano, comecei a retirar livros infantis, ensinei-o a cuidar, o devolver e lemos muitas histórias, vimos muitas figuras durante um ano inteiro.
Hoje eu frequento a biblioteca da escola das crianças. Entro, pego o livro escolhido, marca-se numa carteirinha. Não é um local para os pais ficarem, sentarem. Infelizmente.
Acho que seria importante, crianças vendo pais ali lendo.
E também por estes dias, assisti a um programa na tv, onde se falava na necessidade de modernizar as bibliotecas no sentido desta liberdade.
Observou-se o "sucesso"que estão fazendo as grandes livrarias. Enormes "pufs", almofadas espalhadas por espaços destinados à leitura, café, muita gente circulando, barulhos e muita gente lendo em meio a todo esse burburinho.
Então levantou-se esta questão: as bibliotecas convencionais são espaços chatos.
O silêncio é imposto, o que afasta as pessoas. Muitos discordaram, dizendo ser essencial o silêncio. Outros aderiram à versão mais descontraída. Deixaram de fora a utilização, por exemplo, para pesquisas, atendo ao uso recreativo.
E as bibliotecas virtuais? Alguém está usando?
Eu li que as principais operadoras de telefonia móvel estão oferecendo o serviço. Eu ainda não li nenhum livro por meio virtual. Ainda sou apegada ao papel!
Como você acha que deveriam ser as bibliotecas? Devem manter-se silenciosas? Um café ao lado de um livro, funciona, numa biblioteca?
Ideias é o que não falta. Olha a criatividade do pessoal!


Esta, ou melhor, este telefone público foi transformado por um desenhista arquitetônico, John Locke, que instala as prateleiras e as supre com livro doados em Nova York.
Bom, no final da reportagem, dizem que por lá também param uns "caras"que enchem sacos plásticos com livros e vão embora...



Essas ao ar livre, são realmente inusitadas. não se preocupem porque lonas gigantes protegem da chuva!
Tem mais imagens neste blog aqui.


Essa é um sonho de consumo. Só não sei se aos oitenta vou subir estas escadas com tanta destreza!
Também há outra imagens aqui.
E temos a nossa bibliotecária-guerreira-blogueira. Conhece a biblioteca que ela está formando? Ou melhor, os sonhos que ela ajuda a construir?
Passa aqui e se tiver um livro para doar, será mais um na prateleira na biblioteca Ler é bom!
Ah! E não esqueçam de dar a opinião: com silêncio, barulho, café, companhia, digital...
Beijo



11 comentários:

Kellen Bittencourt disse...

Oii Ana, utilizava muito na faculdade e na época de colégio, mas atualmente não mais, na escola da minha filha tem uma Biblioteca sensacional, e ela utiliza bastante! Aki na minha cidade nos pontos de onibus tem prateleiras como esta do orelhão, é bem legal, mas não são livros e sim revistas e jornais, p o pessoal ler enquanto espera o ônibus! Não sei dizer se somem muitas revistas ou se o pessoal respeita e devolve, mas elas estão sempre lá p alegria de quem espera o ônibus! Muito legal a postagem! Bjinhosssss

Tina Bau Couto disse...

Na minha opinião cada um tem seu hábito de ler, uns em silêncio, outros com o som ligado, outros andando, uns leem em voz alta, outros leem sentados, deitados, no ônibus (ainda que nossos avós digam que faz mal) e para tanto acho válida a democratização das bibliotecas.
Espaços reservados para os mais clássicos e adoradores do silêncio, espaços descontraídos.
Sou super a favor de bibliotecas móveis, sejam em vans, carros, bicicletas, barquinhos...
Sou a favor de livros em pontos de ônibus, de livros em repartições públicas, hospitais, estações de trem, bancos, em filas de espera...
As bibliotecas em si, devem sim se modernizar na ambientação física, na relação com os leitores, na promoção de sues serviços e do bem imensurável que conetem.

PS: Não sou mto de ler livros pelo computador ou celular, mas é mais uma maneira de democratizar leitura, como áudio-livros e outros breguetes que não me agradam, mas se agradarem a uma criança só que seja, um adolescente, adulto, surdo, mudo, já vale a pena.

#*Marly Bastos*# disse...

Eu sempre fui piolho de bibliotecas. Qualquer trabalhinho escolar era motivo pra eu ficar "entufuiada" lá, e passava o dia inteiro. Eu adoro silêncio, e por isso me sentia no lugar certinho. Não me importava com a rigidez do silêncio imposto.
Trabalhei vários anos nas bibliotecas escolares e creio que foi uma das melhores experiências que tive, pois eu incentivava a leitura e foi maravilhoso ver o resultado.
Biblioteca virtual eu nunca usei, pois gosto de pegar um livro e ir pra um lugar confortável pra ler e até tirar um sonequinha pra sonhar com a história rsrsrsrs.
Beijokas doces

✿ chica disse...

Eu usei muito a biblioteca e incentivo até hoje.Vejo Neno sempre às voltas om livros e sua carteirinha da biblioteca da escola! Lindo que elas existam e sempre e cada vez mais necessárias! beijos,tudo de bom,chica

Tina Bau Couto disse...

Voltei :)

Sobre eu e as bibliotecas, eu usava a da minha escola, estudei lá desde a alfabetização ao 3º ano do ensino médio, nem de carteirinha eu precisava..rsrs
Sempre morei no mesmo bairro, em trés domicílios diferentes, mas no mesmo bairro onde fica a Biblioteca Monteiro Lobato, num bairro próximo tem uma outra grandona A biblioteca dos Barris, ambas públicas e lotadas de livros.
Uma tia com que convivi muita na infância sempre foi a minha janelinha para os livros e centro culturais, lembro de ir com elas a oficinas e de na cada dela ter um monte de livros , inclusive um troço tipo sapateira com a coleção de Monteiro Lobato e de livros de Ziraldo.
Desses livros encenávamos peças nos bairros onde ela morava e em teatros e eventos que ela sempre participou.
A brasa eu consultava na casa de vizinhos, lá em casa não tinha.
Meu filho desde que começou andar ia a Biblioteca Monteiro Lobato era religiosamente um passeio diário, que incluía parar na banca de revistas, ver os pombos da praça onde fica a biblioteca e os peixes de um laboratório de analises clinicas onde ele era conhecidíssimo e ainda tinha ver o fusca que ficava estacionado em um prédio e as vezes ao final da trade ver os sinos da igreja do Colégio Salesiano onde depois ele estudou, badalarem as 6 da tarde.
Tudo isso registrei por escrito, falamos sempre na presença dele e tenho em fotos que vou scannear dia deses e fazer um post :)

Débora Carneiro disse...

Oi Ana!

Comecei a frequentar biblioteca muito cedo, primeiro da escola, depois da cidade onde morava, como estudava pela manhã, adora ir as tarde para lá, esquecia do mundo, mergulhada em outros mundos...viajava!
Hoje, confesso que não vou, o que costumamos fazer é ir em livrarias com as crianças, que por sinal amam. Já fizemos dois livreiros coloridos, um para cada nos respectivos quartos e faremos uma sala de leitura, uma mini biblioteca aqui em casa...
Em relação a biblioteca acho que seria bem legal uma colorida, cheia de pufs e sofás confortáveis, cafés...o barulho não me incomoda. Não gosto para leitura de ambientes frios, secos como são em algumas bibliotecas...
Bjo grande!

Ivani disse...

oi Ana querida, meu primeiro contato com uma biblioteca foi aos 14 anos.
Comecei a trabalhar em uma grande empresa (sim, naquele tempo podia!) e eles deixavam à disposição dos funcionarios uma biblioteca muito bem organizada.
Pude inclusive cuidar dela, um ano depois, substituindo a moça que cuidava. Foram anos deliciosos, podia ler o que bem entendesse! kkkkk e os títulos eram muito bons, livros novos e antigos, uma delicia.
No colegio também tinha uma grande biblioteca (era estadual, sim, era ótimo!) e lá também íamos sempre.
Ensinei meus filhos a importância da leitura, incentivei, comprei livros para eles. Meus netos adoram ir nessas livrarias de shopping e ficar por lá, folheando, os mais velhos já leem!
Meu neto mais velho, com 11 anos, pe de livros de presente. Isso não tem preço!
Adoraria poder visitar mais, e penso que uma biblioteca tem que ter silencio, mas não austeridade.
Café? eu dispenso, mas deveria ter sim, faz parte do imaginário. Um livro com uma xícara fumegando ao lado é muito charmoso! kkkkk
Parabéns pela bela postagem, amei! beijos

Tina Bau Couto disse...

Eu ando numa fase de digitar coisas erradas e fico pirada comigo mesma, coisa de pró ou de ariana perfeccionista, não sei se a pressa, se cansaço, posso culpar o teclado?...rsrsrs

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, perfeita a sua postagem. Na minha opinião, as bibliotecas posem ter:

"silêncio, barulho, café, companhia, serem digitais e até terem...Beijo"

Desde que não impeçam o hábito da leitura.
Beijo
Manoel

VERINHA disse...

Eu gosto do silencio para ler, me concentro mais. Gosto também das livrarias com café e tudo o mais, quando minha bebe era mais bebe, levava ela em uma livraria todos os sábados, era o dia de contar historias, ela adorava porque os contadores faziam vozes diferentes e ficava bem divertido. Emprestei muitos livros na biblioteca da minha cidade quando menina e já paguei multa por não devolver no dia, mas não era por maldade, puro esquecimento, a bibliotecária deixava-me uma semana sem pegar livro algum e para minha pessoinha era um castigo muito cruel. Ainda tenho o cartão da biblioteca em minha carteira, fico com pena de tirá-lo de lá.kkkkkk
Adorei o post, muito bom falar de livros, ouvi uma vez alguem dizer que os livros nunca param em nossas mãos, eles caminham, se vão. Ainda consigo fazer uma biblioteca, meu sonho.

ONG ALERTA disse...

Maravilhoso post pois ninguém mais vai a uma biblioteca hoje em dia, beijo Lisette.