quarta-feira, 16 de julho de 2014

A saga da escrivaninha

Nossa filha não queria mais uma escrivaninha compartilhada. Queria sua própria e exclusiva escrivaninha. E era simples a que ela almejava - apenas o local para escrever e uma portinha.
Ela mesma já tinha pesquisado o modelo e o valor pela web.
E então começou a saga da escrivaninha.
O pai, achou o modelo simples demais para o preço cobrado.
Ofereceu uma ida às casas Bahia. Voltaram de lá sem encontrar o desejado.
A menina insistiu na loja que ela pesquisou. O pai cedeu. Eu sugeri resolver tudo pela internet. Entramos no carro e rumamos para a capital.
A menina ia faceira.
Lá chegando, o pai examinou o modelo ao vivo e sentenciou: é muito caro e isso aí parece ser feito de papelão. Tenho uma ideia muito melhor.
Voltamos para nossa própria cidade e marido, enquanto dirigia falava as maravilhas da loja que em poucos minutos nos receberia.
"Lá sim tem móvel de qualidade; madeira mesmo; coisa que dura pra vida inteira e alguns blás blás.
Alguns minutos foi força de expressão. Depois de uma hora chegamos.
Marido com passos firmes nos conduziu para o interior da loja. A vendedora mostrou um primeiro modelo que não agradou e o segundo que era exatamente o que marido queria ( a filha, mais ou menos ).
E então aconteceu ( de novo):
"Quanto custa?"
"Mil e oitocentos reais".

Foi um 7x1 para marido ( de novo ).
Ele não esperava por aquilo. Negou-se a pagar 350 e agora aquele golpe.

Não fiz nenhuma pergunta para marido após essa derrota.
Voltamos em silêncio para casa.
Porém, ele resoluto, respirou fundo, bebeu um copo d'água e ligou o computador para novas pesquisas.
Encontrou o produto e pediu-me para efetuar o cadastro e a compra.

Trinta e seis dias úteis para entrega, eu disse. E o frete era mais de cem reais.
Desse jeito acaba a escola, acaba o ano e eles ainda não entregaram. Esquece.

Põe aí xxx.com.br. Tem! Olha que bonitinha!
Não entregam no nosso cep.
E se a gente for no mercado ( pertinho de casa ) e falar que vimos no site do mercado, se a gente pode comprar e retirar no próprio mercado.
Nada feito, uma coisa é o mercado virtual, outra é aquele sempre com filas enormes.

Voltamos para casa e então marido se lembrou da loja de móveis planejados na rua de baixo.
Fomos. Explicamos, desenhamos e ouvimos:

"Dois mil e oitocentos e você podem escolher o acabamento em"
Nem ouvimos mais o que a vendedora dizia.

No caminho de volta marido disse que aquilo parecia o jogo Brasil x Alemanha, depois dos cinco gols, nada mais abalava. Então depois dos mil e oitocentos, custar mil a mais, já era insignificante.

A menina estava entristecida. Eu exausta.
Atirei-me no sofá finalmente.
Janta, louça, passeio noturno com o cachorro e sofá com livro.
Confortavelmente acomodada, ouvi:
Vamos.
"Vamos, aonde a essa hora da noite?"
"Não fecha às 22h aquela loja que a Júlia gostou da escrivaninha? Vamos lá."
Devido ao meu cansaço, sugeri mais uma vez, que tudo fosse feito via web.com.
Passava das 21h quando saímos.

Dessa vez compramos e retiramos o produto na hora para montar em casa!
Marido estranhou o peso da caixa. "Nossa, como pode essa coisinha ser tão pesada?"

Manhã do dia seguinte, marido coloca sua roupa de montador de móveis, posiciona suas ferramentas como se aquilo fosse uma cirurgia e então começa a abrir a caixa.


Foi um susto! Quando ele viu o tanto de peças e detalhes, começou a falar sem parar, lembrou que uma vez atendeu um sujeito que tinha levado 7 tiros na barriga e 7 dias depois estava indo embora sorridente e certamente era mais fácil do que montar aquele labirinto.
Céus - essa coisa de sete afetou mesmo o marido.

Fechou metodicamente a caixa e me chamou para dar uma volta.

Ao ouvir a palavra "volta" nosso cachorro que bem conhece o significado, abocanhou sua coleira e foi conosco.
Marido sorriu ao parar defronte a um poste.


O cachorro também ficou bastante feliz.

Ligamos para o Seu Maciel. Ele disse que morava muito longe e que não compensava o preço que cobraria, porque teria que cobrar muito caro.
Quanto?
Cinquenta.
Marido disse que não faria nem por cem. Manda ele vir.
Pedi, dei endereço, dei telefone.
Então ele perguntou se era "Oi". Não, não é oi.
Mas eu não posso ligar se eu me perder porque o meu é oi.
Oi? Liga a cobrar.

Em quarenta minutos estou aí.
Passou quatro horas e nada do seu Maciel.
Então ele ligou, confirmou e chegou de carro.
Todo esfolado, coitado.

Estava vindo de moto. Caíram, ele e a esposa. Nada grave, ainda bem. Só joelho e cotovelo ralado. Tiveram que voltar para casa e pegar o carro.
A esposa o ajudava e entre um manuseio na furadeira e outro parafuso, ela parava e tentava convencê-lo a colocar água oxigenada no braço. Ele dizia ter medo.


Em quinze minutos, a escrivaninha estava montada. E o seu Maciel nem olhou o manual!
Bem, agora falta a cadeira.
Mas vamos dar um tempo, ainda estamos cansados só com a escrivaninha!






14 comentários:

✿ chica disse...

Bah!! Confesse que tive que rir aqui, apesar de toda essa saga! Mas as coisas são mesmo complicadas. Queremos algo, pesquisamos , vamos longe e de repente, acabamos , por todo$$$$$ o$ motivo$ a ficar com a primeira... Enfim, viva aquele poste om o cartaz do seu Manoel! Valeu e foi bom te ler, como sempre! Que Júlia use bem! beijos,chica

Amara Mourige disse...

Ana, foi uma novela das 9 horas,ainda tem o próximo capítulo "A cadeira"
Muito legal o texto, adorei ler!
bjs
Amara

Rovênia disse...

Ai, ai... que aventura!

Bom, a Júlia, está feliz, pode escrever em paz! A-do-rei!

Beijos! :)

Tina Bau Couto disse...

Uma via-crucis essa compra de escrivaninha, aqui ainda estamos na Ilíada (ou Odisseia que é a volta)?
Nessa mesma loja virtual pesquisei e decidi comprar e o preço era até menos pois precisamos de uma bancada com rodinhas.
Sentença: Não! Pela internet não! Fomos pessoalmente, o mesmo curso de maridos e pais deve ter feito o daqui, reação: material ruim, leve, estraga fácil. Achamos ou mandamos fazer ou eu mesmo faço (não troca uma lâmpada, que ele não passe aqui e veja essa declaração pública).
Uns 3 marceneiros recebi em casa, cobraram o preço de fazer uma casa na árvore...
Lojas de móveis não tem no tamanho exato, cor exata, tudo igual a da loja ou nada que ele aceite adaptar.
E até hoje ele não concordou comprar a do incio da conversa e rodos os dias ajeito os pés da que está aqui, dou marteladas, já coloquei pregos extras amostra, fita adesiva e nada de ele achar feio ou necessário trocar.
200 é um dinheiro jogado fora com aquele móvel daquela loja tão conhecida, tão do tamanho, tão ideal. 150 numa pizza que eu disse seria cara além do aceitável, ele pagou no fds passado e ela não durou mais que a escrivaninha que preciso. Fazer o que?
Nada! Te contando pra vc achar seu jardim melhor que o da vizinha :)

Moro em um Kinder Ovo disse...

Quer o meu marido emprestado?? Fizemos esta mesma via sacra à procura de um móvel que suportasse a máquina de lavar louça porque no Kinder Ovo não tem instalação adequada para ela. Tinha que ter o tamanho desejado além de aguentar o peso da bichinha. Encontramos e ele espalhou pelo chão as peças e os trocentos parafusos. Parecia criança em frente à loja de doces. Ou como eu fico quando encontro uma liquidação de sapatos. Passou horas montando e o móvel está lá, lindo e bem montado.
Ele adora encontrar algo estragado para consertar e eu não sei o que é pagar bombeiro, eletricista e outros profissionais assim.

A Menina das Ideias disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
hilário Ana! Espero que a escrivaninha seja bonitinha ao menos. Eu adoro escrivaninhas, mas ultimamente só tenho mesa para computador que mal cabe um papel sulfite inteiro.

Selma Helena. disse...

Kkkkk
Ô Ana.... Eu bem entendo o seu marido porque sou exatamente assim!
Eu vou numa loja, duas três... Pesquiso aqui, volto na primeira e na segunda e por vezes volto pra casa sem o que quero ou preciso. E em casa, penso, penso mais um pouco, volto pra loja outra vez.... Kkkkk
Já meu marido, esse compra na primeira loja que achar o que precisa. Diz que gasta mais com combustível na procura e não tem paciência. Compra, negocia entrega e ainda pergunta pro vendedor se ele indica alguém que faça montagem.
Eu que pergunto se ele não saberia montar e economizar em "pelo menos isso!"
Kkkk
Beijos!!!!

Pitanga Doce disse...

Hahahahahahahaha quem nunca passou por coisa semelhante que atire a primeira pedra. Quando o rapaz mudou de casa, pediram o preço da cama box pra desmontar e montar, porque tem aquele amortecedor que levanta o colchão e não sei quê e o óleo pode vazar e bla bla bla e montada não entra no elevador... e fomos indo de loja e site e nada de alguém dar uma "luz". Aí ele ficou muito fulo da vida e disse: eu passei a minha infância brincando com Lego de trocentas peças todas iguais e não vou saber montar esse troço? E lá montou e ficou beleza mas antes foi a via crucis. hehe Essa escrivaninha deve ter um gostinho de história pro resto da vida. hehe

Anne Lieri disse...

Ai Ana Paula,que saga!...rss...já ouvi essa história por aqui tb! bjs,

Rafaella disse...

Meu Deus kkkkkkkkkkkkkk
Essa escrivaninha deu trabalho ate para o montador que caiu da moto rs...
Mas nessas pesquisas percebe-se como esta tudo tão caro, moveis planejados então fora de cogitação!
Não esta fácil! Mas que bom que acharam :)
Agora é a cadeira rs...

Luma Rosa disse...

Que saga, Ana Paula!
Mas sempre acontece depois de uma via sacra, ficarmos com o produto que primeiro foi visto.
Quem será que pregou no poste a propaganda do sr. Maciel?
:D
Por fim valeu a escrivaninha que a Julia escolheu e ela deve estar muito feliz!
Em casa também tínhamos uma escrivaninha compartilhada e a minha gaveta era a menor, porque cheguei por último... Depois de uma idade, passei a guardar as minhas coisas em outro lugar e fazer a tarefa na mesa da cozinha.
Me fez lembrar de um tempo bom!
:)
Beijus,

Suzy Rhoden disse...

Uau, até eu cansei lendo, imagina você vivendo tudo isso atrás da tal escrivaninha! rsrsrs O que importa é que deu certo e filha está feliz, com uma escrivaninha só para ela fazer suas produções. Pensando assim, todo esse cansaço compensou, não foi?

Beijo nas duas lindas!

Patricia Galis disse...

kkk não tem como não rir, que saga hem?
Ainda bem que O Sr Maciel esta bem...e no final a escrivaninha montada.

Calu B. disse...

Menina, que luta!Cansaço de sobra.Pernas pra que te quero,rsrsrs...
Ainda bem que tudo acabou bem.Júlia é resoluta.Dito e feito!

Bjkas felizes para as duas.
Calu